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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

27
Set16

A Ardea cinéria flaviense

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Perguntaram-me se já tinha visto a cegonha que todos os dias pousava nas poldras do nosso Rio Tâmega… Pois não, ainda não a tinha visto e fui lá ver. Ela lá estava. Mas era estranha, diferente daquelas que costumo ver por aí nos ninhos e em voo e mesmo pouco mais conhecendo que as aves de capoeira, os pardais, pombas, pintassilgos, pegas, rolas, melros, gaios, boubelas, corvos e patos, deu logo para ver que aquilo não era cegonha, como de facto, pois após breves pesquisas cheguei à conclusão ser uma Ardea cinéria que em linguagem comum é uma Garça-real.

 

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Como já confessei não ser especialista em aves selvagens, ficam aqui as palavras de quem realmente percebe do assunto:

 

Garça-real
Ardea cinérea

 

Imponente, com o seu longo pescoço cinzento, a garça-real é muitas vezes a maior ave aquática que a vista alcança. Devido à facilidade com que é observada, é frequentemente uma das primeiras espécies a serem vistas por quem se inicia na observação de aves.

 

Identificação
Com quase 1 metro de altura, é a maior das garças que ocorrem  em Portugal. É uma ave cinzenta, que se destaca pelo seu longo desta. Ocasionalmente pousa em árvores ou mesmo em edifícios.  Pode ser confundida com a garça-vermelha, distinguindo-se desta pela total ausência de tons castanhos ou arruivados.

Quando em voo o pescoço encontra-se recolhido, sendo esta uma característica que a separa da cegonha-branca.

 

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Abundância e calendário
Comum. Ocorre em Portugal ao longo de todo o ano, mas é mais numerosa fora da época de nidificação. Surge associada a todo o tipo de zonas húmidas, sendo particularmente abundante nos grandes estuários e lagoas costeiras. Durante a época de nidificação é relativamente escassa e tem uma distribuição mais restrita. Existem algumas colónias no Alentejo, especialmente nos distritos de Évora e Portalegre, mas são conhecidos casos de nidificação isolada noutros pontos do território. Algumas garças-reais não nidificantes podem ser vistas nas zonas de invernada ao longo da Primavera.

 

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Onde observar

A garça-real é uma espécie fácil de encontrar. Qualquer mancha de água doce ou salobra de média ou grande dimensão é propícia à sua observação e em zonas de habitat muito favorável ou com abundantes recursos alimentares ocorrem por vezes concentrações de muitas dezenas ou mesmo centenas de aves.

 

Entre Douro e Minho – pode ser vista com facilidade no estuário do Minho e no estuário do Cávado e também na baía de São Paio (estuário do Douro). Ocorre igualmente no estuário do Lima e nas lagoas de Bertiandos. No interior é menos frequente, mas já tem sido observada nas serras de Fafe.

 

Trás-os-Montes – é a província onde a garça-real é mais escassa; observa-se sobretudo junto a barragens, nomeadamente na serra de Montesinho.

 

Litoral centro – bastante frequente e fácil de observar nas zonas húmidas costeiras como a ria de Aveiro, o estuário do Mondego e a lagoa de Óbidos, podendo também ser vista no paul do Taipal, no paul da Madriz, nas lagoas de Quiaios, e na barrinha de Esmoriz. Por vezes aparece no rio Tornada, perto de São Martinho do Porto.

 

Beira interior – as albufeiras de Vilar e de Santa Maria de Aguiar são os principais locais de ocorrência desta garça na Beira Alta; já na Beira Baixa a espécie pode ser vista nas albufeiras da Toulica e da Marateca. e também no vale do Zêzere, perto da Covilhã.

 

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Lisboa e Vale do Tejo – abundante e fácil de encontrar, a garça-real é particularmente numerosa no estuário do Tejo, podendo ser vista nos vários pontos de observação em redor do estuário como o parque do Tejo, as salinas de Alverca, o sapal de Corroios, o sítio das Hortas ou as lezírias da Ponta da Erva; ocorre também no paul da Barroca, na lagoa de Albufeira, no paul do Boquilobo e no rio Nabão, em Tomar. Ocasionalmente é vista na zona ribeirinha de Lisboa.

 

Alentejo – o estuário do Sado, a lagoa de Santo André e a ribeira de Moinhos são alguns bons locais para procurar esta garça junto à costa; mais para o interior, a espécie observa-se facilmente na lagoa dos Patos, nas barragens da Póvoa, de Montargil, do Maranhão e do Caia, bem como em muitas outras barragens e açudes da região. Outro local de ocorrência é o aterro sanitário de Beja.

