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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Ocasionais

13.09.17 | Fer.Ribeiro

ocasionais

 

“Rubidez nasal”

 

Ao escritor cabe-lhe

«servir como espelho

para a época em que vive»-

E.M. Forster.

 

 

Há Blogues e blogues.

 

Uns feitos diàriamente. Outros, quando calha.

 

Os da NOSSA TERRA vão secando, secando.

 

De ÁGUAS FRIAS e de OUTEIRO SECO ainda há por AQI”.

 

Muitos fazem-lhes a colheita. Muitos mais, a rapina.

 

Os seus leitores e comentadores «passaram-se» para o Facebook e para outras faixas de rodagem virtualmente reais e realmente virtuais: quase toda essa gente sonha e aspira pertencer à nobreza, embora jure a pés juntos ser do Povreza!

 

Dentre essa gente, mesmo a pequena quantidade de invejosos, que converte a sua pobreza de espírito em tiques de modos e de palavras cheios de pedantice pseudo-intelectual ou cultural, é uma abundância.

 

Basta-lhe duas linhas de escrita ou três palavras deitadas pela boca fora para se lhe topar o desnecessário complexo de inferioridade, o crónico azedume da sua mediocridade, a sua frustração por não passarem da cepa torta, o sentimento de culpa pela falta de coragem em momentos em que esta seria mais necessária, e as características rasteiras que lhe vão permitindo a sobrevivência.

 

Afirmam, juram; dizem, desdizem. E concluem que, afinal, o que viram, o que leram era metade do que afirmaram, juraram, disseram e desdisseram; a outra metade era do que tinham visto, tinham ouvido, tinham lambido, tinham lido!

 

Providos de tão elevado talento e tão vasto quão profundo conhecimento, a insinuação é-lhes mais do que suficiente para sentir e saber avalizado o seu dito e escrito!

 

Essa pequena trupe  costuma trajar em mangas de camisa e colarinho aberto, convencida que o fato azul às riscas da sua sapiência enche as medidas do gosto de quem a escuta ou nela repara!

 

A raivazinha da sua insignificância subsidia-lhe o discurso, oral ou escrito, do seu azedume.

 

E quando dão com os olhos no nome de um autor incómodo, o nariz fica-lhes vermelho que nem um pimento!

 

(E se agora lhes lembrar os do Cambedo ou os de Lebução ...  aumentar-se-lhes-iam os moncos!...).

 

Todos eles, iguais, semelhantes, diferentes   -   ou parecidos   -  no seu elevado grau académico, na sua superior categoria intelectual, quer nas suas observações ou críticas, quer nas suas censuras e «desapreciações» dissimuladas, cheias de corajosa falta de coragem, todos eles são gente de juízo claro e de saber abundante, a quem, a mim, só me resta aplaudir e manifestar reconhecimento!

 

Abrem um livro ou um Blogue, debruçam-se sobre ele e já se julgam, e sentem, leitores!

 

Uns bocejam com a leitura dos meus textos. Outros, tosquenejam!

 

Todos com ares de pisa-verdes intelectuais!

 

São indivíduos que, noutras paragens ou pracetas, culturais, «passariam despercebidos ou seriam solenizados pela irrisão pública» e que, entre nós, são «alçados ao cume da escala política», autárquica ou central!

 

A mim, não me incomoda a queda no conceito dos exigentes críticos do Blogue “CHAVES”!

 

Na «caixa de comentários», deste Blogue, entrei de surpresa: fui bem acolhido.

 

Para as páginas diárias, fui convidado.

 

Não escrevo para vender; escrevo porque penso.

 

Com a fidelidade de meia dúzia de leitores que tenho, considero-me bem pago.

 

Ao sucesso editorial prefiro a dignidade de merecer ser lido.

 

Escrever os meus textos, mais do que liberdade política, é uma liberdade civil!

 

Naturalmente, os leitores, que não encontrem neles opiniões ou conceitos que sustentem os seus, ficarão mais desagradados.

 

Acontece que, não raras vezes, o autor não fala, não escreve, a mesma língua que o leitor. A opinião deste não passará de um sopro dos seus gostos, já que ideias quanto à leitura não as terão.

 

Críticos e escreventes andarão (ou andam, mesmo, por aí?!) a afirmar que a “lei de talião” (jus talionis ou lex talionis) é invenção de Talião (alguém, «um tipo», que nunca existiu, a não ser na sua ignorância arrogante); que o azul de metileno é de Mitilene!

 

Presunçosos, há visitantes e leitores que abrem o Blogue como se fosse uma carta registada com aviso de recepção de quem eles, cada um deles, são, é, o seu único destinatário!

 

Alguns aprenderam  a juntar as letras (poucochinhos até «escrevem bem», mas isso é menos que nada!), mas ainda não sabem ler!

 

Estou certo que se os visse andar com algum dos meus livrinhos na mão, ficaria envergonhado por tê-los entre os meus leitores.

 

M., dois de Setembro de 2017

Luís Henrique Fernandes