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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Set16

Hoje há feijoada à transmontana

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Neste mesmo dia (quartas-feiras) em tempos aqui no blog existia uma rubrica que ia intitulando “Hoje há feijoada”. Era uma rubrica com alguma critica em que se falava da cidade, mas que nunca foi bem aceite pelo pessoal da casa do poder,  o que, confesso hoje, me chegou mesmo a valer uns “puxões de orelhas” e alguns recados. Enquanto a situação se ficava pelo puxão de orelhas e pelos recados, a coisa lá ia indo e a mensagem ia chegando ao seu destino. Atos que faziam até em que aprimorasse mais as feijoadas e as servisse com mais requinte . No entanto, como “puxões de orelhas” e recados não atingiam o seu objetivo,   numa de chicos espertos, como quem sacode a água do capote, a tática mudou e começaram a apontar o dedo inquisitório a terceiros, insinuando que a feijoada estava estragada e que era destinada a eles, aos terceiros, tanto mais que eles, os do dedo inquisitório, nem sequer comiam feijoada. Esta doeu. A sério que doeu, primeiro porque a feijoada nunca esteve estragada e segundo porque as feijoadas nunca foram confecionadas para terceiros, que no entanto, inocentes, as começaram a comer, mas sempre desconfiados de se estaria estraga ou não. Posto isto, o meu bom nome de cozinheiro estava a ser posto em causa na praça e a solução era fechar o tasco, e fechou-se.

 

Mas hoje, com a calor infernal que tem feito, vieram-me à lembrança essas antigas feijoadas e de como se ficava a ferver e transpirar depois de as comer. Coisas do calor e de não ter sombras onde me abrigar do sol, também ele infernal, tanto mais que o meu médico proibiu-me de andar ou estar ao sol. Tudo isto, porque depois de ter sido obrigado a atravessar as Freiras, não pude deixar de comentar comigo mesmo, como quem diz praguejar com tanta estupidez que foi feita naquela praça, onde em vez de um espaço convidativo para estar fizeram deserto, e ainda por cima inutilizando com um tanque seco e umas poldras que não levam a lado nenhum …

 

Mas há outra coisa da qual ninguém fala, que se perdeu nas Freiras, tal como mais recentemente se perdeu no Arrabalde, dois largos e locais que estavam contemplados com um dos traços da arquitetura e da cultura portuguesa e que a cidade de Chaves deixou de ter  – a calçadinha à portuguesa e os seus típicos desenhos. Nem que fosse e só por isto, a cidade já ficava a perder, agora tanto calor e sem sombras é que custa mesmo.

 

 

 

07
Set16

Quente e Frio!

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(...)

Mas os olhares continuavam sem ser trocados, mesmo quando da saída da Missa, nos últimos domingos.

 

 

IX

 

Aproximava-se o “REGADINHO”.

 

Talvez que nesse dia de convívio estudantil aparecesse a divina oportunidade de o “Rapaz da Terra Quente” e o “Rapaz da Terra Fria” chegarem à fala com a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda; e a fada do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

 Aquela tarde de 5ªfª estava frescote.

 

As janelas da aula de Filosofia tinham manchas embaciadas.

 

Até o Professor parecia triste ao falar do Temperamento.

 

Acabou a aula, e o Celestino e o Clementino saíram sem pressas.

 

Iam para descer as escadas que dão para o Recreio dos Rapazes quando se aperceberam que a Adília e a Adélia se faziam demoradas no corredor e perto da escadaria.

 

Com um risinho intriguista e maroto, elas disseram-lhes baixinho:

 

- Vamos lanchar à “GOMES VELHA”!

 

Os «TINOS» da “Terra Quente” e da “da Terra Fria” galgaram a escadaria em três saltos, atropelaram uns quantos colegas, no pátio, e correram como desalmados até à frente da Câmara Municipal. Aí pararam. Olharam um para o outro. E sem dizerem palavra, começaram a caminhar com passo e ar solenes.

 

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Chegados à “GOMES VELHA” sentaram-se à mesma mesa do encontro com as colegas de Vilarinho de Freires e de Vilarinho do Tanha.

 

Estas não demoraram a chegar.

 

“””Desempoeiradas e sorridentes, a Adília de Vilarinho de Freires e a Adélia de Vilarinho do Tanha entraram na “GOMES VELHA” e sentaram-se junto dos colegas.

 

Um «jesuíta» para uma, um «mil-folhas» para a outra, dois «covilhetes» para os Rapazes; um «galão» para cada Menina, e uma “Laranjinha C” para um, e uma “Canada Dry” para outro”””.

