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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Set16

Quente e Frio!

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(...)

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe!

 

XII

 

Os pais das “Lindas” eram abastados. Colhiam perto de 150 toneladas de Batatas e o pai ainda comercializa outras tantas, lá por toda a Região; faziam dez medas de centeio; tinham moinho próprio; colhiam vinho e azeite para todo o ano; soutos, pinhais e carvalheiras; «Abertas» e «Tapadas»; cevavam oito a dez recos; tinham bois «a ganho»; nas cortes, uma junta de bois galegos, seis vacas barrosãs, duas éguas, um burro, uma burra e um rebanho de ovelhas; os cortelhos cheios de coelhos; e um galinheiro bem povoado com galinhas «pedrês», «marelas», «brancas» e «pretas» (estas, muito especiais para certas mèzinhas!).

 

O pai ainda se metia em negócios de «CONTRABANDO».

 

Era morgado.

 

A mãe, natural de um concelho vizinho e de uma Aldeia pegada à Freguesia deste morgado, também era morgada. Governava a casa com todo o acerto. Assim, o marido bem podia sair para os tratos que mais lhe conviessem, com toda a tranquilidade e descanso.

 

E as suas MENINAS, filhas únicas, «meninas dos seus olhos», davam-lhe alegria e estímulo para encarar as lutas pela vida com a maior valentia e o maior orgulho.

 

Elas fizeram a 4ª Classe com «Distinção». Ficaram bem na «Admissão». Dispensaram a «LETRAS e a «CIÊNCIAS» no 5º ANO. Ficaram bem no “EXAME de ADMISSÃO à ESCOLA NORMAL”.

 

Bem podiam tirar um Curso Superior. Mas desde pequenitas que queriam «ser Professora com a AVÓ, de POTAMIÃO.

 

Entraram no «Carocha» e lá seguiram para o conforto de casa.

 

O Clementino e o Celestino estavam felizes.

 

Pegaram cada um na sua trouxa e saíram da ESTAÇÃO.

 

O Clementino ainda ia apanhar a «camioneta do Marinho», que o deixaria à porta de casa, já ao escurecer.

 

O Celestino, como tinha família na cidade, passaria por lá o resto do dia e a noite. No dia seguinte, logo se veria, disse ao amigo.

 

XIII

 

Em Fevereiro chegou o 1º Semestre para as «NORMALISTAS». Com sucesso para as «irmãs gémeas», da...

 

(continua)

 

 

27
Set16

A Ardea cinéria flaviense

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Perguntaram-me se já tinha visto a cegonha que todos os dias pousava nas poldras do nosso Rio Tâmega… Pois não, ainda não a tinha visto e fui lá ver. Ela lá estava. Mas era estranha, diferente daquelas que costumo ver por aí nos ninhos e em voo e mesmo pouco mais conhecendo que as aves de capoeira, os pardais, pombas, pintassilgos, pegas, rolas, melros, gaios, boubelas, corvos e patos, deu logo para ver que aquilo não era cegonha, como de facto, pois após breves pesquisas cheguei à conclusão ser uma Ardea cinéria que em linguagem comum é uma Garça-real.

 

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Como já confessei não ser especialista em aves selvagens, ficam aqui as palavras de quem realmente percebe do assunto:

 

Garça-real
Ardea cinérea

 

Imponente, com o seu longo pescoço cinzento, a garça-real é muitas vezes a maior ave aquática que a vista alcança. Devido à facilidade com que é observada, é frequentemente uma das primeiras espécies a serem vistas por quem se inicia na observação de aves.

 

Identificação
Com quase 1 metro de altura, é a maior das garças que ocorrem  em Portugal. É uma ave cinzenta, que se destaca pelo seu longo desta. Ocasionalmente pousa em árvores ou mesmo em edifícios.  Pode ser confundida com a garça-vermelha, distinguindo-se desta pela total ausência de tons castanhos ou arruivados.

Quando em voo o pescoço encontra-se recolhido, sendo esta uma característica que a separa da cegonha-branca.

