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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Set16

O Barroso aqui tão perto... Lapela

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Nesta aventura de descobrir as aldeias do Barroso para as trazer aqui aos domingos, tentamos descobrir pontos de interesse para registar em imagem. Geralmente os pontos de interesse histórico como vestígios de castros e outros que reza a História, sem lhe querer retirar o interesse e importância, são pouco atrativos para as objetivas se fixarem neles e deles fazer um registo. Há no entanto outros pontos sem qualquer valor ou interesse histórico que, por serem atrativos,  ficam bem na fotografia e servem de convite a uma visita para quem as vê. São estes últimos que geralmente procuramos no Barroso.

 

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Numa das últimas vezes que andámos pelo Barroso fomos ver algumas aldeias da freguesia de Cabril, ou mais propriamente a margem direita do Cávado a partir da Barragem de Paradela, pois nem todas as aldeias aí localizadas pertencem a Cabril, como por exemplo Sirvozelo e Cela, por onde começámos, embora a nossa aldeia de hoje pertença a Cabril.

 

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Pois um dos pontos de interesse que levávamos para visitar eram as cacatas de Cela de Cavalos que pelas indicações que tínhamos poderiam ser alcançadas a partir da Cela ou de Lapela. Visita às cascatas que se tornou numa missão impossível, pois o nosso “calçado”, um carro ligeiro,  não era apropriado para lá chegarmos, bem que tentámos, mas não deu mesmo, e chegar lá a pé também não dava, pois tínhamos uma agenda muito completa para podermos perder tempo em andanças pedonais. Decidimos então aquilo que já temos decidido noutros locais de género – reservar um dia só para estes locais, e aí sim, com todo o tempo de um dia poderemos alcançá-los e dedicar-lhe o tempo que merecem.

 

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Pois então, nessa visita, meios desiludidos por não ter alcançado um dos objetivos, passámos ao ponto seguinte que era a aldeia de Lapela. Desta aldeia levava como ponto de referência, assinalado no mapa turístico do Município de Montalegre, a casa do navegador Cabrilho que tivemos oportunidade de ver e registar em fotografia e ao qual passaremos já a seguir.

 

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Entretanto para a feitura deste post fomos como habitualmente à procura de outros dados escritos sobre a aldeia e no livro de Montalegre, de José Dias Baptista, encontrámos a referência ao penedo da Laje dos Bois, que segundo o livro é célebre por ser incomum. Como aquando da visita não tínhamos esta referência não o detetámos mas quem sabe se não será um dos que conseguimos apanhar numa das fotos que vos deixo.

 

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Mas vamos ao navegador Cabrilho cuja História ainda não chegou a um consenso quanto à sua origem de nascimento mas que o mesmo é reivindicado por Montalegre e pela freguesia de Cabril e aldeia de Lapela. E como nestas coisas da História não gostamos de inventar vamos àquilo que está escrito, primeiro na página da net da Junta de Freguesia de Cabril e depois no livro “Montalegre” que acaba por ser a reprodução do mesmo texto, este de autoria de Manuel Dias  do livro “Montalegre terras de Barroso” :

 

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João Rodrigues Cabrilho (séc. XVI) - Segundo algumas opiniões, João Rodrigues Cabrilho, nasceu no lugar de Lapela, freguesia de Cabril. Precárias “condições de vida levaram-no a emigrar para a vizinha terra da Galiza, mas não seria, ainda, aí que resolveria os seus problemas. Era então, o tempo das descobertas, já tinha sido assinado o Tratado de Tordesilhas e as boas relações existentes entre as cortes de D. João II e os Reis Católicos (Fernando e Isabel) permitiam que portugueses e espanhóis fossem mutuamente aceites em empreendimentos de cada um dos países.

 

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Tendo optado pelo serviço na marinha , o montalegrense  Cabrilho torna-se navegador ao serviço da Espanha e cruza o Atlântico. Viveu em Cuba, participou na conquista do México, sob comando de Cortez, foi subindo na hierarquia e, é já , como oficial comandante  que integra a expedição à província de Oaxaca, onde ajuda a fundar a cidade do mesmo nome (actualmente elevada pela UNESCO à categoria de Património Mundial  da Humanidade).

