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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Jan18

Nós, os homens

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XIX

 

Eu não era nada dado a estas coisas, verdade verdadinha, pela alma da minha avó que Deus a tenha. Mas os rapazes não se calavam. Vendo o meu estado de desespero e fragilidade, diziam que o que eu precisava era disto, que o que eu precisava era daquilo e uma das noites, cansado de os ouvir, cedi. Fui com eles a um bar, que todos conheciam, menos eu.

Quando lá cheguei o negócio, ou a contratação, que eu nem sei que nome se dá a estas coisas, já estava feito.

Cumprimentei os rapazes e antes que me acomodasse na cadeira de veludo vermelho, sob as luzes flácidas, vem a pergunta: Como é que te sentes?

Como é que eu me havia de sentir? Destroçado, como andava há tanto tempo! E nem foi preciso dizer nada, eles olharam para mim e leram-me a alma, a tal ponto eu era transparente ou a esse ponto eles me conheciam.

Não respondi. Nós, os homens, temos estas coisas de fazer as perguntas quando sabemos as respostas e não dar conta da sua ausência porque, neste caso sim, o silêncio era uma anuência ao que lhes ia na cabeça: Na merda!

E continuavam como se eu tivesse respondido alguma coisa: Deixa lá, não tens que fazer nada. Bebes um whisky, ou dois, ou três e sobes ao primeiro andar. É o 102.

 

Enquanto subia no elevador debatia-me com a atitude a ter: O que é suposto que eu faça? Toco à porta e espero que alguém ma abra ou entro sem bater?

Escusado. Quando cheguei à entrada do quarto, a porta estava entreaberta. Em silêncio e cautelosamente, a medo diga-se mesmo, abri-a muito devagar e foi então que os meus olhos se crisparam nos dela.

Naquele momento, quando o nosso olhar se interceptou, podia vir-me à cabeça um sem número de pensamentos. Mas apenas um me ocorreu. O dia em que fui a sua casa sem a avisar primeiro.

 

Era uma belíssima tarde de Agosto, cheia de sol e calor. Eu tinha encontro marcado com ela às cinco da tarde, mas estava tão impaciente para a ver que, quando passava pouco das três, meti-me no carro e fui a casa dela. Não me era possível esperar mais. Quando me abriu a porta estava ensonada e contrariada. Não retive o momento em que me cumprimentou e por isso não sei se aconteceu. Lembro-me das palavras dela já dentro da sala. Ela sentada num sofá individual que só dava mesmo para um e eu a tomar lugar no de dois lugares, onde tantas vezes tínhamos estado juntos.

- Eu nunca apareci em sua casa sem telefonar primeiro! O nosso encontro era às cinco e passa pouco das três! Não está bem!

Eram as boas vindas.

Expliquei-lhe que não tinha aguentado esperar mais.

Respondeu que estava a dormir a sesta, porque estava cansada do treino da manhã e que só acordava passado algum tempo, sinónimo de ter mau acordar. Eu não podia confirmar nem desmentir, pois que, nos poucos cinco meses que eu poderia testemunhar, só a tinha visto acordar duas vezes e nesses ela tinha acordado bem. Mas o universo que eu conhecia era muito restrito para a poder contrariar. Não o fiz.

 

Perante a falta de educação que me tinha acabado de imputar, levantei-me, pedi-lhe desculpa, disse-lhe que me tinha enganado, porque não era para ali que eu queria ir.

Saí, ela não me deteve, não foi sequer acompanhar-me à porta, como gostava tanto que eu fizesse com ela. Meti-me no carro, não faço a menor ideia como é que o carro me levou a casa! Eu estava atónito com este comportamento.

Claro que o encontro das cinco da tarde ficou sem efeito e foi adiado sucessivamente, com desculpas sem lógica nem propósito.

 

Agora vinha-me esta história à cabeça e a pergunta que não pude evitar: se eu tivesse subido as escadas, naquele dia, em casa dela, quem encontraria no quarto? A dormir a sesta, é preciso ter lata! Cansada do treino da manhã, como é que eu não percebi?!

Afinal eu tinha tudo à minha frente, só me faltava abrir os olhos! Para ver, era preciso acreditar! E vem-me, pela vez sem conta, a frase do Paul Auster que, imediatamente depois de a ler, memorizei: “Crer, para ver. Eu só vejo quando acreditar”, contrariando a atribuída a São Tomé: “Ver, para crer. Eu só acredito quando vir.” Eu subscrevia a primeira.

O autor no livro, quando lhe sai a frase a meio de uma discussão com a mulher, diz que foi lapsus linguae, mas qualquer leitor percebe, mesmo sem conhecimentos nenhuns em psicanálise, que ele a quis escrever dessa forma, porque lhe fazia mais sentido e era muito mais verdade.

 

Vestida daquela maneira, estava quase irreconhecível e o quase prendia-se, não com os olhos que, por demasiado pintados, estavam diferentes na forma e na expressão, o quase estava na intensidade do olhar.

Quando a reconheci o meu corpo entrou em delirium tremens, a expressão latina usada para síndrome de abstinência, suspensão ou privação em doentes crónicos dependentes, provocado pelo uso prolongado ou abusivo de cenas.