 

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Abundância e calendário
Comum. Ocorre em Portugal ao longo de todo o ano, mas é mais numerosa fora da época de nidificação. Surge associada a todo o tipo de zonas húmidas, sendo particularmente abundante nos grandes estuários e lagoas costeiras. Durante a época de nidificação é relativamente escassa e tem uma distribuição mais restrita. Existem algumas colónias no Alentejo, especialmente nos distritos de Évora e Portalegre, mas são conhecidos casos de nidificação isolada noutros pontos do território. Algumas garças-reais não nidificantes podem ser vistas nas zonas de invernada ao longo da Primavera.

 

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Onde observar

A garça-real é uma espécie fácil de encontrar. Qualquer mancha de água doce ou salobra de média ou grande dimensão é propícia à sua observação e em zonas de habitat muito favorável ou com abundantes recursos alimentares ocorrem por vezes concentrações de muitas dezenas ou mesmo centenas de aves.

 

Entre Douro e Minho – pode ser vista com facilidade no estuário do Minho e no estuário do Cávado e também na baía de São Paio (estuário do Douro). Ocorre igualmente no estuário do Lima e nas lagoas de Bertiandos. No interior é menos frequente, mas já tem sido observada nas serras de Fafe.

 

Trás-os-Montes – é a província onde a garça-real é mais escassa; observa-se sobretudo junto a barragens, nomeadamente na serra de Montesinho.

 

Litoral centro – bastante frequente e fácil de observar nas zonas húmidas costeiras como a ria de Aveiro, o estuário do Mondego e a lagoa de Óbidos, podendo também ser vista no paul do Taipal, no paul da Madriz, nas lagoas de Quiaios, e na barrinha de Esmoriz. Por vezes aparece no rio Tornada, perto de São Martinho do Porto.

 

Beira interior – as albufeiras de Vilar e de Santa Maria de Aguiar são os principais locais de ocorrência desta garça na Beira Alta; já na Beira Baixa a espécie pode ser vista nas albufeiras da Toulica e da Marateca. e também no vale do Zêzere, perto da Covilhã.

 

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Lisboa e Vale do Tejo – abundante e fácil de encontrar, a garça-real é particularmente numerosa no estuário do Tejo, podendo ser vista nos vários pontos de observação em redor do estuário como o parque do Tejo, as salinas de Alverca, o sapal de Corroios, o sítio das Hortas ou as lezírias da Ponta da Erva; ocorre também no paul da Barroca, na lagoa de Albufeira, no paul do Boquilobo e no rio Nabão, em Tomar. Ocasionalmente é vista na zona ribeirinha de Lisboa.

 

Alentejo – o estuário do Sado, a lagoa de Santo André e a ribeira de Moinhos são alguns bons locais para procurar esta garça junto à costa; mais para o interior, a espécie observa-se facilmente na lagoa dos Patos, nas barragens da Póvoa, de Montargil, do Maranhão e do Caia, bem como em muitas outras barragens e açudes da região. Outro local de ocorrência é o aterro sanitário de Beja.

 

Algarve – é frequente nas principais zonas húmidas da região, como a ria Formosa, o Ludo, o paul de Lagos, a ria de Alvor, o estuário do Arade, a Quinta do Lago, a lagoa dos Salgados, a zona de Vilamoura e a reserva de Castro Marim.

 

Ocasionalmente observa-se também na Boca do Rio, na Carrapateira e nas salinas de Odiáxere.

 

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E é tudo por agora, pois pode ser que surja uma nova oportunidade e que tenha à mão equipamento mais apropriado para este tipo de fotografia. Soube a pouco mas gostei de conhecer a Ardea Cinéria

 

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Já agora ficam os créditos e o link para o sítio de onde roubei as palavras de quem sabe destes assuntos de aves:

 

http://www.avesdeportugal.info/ardcin.html

 

 

27
Set16

Chaves D'Aurora

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  1. NAMORICOS.

