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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Dez16

Cartas ao Comendador

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Meu caro Comendador (5)

 

 

Mantenho a ideia em mim do renascer e digo-lhe isto como se lhe desse uma notícia porque manter uma ideia é, no meu caso, uma notícia! As ideias vivem em mim como as ondas do mar: vêm e vão, vão e vêm! E sabendo nós que a água nunca é a mesma ou na realidade não o sabendo, a diferença entre essas duas coisas é nenhuma: vão e vêm, vêm e vão! Não sei se voltam! Talvez não voltem! E foi com isto que eu hoje acordei de manhã. Não bem com isso, mas antes o se isso é bom ou mau! É bom se for mau e é mau se for bom! Ou seja, só temos pena do que não regressa a nós, quando isso nos fez bem. Até aqui, o raciocínio ainda me parece lógico, mas depois penso: que critério é que eu utilizo, de que me sirvo ou a que recorro para achar que uma situação me fez bem? Porque na altura, quando a tinha, era feliz? E eu nessa altura sabia disso, tinha essa consciência ou vivia pateticamente com uma gargalhada fácil pensando que era o dono do circo? E se, por causa de eu ter tido essa sensação boa, é a razão de eu me sentir hoje mal pela ausência dela, posso considerar que me fez bem? Ai vale a pena o sofrimento só porque traz qualquer coisa boa à mistura?

 

É então melhor não sentir nada que sofrer? É por algumas pessoas saberem e praticarem isso, que são felizes? Como é que alguém pode ser feliz assim?!

 

Mas não era nada disto que hoje lhe queria dizer! Sim, é isso mesmo, para além disto há outra coisa que lhe quero dizer.

 

Há um sentimento em alguns de nós, ao menos parece haver, de lidar mal com o que está bem! Não me peça isso, não lhe sei explicar melhor! Sei apenas que se assim não fosse, ficaríamos quietos quando as coisas já estão bem! Mas parece que não nos basta. Há uma consciência inexplicável do insaciável que nos faz continuar quando seria normal parar! Como é que eu lhe hei-de transmitir este sentimento quase irracional! A lógica seria, ou era, parar quando fosse atingido um estado de consentimento, de mútuo acordo, de entendimento entre as partes, de satisfação, de equilíbrio, de paz! Mas isso não nos basta. Alguns de nós e não somos assim tão poucos, queremos mais do que isso, queremos que a nossa verdade que é uma coisa que não existe, seja aceite por todos!

 

Que necessidade é essa? Tivemos alguém na nossa vida dominador, prepotente, autoritário e queremos agora, na idade adulta, vingar o que não nos foi possível nessa altura afirmar, escolher, decidir, fazer valer, ser reconhecido como uma opinião diferente, mas, ainda assim, válida? Mas nós sabemos que ter agora a consciência dessa ausência de carácter na altura certa ou própria, não desfaz o que não foi feito, não desdiz o que não foi dito, o que foi calado ou engolido a seco! Será que queremos desta forma compensar hoje a falta de determinação da altura impondo-a, agora que a temos, a pessoas, coitadas delas, que não têm culpa nenhuma dos idiotas que então fomos? Queremos, por juramento interior, cumprir fora do tempo com aquilo que tinha um prazo próprio porque entretanto crescemos e hoje já somos capazes de dizer coisas a que na altura não nos atrevíamos? Mas que importa isso agora? O presente é outro, o futuro já não existe com a mesma esperança e o passado tem um peso enorme do qual não nos conseguimos de forma alguma libertar ou meramente aliviar! Estamos a tempo de corrigir os erros cometidos, de minimizar o impacto que eles tiveram na nossa vida, de diluir as consequências que eles provocaram no normal evoluir da nossa identidade e personalidade, de facilitar o nosso relacionamento com pessoas de que gostamos, mas com as quais não temos a menor afinidade? Porque é que queremos coisas impossíveis?

 

Uma coisa é gostar de poesia, outra, completamente diferente, é acreditar que podemos ser felizes se a praticarmos! Que idade é que nós temos? Pronto, fiz a pergunta que não deve ser feita e, chegado aqui, faço a que não pode ser feita: quem é que nós pensamos que somos?

 

Sempre o maldito ego a achar que é mais do que nós, que pode existir e viver sozinho sem qualquer sustento! Um dia, chegará certamente esse dia, vamos poder dizer-lhe: enquanto dependeres de mim e viveres sob o mesmo tecto, vais ter de me obedecer, caso contrário fazes as malas e vais viver para outro lado e às tuas custas!

 

A pior adolescência, e da qual somos a vítima número um, é a do subconsciente. Maldita seja! O senhor lembra-se dessa fase? Foi-lhe penosa ou pô-la simplesmente fora de casa?

 

Um abraço deste seu, sempre grato,

José Francisco

 

 

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