Exactamente o caso.

 

Primeiro senti um arrepio, que começou nas plantas dos pés como uma cãibra, depois uma contracção violenta no estômago e de seguida todos os meus músculos entram em convulsão. O cérebro, pura e simplesmente, começa a arrefecer, percorrendo um gradiente térmico que atingiu a temperatura de congelação para órgãos sólidos. Não tinha um espelho ali à mão nem vontade de me ver, mas a minha pele estava, com toda a certeza, branca, lívida, sem uma pinga de sangue nos pequenos canalículos subjacentes à epiderme.

 

Não tentei dar um passo em frente, mas mesmo que o fizesse, não conseguia. Os meus pés estavam, ipsis verbis, pesados como chumbo, colados ao chão. Nem para trás nem para a frente. Constituíam aquilo a que nas empresas se chama o imobilizado.

E eu, na milésima de segundos que ainda tinha disponível e funcional do meu cérebro, quase totalmente congelado, a pensar na pequena frase que, às vezes, se diz em pleno acto sexual e a pensar que se tivesse forças, que não tinha, para dizer alguma coisa seria para dizer estou-me a ir. E a pensar depois disto, eu que escrevia livros, se vir e ir não seria o mesmo verbo, diferente apenas na direcção com que o vento sopra!

Caí no chão, sem dor, já inconsciente.

 

Cristina Pizarro

30
Jan18

A ponte romana de hoje, de há 50 anos e um pormenor com 109 anos e 39 dias...

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Nos grupos do facebook barrosões tenho visto por lá umas fotos antigas das aldeias barrosãs, uma delas Viade de Baixo. Ontem entrei em contacto com um dos administradores do Grupo Viade de Baixo para me indicarem quem era o autor das fotos a fim de lhe pedir autorização para as utilizar num post deste blog. Acabei por saber o nome do fotógrafo que, afinal, se trata de um dos melhores fotógrafos portugueses do século XX, um Engº Técnico Agrário que se apaixonou pela fotografia e que nos anos 50/60 esteve a trabalhar em Montalegre como Engº Téc. Agrário. Este fotógrafo que dá pelo nome de Artur Pastor (1922-1999) fotografou todo o Portugal real, urbano e rural , do Norte a Sul de Portugal e ilhas. Estando em Montalegre nos anos 50/60 suspeitei que a objetiva da sua Rolleiflex também tivesse andado por Chaves a captar alguns momentos da cidade de então, e não me enganei. Chaves faz parte do seu espólio fotográfico que hoje é propriedade do Arquivo Municipal de Lisboa.

 

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Fotografia de Artur Pastor (anos 50/60)

 

Apreciei devidamente de Artur Pastor, da qual não apurei a data exata, anos 50/60 é o que diz na sua coleção de Trás-os-Montes. E sim, dá para verificar que a fotografia não é muito antinga e que quase tudo que é retratado pouco difere do que hoje existe, inclusive eu que pela certa sou mais novo que a foto, ainda me lembro daqueles candeeiros da Ponte Romana, mas há um pormenor nesta foto que me chamou a atenção e que veio confirmar sem qualquer dúvida aquilo que já há uns anos sabia. Trata-se da placa que assinala a cheia do Tâmega de 22 de dezembro de 1909, mais propriamente da sua localização. Para melhor entenderem aquilo a que me refiro, ampliei as duas fotos que vos deixo atrás na zona da referida placa e assinalei a vermelho as referências de duas janelas da construção (que na reconstrução de há uns anos atrás não foram alteradas) e da placa da cheia, antes e depois das obras.

 

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Não é por nada, mas após as obras, a placa não ficou bem no mesmo sítio. Acredito que quem recolocou a placa tivesse a intenção de enaltecer a grandeza da cheia de dezembro de 2009, pois se o espanto da sua grandeza já era grande com a placa no devido sítio, isto acreditando que quem a colocou lá originalmente respeitou as marcas da cheia, se a placa subisse mais um metro, o pessoal espantar-se-ia muito mais. E confesso que eu fui um dos que se espantou quando a vi nesta nova localização, não pela grandeza da cheia, mas pelo atrevimento e pela mentira que agora lá está colocada.

 

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Mas tudo bem, desde que o pessoal saiba a verdade e haja provas de tal, como a foto de Artur Pastor que vos deixo ou mesmo o testemunho das fotos da época da referida cheia de 1909, não há grande mal, desde, claro, que o contar da história verdadeira se vá mantendo ao longo das gerações, ainda para mais que a estória é caricata. Mas bem melhor era que a placa regressasse ao seu devido sítio. Mas esta estória dá também para perceber que não devemos acreditar em tudo que vemos e em tudo que lemos na História, e Chaves tem alguns destes exemplos, e até bem mais graves que este da placa.

 

30
Jan18

Chaves D'Aurora

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  1. MOINHOS.

