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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Jun16

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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Há dias na conferência que ocorreu no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA) com os Arquitetos Siza Vieira, Souto Moura e Nuno Grande, o Arquiteto Souto Moura lamentava que a cultura não tivesse o apoio necessário por parte do estado e acrescentava que tal como existe um SNS – Serviço Nacional de Saúde, deveria existir um SNC – Serviço Nacional da Cultura. Pois estou plenamente de acordo tal como estou de acordo que a contabilidade da Saúde, da Cultura e acrescento a da Educação, em despesas deverá ser contabilizada em dinheiro (euros), em lucros, deverá ser contabilizada em saúde e mais saúde, em cultura e mais cultura e em educação e mais educação para todos, como tal, as despesas deverão ser também de todos, ou seja, do Estado.

 

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Vem isto a respeito de que na politiquice caseira que se faz cá na terrinha, muitos apontam o MACNA como um “elefante branco”[i] , no entanto se olharmos para o MACNA como um polo de cultura, não só da arte contemporânea mas também da arquitetura, graças à autoria do projeto ser do Arquiteto Álvaro Siza Vieira, Prémio Pritzker[ii], temos dois fatores que colocam o MACNA e a cidade de Chaves no roteiro mundial da Arte e da Arquitetura. Logo a despesa, também deverá ser contabilizada em dinheiro e paga por todos, e em troca teremos o lucro a ser contabilizado em cultura e mais cultura. Daí, também eu que até costumo ser bem crítico nas coisas que se fazem por cá, com o rótulo de animação cultural, promovendo eventos que nada animam nem promovem nem trazem gente a Chaves, quando muito entretêm papalvos que nada têm que fazer, o MACNA, para além da cultura, mesmo ainda antes de abrir portas, já trouxe umas largas centenas de pessoas à cidade, incluindo muitos estrangeiros. E estamos conversados.      

 

 

1600-macna (770)

 

[i] Elefante branco é uma expressão idiomática para uma posse valiosa da qual seu proprietário não se pode livrar e cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor. O termo é utilizado na política para se referir a obras públicas sem utilidade.

 

[ii] O Prémio Pritzker é atribuído anualmente pela Fundação Hyatt a um arquiteto vivo cuja obra construída tenha oferecido contribuições consistentes e significativas para a humanidade através da arte e arquitetura. Fundado em 1979 por Jay Pritzker, é atribuído anualmente desde então e financiado pela Família Pritzker. Considerado um dos mais prestigiados prémios a nível internacional, é frequentemente referido como o "Nobel da arquitetura".

 

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25
Jun16

Seara Velha não consta, mas devia constar...

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Mais de uma vez que me passou pela cabeça de intitular estes sábados dedicados ao mudo rural com “Sábados das Lamentações” e quem acompanha o blog sabe bem o porquê, mas nunca me canso de o repetir, quer dizer, de lamentar, de vir aqui com os lamentos do mundo rural, não só do despovoamento e do seu envelhecimento, mas sobretudo das consequências desse despovoamento que nos levam à perda, morte, desse mundo rural e de toda uma cultura que é muito da cultura do povo português do interior.

 

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Claro que esta lamentação não é  por estarmos a perder um passado feito de muita pobreza e muita necessidade de um povo maioritariamente iletrado ou iliterato que aos olhos de hoje, mais que viver, subsistia. Esse passado não deixa saudades e é por conhecê-lo  que os jovens começaram a fugir dele, porque sabiam que nele não teriam um futuro mas antes continuar a subsistir tal como os seus pais e avós.

 

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Mas um novo mundo rural era possível se a tempo e com novas políticas se tivesse adaptado ao mundo de hoje, criando condições e oportunidades para que os mais jovens,  se o desejassem,  se mantivessem ou regressassem após a sua formação, às suas aldeias ou dando-lhes condições para que delas pudessem fazer aldeias dormitório, principalmente as mais próximas da cidade.

 

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Infelizmente nada se tem feito pelas nossas aldeias e todos, os que têm responsabilidades, nada fazem para salvar o mundo rural, antes pelo contrário, a maioria das medidas e politicas adotadas são um convite ao abandono.

 

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Mas não era por aqui que eu queria ir hoje, mas antes pela riqueza de um património único e singular que se está a perder com o despovoamento, não só um património cultural feito de usos, costumes, saberes, tradições, folclore de um povo castiço, mas também o de um património arquitetónico de conjunto que o são a maioria das aldeias, com a sua igreja ou capela, os seus tanques, fontes e fontanários, os fornos, alminhas, moinhos, cruzeiros e o casario tradicional do granito ou do xisto que se vai aconchegando um ao outro com as suas paredes meeiras ao longo das suas ruas estreitas, ou com os seus pátios e quintais divididos pelos muros de pedra solta. Aldeias que elas próprias são património de um património mais alargado que o são todas as aldeias do interior rural português. Mas nem todos pensam assim, ao que parece…

 

aldeiasdonorte.JPG

 

O  mapa que atrás fica em imagem foi retirado de uma publicação da entidade responsável pelo turismo Porto e Norte, cujo título é “Aldeias Norte de Portugal”. Independentemente de todas as aldeias que constam da publicação merecerem constar dela, nota-se que quem orienta a publicação são outros interesses que não são os do turismo nem os das aldeias. Outro interesses haverá para que na dita publicação não conste nenhuma aldeia de Chaves, nem de Vinhais, nem de Valpaços, por exemplo e que do Barroso apenas constem a aldeia de Vila da Ponte de Montalegre e Vilarinho Seco de Boticas. Aliás se observarem bem o mapa nota-se o grande vazio que existe entre aldeias em todo Trás-os-Montes. Pelos vistos Trás-os-Montes e principalmente a nossa região do Alto-Tâmega e Barroso, turisticamente falando tem pouco interesse, dizem eles os responsáveis por… pois meus senhores, para que conste, há muitas mais aldeias para além do Vilarinho Seco e Vila da Ponte, aliás a grande maioria das aldeias do Barroso, do Alto-Tâmega e de Trás-os-Montes mereciam constar dessa e de muitas mais publicações turísticas.  

 

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Mas tudo isto, o meu post de hoje, vem ao respeito de agora a cidade de Chaves ter entrado para o roteiro onde existem obras de arquitetura de interesse mundial, tudo graças ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso ter sido projetado por um arquiteto premiado com um Pritzker, o Arquiteto Álvaro Siza Vieira. Então não seria de aproveitar esta mais-valia para oferecermos aos futuros visitantes interessados em arquitetura um roteiro das aldeias interessantes da região. Pois se alguém responsável pensar nisso não se esqueçam de nela incluir Seara Velha, entre outras de Chaves e do Barroso. Mas hoje só fica o nome de Seara Velha por ser ela a que empresta as imagens a este post.  

 

 

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