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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Out16

Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. BRASILEIRO.

 

João Reis Bernardes, um dos mais prósperos comerciantes de Trás-os-Montes, começara sua fortuna ao norte do Brasil, graças ao comércio da borracha. Extraída do látex da seringueira, esta era considerada, desde a segunda metade do século XIX, o ouro vegetal da Amazónia. Isso, pelo menos, até ao declínio de sua extração quando, de forma criminosa e clandestina, as sementes da árvore matriz foram levadas pelos ingleses e holandeses para suas colónias na Ásia, onde iriam auferir maiores lucros e mais barata exploração da mão de obra nativa.

 

Fosse por saudades cá da terrinha ou porquê, graças ao seu tino para negócios, já previsse o colapso financeiro que se abateria sobre aquela região e a deixaria em retardo económico, até aos anos 60 do século que mal começava, o facto é que, já bem provido de bens pecuniários, o trasmontano retornou à Chaves natal com os três primeiros filhos e a esposa. Apesar de paraense, esta já era meio lusitana, pois seu pai, José Lourenço Dias, nascera em Aveiro e também emigrara para a Amazónia.

 

Em Trás-os-Montes, Reis investiu tudo o que ganhara no Brasil em bens imóveis e casas comerciais. Além da Quinta Grão Pará, na Estrada do Raio X, onde a família morava, era dono de mais duas, uma na freguesia de Santo Estêvão e outra na aldeia de Sant’Aninha de Monforte. Esta última estava localizada a um sítio montanhoso e de acesso difícil, perto do que restou do histórico Castelo de Monforte.

 

castelo-monforte.JPGCastelo de Monforte. Trás-os-Montes, Portugal. Foto De Raimundo Alberto (2010).

 

Bernardes ainda possuía, entregue aos alugueres, uma casa na Lapa e outra em Santo Amaro, além dos estabelecimentos onde tocava o comércio, todos na vila de Chaves. O principal deles era o armazém onde se vendia de tudo ou quase, conforme anúncio que mandara colocar a um jornal:

 

“Armazém de João Reis Bernardes, na Rua das Couraças – ‘Miudezas por junto e a retalho. Tabacos. Bijutarias. Cutelarias. Artigos religiosos e funerários. Artigos para florista. Sortido completo em papelaria e objectos d’escritório. Bolachas. Tintas. Vinhos finos. Farinhas. Quinquilharias. Artigos de tudo que há de melhor e mais chique em perfumarias, louças finas, porcelanas, vidros e cristais. Licores, champanhas, conservas. Artigos de cozinha. Camas de ferro e colchoarias. Lavatórios de ferro. Fogões de ferro para lenha e carvão. Escarradeiras, bidés, bacias para banhos e para pés, bacias de rosto e cama’.”

 

Na Madalena, à Rua de São José, João Reis mantinha uma casa de compra e venda de cereais, “a preços reduzidos, mas a pronto”. Eram géneros como centeio, trigo serôdio, milho, chícharos, feijão branco, feijão rajado, batatas, mas também outros artigos como vinho de mesa, almude, sal, açúcar, azeite e o que mais de afim se houvesse. Além dessas casas comerciais, era também sócio, com o irmão Arlindo, em uma loja de tecidos que ficava à Rua do Calau.

 

Na Rua Direita, esquina com a Travessa do Loureiro, ficava seu escritório de importação e exportação, enviando ao Pará diversos produtos portugueses. As maiores remessas eram feitas desde alguns meses antes de dezembro, uma vez que, no ciclo de Natal, Ano Novo e Reis, ao jeito do Brasil, mas sempre fiéis às origens lusitanas, era costume dos paraenses saborearem castanhas, figos, nozes, amêndoas, avelãs e outros artigos, similares aos consumidos nas consoadas de Portugal.

 

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