 

Na quinta Grão Pará, a vida girava como se fosse o Moinho dos Agapito, à beira do Tâmega. Para deceção de Aurita, Hernando parecia ter ido embora de vez, naquele primeiro comboio, pois se passou muito tempo sem que ela tivesse dele qualquer notícia. Sabia apenas que ele não estava ao Raio X e isso era, por certo, motivo de muita angústia para ela. Teria voltado o cigano a viver com a rapariga de Valpaços?!

 

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Moinho dos Agapito, Chaves antiga (PT). Postal Foto Alves.

 

Afonso, após concluir os estudos secundários, começara a trabalhar no escritório do pai, mas continuava a perseguir o seu maior ideal. Via-se, o tempo todo, a sonhar de olhos abertos e, tal como Sidónio, a gozar também das festas e patuscadas próprias de rapazes, entre as maltas de estudantes, pelos becos e ruelas de Coimbra. Já se lhe vestiam as batinas e tinha as capas dobradas sobre os ombros, cheias de apliques bordados, brasões e outros símbolos coloridos, em contraste com a negrura dos uniformes. Entrevia até seu Papá e sua Mamã a se deleitarem com ele, por altura da queima das fitas. Atirava-se então aos estudos e, do mundo em volta, bem pouco estava a se interessar. De mais a mais, quando pensava em raparigas, sempre se lembrava do Popó.

 

Também Aurélia, ainda voltada para o seu mundo de infância, apesar de já passar dos dezasseis, não parecia pensar em qualquer namorado. Passava horas a brincar de bonecas e jogos infantis com Arminda.

 

Mindinha, porém, já crescera. Começava a querer se dar por rapariga madura e não mais uma menina, o que forçava Lilinha a amadurecer também, junto com ela.

 

Alfredo prosseguia com os estudos no Liceu. Ainda que fosse bem ao Português, ao Latim e à História, estudar não lhe era um dos melhores prazeres da vida. Assim, pois, ainda que inteligente, estava sempre a se ver em malabares com Ciências, Matemática e até mesmo outras matérias menos exatas. Se as férias ainda estavam longe de chegar, o rapazola ansiava pelos feriados. O que lhe apetecia bastante, aos sábados à tarde, era folgar com os rapazes de sua idade, sentados a algum café do Largo das Freiras ou à Confeitaria Flaviense, então o ponto chique da elite de Chaves.

 

Punham-se os jovens ali, à sombra, para ver e serem vistos pelos alegres buquês das raparigas em flor, que passavam ao sol, mas cujos pais, migalho a menos, migalho a mais, eram tão severos quanto Reis. Se deixavam sair as filhas com as amigas era porquê, na verdade, algumas delas iam sempre com alguma tia solteirona a lhes servir de dama de companhia. Como astuta Mata Hari dos costumes, essa matrona agia como vigilante, ao mesmo tempo, não só de sua monitorada pupila, quanto das coleguinhas que a acompanhassem, embora todas fossem consideradas meninas direitas, atadas aos férreos liames dos conceitos e padrões da época.

 

Papá vivia às turras com o Alfredinho, por este só querer estar às pândegas. O rapazote corria então a se refugiar nas bordas da saia de Mamã, com quem trocava afetuosos carinhos, sendo impossível a Florinda ocultar que ele, para todos os efeitos e consequências, era o seu “ai-jesus”. Com frequência, porém, mesmo à amorosa Flor estavam a desgostar suas preocupações com o traquina, que sumia por horas, algumas vezes por um dia inteiro.

 

Mal saído da puberdade, o puto era um verdadeiro traga-mundos, dentro daquele universo entre o Brunheiro e o Barrosão. Quando o pai perguntava – Por onde andaste, seu maroto? – ele respondia com um sorriso que aborrecia ao Reis, mas desarmava aquele sempre disponível advogado de defesa, o coração materno – Meu querido Papá, minha queridíssima Mamã… estava por aí, de lés a lés, pelo mundo. Estava por aí, a estudar a vida.

 

Por aí, por acolá, era Vidago, Vila Real e as aldeias do Concelho, ou mesmo Verín e Ourense, que ficam logo ali, além da raia, na Galiza, para onde o Alfredinho, com o seu Azeviche, movia-se com um grupo de rapazolas, descomprometido de tudo. Acampavam a céu aberto no verão ou na primavera, com vinho, guitarra, castanhas assadas na fogueira e a eventual e bem-vinda companhia de algumas raras, alegres e liberadas raparigas.

 

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29
Jan18

De regresso à cidade

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Hoje fazemos o regresso à cidade pela Ponte Nova, embora na placa que está colocada nas entradas da ponte ateste que é Ponte Barbosa Carmona, o que já vai sendo habitual em Chaves, ou seja, o topónimo escrito na placa lá do sítio é um, mas nós tratamos o lugar pela alcunha, tal como se passa com o Largo das Freiras, o Jardim do Bacalhau, o Largo do Anjo e o Largo dos Pasmados, entre outros. E já que é assim, e o povo quer, assim seja! Que o povo tem sempre razão.