 

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Em 1524, avança para a Guatemala e também aí colabora na fundação da primeira capital do país, Santiago de los Caballleros, onde fixa residência e ascende ao estatuto de Fidalgo. Muito prestigiado,  coberto de honrarias, regressa a Espanha em 1532 e toma como esposa Dona Beatriz Ortega, filha de um abastado mercador de Sevilha. A sua vocação e o seu destino estavam , porém, do outro lado do Atlântico. Retorna à Guatemala com a mulher, que lhe dá dois filhos. É sucessivamente, magistrado, governador (da cidade de Iztapa, onde passa a residir) e almirante. Nesta condição, comanda, em 1540, uma missão às Molucas (“Especiarias“).

 

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A 27 de Junho de 1542, sobe com a sua armada ao longo do flanco oeste do continente americano. Desembarca na costa a que chamaria Califórnia e na qual procedeu a levantamentos topográficos. Pouco mais de seis meses decorridos,  aí chegaria ao fim da sua vida de aventuras: no dia 3 de Janeiro de 1543, uma tempestade parte-lhe uma perna e rouba-lhe a vida. É sepultado na Ilha de Possesion, que seria rebaptizada com o seu nome. Já no nosso tempo, a cidade de San Diego, na Califórnia – onde avulta uma importante comunidade portuguesa - , celebra anualmente o Dia de Cabrilho , apelido derivado do chão de origem, Cabril, acrescentando ao seu nome.

In “Montalegre terras de Barroso” de Manuel Dias

 

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Ainda quanto à História de Lapela fica aqui a Casta do Foro da Vila de Lapela tal qual a encontrámos no sítio da net da Junta de Freguesia de Cabril:

 

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Farol de Lapela3.bmp

 

Por último vamos então nós até Lapela com as nossas impressões pessoais, começando pela sua localização, que a partir de hoje nos posts do Barroso passarão a ter mapa com a localização no concelho.

 

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 Pois quanto à localização situa-se numa das zonas mais interessantes do Concelho de Montalegre e num daqueles Barrosos diferentes ao Alto Barroso, ao Baixo Barroso. Isto para quem gosta da natureza e do ambiente de Montanha ou de Serra, pois já estamos em plena Serra do Geres mas ainda e na ordem dos 700 metros de altitude. A paisagem é composta maioritariamente por penedio e vegetação rasteira como a urze (torga) e a carqueja, entre outras espécies do género.

 

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Embora em terras de altura e de serra como atrás descrevemos, de vez em quando forma-se pequenos vales abrigados, com terra de cultivo. Foi aí que nasceram algumas pequenas aldeias, entre as quais Lapela, que contará com aproximadamente trinta construções e nem todas de habitação. Adivinha-se muito despovoada e com população envelhecida, contudo é uma aldeia simpática, com gente na rua, limpinha e asseadinha, com uma pequena capela no centro da aldeia com um acrescento aparentemente recente mais cuidado parecendo-nos servir como casa mortuária.

 

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E é tudo, restam os habituais créditos às consultas efetuadas cujas referências aqui ficam:

 

Bibliografia consultada:

 

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

 

WEB:

http://www.jf-cabril.pt/lapela.php?pg=160

 

E ficam também os links para as anteriores abordagens deste blog ao Barroso e suas aldeias:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

 

11
Set16

Incêndios - O de ontem à tarde em Oura

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Com um verão intensamente quente e seco como o que estamos a atravessar era de estranhar não haver, mas entrado o mês de setembro eles começaram a aparecer. No concelho de Chaves lá ia sendo poupado mas também, diga-se a verdade, já pouco há para poupar, pois os incêndios dos últimos anos destruíram as nossas principais florestas, ficando apenas algumas manchas dela e muito mato.

