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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Set17

Couto de Ervededo - Chaves - Portugal

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Hoje é dia das aldeias mas também dia de reflexão, num dos dias e momentos mais altos que a democracia tem, o de podermos refletir e decidir livremente em quem votar e desta vez é nos nossos, na nossa gente, na gente do nosso concelho, daí termos responsabilidade acrescida, pois é o nosso futuro mais próximo que está em causa, dai o nosso direito ao voto ser também um dever.

 

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Deveres e direitos que nos deixam com algumas expectativas mas também com alguns receios, não quanto aos candidatos às freguesias mas pelos candidatos à Câmara Municipal, pelas suas propostas e pela ausência delas, principalmente no que diz respeito ao mundo rural e a uma proposta de um futuro sustentável. Muita cidade, pouco mundo rural. Somos transmontanos, vivemos no seu interior, vivemos duplamente o interior e a interioridade e quer queiramos ou não, Chaves é um concelho rural.

 

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E passemos à nossa aldeia de hoje, ao Couto de Ervededo, que já várias vezes passou aqui pelo blog mas que já há algum tempo que não trazíamos aqui, não pela falta de motivos, mas porque não tem calhado.

 

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Pois hoje o Couto está aqui novamente  com mais alguns motivos que escaparam às anteriores escolhas e que merecem ser conhecidos, não só estes motivos mas muitos mais, bem como a aldeia no seu conjunto e que facilmente se podem incluir num dos roteiros mais interessantes para um passeio de uma manhã ou tarde de fim-de-semana.

 

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E disse num dos roteiros porque para aquelas bandas há vários roteiros interessantes, onde além das aldeias mais próximas como a Agrela e a Torre, temos também Calvão, Castelões, Soutelinho da Raia e Seara Velha, por um lado, mas também Vilela Seca, Vilarelho da Raia e Cambedo, mas ainda o roteiro dos santuários da Srª da Aparecida, Srº do Engaranho e S.Caetano, Pense nisso, e até pode ser hoje, dia de reflexão para poder também refletir um pouco sobre as nossas aldeias. E amanhã não deixe que os outros decidam por si e vote.

 

 

 

29
Set17

Pedra de Toque

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Está a chegar a hora!...
De acordar para mudar!...

 

A mediocridade já cansa, impõe-se a transparência, a honradez, a cultura, a competência.


A suspeição apodrece as instituições.


A história merece ser respeitada, bem como a memória dos íntegros, dos honrados que aqui nasceram, aqui viveram e aqui decidiram morrer.


Chaves foi uma cidade importante, sempre estimulada por um comércio vivo, hoje decadente.


A cidade está farta desta gente no comando da autarquia.


Já se não toleram promessas feitas em 16 anos e não cumpridas.


Já se não suportam investimentos caros e inconsequentes que contribuíram para a substancial dívida que a Câmara tem e não trouxeram nada de novo ou proveitoso para os flavienses.


O “bunker” defronte do Tribunal não resiste à mais modesta apreciação arquitectónica.


Como ele só o ostensivo autocarro que circula pelas ruas proibidas da cidade e onde não se vislumbram dentro dele quaisquer personagens. Eventualmente vão lá, mas certamente temem o contacto com o povo.


Aliás, o Tribunal perdeu importantes valências e para tal contribuiu o voto a favor do mapa judiciário por uma das candidatas da lista do PSD para vereadora da Câmara.


Nuno Vaz é um cidadão íntegro que nunca dará a sua contribuição, se for eleito como se espera, para a desvalorização das instituições da cidade.


Porque é um transmontano de “antes quebrar que torcer”, um político preparado como demonstrou no último debate. É também um profissional brilhante cuja competência é reconhecida por onde tem trabalhado.


Nuno Vaz é também um homem de cultura (na sua lista não tem analfabetos…), um homem vertical que pretende criar emprego, sempre preocupado com o ambiente, a educação, a cultura e o desporto.


Homem do campo, de boa cepa, apoiará sem receios toda a actividade agrícola e florestal.