 

Algarve – é frequente nas principais zonas húmidas da região, como a ria Formosa, o Ludo, o paul de Lagos, a ria de Alvor, o estuário do Arade, a Quinta do Lago, a lagoa dos Salgados, a zona de Vilamoura e a reserva de Castro Marim.

 

Ocasionalmente observa-se também na Boca do Rio, na Carrapateira e nas salinas de Odiáxere.

 

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E é tudo por agora, pois pode ser que surja uma nova oportunidade e que tenha à mão equipamento mais apropriado para este tipo de fotografia. Soube a pouco mas gostei de conhecer a Ardea Cinéria

 

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Já agora ficam os créditos e o link para o sítio de onde roubei as palavras de quem sabe destes assuntos de aves:

 

http://www.avesdeportugal.info/ardcin.html

 

 

27
Set16

Chaves D'Aurora

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  1. NAMORICOS.

 

Por igual motivo, foi tomada de medo; medo não, horror; horror, não, pavor; pavor, não, terror, quando se dispôs a sair com as irmãs, em companhia da espartana Mademoiselle Des Saints, a lecionista de Etiqueta Social.

 

Lá iam todas para ver a singela exposição que o doutor José Lino de Cambezes, professor do Liceu, mandara organizar sobre os primórdios e os recentes progressos da aviação, no vetusto salão da Sociedade Recreativa e Cultural Flaviense. Entre fotos e outras peças expostas, lá estavam uma enorme gravura de Ícaro rumo ao Sol; o primeiro aeróstato no mundo a se ter notícia, que realizou um voo em 1709, batizado como a Passarola de Gusmão, do sacerdote português Bartolomeu de Gusmão; o famoso balão dos Montgolfier; o balão fusiforme assimétrico de 1881, do paraense Júlio César; a maqueta do 14-Bis, do também brasileiro Alberto Santos Dumont; a escultura, em massa de papel, a configurar o belo dirigível projetado pelo conde alemão Ferdinand Von Zeppelin; e os planadores de outros famosos precursores do mais pesado que o ar, os irmãos Wright.

 

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Um pouco apartada de suas manas e de Mademoiselle, eis que a menina viu, de repente, cair-lhe às mãos uma espécie de aviãozinho de papel. Ao se voltar para a direção de onde partira aquela espécie de origami, viu que ele provinha de certas mãos, envoltas com luvas cor de morcela, de um garboso rapaz com um sorriso irresistível – Gostava de ver-te! – Ela respondeu, com os olhos a se baixarem tímidos, como se as pupilas perfurassem a Terra, muito além do chão – Não podes! Não podemos! Bem sabes que o meu pai... – e ele, cada vez mais sedutor – Hás de dar um jeito nisso, minha bela!

 

Sorrateiramente, ao ensejo das procissões ou às missas, na igreja Matriz, Aurita fingia retirar-se para rezar diante do nicho de algum santo próximo à porta lateral. Lá fora, ia até aos fundos do templo que davam para um beco, entre a Rua dos Gatos e a de Santa Maria. Já lá se encontrava, a esperá-la, o jovem amado.

 

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Em algumas raras e furtivas ocasiões, conforme já concertado a muito custo entre eles, por meio de gestos e olhares discretos no interior do templo, os namorados aproveitavam qualquer outra oportunidade que lhes bem viesse, e se punham a trocar suas juras de amor eterno. Tudo isso, porém, apenas no puro e casto gozo de estarem juntos e a sós. Eram fugazes momentos, lapsos de tempo, mas que vinham trazer à menina um ror de alegrias e venturas, difícil de explicar. Ao rapazola, porém, tais contentamentos não satisfaziam tanto e, às vezes, posto que ele, apesar da idade, já fosse bem vividinho, alguns carinhos eram por si ousados, tentados, mas repelidos de pronto pela rapariga. Um breve roçar de lábios fazia-a corar e estremecer. Então ela murmurava – Fiquemos por aqui, ora, pois... – e, só para si mesma, concluía, como nos versos que a Zefa estava sempre a dizer – “Às meninas de bom berço / muito vale ter o pejo / pois atrás de cada beijo / vem sempre um outro desejo”.

 

A cada vez em que podia ficar junto do amado, todavia, a jovem sentia crescer, dentro de si, o medo de se entregar aos mistérios do Amor. Logo afastava essas chuvas de granizo, que lhe caíam sobre os campos da mente e se deixava folgar apenas com o bem-humorado cavaquear do cigano, ou com os truques de mágico que este vivia a lhe ensinar.

 

fim-de-post

 

 

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