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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Barroso aqui tão perto... Vilarinho de Arcos

12.03.17 | Fer.Ribeiro

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Ainda antes de irmos aos Arcos, vamos até Vilarinho de Arcos, é a nossa aldeia barrosã de hoje, mais uma do Alto Barroso e daquelas que nos fica mais próxima (de Chaves), mas sem nos calhar a caminho de… mas quase.

 

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Tratemos já da sua localização, que já atrás adiantámos ser do Alto Barroso. Assim, com a nossa partida sempre da cidade de Chaves, para visitarmos Vilarinho de Arcos, o melhor itinerário é pela Estrada Nacional 103, ou estrada de Braga como popularmente é conhecida, pois Vilarinho de Arcos fica a apenas 900m desta Estrada Nacional, imediatamente antes de chegarmos ao Barracão (a 900m), no entanto até Chaves, é mais um pouco, pois fica a uma distância de 30 km, de 00H30m e de 3.63€, isto segundo a via Michelin e se formos em viatura própria. Curiosidades para quem gosta de números.

 

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Dizer que fica em terras altas, isso já não é novidade, pois quase todas as localidades do Barroso andam a rondar os mil metros de altitude, neste caso fica-se pelos 866 metros de altitude, e com as seguintes coordenadas: 41º 25’ 26,59” N e 7º 41’ 21,47” O. Mas como sempre fica o nosso mapa para poder visualizar as palavras que vamos deixando.

 

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Vamos então até Vilarinho de Arcos. Partindo do topónimo Vilarinho tão usual no Norte de Portugal e também na Galiza, não é mais que um diminutivo de Vilar, que no português arcaico era parte de uma villa cedida para usos agrícolas. Tanto vilar como vilarinho estão assim associados a uma outra localidade, ou propriedade ou senhor. Daí tanto Vilar como Vilarinho estarem sempre associados a outro topónimo, neste caso de Vilarinho de Arcos está associado a Arcos, topónimo que é atribuído à aldeia vizinha e mais próxima de Vilarinho de Arcos. Aliás no concelho de Montalegre e bem próximo destas duas localidades, há outras duas onde se passa o mesmo, refiro-me a Vilarinho de Negrões e Negrões. Mas casos destes abundam no norte de Portugal e Galiza. Então e resumindo, Vilarinho de Arcos teria sido uma parte da villa de Arcos que teria sido cedida para a alguém para usos agrícolas.

 

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Vilarinho de Arcos vista desde a aldeia de Arcos

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E bem queríamos saber mais sobre Vilarinho de Arcos e partilhá-lo aqui. Fizemos as nossas habituais pesquisas e pouco ou nada encontrámos, na aldeia também não deu para conversar com ninguém, aliás se bem recordo na nossa breve estadia no local, apenas encontrámos uma pessoa, que embora trocássemos com ela algumas palavras não quisemos incomodar no seu trabalho, assim, ficam as nossas impressões recolhidas no local.

 

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Trata-se de uma pequena aldeia com um núcleo consolidado que se vai desenvolvendo ao longo da estrada de acesso, mas apenas de um dos lados da estrada, precisamente do lado mais próximo da montanha, não muito distante, ficando o restante para cultivo, no entanto existe um pequeno núcleo de casas, este do lado oposto da estrada, também antigo e que poderemos considerar como um pequeno bairro da aldeia, se não me engano ate dá pelo nome ou topónimo de Bairro da Fonte.

 

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Mais ou menos ao centro da aldeia, que por sinal não é muito grande, está a capela e a fonte, ocupando o largo principal da aldeia por onde passa também a Rua Central que não é mais que a estrada (CM 1001) que nos liga à Nacional 103 por um lado, e pelo ouro à aldeia de Arcos, onde continua para o Antigo de Arcos (ou de Sarraquinhos) e Sarraquinhos. Esta do Antigo de Arcos ou Antigo de Sarraquinhos é uma questão que tentaremos esclarecer quando lá chegarmos, pois já vimos essa aldeia grafada de ambas as formas.

 

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Mar continuemos em Vilarinho de Arcos que é rodeada de terrenos agrícolas maioritariamente cultivados, com pequenas manchas de arvoredo entre os quais o castanheiro que também parece dar-se bem por esta paragens, tal como nas aldeias vizinhas.

 

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Quanto ao casario a integridade do núcleo mantém-se com o seu casario barrosão típico, algum ainda com a estrutura de pedra nos telhados de amparo à cama do antigo colmo e que hoje é um pequeno murete de pedra que sobre acima da telha. Pena que nas aldeias do Barroso não se tivesse preservado, nem que fosse só uma, dessas coberturas em  colmo, pois assim aumentavam o interesse turístico que todas estas antigas aldeias têm.