 

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Contudo há poucos dias atrás o concelho de Chaves viu-se rodeado de incêndios. Um no concelho de Boticas e outro em Oimbra fizeram com que o fumo tapasse quase por completo o sol e que a cidade acordasse no dia seguinte debaixo de uma neblina de fumo que ao longe, mais parecia um dos nossos dias de nevoeiro de inverno.

 

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Ontem resolvi ir ver os estragos provocados pelo incêndio em terras de Boticas. Como disseram que tinha começado em Pinho decidi ir até lá via Vidago, mais propriamente pela Praia de Vidago. Quando saia de Chaves começou a desenhar-se uma nuvem de fumo para esses lados.

 

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Pensava eu que tinha reacendido o incêndio, mas com o avançar na estrada a coluna de fumo indicava as proximidades de Vidago, e embora não fosse propriamente em Vidago, momentos depois verificava-se que era depois de Oura, mesmo no limite do Concelho de Chaves com Vila Pouca, com o incêndio a dirigir-se para Vila do Conde e bem próximo de Soutelinho, ambas aldeias de Vila Pouca, mas também bem próximo do depósito de gás natural existente junto à E.N.2.

 

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Dando hoje uma vista de olhos pelo Google Earth verifica-se que apenas havia algumas manchas de pinhal sendo a área a arder e ardida maioritariamente mato que nasceu após os incêndios dos últimos anos.

 

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No local estavam os Bombeiros de Vidago, os GIPS da GNR, a GNR na estrada, um helicóptero e dois aviões (fireboss, penso eu…), isto o que se avistada desde as traseiras do incêndio, pois nas suas frentes penso que haveria mais bombeiros de outras corporações.

 

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É certo que este Verão criou todas as condições favoráveis para os incêndios mas custa-me a acreditar que sejam de causas naturais. Alguns acidentais, talvez, mas acredito que a maioria sejam de origem criminosa. Tudo que há a dizer e estudar sobre prevenção de incêndios já há anos que anda a ser dito e estudado, o facto é que todos os anos em final de Verão, os incêndios aí estão.

 

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Negócio, dizem uns, incompetência dizem outros, corrupção dizem alguns, falta de justiça séria e punitiva dizem outros tantos, descoordenação também dizem, entre outras coisas... Pois para mim é tudo junto e caso para dizer “que tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta”, ou seja, tudo uma cambada de criminosos, a única exceção vai para o pessoal dos bombeiros e GIPS’s que estão no terreno a combater os incêndios, e realço no terreno, a negrito e sublinhado.

 

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É tudo uma cambada de … acrescentem aqui o nome feio que quiserem, pois qualquer um deles ficará bem após as reticências. Contudo, da minha parte, já o disse e repito que tenho todo o respeito e consideração pelos homens e mulheres que estão no terreno a combater os incêndios e que poem em risco as suas próprias vidas. Pela certa que também poderão cometer alguns erros, mas quem é que não os comete!? Os outros é que são os maus.

 

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Soluções para prevenir incêndios há-as, não é preciso inventar nada nem ser especialista na matéria, só é pena que as mesmas venham à baila em agosto e setembro e que a partir destes meses fiquem esquecidas. Lamentamos, tanto mais que não é só uma questão de incêndios, mas também de valorização da paisagem e do ambiente, onde se sonha, mesmo não sabendo que se sonha, com uma floresta nossa, autóctone onde até o pinheiro pode ter lugar por entre uma floresta variada e bordejando terrenos de cultivo cultivados. Mas para isso, tínhamos também de encarar a sério a valorização do interior e o problema do despovoamento.

 

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Mas infelizmente, tudo leva a crer que para o próximo ano, por esta altura, cá estaremos de novo com mais imagens de incêndios e o mesmo discurso.  

 

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E por agora é tudo, mas ainda hoje vamos ter aqui uma aldeia do Barroso de Montalegre. Estivemos tentados em trazer aqui hoje a terra queimada do incêndio de Pinho/Boticas, pois também elas são terras do Barroso, mas vamos seguir a caminhada do Barroso de Montalegre, que ao de Boticas lá chegaremos, e aí sim, talvez ainda venham a ficar algumas imagens da tal terra queimada.

 

 

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