 

Por igual motivo, foi tomada de medo; medo não, horror; horror, não, pavor; pavor, não, terror, quando se dispôs a sair com as irmãs, em companhia da espartana Mademoiselle Des Saints, a lecionista de Etiqueta Social.

 

Lá iam todas para ver a singela exposição que o doutor José Lino de Cambezes, professor do Liceu, mandara organizar sobre os primórdios e os recentes progressos da aviação, no vetusto salão da Sociedade Recreativa e Cultural Flaviense. Entre fotos e outras peças expostas, lá estavam uma enorme gravura de Ícaro rumo ao Sol; o primeiro aeróstato no mundo a se ter notícia, que realizou um voo em 1709, batizado como a Passarola de Gusmão, do sacerdote português Bartolomeu de Gusmão; o famoso balão dos Montgolfier; o balão fusiforme assimétrico de 1881, do paraense Júlio César; a maqueta do 14-Bis, do também brasileiro Alberto Santos Dumont; a escultura, em massa de papel, a configurar o belo dirigível projetado pelo conde alemão Ferdinand Von Zeppelin; e os planadores de outros famosos precursores do mais pesado que o ar, os irmãos Wright.

 

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Um pouco apartada de suas manas e de Mademoiselle, eis que a menina viu, de repente, cair-lhe às mãos uma espécie de aviãozinho de papel. Ao se voltar para a direção de onde partira aquela espécie de origami, viu que ele provinha de certas mãos, envoltas com luvas cor de morcela, de um garboso rapaz com um sorriso irresistível – Gostava de ver-te! – Ela respondeu, com os olhos a se baixarem tímidos, como se as pupilas perfurassem a Terra, muito além do chão – Não podes! Não podemos! Bem sabes que o meu pai... – e ele, cada vez mais sedutor – Hás de dar um jeito nisso, minha bela!

 

Sorrateiramente, ao ensejo das procissões ou às missas, na igreja Matriz, Aurita fingia retirar-se para rezar diante do nicho de algum santo próximo à porta lateral. Lá fora, ia até aos fundos do templo que davam para um beco, entre a Rua dos Gatos e a de Santa Maria. Já lá se encontrava, a esperá-la, o jovem amado.

 

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Em algumas raras e furtivas ocasiões, conforme já concertado a muito custo entre eles, por meio de gestos e olhares discretos no interior do templo, os namorados aproveitavam qualquer outra oportunidade que lhes bem viesse, e se punham a trocar suas juras de amor eterno. Tudo isso, porém, apenas no puro e casto gozo de estarem juntos e a sós. Eram fugazes momentos, lapsos de tempo, mas que vinham trazer à menina um ror de alegrias e venturas, difícil de explicar. Ao rapazola, porém, tais contentamentos não satisfaziam tanto e, às vezes, posto que ele, apesar da idade, já fosse bem vividinho, alguns carinhos eram por si ousados, tentados, mas repelidos de pronto pela rapariga. Um breve roçar de lábios fazia-a corar e estremecer. Então ela murmurava – Fiquemos por aqui, ora, pois... – e, só para si mesma, concluía, como nos versos que a Zefa estava sempre a dizer – “Às meninas de bom berço / muito vale ter o pejo / pois atrás de cada beijo / vem sempre um outro desejo”.

 

A cada vez em que podia ficar junto do amado, todavia, a jovem sentia crescer, dentro de si, o medo de se entregar aos mistérios do Amor. Logo afastava essas chuvas de granizo, que lhe caíam sobre os campos da mente e se deixava folgar apenas com o bem-humorado cavaquear do cigano, ou com os truques de mágico que este vivia a lhe ensinar.

 

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26
Set16

Quem conta um ponto...

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308 - Pérolas e diamantes: esterilização de pombas e esgotos a céu aberto

 

Antigamente, a riqueza anunciava-se através de coisas fáceis de partir e impossíveis de limpar.

 

Atualmente, as pessoas que têm uma vida fácil estão constantemente a explicar-nos como ela é difícil.