 

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E bem queríamos deixar por aqui mais um pouco da aldeia, mas como de costume não queremos inventar e assim somos obrigado a fica por aqui, passando já aos habituais links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

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Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

Pecados e Picardias

12.03.17 | Fer.Ribeiro

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Mulheres por ordem De Crescente

 

Mãe, nas memórias coletivas e idiossincráticas do meu coração és tu que marcas o passo e todas as batidas por segundo de primeiro amor, és tu a voz sopro de sol das minhas luzes e chamas que acendem  os meus sorrisos e a minha vontade de viver. Nunca esmoreceu a tua abnegação nem a renúncia a ti por nós. Quem me dera que o meu corpo piegas fosse homem para poder trazer-te ao colo e  aliviar com o meu abraço, o teu corpo desistente onde a tua alma já transborda de grandeza pelos feitos de amor sem interesses escondidos.

 

Queridas  Avós e Tias ,e Primas tias, lembro-me do ar trocista e das cumplicidades pelos caminhos de um não sereno quase a parecer  sim, pelas almofadas bordadas num ponto cheio de compreensão e mantas ou xailes do aconchego a boas venturas, sustento do bom autoconceito, tantos obrigada que vos estendo em passadeiras vermelhas de mar ou céu de respeitos.

 

Primas e irmãs  e amigas e colegas tão difíceis às vezes de dissociar os apegos e as artes do desenho de pertenças e vínculos  sangue ou cola que jamais descola? Sei lá? A Zé a Nélia,a Guida, a Locas, a Kika, a Nininha,a Bébé ,a Mila, a Cândida,  a Maria, a Adelina,a Judite, a Natércia, a João,a Luisinha, e tantas  outras, tantas ,como as subidas e descidas das escadas e dos acessos à escola  pelo valee de quem eram os dias de levar a braseira de brasas logo pela manhã de  inverno má como a fome que nos reduzia a feridas temíveis como boubas e frieiras que só curavam com o pó de maio e aliviavam com carinhos de atenção e penas.

 

Lembro-me Delas da Sra. Albertina em Bornes,  a mulher mais rica que eu conheci, sem dinheiro ou brasões que nos cobria do ouro  preciso nas infâncias, com a força de uma vida inteira que a idade aglutina em o que é realmente importante, sem ser efémero, são eles a platina e o ouro  que só quem é bom tem acesso, Os Afetos. Mostrava-nos que tinha já adquirido o direito a todo o tempo do mundo e dava-nos aquele sorriso incondicional maior que o horizonte em cada colher de sopa impulsionada a canções de embalar que nos tirava o custo de engolir o faz bem sem saber…Lembro-me da Bertinha da Prazeres e da Sra. Bia.

 

A dona Dorinhas  e a menina Lurdinhas  ,sempre idosas pra mim mesmo novas, idosas de sabedoria incontestável exemplos de virtudes de respeito, sempre a baixarem-se à terra e aos canteiros pra tirar as ervas daninhas a mais ninguém , bem a menina Lurdinhas nem sei bem talvez ao padre domingos de resto era a sra mais cheia de boas vontades que eu conheci, a d. dorinhas não de porte austero o porte mais austero que eu consegui admirar…

 

Já todas professavam e sem saber à sua maneira o poema do Ary dos Santos

 

Ary dos Santos

 

MULHER

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

 

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

,

Lembro-me das  festas das comadres e  das mulheres que escondias mãe, com bons modos e boas maneiras, dos estadulhos desses homens que eram ao mesmo tempo  bons amigos do pai,  bons filhos e de boas famílias , bons chefes de família, e secretamente predadores , pedófilos e carrascos de seres humanos que cuidavam deles como as esposas e as filhas até…a quem se lhes dedicava um deserto por desistido e resignado deixa lá é assim a vida, mas olha que não deixa de ser boa pessoa e é temente a deus;… muitas vezes é por não ser capaz e pela miséria; E lembro-me do chinelo que nos educava às espanadelas, da resignação do deixar bater das professoras como inevitável pedagogia para nos abrir a cabeça  rápido, ou a revolta merda, ( filhas da mãe que batessem nos delas), ó mãe a tia Laurinha que bata nos filhos dela quando os tiver, bate-nos porque não tem filhos, não sabe o que dói e a mãe e o pai não deviam deixar… -Ai só se perdem as que caem no chão?!… Que linda resposta… deixem-me crescer que vão ver…. -Ó rapariga vais sofrer muito… Bou, bou, isso é o que vamos ver…ó tia Laurinha não nos bata mais que nós amanhã estudamos… Mas como estudar o que ainda não se sabe o que é para aprender?...  Oh que pena, vocês é que eram obrigadas por esse miserável do tudo pra nós  sal azar  e que vos transformava sem serem, vitimas da sua versão suas Suas socas, a fazerem-nos boubas na alma, porra, havia necessidade?!...

 

Continua…

Isabel seixas in Quem me limpou os moncos, quem me ensinou a assoar

 

 

 

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

ARY DOS SANTOS