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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Dez16

" ... SATURNIDADE!"

 

O Natal é mais que o momento da Consoada, Ceia de Natal; mais do que a “Missa do Galo”, mais do que o “Almoço do Dia 25 de Dezembro”!

 

É!

 

Hoje!

 

Mas ainda não vai assim há tanto tempo que o NATAL era a excitação da miudagem, começada com a ida ao monte para escolher e cortar a melhor galha de pinheiro, para ser colocada pertinho da chaminé; e com a apanha do musgo, para conforto do burro e da vaca, dos cordeirinhos, dos «Reis Magos», da Maria e do José, e da manjedoura onde repousaria o “Menino Jesus”; e a trabalheira das mães, das avós, das tias e das primas, no Dia 24 de Dezembro, a prepararem as filhoses, a ‘letria, as rabanadas e os bolinhos de bacalhau; a lareira; os potes com água ao lume; as couves, as batatas, o polvo, o bacalhau … e a raba!

 

Da «Mercearia» já tinha chegado o «RAPA»!

 

E as pinhas do pinheiro-manso ali estavam guardadinhas, dentro de uma das cestas da lenha.

 

O ar fresco do frio Inverno espalhava pelas ruas da Aldeia em desafio ao paladar … e ao apetite, mesmo dos mais fartos!

 

Aa meio da tarde e ao cair da noite, uma filhó pequenina, um pedacinho de rabanada acertada, ou uma panela da ‘letria mais uma colher para a raspar já eram uma rica promessa do que iria ser, para a criançada, o regalo e a alegria da Noite de Consoada!

 

A soca, a bota, o sapato já lá estavam bem colocados, que é como quem diz: com a boca bem aberta para que o “Menino Jesus” metesse lá, com toda a pontaria, a prendinha de Natal!

 

Nesse dia, nessa noite, a alegria enchia por igual as casas e os corações dos pobres e dos ricos: a figura e a forma da Família ganhavam, neste Dia, nessa Noite, a sua expressão mais firme de unidade!

 

Ainda não vai assim há tanto tempo que o NATAL era assim!

 

D’hora a hora Deus melhora!

 

Ou transforma!

 

Ou transtorna!

 

E o «progresso» trouxe milagres!

 

A vida dos «filhos de Deus» passou a ser mais colorida, mais farta!

 

… Ou abundante?!

 

E, da Lapónia, lá dos confins do Círculo Polar Ártico, um simpático e vigoroso “Velhote” «laparoto» veio por aí a baixo, a tocar campainhas e a guiar parelhas de renas, deu um piparote no “Menino Jesus”, fechou a porta da corte (na Palestina, na freguesia de Belém, dizia-se «gruta») à vaca e ao burro, e mandou-os pastar; deixou lá dentro a Maria e o José, reduzindo-os à insignificância dos insignificantes presentes que arranjavam para o “Menino Jesus” meter na soca, na bota e no sapato; e, em vez de descer pelas chaminés, anda, desde o fim do Dia dos Fiéis Defuntos, a distribuir balões … e vales de compras, às portas dos comércios, nas entradas dos «Shoppings», nos corredores dos Centros Comerciais, e a convidar os mais pequerruchinhos a fazerem perrice para tirar uma fotografia (pelo preço de, pelo menos, uma notita de cinco €uros!) com ele, “Velhote”, auto-intitulado “Pai Natal”!

 

É esquisito como é que um “Velhote”, barrigudo, com barbas tão compridas que só a longevidade consente, tem tanta energia para se manter “Pai Natal” e não “Bisavô Natal”!

 

E, na Noite de Consoada, para mostrar ser mais «porreiro» que o afamado “Menino Jesus”, não espera pelo despertar do sono da criançada na manhãzinha do Dia de Natal: depois da Ceia e de uma conversa digestiva, ei-lo que bate à porta de casa, troando um “oh! Oh! Oh!” capaz de sacolejar a Ponte Romana de Chaves, e tilintando uma sineta do tamanho de um dedal, em sinal de aviso da chegada das prendinhas!

 

Hoje, o carteiro já não entrega telegramas nem Postais de “Boas-Festas”!

 

Os «sms’s» e os «e-mails» saem (aparentemente) mais baratos e chegam sempre no momento oportuno.

 

Nos montes, ramos de pinheiro deixam cair, chorando, gotas de orvalho ou de geada derretida, por ora serem preteridos por gigantescas árvores de plástico, ‘inda por cima, enfeitadas com mil adornos coloridos e luminosos, quando eles, ramos de “pinheirinho de Natal”, só a luz da lareira … ou da candeia concedia algum brilho!

 

Valha-nos S. Nicolau!

 

M., Vinte de Dezembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

24
Dez16

Pedra de Toque

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O SORRISO DAS CRIANÇAS

 

Os antepassados, ainda que por momentos, vêm sempre à minha ceia de Natal.

 

Viajam nas asas do menino Jesus ou nos trenós do Pai Natal.

 

Entram na nossa memória e depois diluem-se na alegria dos filhos e sobretudo nas gargalhadas e na euforia dos netos, que olham ansiosos para os embrulhos das prendas.

 

A reunião à volta da mesa já dura pouco mais que o repasto. A televisão veio estragar, veio intrometer-se no convívio das famílias, nas conversas que tantas vezes se prolongavam até à hora da missa do galo.

 

Vai-se mantendo contudo, ainda que de forma mais restrita, a ementa alusiva à época.

 

O bolo-rei e o polvo são reis na mesa bem como a doçaria tradicional. Ai as minhas filhós de jerimum…

 

No fim as crianças, ávidas, abrem os embrulhos e rejubilam com os presentes.

 

Os adultos, por vezes, também são brindados.

 

Eu este ano tive uma prenda muito especial, que ficará para sempre gravada na minha lembrança.

 

Quiçá os deuses, mas sobretudo, os médicos, enfermeiros e auxiliares dos cuidados intensivos e intermédios do Hospital de São João, com extrema competência, simpatia, desvelo e carinho “ressuscitaram-me” um ente muito querido e ofertaram-me a mais gostosa prenda de Natal que tive em toda a minha vida.

 

Para eles o mais perene agradecimento.

 

Para esquecer as agruras e a saudade dos que me cuidam lá de muito longe… neste Natal também estará o sorriso dos meus netos.

 

Que melhores prendas eu podia ter?!

António Roque

 

 

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