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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Dez16

Regressos - Madalena, Chaves

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Ao longo das nossas vidas há muita coisa que vamos esquecendo, mas os nossos tempos de criança e juventude, enfim a adolescência, essa, guardamo-la sempre num cantinho especial da memória.

 

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Mas mesmo que bem guardada na memória e para todo o sempre e sem qualquer razão em especial, quando tenho oportunidade volto a esses lugares por onde deixei espalhada a minha adolescência.

 

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Mas para que esses regressos sejam possíveis, os lugares têm de existir ainda com a sua integridade, aquela com que a conheci. Claro que não espero encontrar tudo como era, mas pelo menos regressar a um lugar onde mantenha as suas principais características e virtudes, regressar a um lugar onde não me sinta estranho. Felizmente a Madalena mantém a sua integridade. Ainda bem que resistiu à modernidade desenfreada, mas não só, ainda bem que tem uma veiga que a protegeu, como pôde…

 

 

21
Dez16

Cartas ao Comendador

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Meu caro Comendador (4)

 

Sabe aquela sensação, talvez muito mais do que isso, de quando nós damos todas as oportunidades a alguém e nenhuma delas é aproveitada? Pois é isso que hoje em mim atingiu o limite! Penso: não posso fazer mais do que isto por ninguém, nem tanto faria mesmo por mim! E penso ainda, desta vez só de mim para mim, que nem sequer há lugar para um lamento, talvez para um! Pois se colocámos todas as portas entreabertas e nenhuma foi ultrapassada, transgredida no bom sentido ou meramente transposta, é porque o outro ou não sentiu necessidade disso ou não reconheceu nisso uma oportunidade ou tem para si objectivos completamente diferentes! Seja qual for o caso, estamos certamente a falar de realidades diferentes ou paralelas que não têm nada em comum ou nenhuma intercepção. O ridículo nisto é, apesar de tudo, termos pena, é acharmos que há um desperdício de possibilidades, um estragar de coisas que eventualmente podiam ser boas, no desistir de tudo sem ter tentado nada! Mas, está aqui a dúvida, se isso não foi tido como uma luz ao fundo do túnel, quem somos nós para lamentar o quer que seja?

 

É aquela ideia do Messias, alguém que chega com a Boa Nova e a quem nós viramos as costas sem lhe dar qualquer atenção. É esta ideia de sermos irremediavelmente parvos que me é hoje insustentável! Andamos à procura de quê? Andamos realmente à procura de qualquer coisa, se renegamos sem conhecer, se desistimos sem tentar, se dizemos não sem saber a quê?

 

Pensamos: é impossível que alguém fique indiferente a isto! Há pessoas.

 

Dizemos: faz parte da nossa natureza, ainda que isso contradiga o instinto de sobrevivência!

 

É pena que acima do conceito de ser irracional prevaleça aquilo a que chamamos inteligência ou ser racional, ainda que de lógica isso não tenha rigorosamente nada porque somos por natureza animais, só depois disso é que vem o ser consciente, mas às vezes isso não prevalece! As formigas ao menos são organizadas, têm uma sociedade colaborante onde o bem comum se sobrepõe ao ser individual porque já perceberam que sozinhas não podem nada e que em conjunto movem montanhas! Com quem é que elas aprenderam isso?

 

E, embrenhado que estou nesta reflexão, quase me esquecia de si! O senhor sabe responder a isto? Porque é que com tantos exemplos de sucesso na Natureza, o Homem não aprende?! Veja as abelhas, só para constar que o exemplo dado não é único!

 

Parece que, talvez por ironia, na evolução das espécies, atingem as menos preparadas fins mais nobres! Em que situações concretas, razoáveis, dignas, se juntou o homem ao seu semelhante para produzir efeitos grandiosos? Nas guerras, nos governos, nas políticas, nas religiões, nas sociedades privadas, nas associações sindicais, nos grupos profissionais, nos movimentos ambientalistas, nas correntes filosóficas, sequer nas famílias?

 

O homem junta-se sempre para destruir! É isto o quê? A ânsia de poder, a frustração do não dominar, a desilusão de não atingir os objectivos que estabelecemos como próprios, porque afinal eram colectivos e não dependiam só de nós?

 

Parvos, irremediavelmente parvos! O senhor tem para isto melhor explicação do que esta? Rogo-lhe que ma faça saber!

 

Talvez que esta vacuidade do sentido da vida tenha a ver ou esteja intimamente relacionada com o facto, desejava que o não estivesse, de não sabermos o que queremos!

 

Nas mais das vezes deixamo-nos ir, por inércia, por preguiça, por comodismo e, não tenho medo de o dizer, por cobardia ou mediocridade!

 

Voltamos ao início. Se fôssemos outros, se a nossa vida tivesse sido diferente, teríamos hoje esta mesma falta de vontade?

 

O sofrimento que nos infligiram, amputou-nos de alguns membros ou alguns órgãos ou alguns músculos e a fisioterapia em vez de nos colocar aptos no que nos foi retirado, só agrava, por nos trazer de volta a memória do que fomos ou do que éramos, quando ainda íntegros.

 

E de repente lembrei-me do que ando há tanto tempo para lhe perguntar e perdoe-me se não vem, no seu conceito, a nenhum propósito: o senhor acredita nos benefícios ou poder de cura da Medicina chinesa? Acha-a uma alternativa ou um complemento? Faz diferença para si, neste contexto, distinguir estas palavras? Em quê?

 

Um abraço deste, para sempre seu

José Francisco

 

 

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