 

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E regressamos à cidade com duas noturnas. Não por regressarmos à cidade de noite, às vezes lá calha, mas agora já o fazemos de dia (a grande maioria).  Para ser sincero, as fotos até foram feitas ontem no regresso a casa, mas isso até pouco interessa, pois o que vale mesmo são as imagens da nossa ponte, do nosso rio, do nosso jardim e de um a rua com carros para lá e pra cá que o tempo de exposição da foto só permitiu captar as luzes e os seus trajetos.

 

Um boa semana!

 

29
Jan18

Quem conta um ponto...

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377 - Pérolas e diamantes: A roleta russa

 

Ao contrário do que era suposto acontecer, a Revolução de 1917, com a tomada do poder em Sampetersburgo, desencadeou uma violenta guerra civil na Rússia e deu origem a um regime totalitário que, para os artistas da altura, implicou um retrocesso criativo, originando a vitória de ideias conservadoras capazes de envergonhar a pior censura do tempo dos czares.

 

A Revolução Russa, bem vistas as coisas, foi sobretudo uma guerra civil extensa e cruel, que teve apoio popular e que também contou com o idealismo de muitos artistas, nomeadamente escritores e poetas que aderiram de imediato às promessas revolucionárias de uma literatura inovadora, capaz de elevar os leitores e de transmitir rapidamente ao mundo as novas ideias.

 

Essa esperança de liberdade foi curta. Na realidade, os escritores e restantes intelectuais, foram rapidamente trucidados pela violência e pela matriz totalitária do novo regime.

 

De facto, uma das literaturas mais impressionantes do planeta foi, em apenas dúzia e meia de anos, aniquilada pela obsessão estalinista de controlar todos os aspetos da vida dos cidadãos, usando os bárbaros métodos do medo e da violência para silenciar qualquer atrevimento de individualismo.

 

Para se conseguir sobreviver nas letras soviéticas, não era suficiente ser apenas bom revolucionário, era necessário evitar erros políticos. Muitos escritores foram exterminados por se terem descuidado no momento de escolher os seus protetores ou então terem escrito coisas comprometedoras no período em que se julgavam a salvo.

 

Na maioria dos casos, a roleta russa veio tomar conta dos seus destinos.

 

Com a abertura dos arquivos da polícia política (NKVD), os historiadores russos concluíram que cerca de dois mil intelectuais, académicos e artistas soviéticos, foram presos durante as purgas do final dos anos 30 e que terão morrido nas prisões e nos campos de concentração mais de 1500, muitos deles escritores.

 

A sorte estava ditada. Uns emigraram (Vladimir Nabokov, Ivan Bunin, Leonid Andreiev); outros suicidaram-se (Serguei Iesenine, Vladimir Maiakovski). Alguns tiveram problemas logo de início, como Ievgueni Zamiatine e a poetisa Anna Akhmatova, cujo marido, Nikolai Gumilyov, também poeta e militar aristocrata, foi fuzilado durante a guerra civil.

 

Se no início a diversidade no meio literário foi um dos emblemas da revolução proletária, rapidamente os talentos começaram a desaparecer.

 

A uns remeteram-nos ao silêncio (Andrei Platonov e Mikhaíl Bulgákov), outros remeteram-se a um silêncio autoimposto (Andrei Bely). A alguns foi a doença que tomou conta deles (Aleksander Block). Ou seja, em1925 a literatura russa já tinha sido praticamente dizimada. Mas mais vítimas estavam a caminho.

 

Issac Babel, pôs-se a jeito. Especialmente quando escreveu Cavalaria Vermelha, onde tornou evidente a sua crença comunista, mas também a desconfiança em relação à brutalidade dos bolcheviques e dos cossacos, o antissemitismo e a indisciplina das tropas. Desapareceu nos gulags.

 

Igual sorte teve o poeta Ossip Mendelstam.

 

Foi através da violência feroz, da supressão radical das liberdades, da coletivização forçada da terra e da propaganda sistemática, que o regime soviético criou um suposto paraíso para os trabalhadores que não passou de uma enorme e tremenda mentira.

 

Para Estaline, os escritores tinham de ser “engenheiros das almas”, ou não eram nada.

 

Ou seja, o realismo socialista funcionou como uma das peças da engrenagem da mentira que acabou por trucidar os melhores autores soviéticos. De facto, ali não existia a mínima réstia de realismo, nem sequer havia socialismo, pois os heróis descritos apenas existiam na fantasia doentia dos dirigentes.

 

Para o comissário da cultura, Andrei Djanov, o único conflito possível na cultura soviética era “entre o bom e o melhor.”

 

Os escritores tinham de estar ao serviço do povo e a sua autonomia artística era uma concessão de serviço. Ou seja, o escritor não era mais do que um funcionário.

 

Um dos livros que melhor retrata o regime soviético é O Mestre e Margarida. Este romance genial, de uma fantasia satírica delirante, mostra o fingimento do regime totalitário, a sua dissimulação e violência, a desfaçatez do poder e a imensa credulidade do povo.

 

Em Moscovo, cidade onde triunfaram os deuses do comunismo, aparece Woland, o mesmíssimo diabo, e a sua tribo de demónios. Verificamos então que nela impera o medo, a mentira, o conformismo e a paranoia.

