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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Dez16

Ocasionais

ocasionais

 

 

DA CIDADE DE CULTURA AO GOVERNO DE INCULTOS

 

Estamos de acordo com Antoni Remesar e Fernando Nunes da Silva quando, na obra coletiva Arte pública e cidadania - Novas leituras da cidade criativa enfatizam que “a paisagem integral, isto é, o tratamento material do território assumido de onde vem (a sua memória) e para onde vai (a sua sustentabilidade), converte-se num dos atuais paradigmas de intervenção”.

 

Por outro lado, na mesma obra, Don Julíán Aliseda e D. Edgar Maria Gomes de Andrade, a dado passo, escrevem que “o facto de vivermos atualmente numa aldeia global, leva a pensarmos as cidades como «os nossos bairros». [E] neste sentido, a Cultura tem papel preponderante na gestão das cidades. Ela está intimamente ligada à identidade do desenvolvimento dos territórios, às nossas raízes. É importante sabermos rececionar o legado que os nossos antepassados nos deixaram, sabendo vivê-lo e transmiti-lo às gerações vindouras [...preservando o] património cultural, na sua forma tangível como intangível”.

 

Temos em Chaves um património milenar, orgulho os flavienses e, por isso mesmo, considerado por todos como o nosso «ex-libris», fruto do lavor e contributo dos povos autóctones da altura, que aqui construíram uma das mais belas pontes romanas.

 

Se vemos tanto frenesim e afã na «folclorização» e encenação «rasca» dos trajes e «cenas» dos romanos que por esta terra passaram, é nosso dever fundamental, como flavienses, assumir essa memória de uma forma plena, convertendo-a em fator de sustentabilidade para o futuro. E não atender só aos aspetos «folclóricos», mas cuidar efetivamente desta magnífica estrutura que os nossos antepassados nos legaram, integrando toda a sua envolvente.

 

Na década de 90 do século passado, em Chaves, ainda não estando muito conscientes que estávamos, cada vez mais, imersos numa nova sociedade - a da globalização - e em que ainda não se tinha completa consciência de que vivíamos, ou estávamos caminhando, para uma aldeia global, tinha-se clara consciência que o desenvolvimento do território flaviense tinha de ser assumido a partir da sua genuína identidade, na qual a Cultura era um dos seus fatores primordiais.

 

A aposta na dotação de toda a cidade - e depois todo o concelho - com o saneamento básico; o arranjo e valorização do nosso Centro Histórico; a melhoria soa arruamentos e acessibilidades; o integrar o Tâmega, e as suas margens, na convivência urbana, em que a atual ponte pedonal era a sua aposta mais visível; a reestruturação do Museu da Região Flaviense, assumido na sua vertente castreja e romana; os Encontros de Arte Jovem; os Simpósios do Granito e os Cortejos Etnográficos, entre outras atividades e eventos, inseriam-se numa estratégia, depois plasmada no Plano Diretor Municipal, da cidade de Chaves como uma Cidade de Cultura.

 

Foi no respeito não só pela preservação da nossa memória mas também pela valorização do nosso património que se fez a intervenção na Alameda Trajano, contígua à Ponte Romana, relvando aquele espaço e, por ocasião do Simpósio do Granito, ali se colocou uma obra em granito - um dos recursos da nossa região - feita por um jovem escultor português.

 

Na rotunda que faz a junção da Travessa da Alameda Trajano com a Alameda Trajano, colocou-se uma coluna romana que, posteriormente, se achou mais condigna estar no Museu da Região Flaviense, ficando-se de, posteriormente, ali colocar uma sua réplica.

 

Quase trinta anos depois, o que foi colocado no plinto onde assentava a coluna romana?

 

 A imagem que se mostra, recentemente tirada, é verdadeiramente significativa. Nada!...

 

Imagem 01.jpg

 

E na Alameda Trajano, o que se fez para a sua preservação e/ou valorização?

 

Aqui, há uns escassos meses, embora com nítido mau trato do relvado, ainda podíamos ver o que esta imagem mostra:

 

Imagem 02.jpg

 

No verão passado, quando por ali passávamos, eis o que nossos olhos presenciaram e nossa objetiva registou...

 

Imagem 03.jpg

 

Na semana passada, quando passávamos por este «atropelo», o local pareceu-nos ser objeto de recuo. Arrebate de consciência dos responsáveis pelo governo da nossa coisa pública ou puro calculismo eleitoral, face a eventuais críticas feitas à devassa deste espaço?

 

Imagem 04.jpg

 

Alguém sabe porque se fez esta nova alteração de uso deste espaço? Ou sequer foi informado?

 

Alguém sabe o que fizeram à obra em granito que ali estava colocada?

 

Será que gerir uma cidade, e o seu espaço público, é estar constantemente a fazer e a desfazer o que outros fizeram, sem que se informe ou, tão pouco, se tenha uma ideia do que se pretende? E quanto é que tudo isto custo ao erário público, suportado por todos nós?

 

Alguém dizia que falar de arte pública implica naturalmente falar também de espaço público. A arte «apodera-se» do espaço público e o espaço público não cessa de retomar da arte aquilo que esta restituiu após ter sido digerida e transformada. Nós, atualmente em Chaves, e principalmente os representantes que elegemos, parece que não restituem nada, digerem ou transformam; apenas se limitam a desfazer, destruindo!

