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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Dez16

Quem conta um ponto...

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319 - Pérolas e diamantes: amar os tártaros

 

Muito do que se passa no mundo atual remete-nos para Rousseau. De certa forma a má-fé é a mesma dos admiradores multiculturais das culturas alheias. Já no Émile nos alertava contra o “filósofo que ama os tártaros para se dispensar de amar o seu vizinho mais próximo”.

 

Dir-me-ão que é tudo uma questão de gosto. É como dizer asneiras em público. Eu nisso sigo o filósofo Slavoj Zizek que pessoalmente só recorre ao uso de termos grosseiros em público, nunca em privado, pois, nessas condições, fazê-lo perece-lhe deslocado, ou até mesmo indecente.

 

Na sua perspetiva, a única demonstração de bom gosto reside no facto de uma pessoa saber apreciar ocasionalmente coisas que não correspondem aos critérios de bom gosto – em contrapartida, quem segue demasiado estritamente os critérios do bom gosto, limita-se a exibir a sua completa falta de gosto.

 

Uma injunção específica é mais forte do que uma injunção geral. Para tornar mais evidente o meu ponto de vista, recorro, com a preciosa ajuda de Zizek, à famosa anedota judaica sobre o casamenteiro que reinterpreta positivamente cada um dos defeitos da futura noiva.

 

“Dizem que é pobre. Ainda bem, pois saberá poupar o dinheiro da família, fazendo-o render o máximo possível. É feia. Dessa forma, o marido não terá de recear que ela lhe seja infiel. É gaga. Ainda bem, porque saberá estar calada sem enfadar o seu marido com uma tagarelice constante.” E assim sucessivamente. Até à argumentação final.” Mas cheira tão mal! Não me digam que queriam que ela fosse a perfeição em pessoa, sem o mais pequeno defeito?”

 

A ideologia neoliberal faz-nos incorrer no risco ideológico de pensarmos que não é a organização da economia global que devemos incriminar, mas antes que o mal reside na nossa atitude subjetiva, a qual devemos infletir. Por isso nos bombardeiam por todos os lados com a imposição de reciclarmos o lixo que fazemos, de pormos as garrafas, os jornais velhos, etc., nos contentores apropriados.

 

Mais do que uma crise económica, ou mesmo ideológica, os poderosos tentam dividir a sociedade em mundo moral e físico, sendo que as elites ocupam o primeiro. Benjamim Constant enunciou muito cedo que tudo é moral nos indivíduos. Mas tudo é físico nas turbas, por isso as massas têm necessariamente de fazer parte da simples engrenagem da máquina.

 

E disto não nos deixam fugir. A direita política insiste na economia de mercado, enquanto a esquerda cultural e politicamente correta teima na defesa dos direitos humanos, que, bem vistas as coisas, é a sua única razão de ser.

 

À primeira vista até parecem independentes, mas a verdade é que são os dois lados da mesma moeda.

 

 

Desta forma fazem-nos entrar no seu labirinto. A direita tradicionalista, no seu duplo paradoxo, apoiando a economia de mercado ao mesmo tempo que rejeita ferozmente a cultura e os costumes que essa economia engendra. Enquanto a esquerda multiculturalista, que por seu lado combate o mercado, apoia entusiasticamente a ideologia que o próprio mercado engendra. Por isso se alimenta dos casos “fraturantes” que a classe média arquiteta.

 

Vivemos debaixo daquilo que Alain Badiou apelidou de ideologia constituída, onde assenta a corrupção da democracia: a corrupção empírica “de facto” e a corrupção que pertence à própria “forma” da democracia, com a sua redução da política à negociação de interesses privados.

 

Tudo isto me fez pensar no velho gracejo anticomunista polaco: “O socialismo é a síntese das realizações mais elevadas de todas as épocas históricas anteriores: à sociedade tribal, foi buscar a barbárie; à antiguidade, a escravatura; ao feudalismo, as relações de dominação; ao capitalismo, a exploração, e ao socialismo o nome.”

 

Estamos perante a lógia do significante quando cai no significado, ou, melhor, por causa do significado.

 

Talvez tenhamos que fazer como o escritor judeu David Grossman, que quando, imediatamente antes do rebentar da guerra israelo-árabe de 1967, ouviu na rádio as ameaças dos árabes que anunciavam lançar os judeus ao mar, começou de imediato a ter lições de natação.

 

A grande questão é saber se não viveremos dentro de um “Matrix” democrático. O triunfo de Trump é um desses sinais.

 

 

PS – E lá vamos nós aprendendo a nadar. Portugal continua a subir posições nos rankings internacionais. Os alunos portugueses brilharam nos testes internacionais de literacia, tais como o PISA e o TIMSS, situando-nos acima da média da OCDE. Este desempenho foi mesmo destacado no prestigiado jornal El País, que teve a coragem de elogiar “La Buena Escuela Portuguesa”. Segundo um coordenador do PISA (Programme for Internacional Student Assessment), o sucesso explica-se por três fatores essenciais: maior exigência, pais mais escolarizados e melhores professores. Os alunos portugueses do 4º ano de escolaridade ultrapassaram mesmo os seus congéneres finlandeses.

 

 

 

 

12
Dez16

De regresso à cidade com adonos de Natal

1600-(46997)

 

Depois dos repetitivos adornos de Natal dos últimos anos, este ano, sei lá porquê, mas imagino, lá se alteraram os motivos da iluminação elétrica de Natal, botaram uma grande árvore iluminada no Arrabalde e adornaram alguns edifícios públicos como o Palácio da Justiça, a Torre de Menagem e a Igreja Matriz, pelo menos que eu tivesse visto.

 

Quanto à foto, para já,  é a possível , pois nos últimos dias com a noite também tem vindo o nevoeiro.  Esperemos que levante para trazer aqui de novo mais imagens da iluminação de Natal.

 

 

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