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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Nov16

O Factor Humano - Ao salpicão do César

1600-cab-mcunha-pite

 

Ao salpicão do César

 

Já em Julho passado, falei do meu primo César.

 

De quanto ele é importante para mim.

 

Continua a tentar regressar ao meu mundo.

 

Às vezes a espaços consegue.

 

Impressionou-me que a memória que tem de Chaves seja a de uma ponte de pedra com ferros verdes. É seguramente a ponte que aparece mais vezes em fotografia neste blogue.

 

Quando o meu pai morreu, voltei a encontrar um poema do César, dedicado "aos Drs. Cunha, Max, Miguel e Pité, irmãos na fraternidade" e escrito em Madrid próximo ao 25 Abril de 2000.

 

Está escrito numa mistura de português, castelhano e galego.

 

Fala de um dos símbolos mais importantes de Trás-os-Montes. Uma das contribuições fundamentais que nós demos ao Mundo: o salpicão.

 

1600-salpicoes-2.jpg

 

Cresci numa casa onde não se faziam salpicões. Nesse tempo davam muitos ao meu pai. Mesmo assim, ele comprava muitos mais. O salpicão simboliza, para mim, mais do que tudo, as merendas da caça e da pesca. Simboliza os amigos e a tal fraternidade que o César referiu.

 

Mas acima de tudo, neste poema, retrata-se como nunca o salpicão, com qualidade literária, cultura e humanismo. Apetece cortá-lo as rodelas e acompanha-lo com um copo e um bocado de pão centeio. Bom proveito.

 

1600-salpicao-1.jpg

 

 

Ao Salpicon de Porco

 

Entre los dedos índice y pulgar

no más grande que la mano puñetera

cabe lo más sublime, hecho manjar.

 

Nacido en lareira negra, altar de tiempo,

sede del hogar y el pensamiento,

lo exhumó una raza de piedra, palo y fierro

iluminada por el Prometeo celta

recibiéndose de fuego suave y aromático

del carbalh++o y a xesta:

 

Del fondo de la memoria del pueblo,

olvidado, pobre y sin habla recibimos:

 

Encarnadura sabrosa

Alimento pleno.

Redondez rotunda.

De carne, sal, ajo y vino

 

Gracias!

 

Son el padre y la madre

que acuden cada invierno

al llanto pobre

de quien siente las entrañas heridas

por la hambruna

 

"Talho original, seco en centeno oscuro

cuyo pan ácido es consagrado

con untosas hostias que sudan grasa

de navaja vieja.

Por tu moho salvífico y profundo cheiro

ya conozco el sabor de mi propria sangre,

 

Oh, Fumeiro!

 

Del puerco ronconeante,

habitante misterioso

de cocheira escura

húmeda y caliente,

misterio blanco,

hecho a imagen y semejanza

del hombre

suicida berrante

de orejas difíciles

y rabo interrogante,

cristiano viejo,

que derrotó al moro y

salvó al judío

 

GRANDE PADRE

La verdad queda más allá: Trás-os-Montes"

 

Manuel Cunha (Pité)

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