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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Ago16

A Galiza aqui ao lado - Mandín

cabecalho

 

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Festa das adegas e da amizade raiana

 

Já há muito que neste blog, de vez em quando, fazemos umas incursões em terras galegas da raia. Sei que não é o sentimento de todos, mas o de muitos, quer do lado galego quer do lado português do Norte, principalmente os da raia com a Galiza, como é o caso do nosso concelho de Chaves, que embora hoje estejam separados por pertencerem a dois estados distintos, comungam da identidade, cultura e até a língua da velha nação que dava pelo nome de Galaécia.   Assim, estas incursões em terras galegas não têm só a inocência da proximidade, mas também a da identidade que hoje assumo neste blog com uma nova crónica de “A Galiza aqui ao lado” a inaugurar com a aldeia de Mandín.

 

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E porquê Mandín?

 

Por todas as razões apontadas no primeiro parágrafo mas também por um blog (http://lamadarcos_mandin.blogs.sapo.pt/) companheiro de viagem que se intitula Couto Mixto – Lamaracos Mandín, pelo Vero filho da Teresa Neto do Revidas do facebook e autor do blog atrás mencionado, pela fama do Chico de Mandín ter como “nacionalidade” a amizade pela raia e pela “Festa das adegas e da amizade raiana”.  Mas foi esta última que me levou ao encontro de todos e atentem bem no título da festa, com negrito e sublinhado meu “Festa das adegas e da amizade raiana”. Assim mesmo sem qualquer preconceito e com toda a cumplicidade que o povo do Norte e do Sul da raia sempre tiveram e que os de Mandín cultivam, como cultivam as suas cepas que irão dar o fruto, que mais tarde encherá as pipas das adegas, cepas estas que são tratadas indistintamente quer dum lado ou do outro da raia, coisas antigas que o tratado das fronteiras que acabou com o povo promíscuo de Lamadarcos mas não acabou com o mesmo povo que habitava a aldeia e muito menos com a propriedade das terras. Daí ainda hoje Lamadarcos e Mandín ser feita da mesma cepa que compartilha festas, terras, casamentos e amizades de sempre.

 

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Mas vamos à “Festa das adegas e da amizade raiana”  escrito conforme o original que consta no cartaz galego, espero que todos entendam.

 

A festa é comunitária, quer isto dizer que toda a gente da festa bebe da mesma pipa e come da mesma mesa, e se não beber nem comer é porque não quer, pois mesa e pipa só fecham quando não houver mais ninguém para servir. Isto acompanhado pela música das gaitas de fole, caixas e bombos com os respetivos cantares populares do Norte e Sul da Raia que, muitos deles, o Blog Couto Mixto Lamadarcos Mandín reproduz num post recente que pode ser visto aqui e que se intitula: "Cancioneiro para comer e beber".

 

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Adegas, ao todo, foram 18 as visitadas. Disseram-me, pois com a festa a partir da quinta ou sexta adega perdi-lhe a conta. A comer e beber é obrigatório cumprir a “procissão” das adegas até ao fim. Uma a uma, a comer a beber a cantar e dançar, quem queria, pois ninguém é obrigado a nada, a não ser participar na festa, nem que seja só a cantar ou dançar, mas pelo sim, pelo não convém ter sempre a tigelinha à mão, não vá dar sede pelo caminho. A visita às adegas começa às 19 horas e termina quando terminar a visita à última adega. Nesta festa a visita à última adega terminou por volta das 2 da manhã, penso eu, porque de tão cansado que estava no final da festa já não recordo bem, é que festas destas de tão animadas que são, cansam, e chegamos ao final todos rotinhos, mas agradados e felizes.

 

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Festa das adegas e da amizade raiana. É assim que a organização a quer, pois tal como é está bem, e basta. Mais que suficiente para encher a aldeia com amigos vindos das aldeias vizinhas da raia do Norte e da Raia do Sul, sem muita publicidade, mas não resisti a trazê-la aqui, e que me desculpem os de Mandín, e depois não poderia começar melhor está rubrica de “A Galiza aqui ao lado”, logo com uma festa de comer e beber com amigos da raia. Fiquei fã e para o ano, se me deixarem, voltarei por lá.

 

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Ficam então as imagens possíveis com um pouquinho daquilo que é a festa, mas esta é mesmo festa a sério, onde a música e os cantares começam na primeira e acabam não última adega, sem interrupção, pois para isso lá vão os gaiteiros suplentes para se irem revezando sem interromper a música.

 

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Quanto aos cantores, cada um lá ia cantando o que sabia, e se não sabia, depressa aprendia e se não aprendia a letra, trauteava, o que interessava mesmo era a música para fazer jus ao que Cervantes dizia:  “onde há música não pode haver coisa má”.

 

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E só restam os agradecimentos à festa, à Organização, ao Vero, ao Xico de Mandín e claro, a quem nos conduziu e fez o sacrifício de resistir ao néctar de Baco ou Dionísio, o que preferirem, para podermos fazer um regresso seguro a casa. Um obrigado a todos, incluindo os Deuses.

 

 

17
Ago16

Quente e Frio!

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 A Adília era natural de Vilarinho de Freires.

A Adélia, de Vilarinho do Tanha.

A Adília frequenta “Românicas”.

A Adélia, “Germânicas”.

Andavam no Liceu desde o 1º Ano. Conheciam bem a cidade, os usos e costumes de todas as classes sociais da «Bila».

 

VI

 

No quarto vizinho do “Macário”, o “TINO da Terra Quente” e o “TINO da Terra Fria” depois de repetidos discursos a saborear as emoções do dia, combinaram escrever, cada um, uma «declaração de amor».

 

As Lindas eram gémeas.

 

Vestiam de igual.

 

Bem, de pertinho notava-se uma pequenina diferença na cor trigueira das suas faces.

 

Porém, havia uma nota que, para quem estivesse mais atento, as distinguia.

 

Havia quem pensasse que até o faziam de propósito: ambas usavam um lenço com cores semelhantes, virado para fora: uma, para o ombro esquerdo; outra, para o ombro direito.

 

O “Rapaz da Terra Quente” e o “Rapaz da Terra Fria” tinham reparado no lenço, quando as viram pela primeira vez, na saída da CAPELA NOVA.

 

Neste domingo, ficaram um pouco confusos: os laços estavam virados para dentro, e as cores ficavam mais confundidas.

 

“Linda, 

 

Desde a hora em que a vi descer os degraus da CAPELA NOVA e a segui pela Rua das Pedrinhas que a Linda ficou senhora dos meus pensamentos e do meu coração.

 

Debalde tenho procurado a oportunidade de chegar à fala consigo para lhe declarar todo este profundo amor que lhe dedico, esta paixão imensa que me consome.

 

Hoje mesmo dei conta que temos amigas em comum: a Adília e a Adélia, minhas colegas da Aula de Filosofia.

 

Com receio de que a minha carta pudesse ser interceptada, se enviada pelo Correio, aproveito para pedir à Adília o favor de lha entregar pessoalmente.

 

A minha felicidade depende em absoluto de ser correspondido, neste profundo amor, pela pessoa amada, a  Linda.

 

Aguardo com muita impaciência a sua resposta, e com toda a ilusão do mundo o seu «sim» de me aceitar como seu namorado.

 

Apaixonadamente e eternamente seu

 

Celestino”

 

 

VII

 

O Celestino queria fazer o 7º ano e seguir o Curso de Medicina, em Coimbra.

O Clementino queria fazer o 7º ano, seguir ...

 

(continua)

 

 

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