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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Set16

Cidade de Chaves, 4 exposições a não perder

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 Fotografia de Jorge Bacelar

Quatro exposições que vi em Chaves, gostei e recomendo.

 

A primeira, claro,  é de fotografia, de Jorge Bacelar sobre a “Ruralidade de Gente Marinhoa”, que está na Adega do Faustino até ao final deste mês.

 

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Mostra da exposição de gravura na Biblioteca

 

A segunda é de gravura, mais propriamente a 8ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2016, que tem uma pequena mostra na Biblioteca Municipal e a exposição na Sala Multiusos do Centro Cultural de Chaves.  A exposição está patente ao público até 31 de outubro.

 

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 Exposição de esculturas na Biblioteca de Maria José Passos e Rui Paiva

 

A terceira é de escultura, com dois artistas no mesmo espaço, mais propriamente no salão de exposições da Biblioteca Municipal de Chaves onde Maria José Passos deixa os seus trabalhos debaixo do título “Conta-me Histórias” e Rui Paiva expõe os seus “Diálogos”. A exposição inaugurou ontem ao fim da tarde e estará patente ao público até 7 de outubro.

 

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A quarta e última é de um espetáculo de luz, cor e contrastes e está patente ao público todos os fins de tarde, um pouco por toda a cidade mas com especial sabor vista desde a Lapa onde o colorido do contra luz contrata com a silhueta do centro histórico da cidade.

 

Aproveite e visite, a entrada é gratuita em todas as exposições.

 

 

20
Set16

Chaves D'Aurora

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  1. PESSEGADA.

 

Abalou correndo para a Quinta, mas, quando alcançava o portal de saída, umas ciganas a detiveram aos gritos. Pôs-se a gralhar, uma delas – De que mãe és filha, ó rapariga?! Ora, pois, a fidalga não te ensinou que não se vai à casa de outra gente para roubar os limões do seu pomar? – e outra, a crocitar – Ainda mais quando esses limões são de meu homem?! – enquanto uma terceira chegou, logo a seguir, e interpelou esta última – E porque estás a pensar, ó lambisgoia, que és aliança no dedo do gajo, para dizeres “meu homem”? – ao que outra mais riu-se, com desdém – Ora pois, sua moura torta, bem sabes que ele é meu e, me-meu-zinho, sempre haverá de ser!

 

As zíngaras puseram-se a digladiar, umas com as outras e, com todas elas a se dizerem a favorita de Hernando, proferiam os mais ferinos impropérios, ora no castiço (jamais castíssimo) idioma de Manuel Maria Barbosa Du Bocage, ora no mais sonoro Caló do Romanês. (O Romanês, essencialmente oral, ou seja, sem qualquer representação gráfica, só é compreendido pelos ciganos. Transmitido pelas mães aos filhos, é basicamente o mesmo de todos os gitanos do mundo, embora varie nos dialetos e sotaques. Os da Península Ibérica usam essa variante, chamada Caló).

 

Acerca do que, a migalho, iria acontecer entre aquelas moças, nem precisava olhar por entre bolas de cristal. Logo, logo, cabelos seriam puxados como se fossem capachinhos; saias estraçalhadas, como a bandeira de um cruzado vencido a voltar de Jerusalém; pragas seculares proferidas, entre cuspidelas ao chão, como se as desvairadas se transfigurassem, àquela altura, nas três distintas senhoras do caminho de Macbeth.

 

 Refém do pavor, acuada no escuro de uma das quinas do portal de entrada, Aurora estava quase a desmaiar de medo, aflita por ser logo reencontrada por Maria de Tourém e Zefa de Pitões. As criadas, porém, esqueciam-se do mundo na companhia de dois ciganos já meio velhuscos, mas ainda bem dom-joões, ditos cujos esses os quais, entre duvidosas (ou até se diriam bem claras) intenções, ofereciam vinho às barrosãs. Estas, porém, davam preferência ao chá com civiaco, um doce de origem russa, feito com ricota e uvas passas.

 

Somente quando tiveram a atenção desviada pela algaravia das pretensas noivas de Hernando, é que as duas tontas largaram para lá os enamorados. Correram até ao discreto sítio onde a menina deveria estar, mas... lá, já não mais estava. Esforçaram-se, ora, pois, em apelar a São Longuinho, para bem de loguinho encontrá-la. Ao intento conseguido, assustadíssimas, fugiram para bem longe de toda aquela algazarra. Sem conseguirem perceber, exatamente, o que acabara de se passar no vestíbulo da festa, as criadas se desfizeram em numerosos – Ai Jesus, mas o que foi? – e a perguntarem, uma à outra – Será que algum gajo quis molestar a nossa menina?! – Apressaram-se, enfim, em se afastar dali, mas a pessegada já se adoçara de novo e, agora, as pessegantes voltavam a folgar.

 

No pátio da festa, os convidados dedicavam-se a uma dança coletiva, da qual todos participavam, inclusive os velhos, as crianças e as próprias ciganas recém-beligerantes. Logo mais se renderiam aos costumes trasmontamos, como a Dança dos Pauliteiros, de origem muito antiga (os dois paulitos, que cada dançarino traz às mãos, teriam sido espadas, outrora) e se poriam a entremear bailados de sua tradição com outras dançarias, próprias do folclore de Trás-os-Montes.

 

Ao chegar à Quinta, Aurita contou o sucedido com os mínimos detalhes e isso gerou, entre as barrosãs, alguns entreolhares de acentuada preocupação, até que os pensares e pesares saíram da boca de Zefa – Ai, menina Aurora, não te metas com o menino Camacho! “Penas que se não sabem, não se sentem elas, ora, pois”. Ainda és verdinha demais para os amores e dores – ao que Maria de Tourém acrescentou – Com este rapaz, que planta lenços de seda, mas faz as raparigas colherem rosas de estopa, sempre haverás de ter... nem saibas o quê! – e a Zefa completou – Mais dores, menos amores!

 

Esse facto fez com que, durante vários dias, Aurora ficasse temerosa de expor suas faces à janela e ser reconhecida pelas ciganas briguentas ou, até mesmo, por quem mais habitasse ao casarão em frente.

 

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