 

Bulgákov evidencia a manipulação da verdade, a impossibilidade manifesta de se poder contar a história autêntica, a manifesta impotência dos intelectuais, o desespero amoroso, o triunfo do medo e da morte, que, diga-se em abono da verdade, não constituem apenas uma crítica ao comunismo.

 

A reflexão é, acima de tudo, sobre o sentido da própria arte. De que serve uma obra se nela o autor não disser a verdade?

 

Doutor Jivago, de Pasternak, talvez tenha dado o golpe de misericórdia na bondade do regime soviético, ao denunciar os momentos de brutalidade, de delação de inocentes e as promessas falhadas da revolução, além do cinismo, do oportunismo, da escassez de alimentos e da injustiça.

 

Paz, pois, à alma do escritor russo.

 

De facto, nada distingue a violência dos vermelhos da dos brancos.

 

Paz, pois, à alma do comunismo.

 

João Madureira

28
Jan18

O Barroso aqui tão perto - Reigoso

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Depois de no último fim-de-semana termos andado pelas festas comunitárias do S.Sebastião no Barroso de Boticas, é tempo de regressarmos às nossas voltinhas pelo Barroso de Montalegre, por sinal num dia grande para o concelho e também para o Barroso,  onde está a decorrer a 27ª Feira do Fumeiro, que tal como anuncia a página oficial do município, a “rainha do fumeiro” é toda sedução.

 

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Sedução são também as suas pequenas pérolas espalhadas por todo o concelho. A sedução de hoje dá pelo nome de Reigoso, uma das aldeias cujo topónimo que desde criança calhava às vezes em conversas de família, mas à qual só em abril passado tive a honra de visitar pela primeira vez, e diga-se desde já que foi um dia de agradáveis surpresas, pois quando pensamos que o Barroso já não nos pode surpreender mais, somos de novo surpreendidos e recordo que nesse dia as surpresas aconteceram em todas as aldeias que visitámos, mas bem poderíamos ter ficado apenas pelo Reigoso, que já tínhamos o dia ganho.

 

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Passemos à sua localização e ao itinerário para chegar a Reigoso. Como muitas vezes temos dito por aqui, o Barroso é comummente dividido em Alto e Baixo Barroso. Uma falsa divisão no meu entender, pois há terras baixas no Alto Barroso tal como existem terras altas no Baixo Barroso.  Também há quem atribua o Alto Barroso ao concelho de Montalegre e o Baixo Barroso ao concelho de Boticas. Pois da minha parte e não querendo entrar em polémicas, Barroso há só um, mas deitando algumas achas para a fogueira, ou não, o Barroso é constituído por pequenas pérolas com características bem diferentes.

 

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Também já o disse aqui que andei enganado durante mais de 20 anos em relação ao Barroso. Embora eu seja flaviense de nascença, toda a minha família materna e os meus irmãos, são barrosões de Montalegre. Assim desde criança que Montalegre era um destino habitual, principalmente no Natal e na festa do Sr. da Piedade que eram obrigatórios, mas também nas minhas férias grandes de verão, em adolescente, passava por lá uns dias. Ora acontece que então o que eu conhecia do Barroso era aquele que eu apanhava no itinerário entre Chaves e Montalegre, inicialmente feito pela EN103 (Estrada de Braga) ou pela Estrada Municipal, via Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Gralhas e Meixedo.

 

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Para além dos itinerários até Montalegre, recordo algumas idas até à Barragem dos Pisões e às aldeias mais próximas de Montalegre, como Stº André, Padornelos e Padroso. As mais distantes, tiveram como destinos Pitões da Júnias e Tourém. Isto era o Barroso físico que eu conhecia, depois havia o Barroso dos romances/literatura que encaixava na perfeição no Barroso que eu conhecia. Refiro-me à delicia do romance de Ferreira de Castro “Terra Fria”, tendo como base da sua ação a aldeia de Padornelos, e o outro romance igualmente delicioso “Lobo Guerrilheiro” de Bento da Cruz, este cheio de estórias e realidades que algumas já conhecia por serem contadas à lareira nas noites frias de inverno.

 

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Mas resumindo, o Barroso que eu conhecia e que em parte foi popularizado pelo romance “Terra Fria” de Ferreira de Castro, era precisamente esse Barroso de terra fria e agreste com muita influência do Larouco e terras vizinhas da Galiza. Daí que quando parti à descoberta de todo o Barroso me ir surpreendendo com o que ia encontrando enquanto me ia dando conta que havia muito mais Barroso para além daquele Barroso que até então conhecia.