Não deixará de atender empenhadamente à acção social e à saúde, áreas que conhece também porque é um homem solidário e de princípios.


Os receios e temores dos funcionários da Câmara, que se traduzem em manifestações constantes quando solicitados pelas oposições, deixarão de se verificar.


Porque Nuno Vaz é homem de profundas e enraizadas convicções democráticas, nunca se lhe reconhecendo quaisquer laivos ditatoriais.


Nuno respeitará a história e os monumentos da nossa querida cidade milenária.


E respeitará também a memória dos homens de valores, a sua obra, homens que aqui exerceram serviço público sem dele se servirem.


Citamos à guisa de exemplo o nome do Dr. António Granjo, o General Ribeiro de Carvalho, o Coronel David Ferreira, o Dr. Júlio Montalvão Machado e tantos outros que de momento os nomes não retenho, gente honrada e íntegra, que nunca se dobrou a quaisquer interesses menos limpos.


O Nuno Vaz é a esperança para o futuro da nossa cidade e concelho.


Os flavienses estão fartos de quem os tem governado, querem a mudança e os ventos que sopram já a anunciam.


Com Nuno Vaz e todo o nosso apoio, VAMOS ACORDAR CHAVES!!

António Roque

 

 

27
Set17

Nós, os homens

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I

 

E ela a falar-me do existencialismo ateu e eu a dar conta que a minha perna estava a tocar na dela e a sentir o telemóvel sem som a vibrar no bolso das calças ou as chaves do carro, não sei bem, mas qualquer coisa vibrava no bolso das calças e a pensar que me apetecia fazer amor com ela ali mesmo, naquele espaço tão agradável e segurava o copo da cerveja, não sabia já qual o número e olhava para a cor da sangria dela com os morangos misturados no champanhe numa combinação perfeita como preliminares de qualquer coisa que teria um desfecho óptimo. E pensava que apesar de ser uma pessoa séria e nunca dada a estas coisas, conseguiria naquela noite amá-la mesmo ali, no meio daquela gente toda, ignorando espaço e tempo e perguntava-me a mim mesmo se na hora da verdade conseguiria alhear-me a esse ponto, sentindo-me só eu e ela no meio da multidão! E como eu achava que sim!

 

Passou-me pela cabeça confessar-lho, como se tivesse um padre à minha frente, mas nesse dia eu já tinha cometido outras gafes e fiquei calado, não fosse dar tudo a perder só porque o álcool ou a testosterona, que vinha a dar no mesmo para o efeito, me estava a toldar as ideias.

 

Então não é que à hora do jantar ela me perguntou se eu não tinha reparado que ela tinha ido arranjar o cabelo, no exacto momento em que comia um cheesecake de framboesa e eu a olhar para o licor vermelho a escorrer naquela montanha branca e a pensar, Deus me perdoe, como seria bom se a minha língua percorresse aquele líquido sublime, mas …

 

Claro que sim, que tinha dado conta, mas como é que se pode dizer a uma mulher que se gosta dela mesmo com pêlos e despenteada?! E mesmo que se tenha coragem para dizer isso, ela nunca vai acreditar em nós, no máximo vai dizer que somos uns queridos, embora pense que somos uns palermas, como é que se pode gostar de uma mulher com pêlos e despenteada?!, mas vai ficar sempre com a certeza íntima de que não somos honestos.

 

Em boa verdade, não cheguei a perceber se ela sentiu ou não a minha perna a roçar na dela, quando estávamos no bar, porque o discurso continuou e não fez nem uma vírgula nesse momento, mas as mulheres são mesmo assim, fingem tão bem que nunca conseguimos distinguir se é uma coisa ou outra, diria até que é coisa impossível de saber, se isto fosse coisa que existisse.

