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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Dez16

Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. VIGÍLIA DA PAZ.

 

Inicialmente, o forte sentimento religioso e de respeito ao Clero, sob o qual fora criado e educado, levara João Reis a tender à Monarquia. Via muitos aspetos novos e essenciais nos propósitos republicanos, mas temia que se repetisse em sua pátria o que constatara no Brasil, há alguns anos, antes de tornar a atravessar o Atlântico. Considerava que a República brasileira, proclamada em 1889, assemelhava-se a um golpe das elites militares, cada vez mais dissociadas das camadas do povo que as apoiara. Decidiu, portanto, definir-se pela neutralidade. Em digressões com os amigos e parentes, quando aqueles de opiniões contrárias quase chegavam aos embates físicos ou verbais entre si, calado estava, calado ficava, calado se afastava. Algum tempo depois, porém, mesmo com sua vida reservada (e preservada), João Reis acabou por aderir de vez aos ideais republicanos.

 

Com a batalha prevista entre os republicanos de Chaves e os monárquicos de Verín, Papá mandara fechar as casas comerciais e se recolhera à quinta. Deu expressas ordens a que trancassem fortemente as portas e portões, não acendessem as luzes e ninguém chegasse às janelas. Armado de uma velha pistola e em companhia de Manuel de Fiães, o cocheiro, que portava uma caçadeira bem simples, dessas de abater perdizes, postou-se junto às janelas que davam à rua, em constante atenção às entradas da quinta e a qualquer movimento lá fora.

 

Manuel era um rapagão entroncado e sempre emudecido, que cuidava da horta, do pomar, da cavalariça e do que mais se fizesse mister na Quinta Grão Pará. Um tipo bem másculo e até bonito, mas bastante maltratado pela infância pobre e pelos muitos suores que, desde miúdo, já lhe salpicava no rosto o intenso labor. Por considerar que, na Quinta, estava em melhores dias do que antes, era de uma fidelidade absoluta a João Reis, que ele julgava ser um justo e generoso patrão.

 

Florinda, as criadas e os filhos estavam concentrados no quarto do casal e rezavam o terço, diante do oratório de jacarandá. Os miúdos choramingavam assustados, por não entenderem nada de guerras, muito menos de uma querela como essa e ficaram muito felizes quando, à madrugada, o quase total silêncio fez todos se recolherem ao leito, exceto as duas heroicas sentinelas em vigília.

 

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