 

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Continuando ainda no tema, mas já para rematar, independentemente de aceitar ou não a divisão de Alto e Baixo Barroso, pessoalmente, e é por aí que me guio, existe o tal Barroso do meu imaginário de infância que cabe todo numa linha traçada a Norte da Vila de Montalegre e que vai desde Pitões/Tourém até Meixide, passando por Sarraquinhos e terminando em Meixide/Soutelinho da Raia com fortes influências da Serra e Planalto do Larouco e da raia galega. Depois, com identidades bem definidas, podemos guiar-nos pelos “apelidos” dos topónimos, como as terras da Chã (Castanheira da Chã, por exemplo) constituído pelo grande planalto entre as Serras do Larouco e do Barroso. Temos também o “apelido” do Gerês (Covelo do Gerês), o do Rio (Travassos do Rio). Pequenas regiões que são influenciados pela geografia natural dos rios e das serras, como o é outro Barroso, o das Alturas do Barroso. Depois há as terras verdes com cheiro a Minho, como o é toda a freguesia de Salto, etc. São pequenas pérolas do Barroso onde é possível encontrar traços comuns que fazem a sua identidade, um deles, por exemplo no “Barroso do Larouco”, são os típicos fornos do povo com coberturas em lajes de granito que seguem todos a mesma arquitetura.

 

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Tudo isto para vos dizer que hoje vamos até Reigoso que curiosamente fica em terras de transição entre o Barroso da Chã, o Barroso do Gerês, o Barroso do Rio e Barroso de Salto e das Alturas. Fica mais ou menos ao centro das três Barragens (dos Pisões, Venda Nova e Padrela) a mais distante a dos Pisões a 6 km e a mais próxima a da Venda Nova a cerca menos de 1,5 Km. E fica também entre dois dos rios mais importantes do Concelho, o Cávado (a 5Km) e o Rabagão (a 1,6 Km).

 

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Vamos ao nosso itinerário, como sempre traçado com partida da cidade de Chaves. Pois para o Reigoso optámos por ir pela EN103 (Estrada da Braga), 60 km entre Chaves e o Reigoso. Não há nada que enganar, é seguir sempre a EN103, passa-se a Barragem dos Pisões, logo a seguir passa-se ao lado de Vila da Ponte e logo a seguir, coisa de 2 Km, vira-se à direita para Ladrugães, passa-se ao lado desta e a seguir estamos no nosso destino. Desde EN103 até Reigoso são apenas 3,5 Km, com Ladrugães a meio do percurso  Fica o nosso mapa:

 

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Como sempre, ficam também as coordenadas da aldeia, bem como a altitude:

41º  42´ 55.42” N

7º  56’  09.47” O

 

Altitude: Entre os 816 e os 880m

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre a aldeia, tal como é muito característico um pouco por todo o Trás-os-Montes, os campos envolventes da aldeia são uma espécie de manta de retalhos em tons verdes, com a terra repartida e murada com muros de pedra solta, não só para delimitar a propriedade, mas também para a proteger da saída de animais em pastagem ou da entrada de outros animais em terrenos cultivados. E se em tempos não muito distantes o tom dos campos era maioritariamente verde na primavera e preto no inverno, composto pelo verde da rama da batateira e pelo preto da terra em pousio, agora durante todo o ano é maioritariamente coberto com o verde das pastagens ou milho, o que dá um ar ajardinado a toda a envolvência da aldeia, quebrado aqui e ali por enormes carvalhos individuais ou em pequenos carvalhais.

 

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Quanto à aldeia o destaque vai para a Igreja paroquial que segundo apurámos data de 1614 e tem como orago o São Martinho. Sem dúvida alguma um belo exemplar da arquitetura religiosa com torre sineira dupla e separada do corpo da igreja, penso que posteriormente unida por um alpendre que serve de cobertura à entrada principal da igreja. Não tivemos oportunidade de ver o seu interior, mas adivinha-se igualmente interessante.

 

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Os restantes destaques vão para os canastros (espigueiros), com diferentes dimensões (desde um módulo simples a 4 módulos), uns com apoios em granito e restante construção em madeira e outros com estrutura de apoio, frontarias e apoios da cobertura em granito, o típico canastro transmontano. Pena, principalmente os de estrutura de madeira, alguns estarem em mau estado de conservação.

 

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O casario em geral também merece um destaque, com belíssimos exemplares da construção típica transmontana-barrosã com o granito à vista e muitas delas ainda com o testemunho dos muretes de cobertura, colocados nos frontais das construções para rematar a acomodação das antigas coberturas de colmo. Pena, como acontece em quase todas as aldeias, não existir pelo menos uma construção em que se mantivesse a cobertura de colmo para testemunho da história das coberturas de colmo.

 

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Algumas fontes com o habitual tanque frontal para bebedouro do gado, um cruzeiro e algumas alminhas, uma delas fazendo parte de um conjunto de uma intervenção recente, composta por fonte e tanque seguido das referidas alminhas, tendo ao lado um conjunto de mesas e bancos numa espécie de esplanada virada para um dos largos da aldeia, tudo em granito (muros, vedações, mesas e bancos. Embora de construção nova e já sem conhecer o pico manual da arte da cantaria, segue as características tradicionais das construções rurais em granito. Nada a dizer, integra-se perfeitamente no ambiente da aldeia.