 

Os “artistas” possuem uma caraterística irritante que é a de tentarem fazer-nos passar por tolos. 

 

O PAN – Pessoas Animais Natureza enviou às autarquias no início de agosto um plano de controlo da população de pombos citadinos que passa por criar aquilo que apelida eufemisticamente de pombais contracetivos.

 

Este método consiste em incentivar as aves a nidificarem em locais específicos, proporcionando-lhes para o efeito alimento e água. Em troca, substituem os ovos verdadeiros por ovos artificiais.

 

Para o PAN, este plano é uma “nova forma de gestão ética da população de pombos nas cidades”, pois pretende “controlar a população de pombos de forma ética, eficaz, sustentável, ecológica e económica, sem necessidade de recorrer a técnicas letais.”

 

Descobriram agora que os queridos pombos podem transmitir agentes patogénicos e que o contacto com as suas fezes pode causar problemas alérgicos.

 

Que o diga João Neves, um antigo columbófilo e atualmente vereador da autarquia flaviense, que teve de abandonar a sua paixão devido a problemas de saúde, pois, segundo o seu pungente depoimento, “o pó que eles (os pombos) produzem estava a provocar-me problemas de asma.”

 

Felizmente, em bom tempo abandonou essa sua apaixonante atividade. “Não obstante”, acrescenta o senhor vereador, “eu gosto muito de pombos.” Não especificou foi de que forma.

 

Em Chaves, a CM decidiu proceder à distribuição de alimento às referidas aves, em duas épocas distintas, impregnado de contracetivos. Em troca, as pombinhas vão ficar estéreis.

 

Mas para que a estratégia de esterilização funcione é necessário que as pessoas deixem de dar comida às pombas, para que elas procurem apenas um sítio para se alimentarem.

 

Toda esta história rocambolesca da esterilização dos pombos que, segundo o senhor vereador João Neves, não tem a intenção de acabar com as ditas aves, pois não vão matá-las, já que o pretendido é torná-las estéreis para que não se reproduzam descontroladamente, fez-me lembrar um texto de Filipe Homem Fonseca, intitulado “Soluções impossíveis para problemas insolúveis”, onde refere que há histórias de gente incrível a fazer coisas banais, gente banal a fazer coisas incríveis, gente incrível a fazer coisas incríveis, nunca gente banal a fazer coisas banais.

 

O meu problema é que não consigo decidir onde posso encaixar a história do senhor João Neves vereador e ex-columbófilo. Desta vez caberá ao estimado leitor essa tarefa.

 

 João Madureira

 

PS – Este controlo preventivo de pombos pretende, nas declarações dos responsáveis autárquicos, evitar consequências nefastas para a saúde pública, ambiente e património.

 

Sendo assim, torna-se incompreensível que a CMC continue incapaz de resolver o problema dos esgotos a céu aberto no lugar de Vale de Salgueiro em Outeiro Seco – Chaves, situação que se arrasta desde 2007.

 

E, por favor, não me venham mais uma vez com a desculpa esfarrapada, ou com o argumento esdrúxulo, de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

 

De facto, esses argumentos estapafúrdicos, e as idênticas desculpas, começam a cheirar ainda mais mal do que as fezes dos pombos espalhadas pelas praças do município e os esgotos a céu aberto em Outeiro Seco.

 

 

26
Set16

De regresso à cidade com duas imagens

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Hoje fazemos o regresso à cidade passando pela mítica Adega do Faustino, não só pela adega em si mas também por, nos últimos anos, ser também uma casa ao serviço da fotografia, onde a Associação de Fotografia Lumbudus e também este blog têm promovido todos os meses uma exposição de fotografia na galeria da adega.

 

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A contrastar com a Adega do Faustino fica também uma macro de uma dália em celebração da entrada do outono em que a magia da cor começa a acontecer. E assim regressamos à cidade, de Chaves, claro.

