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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Ago16

Quem conta um ponto...

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301 - Pérolas e diamantes: Batman ou Jesus Cristo?

 

Eu não seria o que sou hoje se não houvesse livros. Não saberia defender-me dos percalços da vida e da sua sinuosa mediocridade. Quase me afoguei no meio desta cultura anárquica. Ainda bem que cultivei o rigor e adquiri as regras básicas da sobrevivência. De outra forma tinha soçobrado.

 

É preciso aguentar, custe o que custar. É necessário preservar a lucidez e também vigiar os desvios da imaginação.

 

Se pretendes saber a verdade, impõe-te o silêncio. Não te lamentes nem te vanglories. Não enganes ninguém e muito menos a ti próprio.

 

A utopia é recicladora e tonta ao mesmo tempo: o soldadinho ainda se sente corajoso e com forças para cavar trincheiras na tentativa de fazer guerra a si próprio.

 

Sancho Pança ou D. Quixote? Os dois, respondo eu. Os dois. E isto tem tudo a ver com as cavalgaduras. O burro ou o Rocinante? Os dois, respondo eu. Os dois. E isto tem tudo a ver com a minha história.

 

Teria eu 7 ou 8 anos, quando numa manhã, eu e o meu avô saímos da aldeia para irmos a casa de amigos. Ele montado num garboso cavalo ajaezado com selim, freio e estribos. E eu montado num burro que tinha muita nobreza e, sobretudo, mansidão. O menino João só podia montar no jerico, por causa da idade.

 

A princípio achei aquilo humilhante, mas sempre era melhor do que ir a pé, como o Joaquim, um criado que nos acompanhava, e que eu, por generosidade infantil, que mais podia ser, transformei num escudeiro munido de escudo e lança, para nos defender e também para se defender.

 

O passeio foi longo. Merendámos junto a um rio, debaixo de árvores frondosas que nos refrescaram com a sua sombra.

 

Porque estávamos de barriga cheia, o meu avô piscou o olho ao criado, a dar-lhe sinal para que ficasse, e fomos passear. Passámos por vinhedos, pomares, silvedos e lameiros. Explicou-me o mundo que nos rodeava. Por fim, fomos desembocar num moinho. Deitámo-nos em cima da erva fresca e adormecemos.

 

O meu avô transformou-se então num abastado proprietário de animais que tinham sido roubados durante a noite. Ele, corajoso como era, logo de manhãzinha montou em cima do seu cavalo branco, ou seria malhado?, e, liderando os seus ajudantes, foi atrás dos bandidos.

 

Encontraram então os índios, e alguns cowboys traidores, pois traidores existem em todos os lados, a comerciar o gado e a comer de churrasco os bois mais avantajados. O João Lorde pegou nos seus revólveres e deu forte e feio em cima dos bandidos de todas as cores, tamanhos e feitios. Ele não era nem racista, nem xenófobo, nem outra coisa qualquer. Não discriminava nada nem ninguém. A mortandade foi grande entre a bandidagem e a maior parte do gado foi recuperada.

 

Tudo terminou em bem, momentos antes de eu acordar. Assim se começa a construir a imaginação de quem depois há de passar a vidinha a escrevinhar pensando que pode um dia chegar a escritor. Parvoeiras? Claro que sim. Cada um constrói as suas. A mais não é obrigado.

 

Do que aconteceu no resto do dia pouco me lembro, mas uma coisa me ficou: a viagem de volta, montado no garboso cavalo, guiado pelo criado que segurava a arreata, não fosse o rocinante entusiasmar-se e dar às de “vila diogo”. O meu avô, já um pouco bebido, cabeceava em cima do russo como era seu feitio.

 

Morreu passado pouco tempo, o meu avô. A minha avó ficou sozinha. À dor, comecei a empacotá-la na minha memória e no meu coração atrapalhado. Mas uma coisa sim me entristece: a falta de cultura da nova geração. Já não sabem de onde vem a carne, não conhecem os sentimentos, não respeitam a velhice. Sabem menos da vida de Jesus que da do Batman.

 

Ou seja, eu não sei o que pensar dos pensadores que hoje pensam a cultura. Estou em crer que perderam muita da autoridade intelectual que possuíam antigamente. Os de agora jogam com as ideias e as teorias como o fazem os malabaristas de circo e os palhaços, divertindo e encantando a criançada. O problema é que não convencem.

 

João Madureira

08
Ago16

De regresso à cidade com estrelas

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Pois é, neste fim-de-semana alterámos tudo. Em vez de ontem termos ido até ao Barroso, ficámos na cidade de Chaves com o festival IDENTIDADES e hoje que deveríamos regressar à cidade com uma imagem de Chaves, vamos até à Galiza aqui ao lado.

 

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Tudo porque a Associação de Fotografia e Gravura LUMBUDUS resolveu fazer um passeio de fim de tarde a entrar pela noite dentro na Galiza, O objetivo era visitar a Cantara da Moura, assistir ao pôr-do-sol em Coiñedo e ver as estrelas desde Pena Trevinca, o ponto mais alto da Galiza.

 

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E claro já se sabe que passeios dos Lumbudus são para cliques e lá fomos fazendo os nossos registos. Deixamos por quatro. O primeiro da Cantara da Moura, o segundo do pôr-do-sol do Coiñedo e os  dois últimos desde Pena Trevinca.

 

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Perto dos 2100 metros de altura com uma noite espetacular para apreciar e fotografar estrelas e a Via Lactea. São noites diferentes impossíveis de serem vividas com o ruído das cidades. Só mesmo lá no alto tendo como luz apenas a luz das estrelas.

 

 

 

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