 

E depois o erro seria monumental, porque se lhe dissesse naquela altura que a desejava, ela ia concluir que eu não estava com atenção nenhuma ao que ela estava a dizer, embora as mulheres falem sempre para elas e não para nós, nunca perdoam a falta de atenção. Nunca tomaria como um elogio que eu estava era perdidamente apaixonado e que a desejava a toda a hora, até num bar, enquanto ela bebia champanhe com morangos. Porque as mulheres são mesmo assim, dão uma importância infinita a pormenores sem interesse nenhum e quando lhe dizemos que não conseguimos viver sem elas, elas aproveitam para marcar a depilação.

 

E, verdade seja dita, o existencialismo ateu até é um tema que me é querido, mas não àquela hora, por favor, nem naquele lugar onde temos de falar alto para nos fazermos ouvir. As mulheres são de um despropósito pontualíssimo! Chego a pensar, porque sou fã da sua inteligência, que fazem isto de propósito para testar o limiar da nossa irritabilidade.

 

Mas a coisa já tinha passado das marcas muito antes do jantar. Então não é que na exposição da tarde eu me tinha esquecido de a apresentar ao artista!

 

Esquecido é a pior forma de o dizer, como é que eu me ia esquecer da pessoa que, sem eu saber como ou perceber porquê, tinha acabado de mudar a minha vida?!

 

O que tinha acontecido é que eu me tinha entusiasmado no reencontro com um amigo a quem não via há algum tempo e no ombro de quem tinha chorado a perda da mãe das minhas filhas e agora estava ali à sua frente, feliz, acompanhado daquela que julgava ser a razão mais óbvia do meu sorriso, da minha alegria e até da razão com que o tinha abraçado como se dissesse, sem dizer, voltei! Mas isto é uma coisa que as mulheres nunca hão-de perceber! Por mais que a gente lho explique, é uma pura perda de tempo! O nosso passado, por mais cruel que tenha sido, nunca é o presente delas! Elas têm de estar sempre em primeiro lugar.

 

De forma que, quando o entusiasmo do reencontro passou, ela já estava amuada como uma criança mimada e tinha motivos para isso. Como é que eu fui cometer uma falha daquelas! Afinal eu não tinha ido lá sozinho! Afinal eu é que me tinha comportado como uma criança que tinha ficado órfã. Por isso pedi-lhe desculpa, mas não resultou. Nunca resulta com as mulheres. Se for com os homens, a gente faz os disparates e se reconhece os erros, se se arrepende e pede desculpa, passamos à frente, mas as mulheres são mais exigentes, com elas temos de ser perfeitos, à imagem e semelhança de Deus. Por isso fiquei com uma dor no peito, uma mágoa, não pelo que fiz, mas pela dor que lhe causei, pelo sofrimento que lhe incuti. Afinal, que diabo, era uma questão de educação. Básico mesmo!

 

E quando, depois do bar, a fui levar a casa, a minha vontade era de lhe dizer que gostava de passar a noite com ela nem que fosse para a ver dormir, sentar-me no sofá que provavelmente teria no quarto e esperar que o sono viesse enquanto ela mergulhava na profundidade dos sonhos que uma mulher sempre tem e a que um homem, por mais esforço que faça, nunca terá acesso porque elas não nos deixam entrar nessa intimidade que acham que lhes pertence e que nós nunca havemos de entender porque somos limitados mentalmente. A maior parte delas, está convencida que somos a preto e branco, fabricados em série e que temos espermatozoides na cabeça em vez de neurónios. Não digo que em certos momentos a coisa não seja verdade, como naquele momento no bar em que ela segurava no copo de sangria e me falava no existencialismo ateu.

 

O certo é que não fui capaz, dei-lhe um beijo, acompanhei-a à porta e quando cheguei a casa, peguei no telemóvel sem som que tinha no bolso das calças e que continuava a vibrar.

 

Quem seria, àquela hora?!

 

À noite não consegui dormir, não estava satisfeito com o meu desempenho, que diabo, afinal do que é que eu tinha medo?!

 

No dia seguinte arranjei um pretexto qualquer para me encontrar com ela e armado em machão perguntei-lhe se queria namorar comigo, metade-metade, meio a sério, meio a brincar, que um homem na minha idade também já não lida muito bem com estas coisas. E eis então o que eu não estava minimamente à espera: ela disse-me que ia pensar na proposta e ria-se como uma criança a quem lhe tinham acabado de contar a mais engraçada das anedotas.