 

 

 

25
Set16

O Barroso aqui tão perto... Frades do Rio

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Hoje vamos até Frades do Rio que, pelo apelido já sabemos localizar-se perto do Rio Cávado, a pouco mais de seis quilómetros da sede do concelho, Montalegre, a Poente desta vila e junto à Estrada Municipal Nº308, a única que sai de Montalegre para esses lados e que passa pelo Campo de Futebol e do Sr. da Piedade.

 

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Uma aldeia pela qual já tínhamos passado diversas vezes, ou ao lado, pela estrada,  mas que nunca tínhamos entrado na sua intimidade para verdadeiramente a ficarmos a conhecer, e diga-se que as aparências iludem mesmo, pois a aldeia é muito mais interessante do que aquilo que aparenta.

 

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Da aldeia tínhamos como referências a visitar o Altar da Moura, a Cividade de Frades e a ponte velha sobre o Cávado, no entanto já sabemos que nem tudo que é apontado como ponto de interesse tem interesse para nós e a par, há outras coisas que os livros não mencionam, que acabam por despertar o nosso interesse e Frades do Rio não é uma exceção. Dos três locais apontados apenas a ponte velha despertou o interesse da objetiva. Mas fica aqui a referência ao Altar da Moura, um penedo e à Cividade de Frades que descrevemos a seguir:

 

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Pois aquilo que é apontado com Cividade de Frades, são vestígios de um povoado de época romana localizados no fundo da vertente Sudeste do Castro de Frades, em terrenos agrícolas. Aquando da lavra dos campos, neste espaço apareciam restos de “tegullae” e cerâmica comum romana, espólio comum a povoados de época romana. Acredita-se que este povoado seja posterior ao castro. De interesse histórico e arqueológico mas que fica de fora deste nosso projeto de trazer aqui em imagem as aldeias barrosas.

 

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Cividade de frades - Vestígios de um povoado de época romana localizados no fundo da vertente Sudeste do Castro de Frades, em terrenos agrícolas. Aquando da lavra dos campos, neste espaço apareciam restos de “tegullae” e cerâmica comum romana, espólio comum a povoados de época romana. Acredita-se que este povoado seja posterior ao castro.

 

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Mas entremos então em Frades do Rio pela primeira das suas entradas como quem vem de Montalegre onde logo à entrada registámos uma grande casa que aparenta ser alvenaria de tijolo e rebocada,  mas que posteriormente confirmámos ser construída em perpianho de granito e que embora hoje abandonada ainda deixa ver bem os traços de casa abastada. Trata-se da antiga casa de um dos antigos padres da Aldeia.

 

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Mais acima e um pouco desviada do núcleo de Frades do Rio uma outra casa que também sai fora do traço comum das outras, também ela em perpianho de granito à vista, igualmente de aparência abastada e esta, ao contrário da anterior, bem conservada e pensamos que habitada, embora ser  habitação permanente. Trata-se da casa de família de um dos ilustres Barrosões de Montalegre que inclusive tem uma pequena escultura com o seu busto no centro da Vila de Montalegre à vista. Trata-se da casa de família e busto do Dr. Vitor Branco, este sim, que eu já há muito tempo conhecia, não só por ser protagonista de algumas das histórias que a minha mãe levava aos serões de lareira  do meu tempo de infância mas também por ser um dos protagonistas do “Lobo Guerrilheiro” de Bento da Cruz.

 

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No I volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte, a respeito de Vítor Branco diz-se o seguinte:

“Vítor Branco nasceu em Frades, concelho de Montalegre, em 23 de Março de 1863, sendo o décimo filho de um lar de onze. De seu nome completo Victor Manuel Gonçalves Branco, pelos 7 anos foi deslocado para Cabril, para casa do irmão que ali era pároco (Bento José Pereira Branco), de modo a fazer alia quarta classe visto que no lugar de Frades não havia escola. Feita a escola primária novo rumo: freguesia do Eiró, para junto de outro padre (de nome Venâncio), estudando Latim. A terceira meta é Braga, onde seguiu o exemplo dos dois irmãos clérigos, frequentando o Seminário, durante cinco anos. Dali, após constatar que não era aquele o seu melhor caminho, rumou até Coimbra, onde conheceu grandes vultos da cultura portuguesa, como António Nobre, Alberto de Oliveira, Antero de Quental. “