 

A mesa estava equilibrada, embora os Rapazes permanecessem trémulos e suspensos das palavras das Raparigas.

 

Elas disseram umas banalidades.

 

Eles calavam sentimentos profundos.

 

Elas fizeram que provavam o «jesuíta», uma, e o «mil-folhas», a outra.

 

Eles molharam a boca seca, com a “Laranjinha C”, um, com a “Canada Dry”, o outro.

 

A par, ambas abriram o “Compêndio de Filosofia”, do «Bonifácio», mostraram, cada uma, o seu envelope inscrito com o nome de cada um, e, com toda a cerimónia e muita delicadeza, estenderam-nos ao Celestino e ao Clementino.

 

O «jesuíta», o «mil-folhas» e os «covilhetes» desapareceram; o «galão», a «Laranjinha C» e a «Canada Dry», sumiram-se!

 

Um dos «TINOS» pagou a conta.

 

800-gomes.jpg

 

À saída da “GOMES VELHA, o “Rapaz da Terra Quente” e o “Rapaz da Terra Fria” ainda conseguiram dizer, com a voz embargada, à Adília e à Adélia:

 

- OBRIGADO!

 

As RAPARIGAS foram ver as montras.

 

Os RAPAZES viraram à esquerda, meteram pela Travessa da Portela e desceram até à Capela da Misericórdia. Apanharam a Rua do Rossio e enfiaram-se no quarto do Celestino.

 

Sentados na cama, puxaram pelos envelopes, cada um tirou a sua carta e começaram a ler.

 

A do Celestino, o estudante que queria fazer o 7º ano e seguir o Curso de Medicina, em Coimbra, dizia:

 

“Celestino,

Foi com muita surpresa que recebi a sua carta.

Não tinha reparado em si, não fosse a conversa com as nossas amigas. Só num Domingo, à saída da Missa é que notei o seu perfil, na esquina da “Brasileira”.

Estranhei não o ver «de balde» na mão, pois na sua carta assim descreve as suas andanças à minha procura.

A minha presença em Vila Real deve-se ao facto de eu querer tirar o Curso do Magistério Primário.

Os estudos, a conclusão do Curso, são a minha única preocupação e a minha primeira e última prioridade.

Além disso, não vejo como poderia frutificar uma relação mais afectuosa a partir do momento em que a sua carreira continuará por Lisboa.

Esperando que lá o sucesso o acompanhe e tenha uma boa Companhia, pelo menos como capitão, despeço-me

 

Ermelinda

 

A carta do Clementino, o estudante que queria fazer o 7º ano, seguir para a Academia Militar e especializar-se em Engenharia, dizia:

 

““Clementino,

 Foi com muita surpresa que recebi a sua carta.

Não tinha reparado em si, não fosse a conversa com as nossas amigas. Só num Domingo, à saída da Missa é que notei o seu perfil, na esquina da “Brasileira”.

A minha presença em Vila Real deve-se ao facto de eu querer tirar o Curso do Magistério Primário.

Os estudos, a conclusão do Curso, são a minha única preocupação e a minha primeira e última prioridade.

Além disso, não vejo como poderia frutificar uma relação mais afectuosa a partir do momento em que a sua carreira continuará por Coimbra, em Medicina, onde não lhe faltarão «Tricanas» com quem estudar os ritmos cardíacos provocados por paixonetas «assolapadas».

Esperando que lá o sucesso o acompanhe e tenha uma boa clientela, despeço-me

 

Carmelinda

 

Acabada, em simultâneo, a leitura das cartas, na cara de ambos estava estampado o maior espanto do mundo.

 

Pegaram nos envelopes e verificaram se o vocativo da carta correspondia ao nome inscrito na face do envelope.

 

Tal qual!

 

- “Eu CAPITÃO”?! – berrou o Celestino

 

- “Eu MÉDICO?! – esganiçou o Clementino

 

- Mas que bruxedo é este?!  –  exclamou o estudante que queria fazer o 7º ano e seguir o Curso de Medicina, em Coimbra.

 

- A minha carta era para a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda!

 

- Porque me responde a Ermelinda?!

 

- - Que bruxedo é este, digo eu?! – gemeu o estudante que queria fazer o 7º ano, seguir para a Academia Militar e especializar-se em Engenharia.

 

-  - A minha carta era para a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda!

 

- - Porque me responde a Carmelinda?!

 

X

 

Um e outro sentiam que os miolos lhe estouravam.

Não podia ser!  - choramingavam.

Resolveram...

 

(continua)

 

 

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