 

Ou seja, e em síntese, o que os nossos responsáveis autárquicos estão fazendo na nossa cidade - e nos seus espaços públicos -, não é um ato de cultura, pelo contrário, é uma manifesta atividade de gestão inculta!

 

António Tâmara Júnior

 

 

06
Dez16

Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. GUERRAS DA REPÚBLICA.

 

Grandes contendas políticas marcaram os primeiros anos de Bernardes, ao retornar à sua Chaves natal. Eram lutas locais entre aqueles que tentavam manter a permanência das instituições republicanas em Portugal e os que defendiam o restauro da Coroa portuguesa, inclusive com as conhecidas “incursões monárquicas”. Os realistas viam na queda da monarquia as garras de maçónicos e carbonários, inimigos do Trono e da Religião e os relacionavam ao assassinato de Dom Carlos e de seu filho mais velho, o príncipe herdeiro Dom Luís Filipe, no Terreiro do Paço de Lisboa, em 1908, bem como à revolta que provocou a deposição de Dom Manuel II e a consequente criação da República, aos 5 de outubro de 1910.

 

Após uma fracassada incursão a Bragança, em 1911, em julho do ano seguinte os conspiradores monarquistas se aquartelaram na vila galega de Verín, perto da fronteira com a Galiza, à espera do momento propício de descerem a Trás-os-Montes e, a partir dessa retomada, tentarem reimplantar a Coroa em Portugal. Após entrarem por Sendim e por Vila Verde da Raia, realizaram sua intentona, afinal, a partir de Sanjurge, em direção a um lugar de nome Telhado, onde o Primeiro-cabo Exposto avistou as tropas e correu a avisar os republicanos de Chaves.

 

No dia 8 de julho de 1912, ao Forte de São Neutel, na vila e aos arredores, houve duros combates entre as forças realistas de Paiva Couceiro e as do governo republicano local, chefiadas pelos tenentes-coronéis Ribeiro de Carvalho e Custódio de Oliveira, com o apoio de devotados civis.

 

Além deste e do Cabo Exposto, muitos cidadãos flavienses apoiaram e participaram ativamente dessa luta. Foram saudados, posteriormente, como “Os Heróis de Chaves”. Um deles, como registava um jornal contemporâneo, foi “Justina Maria da Silva, chamada de Maria do Rasgão ou Maria dos Rapazes, de certa rua de mau nome e maus costumes, que foi depois condecorada por sua ativa ajuda aos combatentes republicanos”. Outro participante ativo a favor da República foi o jovem Dr. António Granjo, organizador das milícias civis e que viria a tornar-se, alguns anos depois, primeiro-ministro da República em Portugal.

 

Os republicanos de Aquae Flaviae saíram-se vitoriosos, afinal, contra essa desastrada intentona monárquica. Foram, porém, duros combates, como nos reporta a carta de um flaviense, ipsis litteris:

 

“Chaves, 8 de julho de 1912.

 

António,

 

Os conspiradores entraram hontem, dando-se um pequeno combate em Villa-Verde, via Santa Marta, ficando ferido, mas sem gravidade um capitão do estado-maior Mário Magalhães. Hoje houve grande combate entre Chaves e Forte de São Neutel.

 

As 9 horas correu noticia de que os conspiradores estavam perto de Chaves. Efectivamente era verdade. Em face disto prepararam todas as forças que puderam (que era apenas cento e tantos soldados, porque o grosso das forças tinham partido para Montalegre) e foram ao encontro deles. A esta pequena força juntaram-se alguns policias, guardas fiscais, cavallaria e paisanos. A artilharia e metralhadoras também tinham partido para Montalegre. Pouco depois das nove horas começou o fogo, que durou até às 2 horas da tarde, hora a que chegou a artilharia de Montalegre. Por parte dos conspiradores fizeram muitos tiros de peça sobre a villa, que eu vi cahir algumas por cima da minha casa. Tres tiros de peça bateram na casa de José Mesquita, cortando-lhe completamente 2 tranqueiras das janelas, 2 tiros de peça atravessaram o edifício do liceu de lado a lado. E vários outros tiros que danificaram bastante alguns prédios.

 

Os conspiradores chegaram ao pé do cemitério. Por ultimo retiraram, deixando vários mortos e feridos, uma peça e munições. Das forças republicanas apenas morreram um cabo, filho do coronel Sousa Dias e um soldado, e ficaram feridos o capitão Tito Barreiros, o tenente Macedo, o filho do general Carvalhal e um alferes de cavalaria, este gravemente. Nesta hora consta que os conspiradores já vão para Villela Seca, batendo em retirada.

 

Teu mano muito amigo

 

Abílio

 

PS. No hospital militar já estão uns sete conspiradores mortos. No hospital civil estão 2 conspiradores gravemente feridos sendo um filho do visconde da Ponte da Barca e o outro Firmino Cunha do Porto. Nós bem, assim como toda a nossa família. Hoje passámos um dia com muito receio, mas agora já estamos tranquilos.

 

Já cá estão muitas forças.

 

 Teu

 

Abílio”

 

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