 

Claro que, para um homem que tinha andado na guerra em que as balas vêm de todos os lados e o instinto de sobrevivência nos permitiu isso mesmo, o estar ali àquela hora, eu ri-me também e perguntei-lhe de quanto tempo é que precisava para pensar, ao que ela respondeu, sem pensar, que para responder a isso também precisava de tempo.

 

Em circunstâncias normais eu tinha-a mandado à fava sem sequer me dar ao trabalho de lhe dizer isso, mas o problema era que as circunstâncias eram completamente anormais, pois que eu estava completamente apaixonado por ela e assumi, acto contínuo e mais uma vez, que eu não sabia era fazer as coisas!

 

Onde é que eu tinha a cabeça? Como é que alguém diz isto a uma mulher sem sequer lhe levar um ramo de rosas ou outra pirosada qualquer?! Como é que um homem nesta idade abre o coração a uma mulher sem qualquer resguardo, sem qualquer protecção?! Não, de facto eu andava a pedi-las, eu punha-me a jeito, como muito bem dizia um grande amigo meu.

 

E agora, o que é que fazia? Mas a coisa não ficou por aqui, eu ainda consegui fazer pior. Depois disto ainda a convidei para passar férias comigo. Aí ela disse de imediato que sim, mas eu não reagi. No estado de anestesia em que estava, aquilo soou-me a uma brincadeira de gosto duvidoso.

 

No dia seguinte, perante a ausência de notícias, não resisti a perguntar-lhe se ainda estava a pensar na minha proposta e foi aí que a minha auto-estima se estatelou definitivamente no chão, como se tivesse caído de um 12º andar. Respondeu-me que ainda não tinha tido tempo para pensar! Tinha acabado de me responder, sem ela dar conta ou exactamente ao contrário, com um plano diabólico para eu dar conta. Com as mulheres nunca sabemos se estão a pensar no mesmo que nós ou no seu contrário ou até nas duas coisas ao mesmo tempo, que elas conseguem proezas que nem o mais inteligente dos homens é capaz de equacionar. Comecei a perceber o jogo. Aquilo era uma roleta russa modificada, tinha nas seis câmaras do revólver, seis balas, um verdadeiro jogo de azar. A primeira acabava de ser disparada. Agora a escolha era minha, ou ficava para assistir à carnificina ou dava o jogo por terminado. Se quisesse continuar a jogar, a única coisa que podia fazer para salvar o que restava da minha dignidade era mudar as regras do jogo. E foi o que fiz. Poker, foi a opção. Com sortinha, saia-me um par de ases, se não fosse com ela era sem ela!

 

Disse-lhe que deixasse lá, que eu retirava a proposta. É claro que não respondeu, orgulho de mulher ferida é pior que erva daninha! Aquilo já tinha ido longe demais, do meu lado claro está. Então faz algum sentido oferecer de comer a quem tem fome e o outro dizer que vai pensar! É porque terá provavelmente fome de tudo menos daquilo que nós lhe estamos a oferecer e eu não tinha mais para dar, a não ser aquela coisa estranha que me fazia olhar fixamente para o copo de sangria com morangos e champanhe que ela tinha na mão, naquela noite no bar e pensar como seria bom tê-la nua nos meus braços e cobri-la de beijos até gastar a saliva, a minha e a dela. E a porcaria do telemóvel que não parava de vibrar e eu já o tinha desligado não sei quantas vezes!

 

 

27
Set17

Cidade de Chaves, um momento e algo mais...

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Mais um momento da cidade de Chaves e da Praça da República, um momento na hora dourada da fotografia, no entardecer da cidade quando o sol parte para outros destinos.

