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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Ago16

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

Enfeitiçados, desceram a Rua Cândido dos Reis.

Pararam na esquina da “Casa Calado”.

Olharam um para o outro. E com um aperto de mão, a dar uma ajuda ao desaperto da voz, despediram-se com um «até amanhã» cheio de cumplicidade subscrita pelo olhar.

 

IV

 

No dia seguinte, pouco passava das oito da manhã, o “Rapaz da Terra Quente” e o “Rapaz da Terra Fria” entraram na Igreja de S. Pedro. Benzeram-se com umas pingas de água benta e viraram costas ao santo e seus companheiros. Pararam à porta. Simularam olhar ora para esquerda ora para a direita, mas sem perder de vista a entrada da casa dos seus segredos mais fresquinhos.

 

Um grupo de estudantes da Escola Comercial e Industrial acomodou-se junto ao gradeamento do adro. Uns fumavam um «20-20-20»; outros, «Português Suave», e dois mais jovens davam umas chupadelas nos «Provisórios». Todos viraram a cabeça ao mesmo tempo.

 

Pela porta dos mistérios saíam duas cachopas, vestidas de igual, de cor trigueira, e cheias de graça.

 

- Como são lindas as “Lindas”!   -  murmurou o que, pela envergadura e idade que aparentava, devia ser dos mais antigos tarimbeiros da Escola, daqueles que são a demonstração de que «às três tem vez».

 

O “Rapaz da Terra Quente” e o “Rapaz da Terra Fria” ficaram a saber o nome das cachopas.

 

Que consolação!

 

Até lhes pareceu que elas tinham adivinhado a ansiedade que os consumia para vê-las quando perceberam que caminhavam na sua direcção.

 

O coração de um e o coração de outro pareceu sair-lhes do peito!

 

Elas vinham sorridentes, bem-dispostas.

 

E tão graciosas!

 

Entraram pelo portão, atravessaram o adro e sumiram-se dentro da Igreja sem o mínimo sinal de terem dado conta da presença, quanto mais da aflição, do “Rapaz da Terra Quente” e o “Rapaz da Terra Fria”.

 

Ambos se afastaram do seu vagar e pararam na esquina da Rua Isabel Carvalho.

 

A hora da primeira aula aproximava-se. Resolveram ir até à Rua da Dona Margarida Chaves, cortar pela frente do Palácio da Justiça, descer a Avª Carvalho Araújo e logo chegar a tempo das aulas.

 

1600-vila-real (13)

 

A meio da tarde, depois de terem passado pela Livraria do Sr. Branco, estavam a conversar naquele passeio mais largo, frente ao Banco, quando viram as duas “lindas Raparigas Lindas” descer a Rua, virar na esquina para a Rua Direita.

 

Seguiram-nas com discrição. Não demorou a vê-las dar, com uma maçaneta em forma de punho, umas pancadas na porta de uma casa quase chegada aos Bombeiros.

 

As portas misteriosas deixavam-nos cada vez mais intrigados.

 

Mal eles sabiam que ali morava o Doutor Tavares, Professor do Colégio das Meninas, e que, em casa ajudava as candidatas ao Exame para a ESCOLA NORMAL a prepararem-se para a «Aprovação».

 

V

 

Os dias foram passando entre corridas matinais pela Rua Direita a garantir a chegada atempada à primeira aula   -  não que a disciplina ...

 

(continua)

 

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