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- VILA.
Onde, como alguém definiu, “o manso rio corre por entre a veiga fecunda”, no planalto cercado por colinas altas e outras de menor altitude, as quais integram as serras do Brunheiro, a leste e, a oeste, o início do Planalto Barrosão, a então Vila de Chaves, elevada à categoria de cidade só em 1929, surgiu e se desenvolveu em um sítio que já era povoado por antepassados desde a Pré-História. Graças às suas ótimas condições ambientais, ora como local de breves domínios, ora como terra de longas permanências, com os invasores a se alternarem entre si, foi o habitat de sucessivas gerações de povos da mais antiga ascendência, entre os quais os romanos e os mouros, que deixaram importantes contribuições antropológicas à formação da cultura nacional.
Conforme registos históricos, a fundação da vila foi em 78 d.C., ao tempo dos romanos, em homenagem ao imperador Flávio Vespasiano, com a denominação de Aquae Flaviae. Tornou-se uma das mais conhecidas e prósperas cidades coloniais na Península Ibérica e tal deveu-se, desde aquele tempo, à existência das Caldas de Chaves, junto às nascentes termais de águas sulfúricas, bastante procuradas pelos cidadãos de Roma e outros forâneos. Foi também um local de passagem, sendo o Tâmega atravessado por uma grande via que ligava as duas cidades ostentadoras dos títulos de “augustas”: a Bracara (hoje Braga) e a Asturica (Astorga, na Espanha). Desse caminho, por onde passavam os legionários, ainda hoje há vestígios de pétreas amuradas na região. Um dos mais belos monumentos que restam é a ponte romana sobre o Tâmega, o mais preservado contra as intempéries e as intervenções humanas. É interessante observar que o traçado do centro histórico de Chaves é similar ao de um acampamento romano dos tempos imperiais.
Devido à situação estratégica, a gloriosa Chaves, que resistiu heroicamente ao avanço das forças napoleónicas no século XIX, foi palco de variados combates ao correr das centúrias, entre forças locais e invasoras, conforme remanescem dois registos bélicos, os fortes de São Francisco e São Neutel. Foram construídos no século XVII, ao tempo da Restauração, quando se mandaram erguer as bases de defesa da cidade contra as frequentes incursões espanholas. Muitos séculos antes, vários povos de procedência europeia, erroneamente chamados de Bárbaros, após expulsarem e tomarem, gradualmente, o lugar dos romanos, ocuparam as terras flavienses por um longo período de tempo e acabaram por aderir ao Cristianismo, no século III d.C.. Foram alijados desse domínio pelos mouros, provenientes do Norte da África, que invadiram a região, venceram o último monarca visigodo, no início do século VIII e, como sabemos, por três longos séculos, dominaram uma grande parte da Península Ibérica.
Todos os povos que passaram por Chaves deixaram sua herança. Por contingências históricas, porém, a predominância maior foi a dos que se tornaram leais à Igreja Católica Apostólica Romana.
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Vista parcial da Vila. Chaves antiga (PT). Início do século XX. Postal Foto Alves.
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