 

Hora dourada da fotografia mas também uma hora para o blog, pois não é todos os dias que se inaugura aqui uma nova crónica, como hoje vai acontecer – “Nós,  os homens”,  de autoria de Cristina Pizarro. Uma mulher a falar de/sobre nós, os homens. Provocação!? Ironia!? Ficção!? Ou será outra coisa!? Não sei, vamos ter de esperar para ver, mas uma coisa é certa, a arte das palavras já há muito que não é estranha à Cristina, à qual, agradecemos o seu regresso à vida deste blog. Já de seguida teremos aqui o primeiro capítulo de “Nós, os homens”. Até já.

 

 

 

26
Set17

Chaves D'Aurora

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  1. HOMEM DE BEM.

 

Há vários dias, Papá rondava os passos de Aurora, como a querer dizer alguma coisa. Uma noite, afinal, quando ela estava a sós com ele e Florinda, João Reis tomou fôlego e, após algumas baforadas de seu finito e já degustado havano, lançou à filha um olhar afetuoso – Bem sei, minha boa Au­rita, que não temos costumes iguais aos dos ciganos, mesmo desses aí em frente que, de tão portugueses já se fizeram, nem parecem mais ser dessa raça – e acentuou dessa raça. Mesmo sem distinguir a alusão sobre raça e não etnia, com o Reis a desconsiderar o que é uma nação cigana, Florinda lançou ao marido um olhar respeitoso, mas de insinuante reprovação pelo tom preconceituoso, que, a ela, nunca sabia bem.

 

Entrementes, a rapariga ficou a pensar – Pronto, cá está de novo o Papá, a me falar do Hernando! Mas o que será que o incomoda, dessa vez, se já nem sei mais daquele gajo, a andar por aí, de lés a lés, pelo mundo? Se eu mesma já cá o tenho, ao peito, como página virada de um velho álbum de recordações?! – e Reis prosseguiu – Espero que estejas a me compreender. Quero falar, na verdade, de uma prática de meu tempo, já pouco usada hoje em dia, mas que muitas famílias ainda gostam de concertar. Afinal, se sou teu pai, e se te eduquei o melhor possível, seria injusto se eu não pudesse, ao menos, aconselhar-te sobre um homem de bem para teu marido.

 

Aurora alcançou, afinal, aonde o pai queria chegar. Em­palideceu. Ainda que sempre a demonstrar uma notória bon­dade, ainda que a ira lhe houvesse, mesmo, como um feio pecado capital, um tantinho de ódio lhe acolheu o coração. Ainda mais quando veio a fatídica pergunta – Conheces o Álvares, aquele distinto senhor que é dono do armazém “O Tesouro Trasmontano”? – Papá tragou mais um pouco do havano e continuou – É um homem ainda em pleno vigor e de muitos bons costumes – ao que Mamã ajuntou – Sua mulher, pobrezinha, que Deus a tenha, já lá se foi para o Céu, nas garras do corvo da Pneumónica.

 

Calada estava, a rapariga e emudecida ficou, horrorizada com aquela ideia dos pais. O senhor Álvares era um homem bom, bem ajeitado e não de todo feio, apesar de gorducho e sem pescoço. Além do mais, tinha lá sua dinheirama nos cofres e nos bancos do Porto, mas... deveria estar mesmo a querer uma rapariga que lhe pusesse a mesa, lavasse as roupas íntimas, cuidasse de seus fatos e suspensórios… Não conseguia ela antever como, após as bênçãos de Deus, po­deria chegar ao sobrado da Rua do Sol, onde morava o pre­tendente e levar como dote um buquê de carinho e algumas migalhas de amor.

 

Não fora por amar e ser amado, conforme a própria Mamã contava, que João Reis se casara com a sua Menina Flor?

 

 

https://www.chiadoeditora.com/livraria/chaves-daurora

25
Set17

O Barroso aqui tão perto - Caniçó

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Hoje no “Barroso aqui tão perto” vamos até uma das aldeias do Barroso mais distante, isto para nós que temos o ponto de partida a partir da cidade de Chaves. Iniciemos então pela sua localização e itinerário que nós aconselhamos.