 

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Continuando nas intervenções recentes e nas questões de integração ou não no conjunto da aldeia, destacamos a “estação dos CTT” que não sei bem qual será o seu destino para além da caixa de correio dos CTT. Parece-me ser apenas um lugar para se estar e que de verão deve ser bem agradável.   Sai um pouco do tradicional, mesmo com pilares em granito, mas que também não conheceram o pico do canteiro, são de “fábrica” serrados e amaciados, mas tudo bem, condiz com a construção que tem em frente e outra ao lado, pelo menos e que eu recorde. Estas novas intervenções nas nossas aldeias eram inevitáveis, principalmente porque nunca houve planos de pormenor de salvaguarda e valorização dos centros históricos das nossas aldeias, nem planos de sensibilização da população. Dolorosos politicamente falando, foram deixados de lado, ignorados, ou melhor, nunca se fizeram, salvo em raras exceções e na grande maioria já demasiado tarde. Mas mesmo assim, Reigoso até nem é um mau exemplo, pois mantém a sua integridade, embora com uma ou outra exceção, mas nada de grave que lhe retire o interesse como uma das aldeias à qual eu recomendo uma visita.

 

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Quanto ao pessoal da aldeia, talvez pela nossa visita ter sido entre as 8 e as 9 da manhã, só vimos duas ou três pessoas, já idosas. Ainda chegámos à fala com uma delas que nos perguntou se andávamos à procura de chouriças ou presuntos para comprar… bem que os comprava, pois ali era garantido que se falava de coisa boa e genuína, mas desprevenidos além de os “ouros” escassearem para estas iguarias, que hoje já são quase um luxo. Mas a nossa missão também não era essa, era antes a da descoberta e registo de Reigoso.

 

1600-reigoso (37)

 

Dissemos atrás que só vimos duas ou três pessoas, mas sabemos que há mais. Pelos dados dos últimos CENSOS sabemos que na freguesia a população presente era de 171 pessoas. Relativamente bem longe da população do ano de 1950 que era de 654 pessoas ou mais distante ainda, da população de 1878 que era de 706 pessoas. Embora a partir de 1950 a população tenha vindo sempre a decrescer, conseguiu manter-se acima das 500 pessoas até 1970. Atenção que isto são números para toda a freguesia, ou seja, são número da população total das 3 aldeias da freguesia (Reigoso, Currais e Ladrugães).

 

1600-reigoso (8)

 

Quanto às nossas pesquisas, desta vez encontrámos umas coisinhas, mesmo porque Reigoso é sede de freguesia e assim existe mais informação disponível, começando pela página oficial da autarquia na NET, da qual retirámos a seguinte informação:     

Dados da Freguesia

 

Área: 17.2 km2

Densidade Populacional: 9.9 hab/km2

População Presente: 171

Orago: São Martinho

Pontos Turísticos: Via Romana ; Igreja, Casa do Baía; Capela de S. Lourenço.

Lugares da Freguesia (3): Currais, Ladrugães e Reigoso.

 

São tudo dados da freguesia, mas com as três aldeias tão próximas, os pontos turísticos de interesse estão a dois passos ou na própria aldeia de Reigoso.

 

1600-reigoso (131)

 

Onde também consta:

"Com a freguesia de Reigoso sucedeu o mesmo que sucedeu a Contim: antes de independente esteve anexa à de São Pedro de Covelo. Ao ganhar carta de alforria levou consigo Currais e Ladrugães. Mas Currais (exemplo único no Barroso) nasceu de quatro casais de Dona Maior Gomes e que D. Afonso II honrou. Com o decorrer dos tempos esses “lavradores” organizaram-se em catorze casais, sob a forma de beetria, isto é, os habitantes escolhiam o senhor que mais garantias lhe desse: “um de seu linhagem qual quiserem!” Democracia quando ainda se não pensava nela! Talvez por isso o melhor troço de via romana existente no concelho foi tão bem preservado, em Currais. Na freguesia há uma irmandade muito antiga mas igualmente muito fechada e reduzida de “irmãos”."

 

1600-reigoso (94)

 

No arquivo da Torre do Tombo encontrámos:

 

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR

 

Reigoso foi abadia da apresentação ad Nutum do abade de S. Pedro de Covelo do Gerês. 

A igreja paroquial data de 1614. 

Pertenceu ao concelho de Ruivães até à sua extinção em 31 de Dezembro de 1853, altura em que passou a integrar o concelho de Montalegre. 

A freguesia é composta pelos lugares de Currais, Labrugães e Reigoso. 

A paróquia de Reigoso pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Martinho.

 

1600-reigoso (49)

 

Quanto ao topónimo Reigoso, vamos ver o que nos diz a “Toponímia de Barroso”.

 

REIGOSO

Radica (poucas vezes se aplica esta forma verbal com tanta propriedade) em RADICOSU > RAIGOSO > REIGOSO, que significa “ter muitas raízes“, pois RADICOSU, vem do latino RADICA ( de RADIX) + OSU.

-1258 « Item villa de Reigoso cum suo termino» INQ 1516.

Esta citação respeita à povoação e topónimo de Reigoso, ele mesmo, com topónimo perfeitamente estabilizado.

Já pela mesma altura, os testemunhos de homens de Donões para topónimo idêntico, e que respeitam a uma rua da villa de Montalegre, disseram Raigoso:

-1258 «de covelo et de Sancto Adriano et de Sancto  Veriximo et de Raigoso et de Magrou dant Domino Regi de xij quinionibus unun».

