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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Devaneios com alguma lucidez à mistura...

09.05.17 | Fer.Ribeiro

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Agora chegado ao meu momento de estar a sós comigo próprio, apenas eu, vou tendo tempo  para alguma introspeção na tentativa de descobrir o porquê de às vezes chegar a esta fase do dia assim como agora estou e entre  devaneios, alguns rasgos de lucidez e outros de estouvadez, consigo chegar a algumas conclusões, mesmo que para isso tenha de recuar um pouco ao passado para melhor me compreender , e num de repente lembro-me de uma vez ter comentado um texto num blog amigo,  de autoria de um amigo, do qual reproduzo aqui um pouco:  

“ (…) poongzungting, pang-pong, pfind, tong, poongzungting, poongzungting, peng, pung, poongzungting, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pung, poongzungting, poongzungting, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, pling, pang, pong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pung, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, poongzungting, pang, pong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, poongzungting, pang, pong, pung, poongzungting, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plang, plong, plang, plong, pling, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, pling, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pling, pling, plong, pang, poongzungting, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pling, plang, plang, plong, plang, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, pling plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong…”

 

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Eram textos deliciosos do tempo em que compreendia e percebia na perfeição esse meu amigo, a sua poesia e musicalidade quase de arpas celestiais (cuja música não conheço mas imagino). Infelizmente hoje já não escreve assim, tornou-se mais erudito, mais chato de ler, mais certinho e arrumadinho atingindo a banalidade do que é politicamente correto em termos de escrita, um verdadeiro intelectual, quase como aqueles poetas que escrevem um poema e vivem dentro dele sem dele conseguirem sair e compreender a realidade que vai à sua volta.

 

Há dias estive num congresso de Animação Sociocultural, quarenta e tal especialistas, quase todos professores doutores de universidades portuguesas e estrangeiras. Aprende-se muito nestes e noutros congressos, mas nele aconteceram dois momentos marcantes que para mim valeram todo o congresso, um por parte do Padre Lourenço Fontes quando à pergunta de se era verdade que as estrelas do céu em Vilar de Perdizes eram mais brilhantes?, ele respondeu: Não, falta lá uma… O segundo momento foi a entrada de um careto de Podence que também em resposta a uma pergunta, abeirou-se do parlatório e respondeu: “ Blá-blá-blá, blá-blá,  blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá. Blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá! Blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá,  blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá, blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá, blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá…. Claro que não vos vou deixar aqui a resposta completa, sobretudo porque foi longa, mas esclarecedora, assertiva e conclusiva, tanto que deixou todos os conferencistas e congressistas esvaziados de outra qualquer questão.

 

 

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 Como esta prosa já vai longa, passemos, tal como os advogados o fazem,  às conclusões onde está a essência de tudo, ou à moral da história se preferirem ou ainda à realidade das coisas ou do porquê chegar assim ao fim do dia e a resposta é simples – MEDIOCRIDADE, a dos homens, sobretudo a daqueles que têm como única ambição a ambição. É por isso que gosto de gente simples e estouvada. E com esta me vou à procura daquela estrela que falta no céu.

 

 

 

 

Chaves D'Aurora

09.05.17 | Fer.Ribeiro

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  1. GRIPE PORTUGUESA.

 

Em Portugal, também verificou-se uma taxa elevadís­sima de mortalidade, com duas ondas epidémicas, sendo a mais letal entre os meses de agosto de 1918 e fevereiro de 1919. Atingia, sobretudo, as pessoas entre os 20 e os 40 anos, tendo causado cerca de 120.000 mortos no território continental. Sem saberem ao certo que medidas terapêuticas tomar, para evitar o contágio ou curar os doentes, os médi­cos aconselhavam apenas que se evitassem aglomerações. O pior é que o terrível mal fazia também adoecer (e falecer), por todo o território português, numerosos esculápios e pro­fissionais de enfermagem.

 

Em quase toda a região de Trás-os-Montes, as milícias do germe causaram muitas mortes. As vilas e aldeias da re­gião, mesmo isoladas, não podiam evitar que transitassem por elas os vetores humanos vindos da Espanha e de outras regiões da Europa. Uma Vila de Chaves diferente, portanto, era a que tentava, agora, sobreviver. Estima-se que a vila tenha sido vitimada em cerca de 40% da população.

 

Aos primeiros rumores da influenza global, alguns abas­tados como João Reis providenciaram todos os mantimen­tos necessários, para que se refugiassem por um bom tempo com suas famílias em aldeias serranas, plenos da esperança de que, nessa forma de quarentena, o mal por ali não os al­cançasse. A maldita, no entanto, em sua lotaria, já escolhera a menina Aurélia, deixando a todos na mais profunda cons­ternação. Logo tiveram que a isolar, mas felizmente foram acudidos pela bondosa comadre Hortênsia, que já levara por esses tempos ao Campo Santo o marido e uma das filhas. Porque olhasse “mais ao Céu do que a este chão de penitên­cia”, como aquela boa senhora se referia a “este mundo vão”, não tinha medo algum de cair nas garras da funesta dama da Grande Foice.

 

João Reis, confiante de que a boa comadre cuidaria bem da Lilinha, certificou-se de que todos os outros da casa estivessem perfeitamente sãos e pediu a Manuel de Fiães que preparasse bem os cavalos e o velho landó. De pronto já estava a levar Florinda e os outros filhos até à quinta de Sant’Aninha de Monforte, na Serra de Maios. No caminho, cruzaram com Adelaide, que também se evadia da vila, jun­to com o seu belo e fiel “afilhado”. Naqueles dias, porém, nem mesmo o gajo mais estúpido se punha a rir, à passagem da Carochinha. Até o mais simples sorriso de escárnio ou de alegria se ausentara dos lábios flavienses.

 

Ao subir à serra, Florinda esteve, em boa parte do trajeto, a pedir aos filhos que tapassem os olhos. Em vão. Ninguém conseguia deixar de os dirigir, horrorizados, para os tantos mortos que eram levados em rústicos caixões, os miúdos em caixotes, todos de confeção ordinária, ou até mesmo em simples macas improvisadas, feitas com lençóis e cobertores remendados. Os mesmos panos em que os moribundos ha­viam acabado de se entregar ao sono derradeiro.

 

 

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