 

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A uma altitude a rondar os 900 metros, Caniçó pertence à freguesia de Salto, concelho de Montalegre, mas com três concelhos ali à beirinha, o mais próximo, o de Vieira do Minho fica só a 700m, o de Cabeceiras de Basto a 4 km e o de Boticas a 5 Km, medidas em linha reta. Por sua vez, a sede de freguesia fica a apenas 3 Km, mas mesmo, mesmo ali ao lado, a coisa de 400 metros tem as Minas da Borralha a Norte, ou aquilo que delas resta, mas também e ainda a 400 m, mas a Poente, tem a aldeia de Paredes.

 

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Quanto ao melhor itinerário (a partir de Chaves), mais próximo (55.5 Km), mais económico (6.82€) e mais interessante é via Estrada Nacional 103 (Estrada de Braga) até Sapiãos, aqui abandona-se a EN 103 em direção a Boticas e a partir daqui toma-se a Estrada Nacional 311. Esta última atravessa todo o concelho de Boticas, não é para grandes velocidades, mesmo porque as curvas e paisagem não o permitem, pois vamos sempre em estado de apreciação.

 

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Como sempre deixamos as coordenadas de um ponto central da aldeia: 41º 38’ 55.11”N e 7º 58’ 54.06”O e também o nosso habitual mapa.

 

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Atrás, nas coordenadas, falei de um ponto central da aldeia e não do centro da aldeia, isto porque a forma de povoamento da aldeia é um pouco atípico daquilo que é tipicamente habitual nas nossas aldeias, tanto daquelas que tem um aglomerado concentrado com um núcleo bem definido como das que se desenvolvem ao longo de uma estrada principal, sem núcleo definido ou ainda daquelas que têm um povoamento disperso, como acontece por exemplo nas aldeias de Covelo do Gerês .

 

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Pois esta aldeia de Caniçó é um misto de todos os tipos de povoamento atrás apontados e com exceções, pois desenvolve-se ao longo de dois arruamentos principais  onde existem dispersos pelo menos quatro aglomerados  bem definidos, mais parecendo pequenas aldeias que fazem um todo de uma aldeia. Aparentemente pequenos núcleos, cada um ligado a uma grande casa rural ou como se fossem pequenas “villas”.

 

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Quanto à aldeia, agora no seu todo disperso, estamos na freguesia de Salto onde já estamos habituados à exuberância do seu verde dos campos, aliás penso que hoje isso mesmo fica bem demonstrado na maioria das fotos que vos deixo. Caniçó  é uma aldeia daquele Barroso que já faz a transição para o Minho que lhe fica mesmo ali ao lado, a 700m (Alto Miho), bem diferente do Alto Barroso.

 

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Passemos para o topónimo Caniçó onde, como é habitual, vamos beber à fonte da “Toponímia de Barroso”, onde ao respeito se diz:

Caniçó

De Canna, por  cannicia+ola >  canizolo > canizoo > caniçó, pequeno canavial. Na forma evolutiva intermédia têmo-la em:

- 1258 « dixit quod Canizoo et» INQ 1511.”

 

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E continua a “Toponímia”:

“ Fazia então parte de freguesia e concelho de Vilar de Vacas (Ruivães) hoje no concelho de Vieira do Minho, tendo entretanto transitado, tal como Linharelhos, para a freguesia de Salto, concelho de Montalegre”

 

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E acrescenta:

GEDA, topónimo arcaico, talvez nome pessoal, feminino de Gedo > Geto, este, nome de origem germânica cujo significado desconheço.

- 1282 «en’o casal que chamarom de Geda en esse logar de Caniçoo que serve de servizaria dell Rey»

 

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E remata:

“Deve ter pertencido a este casal que foi serviçaria real o pedaço de tranqueiro de porta que há meia dúzia de anos apareceu e se guarda no Pólo do Ecomuseu.”

 

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Nas nossas pesquisas encontrámos algumas referências a Caniçó num blog “Norte Português”, nomeadamente no que diz respeito ao seu povoamento noutros tempos (o negrito e sublinhado é meu):

“O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14.”