 

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E continua:

“Durante a sua permanência na Lusa Atenas, soube granjear amizades e impor se como democrata que procurou ser, logo que regressou a Montalegre, feito advogado. Aí abriu banca e fez sucesso, lutando contra os "Canedos" com os quais travou uma luta até ao fim da sua vida. Bento da Cruz editou, em 1995 o livro: Victor Branco escritor Barrosão vida e obra (Editorial Notícias) e aí escreve: "Foi neste meio tacanho, com três bacharéis em Direito e um em Medicina, que o jovem Victor Branco começou vida como vereador efectivo da Câmara e tabelião privativo de notas. “

 

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E continua:

Em 20.2.1895 casa com uma senhora de família aristocrática de Vermoim, arredores de Famalicão. Nesse mesmo ano candidata se à presidência da Câmara pelo partido progressista, tendo como opositor, outro ilustre barrosão: Dr. José Joaquim Álvares de Moura, natural de Covelães que concorria pelo partido regenerador. Perdeu as eleições. Mas em 1898, desforrava se, após ter publicado Cartilha Eleitoral, opúsculo onde acusava os seus adversários, de forma exaustiva. Só que em 1901, em novo acto eleitoral, justifica os seus fracassos, sobretudo na florestação que apenas resultou, em três freguesias do concelho, onde os irmãos padres (Bento e Guilherme) tinham bastante influência. Perdeu a Câmara a favor do adversário Germano Augusto Rodrigues Canedo, só voltando ao poder, em 1911. Em 1913 voltava a perder a presidência.”

 

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E continua:

“Entretanto, por razões de herança da mulher, é forçado a fixar residência em Vermoim, abandonando um palco de operações políticas que o celebrizara e que o levaria a escrever: "Fidalgo na minha terra, juíz na minha comarca e tocador de burros em qualquer parte". Em 1922 volta a concorrer e volta a ganhar até ao 28 de Maio, em que com a ditadura de Salazar, perde irremediavelmente o poder local. Morreu em 16 de Dezembro de 1947. Deixou alguns livros publicados: Carta Aberta, em forma de Crónica (1936), Reminiscências do Passado e Almanaque de Lembranças Locais (1941). Está perpetuado na toponímia de Montalegre, onde ficou mais conhecido pelo Dr. Bitro. Teve os seguintes filhos, todos ilustres e todos nascidos em Montalegre: Maria Cecília de Aguiar Branco (26.12.1895), falecida em Amarante, em 22.2.1973; Isabel Maria de Aguiar Branco (4.9.1899), falecida no Porto, em 3.6.1980; Ana da Glória de Aguiar Branco (31.10.1901), falecida em Lordelo do Douro, em 19.1.1980; Victor Manuel de Aguiar Branco (17.9.1904; 16.5.1927); Guilherme Francisco de Aguiar Branco (1.1.1909); Maria da Glória de Aguiar Branco (15.4.1911), falecida no Porto, em 18.12,1993; Fernanda Victória de Aguiar Branco (24.3.1913) e falecida em Lisboa, em 2.1.1978; Maria Eugénia de Aguiar Branco (23.10.1914), falecida no Porto, em 8.2.1985.

 

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Ainda a respeito do Dr. Vítor Branco, também a sí há uma referência, mais breve, no livro “Montalegre” de José Dias Batsista:

“Dr. Vítor Branco (séc. XIX - XX) nasceu em Frades do Rio, em 1863. Democrata de lei, foi um Barrosão de peso, tanto na barra dos tribunais como na política e ainda lhe sobrou tempo para escrever – e bem! – algumas belas páginas na língua pátria. As mais delas podem ser catalogadas na gaveta literária das Polémicas mas não deixam de ser bem nossas e de ter o que fazem dele um grande homem, um grande barrosão e um grande escritor. Morreu em 1947.”

