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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Out16

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe***!

 

XV

E na viagem para as «Férias de Verão», na chegada à ESTAÇÃO, a CHAVES,***O “Rapaz da Terra Quente” foi para o varandim do sul do vagão onde viajava a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda.

 

O “Rapaz da Terra Fria”, para o do norte do vagão onde viajava a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

No varandim do norte, o Clementino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS” à Ermelinda.

 

No varandim do sul, o Celestino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS” à Carmelinda”***.

 

x-cp0107.jpg

( fotografia propriedade de Humberto Ferreira, Blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ )

 

 

 

XVI

 

No cimo da “Terra Quente”, quando o Verão vai mais alto, e o fresco da noite fica mais frio, realiza-se uma famosa Romaria em honra da N. S. da SAÚDE.

 

A procissão é solene e grandiosa, como o são todas as procissões religiosas.

 

O Celestino nunca gostou de «ir na procissão», mas deliciava-se em apreciar o desfile dos estandartes, a solenidade de alguns estafermos, bem conhecidos dele, a transportar os andores, as preocupações militarizadas de catequistas e madrinhas para manter na ordem os anjinhos, o ar pungente de beatas falsas, com véu na cabeça e terço na mão a contar pelas contas do rosário as vezes que mexiam os lábios a fazer que rezavam; os homens tementes a Deus, mas amigos da onça e do Diabo   -   com chapéu na mão os mais castigados pela sorte madrasta; de chapéu na cabeça, gravata pendurada num colarinho branco de uma camisa branca, e papo levantado, os homens bafejados pela sorte madrinha.

 

Nestas Férias, que desejou «Boas» à Carmelinda, o “Rapaz da Terra Quente”, colocou-se, a tempo e horas, num lugar conveniente que lhe permitia abarcar toda a solene multidão da grandiosa procissão.

 

O sol batia no dourado das cruzes, no dourado dos bordados dos estandartes, das fitas dos bonés, dos botões de punho e no instrumental dos músicos, nas coroas e nos berloques dos anjinhos, e fazia luzir com mais brilho as cores das blusas, dos véus, dos brincos, dos cordões das Raparigas e Mulheres, dando assim um maior esplendor àquela procissão.

 

Num repente, o “TINO da TERRA QUENTE” pareceu-lhe ver luzir uma pestaninha de um «lencinho de azul mais escuro».

 

O coração do “Rapaz da Terra Quente” deu um salto!

 

Nem conta deu de ter soltado: “linda”!

 

- Linda?! – exclamou um velhote avantajado, apoiado numa bengala.

 

- Fantástica! Grandiosa! Espectacular! Quererá «vocência» dizer!

 

--Bem reparado, compadre! - acrescentou de imediato outro velhote, rechonchudo e encanecido, amparado numa bengala e com o chapéu na mão.

 

- É isso tudo, meus senhores!   -   assentiu “TINO da TERRA QUENTE”.

 

A multidão de crentes, rezadores e impostores ia-se aproximando do lugar onde estava, de olhar empoleirado, o Celestino.

 

Vá lá saber-se porquê, os olhos da “linda” ergueram-se para os olhos do “TINO”.

 

Um ligeiro tropeço fez com que a mãe lhe segurasse o braço, com um carinhoso «cuidado

 

O “TINO da TERRA QUENTE” sentiu suor na testa e o peito a encher-se de esperança.

 

Com a garganta tão seca, saiu dali apressado. Foi beber uma «laranjada» e, cheio de fé e de esperança, foi direitinho à igreja. Aproximou-se do altar onde devia estar a “Srª da Saúde”. Agradecendo-lhe a caridade que hoje teve para com ele, ladainhou:

 

- Ó “Srª da Saúde”, se fizeres com que a “linda” seja a minha namorada, prometo-te um «Padre-Nosso», duas «Avé-Marias» e três «Salvé-Rainhas», ainda que muito me custe voltar a decorá-las de princípio ao fim!

 

sra-gracas-12 (98).jpg

 

A meio da tarde, as Bandas começaram a tocar.

 

Depois da ceia, o arraial seria tão «importante» como o «fogo-d’artifício».

 

Nem nas «pistas de dança», nem à volta dos Coretos, nem na hora do «fogo» pôs os olhos na “linda”.

 

Mas aquela “SRª DA SAÚDE” tinha-lhe deixado muita consolação e maior ilusão.

 

XVII

Chegou o tempo de a «Bila» voltar a encher-se ...

 

(continua)

 

 

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