 

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Ainda no mesmo blog ( o sublinhado e negrito continuam a ser meus):

“Consta esta freguesia de duzentos fogos e de novecentas pessoas de sacramento, dividida em dezoito lugares ou aldeias de quazi semelhantes ares e clima frigidíssimo.

Salto e Cerdeira (…) constam ambos de trinta vizinhos; Linharelhos consta de doze fogos; Caniçó, treze; Paredes, quatro; Corva, dezoito; Ameal, cinco; Bagulham, dez; Ludeirodarque, seis; Póvoa, nove; Carvalho, onze; Beçós, dez; Reboreda, vinte; Taboadella, seis; Seara, cinco; Pereira, nove; Amear, vinte e Pomar da Rainha, seis.”

 

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E no mesmo blog diz-se  ainda ( o sublinhado e negrito continuam a ser meus):

“Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; Pomar de Rainha, 48; Póvoa, 34; Reboreda, 91; Salto, 113; Cerdeira, 34; Tabuadela, 59.”

 

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E quase para finalizar, ficam mais algumas impressões pessoais a respeito da nossa aldeia de hoje – Caniçó.

Pois se de início as aldeias da freguesia de Salto me surpreenderam pela exuberância do seu verde, com o tempo deixei de ser surpreendido, não quero com isto dizer que deixasse de apreciar, antes pelo contrário, dá sempre gosto entrar e desfrutar de aldeias como estas, e que me respondem (como se me interrogasse) ao porquê do andar à sua procura, na sua descoberta a fotografá-las.

 

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Mas mais agradados ficamos ao encontrarmos nestas aldeias mil e um motivos para registar, não só para memória futura mas também para de vez em quando nos deliciarmos aos vêr esses motivos no monitor do nosso computador, impressas em papel ou publicadas em espaços dedicados à fotografia ou aqui no nosso blog e partilhadas pelas redes sociais. Mas sobretudo porque confirma que o Barroso é mesmo uma pérola dentro do nosso Reino Maravilhoso, mas como sempre, tal como Torga dizia, para a ver “ é preciso (…) que os olhos não percam  a virgindade original diante da realidade e o coração (…)”.

 

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Da aldeia de Caniçó há a ainda a realçar o conjunto dos conjuntos do seu casario no meio de todo aquele ver, algumas construções mais nobres, a imponência de algum do seu arvoredo, autóctone, os espigueiros e muitos pormenores.

 

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Bem gostaria de acrescentar mais alguma coisa mas infelizmente, por ausência de outros dados, não posso. A partir de aqui só inventando e nós nem por isso gostamos de inventar. Certo que às vezes podemos mandar uns palpites, acertando às vezes e errando outras tantas ou mais vezes, mas além de avisarmos sempre,  palpitar não é o mesmo que inventar. E com esta já posso meter mais uma fotografia pelo meio.

 

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E desta vez as imagens têm mesmo que valer mais que palavras, pois só nos restam mesmo para deixar aqui as referências às nossas consultas, respetivos links e também os habituais links para as anteriores abordagens ao Barroso publicadas neste blog.

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

Sites

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

 

 

 

25
Set17

Quem conta um ponto

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360 - Pérolas e diamantes: Quanto vale a Democracia?

 

 

No seu livro Contra a Democracia, Jason Brennan, parte do princípio de que a democracia é o melhor sistema viável, mesmo assim não é lá grande coisa, e por isso se torna necessário melhorá-lo, mesmo que seja com menor participação.

 

O grande filósofo moral do século XIX, John Stuart Mill, argumentava que devemos instituir qualquer forma de governo que produza os melhores resultados.

 

Apesar de Mill ter a esperança de que envolver as pessoas na política as tonaria mais inteligentes e mais preocupadas com o bem comum, afirma que algumas formas de governo podem deixar-nos estúpidos e passivos. No entanto existem outras que podem tornar-nos perspicazes e ativos.