 

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Mas continuemos na descoberta de Frades do Rio com a ajuda de um dos seus filhos de nome José de Jesus, ex-emigrante agora reformado que, simpaticamente, nos acompanhou na visita à aldeia e nos mostrou e alertou para os tais pontos de interesse que não vêm nos livros e que sem a ajuda do qual não descobriríamos ou ficaríamos a conhecer, como o caso do imponente carvalho secular que pelo seu porte terá mesmo alguns séculos de existência. Também foi com o Sr. José de Jesus que descobrimos o itinerário da via sacra da qual ainda restam algumas cruzes e a cada de família do Dr.Vítor Branco, bem como a visita às adegas, uma delas a sua, cuja frescura convidava mesmo a entrar no passado e bem quente dia 2 de setembro. Por último fica a referência ao conjunto do casario tradicional maioritariamente ainda com o granito à vista e sem grandes alterações, havendo mesmo algumas recuperações feitas com gosto, à pequena capela mas interessante, ao cruzeiro e uma das fontes.

 

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Para terminar a referência à ponte velha sobre o Rio Cávado que tem como substituta uma mais recente e bem menos interessante, suponho que construída aquando da construção da albufeira de Sezelhe. Esta ponte é popularmente apelidada de “Romana” e notoriamente a sua estrutura em pedra tem origens remotas, não existindo contudo qualquer certeza da sua origem. Mas dada a ocupação romana do território e a proximidade de algumas vias romanas e as características da ponte, não nos custa a acreditar que seja romana.

 

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E é tudo, restam os habituais créditos às consultas efetuadas cujas referências aqui ficam:

 

Bibliografia consultada:

 

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

“ I volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte, Guimarães, 1998

 

E ficam também os links para as anteriores abordagens deste blog ao Barroso e suas aldeias:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

24
Set16

Carvela - Chaves - Portugal

1600-carvela (148)

 

Já perdi a conta às vezes que fui ou passei por Carvela, quase sempre com a intenção de conseguir novas fotos, mas nem sempre fui bem sucedido, ou melhor, apenas uma vez o fui, a primeira, e já lá vão 10 anos.

 

1600-carvela (74)

 

Exceção para as fotos de inverno, do gelo ou carambelo, ou da aldeia submersa em nevoeiro, que dessas sempre trago algumas, ou muitas, quando esses fenómenos atmosféricos acontecem, mas em tempo de verão, pouco tenho acrescentado ao meu arquivo e, a razão é simples, não tenho encontrado novos motivos para além daqueles que registei há 10 anos.

 

1600-carvela (11)

 

Talvez seja falta de inspiração minha, talvez porque na aldeia, nos últimos anos, não tenha havido grandes alterações, tal como acontece na maioria das nossas aldeias devido ao despovoamento e envelhecimento da população. Não sei, o facto é que nas passagens mais recentes pouco tenho acrescentado ao meu arquivo.

 

1600-carvela (6)

 

Contudo, no arquivo de Carvela ainda tenho alguns motivos de interesse para trazer aqui hoje e ainda há mais para poder vir por aqui de novo e, pela certa, que os dias mais rigorosos de inverno, os tais do gelo e carambelo levar-me-ão lá de novo. Eu sei são dias frios e não muito agradável para quem tem conviver com ele, mas que é um espetáculo digno de ser visto, lá isso é.

 

1600-carvela (4)

 

Pode ser que numa dessas próximas idas por Carvela surjam novos motivos que despertem a atenção da objetiva, acredito que sim, mesmo porque os nossos interesses e o nosso olhar também está sempre em constante evolução.

 

1600-carvela (152)

 

Entretanto ficam hoje mais seis motivos de Carvela que escaparam ou sobraram dos últimos posts em que aldeia passou por aqui.

 

 

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