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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Alanhosa em três momentos

11.03.17 | Fer.Ribeiro

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E porque hoje é sábado vamos até mais uma das nossas aldeias flavienses, e como já vem sendo costume, com três olhares. Um a cores, um a P&B e outro em arte digital.

 

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Alanhosa, é a nossa aldeia de hoje. Uma aldeia pela qual fui passando ao longo dos anos e fazendo alguns registos, mas nesta coisa de registar momentos também há dias, como quem diz: há dias sim e dias não. Às vezes esses dias fazem-nos depender do próprio dia, principalmente da qualidade da luz que, para a fotografia, é essencial, mas outras vezes depende apenas de nós e da inspiração do nosso olhar ou até do nosso estado de espírito.

 

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Pois de todas as vez que passei ou fui a Alanhosa à caça de momentos, a última foi aquela em que o dia estava sim, em luz e em mim, pelo menos eu penso que sim. Espero que gostem destes três momentos.

 

Para o próximo sábado, a aldeia que se segue é Almorfe.

 

 

Pedra de Toque

11.03.17 | Fer.Ribeiro

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Chaves, março 2017

 

Tenho de te escrever.

 

Devo-te esta carta já há algum tempo.

 

É a forma que tenho de estar comigo e contigo com mais intimidade.

 

Leio-te em comentários fogazes de quem me sente, retendo meus olhos nas tuas fotos onde me apareces cada dia mais longínqua.

 

Eu vou vagueando para ti, recuperando de um ano que passou e que não foi bom.

 

Sozinho, dolorosamente sozinho, como nunca estive.

 

O meu tédio combato-o com as palavras que vou desenhando nestas folhas, arredio dos sonhos com que ia, temerariamente, adoçando a minha vida.

 

Não sei, ou talvez saiba onde estás…

 

Julgo-te embrulhada na descrença, no desânimo, no pessimismo, na renúncia à partilha.

 

O sol que tem dissipado a névoa e o frio penetrante, têm-me salvado da tua imagem que se desfaz na bruma, quando te procuro, sem encontrar teus lábios, cuja cor os distinguem e que doces de húmidos sempre me apetecem.

 

O teu olhar mantém a neblina do desejo frenético contigo.

 

Que saudades tenho das tuas pernas que tremendo toquei, quando a meu lado viajamos na noite, que não consegui encantar.

 

Gentes pela vitória do clube da minha cidade que me habituei a gostar, desde que menino e moço ia ver os jogos pela mão segura do meu saudoso pai.

 

Foram breves instantes que clarearam a minha vida e que levaram a tristeza para outras paragens.

 

Hoje a tua voz suave e quente foi um surto de encantamento que me chegou ao âmago e se abraçou ao meu sentimento.

 

Quedei-me sereno, roendo uma maçã no teu regaço.

 

Fica bem. Um beijo.

 

António Roque