 

Apesar das boas intenções, as formas mais comuns de compromisso político não só falham em educar-nos ou enobrecer-nos, como tendem inexoravelmente para a estupidificação e a corrupção.

 

O economista Joseph Schumpeter bem lamenta: “O cidadão típico desce a um nível de desempenho mental inferior assim que entra no campo político. Argumenta e analisa de um modo que prontamente reconheceria como infantil na esfera dos seus interesses reais. Torna-se novamente um primitivo.”

 

Em 1800, 70% a 80% dos americanos com direito a voto votavam nas principais eleições. Agora, no máximo, votam 60% para as eleições presidenciais e cerca de 40% para as eleições intermédias, estaduais ou locais. Por isso é que os democratas rangem os dentes.

 

Segundo Brennan até existe um lado positivo no declínio democrático, pois a democracia no seu país está mais inclusiva do que nunca, com cada vez mais pessoas convidadas a assumir uma posição na mesa das negociações políticas. Contudo, cada vez menos pessoas respondem ao convite.

 

Os principais teóricos políticos querem que a política se infiltre em mais aspetos da vida. Pretendem mais decisão política. Partem do pressuposto que a política nos enobrece e que a democracia é uma forma de capacitar a pessoa comum a assumir o controlo das suas circunstâncias.

 

Jason Brennan considera mesmo que os “humanistas cívicos” consideram a própria democracia como a vida boa, ou, pelo menos, um chamamento superior.

 

Segundo o cientista político e filósofo americano, existem três tipos de cidadãos democráticos:

 

Os hobbits, que são sobretudo apáticos e ignorantes sobre a política, pois carecem de opiniões fortes e firmes sobre a maioria das questões políticas. Preferem seguir as suas vidas diárias sem prestar muita atenção à política. É o típico não votante.

 

Os hooligans, que são os fanáticos desportivos da política. Têm ideias fortes e firmes sobre o mundo. Podem apresentar argumentos para as suas crenças, mas não conseguem explicar pontos de vista alternativos de um modo que as pessoas com outras visões considerem satisfatórias. Consomem informação política, embora de uma forma tendenciosa. Tendem a desprezar as pessoas que discordam delas, sustentando que as pessoas com as ideias alternativas sobre o mundo são estúpidas, más, egoístas ou, na melhor das hipóteses, estão profundamente enganadas. A maior parte vota regularmente, participa nas atividades políticas e são membros filiados em partidos políticos.

 

Os vulcanos, que são os que pensam científica e racionalmente sobre a política. As suas opiniões são fortemente sustentadas em ciência social e filosofia. São autoconscientes, e apenas confiam naquilo que os indícios permitem. Conseguem explicar pontos de vista diferentes e visões alternativas de forma satisfatória. Interessam-se por política, mas, ao mesmo tempo, são imparciais. Evitam ser tendenciosos ou irracionais. Não pensam que todos aqueles que discordam deles são estúpidos, maus ou egoístas.

 

Estes são os tipos ideais ou arquétipos conceptuais. Algumas pessoas encaixam-se melhor do que outras nestas descrições. Ninguém consegue ser um verdadeiro vulcano, pela simples razão de que todas as pessoas são pelo menos um pouco tendenciosas.

 

Infelizmente, a maioria das pessoas enquadra-se nos moldes hobbit e hooligan, ou encontra-se lá pelo meio.

 

De facto, a política não é valiosa para a maior parte das pessoas. E a democracia tem os seus defeitos e mesmo os seus limites.

 

Uma coisa devíamos ter presente no ato de votar: “A tomada de decisão política não é escolher para si próprio; é escolher para todos.”

 

Alguns filósofos defendem que a democracia é um procedimento de tomada de decisão inerentemente justo.

 

Jason Brennan, não está pelos ajustes. Argumenta que o valor da democracia é puramente instrumental, pois “a única razão para favorecer a democracia sobre qualquer outro sistema político é que é mais eficaz a produzir resultados justos, de acordo com padrões de justiça independentes do procedimento”.

João Madureira

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