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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Out16

Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. QUINTA GRÃO PARÁ.

 

Ainda hoje remanescente, a casa principal da Quinta é um prédio de dois pisos, com paredes de granito calcário aparente, similares às de muitas casas de pedra da região, na qual, ao meio da frontaria superior, rodeada por quatro janelões, uma porta se abre para uma pequena varanda com proteção de ferro, em belo trabalho de Art Nouveau. Fica bem rente à encruzilhada da Avenida Dom João I com a Estrada do Raio X, em posição oposta à da Quinta Caneiro.

 

À parte da frente, no andar de baixo, erroneamente chamado de porão, há uma porta que era usada como entrada de serviço, entre as janelas que correspondiam aos quartos usados pelas serviçais da casa. No andar de cima, ao lado esquerdo, sobressaem outros janelões, os que então correspondiam aos quartos, à sala íntima de Papá e à sala dupla de estar e refeições. No telhado, vemos ainda hoje uma chaminé aos fundos, por onde sai a fumaça do lume. Na lateral direita, uma escada com corrimões de ferro conduz até à entrada social da casa, na parte superior, cuja porta se abre, antes, para uma varanda murada com ripas de madeira em forma de xadrez. Desse outro lado, além da sala de visitas, ficava mais um quarto e, aos fundos, a cozinha, onde uma escada interna dava acesso ao porão. Na parte externa posterior da habitação, desce do primeiro piso uma escada que, então, conduzia ao pomar. Em baixo, além da porta central, havia uma portinha de acesso à arrecadação de utensílios diversos. Outra portinhola servia de entrada para o abrigo da Patusca, uma cadela que, como guardiã da Quinta, de tão mansa, velha e dorminhoca, era de pouca ou nenhuma serventia. Eram duas as casas de banho, uma em cima e outra em baixo. Além de uma pequena adega, os outros cómodos inferiores da casa serviam de dispensa e lavandaria. Esta era de uso apenas das serviçais e para lavagem de algumas peças íntimas da família.

 

casa-1.JPG

 Fotografia e croquis do possível local da Quinta Grão Pará, na Rua do Raio X, nº135, CF.

Croquis em poder do autor (Raimundo Alberto) – Fotos comparativas

 

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Entre os flavienses de maiores posses, era usual entregar a maior parte da rouparia a lavadeiras que moravam nas aldeias próximas, onde não estaria a se ver exposta, na contiguidade dos vizinhos, uma parte da intimidade familiar.

 

No caso dos Bernardes, era a gorda Manuela. Pelo menos duas vezes na semana, com seu vestido negro de viúva, a saia até quase os pés, meias cinzentas, uma bata de azul desbotado, o xaile encarnado e um lenço à cabeça, lá vinha ela a descer à vila e a subir de volta com os seus socos, por quilómetros, desde São Lourenço. Estava sempre a se queixar da vida e de não saber porquê, apesar de toda a labuta, ainda continuar uma leitoa. Os demais sorriam, discreta ou jocosamente, sabedores do gosto de Manuela pelo folar, um pão trasmontano, feito de trigo cozido com ovos, azeite, fermento, sal grosso, porções de carne gorda de porco, presunto, linguiças e chouriças, consumido em qualquer parte do ano, mas com maior frequência na Páscoa. Ao folar de cada dia, ela ainda adicionava uma estranha mistura de vinho e mel e, é claro, tudo o mais que lhe oferecessem para merendar.

 

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