Estes locais integravam a pequena freguesia de Donões porém, vinte e poucos anos depois já pertencia a Montalegre que manteve o topónimo, agora nome de rua!

Nas chang. de D.Dinis, temos novamente:

-1288 «em Reigoso huum casal de Gil Martinz».

 

1600-reigoso (18)

 

E como sempre vamos à “Toponímia Alegre” incluída na atrás citada “Toponímia de Barroso”

 

Os de Reigoso

Grande Cabeça

Pouco miolo.

 

Tenho um amor em Reigoso,

Tenho outro em Currais;

Mas o de Ladrugães

É o que gosto mais.

 

1600-reigoso (3)

 

E como a prosa já vai longa, vamos ficar por aqui, no entanto sabemos que haveria muito mais para dizer sobre esta aldeia, e pela certa também muitas estórias para contar, mas não encontrámos mais dados e estórias também não nos as contaram para aqui deixar. Assim deixamos pelo menos alguns olhares que registámos em imagem para apreciarem agora, mas também para memória futura.

 

1600-reigoso (112)

 

Só nos resta deixar aqui as referências às nossas consultas e a lista de links para anteriores abordagens a aldeias ou temas de Barroso

 

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

www.cm-montalegre.pt/

https://tombo.pt/f/mtr25

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Carvalho - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalho-1623928

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Chelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-chelo-1627025

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

27
Jan18

Lagarelhos - Chaves - Portugal

1600-lagarelhos (254)

 

Hoje vamos passar mais uma vez por Lagarelhos, com uma breve paragem para ver um pouco da sua vida diária, do seu casario e das vistas que desde lá se alcançam.

 

1600-lagarelhos (214)

 

Lagarelhos é uma das aldeias da EN314 ou da estrada que liga a Carrazedo de Montenegro mas também a umas dezenas de aldeias do nosso concelho. Em plena  Serra do Brunheiro mas a espreitar para os dois principais vales do concelho de Chaves, o vale da Ribeira de Oura e o próprio vale de Chaves, mas para vermos este em pleno, teremos de subir um pouco até à estrada que segue para Santiago do Monte.

 

1600-lagarelhos (208)

 

Como aldeia implantada à beira da estrada, vai vendo quem passa, mas já os que passam, se não pararem, pouco ou quase nada verão da aldeia, tanto mais que a longa curva que abraça quase toda a aldeia, exige a atenção de quem conduz. Já para conhecer a capela, pequena e simples, mas cumprindo as linhas das capelas tradicionais transmontanas, construídas em granito à vista.

 

1600-lagarelhos (244)

 

Trata-se de uma pequena aldeia, mas o suficiente grande para ter a capela e em tempos ter tido uma escola, da qual hoje só já resta o edifício e a memória de alguns lá terem aprendido as primeiras letras, a ler e contar, e se isto chegava para os mais antigos, para os mais novos, foi o passaporte para descerem à cidade e continuar os estudos que lhes abriu outros horizontes fora da escravidão à terra e à serra.

 

1600-lagarelhos-art

 

Por nós continuaremos a passar por lá quando tiver de ser, mas também a parar sempre que um motivo nos desperte o olhar da objetiva ou então para apanhar mais um pouco de sol antes de mergulhar no nevoeiro dos vales.

 

 

 

 

26
Jan18

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

1600-(38100)

 

Hoje à procura de uma foto para publicar, esbarrei com esta que vos deixo, uma foto de um momento único sobre a nossa Top Model. Aconteceu às 17 horas, 55 minutos e 5 segundos do dia 9 de fevereiro de 2014, à mão só tinha o telemóvel que para estes registos singulares serve sempre, que remédio, mas acabou por captar o que se pretendia – uma enorme nuvem alaranjada sobre a nossa Ponte Romana, refletida sobre o Tâmega, bem encorpado por sinal, reflexo que continuava sobre a calçada até entrar-nos no olhar, com aquele conjuntinho precioso da Madalena a rematar a composição e a dar-lhe algum contraste. Sem filtros, tal como estava. Gostei então do momento, daí o registo. Hoje quando a revi, gostei de novo de ver e reviver o momento que já estava adormecido num cantinho da memória e a imagem despertou. Se então gostei do que vi e hoje continuei a gostar, porque não ser a foto a partilhar hoje convosco. Aqui está ela!

 

Até amanhã com mais uma das nossas aldeias, que posso desde já anunciar, pois segundo a ordem alfabética, como de costume, a seguir a Izei vem Lagarelhos, curiosamente na realidade também assim é. Assim sendo, amanhã vamos até Lagarelhos.

 

 

26
Jan18

Discursos Sobre a Cidade

GIL

 

CALDO DE BATRÁQUIO

 

Ter água canalizada em casa era um luxo quase proibido nas aldeias rurais dos anos quarenta. As fontes públicas resolviam quase todas as necessidades. Fossem os fontanários, ou as populares fontes de mergulho, toda a gente se abastecia aí do precioso líquido. Nos fontanários, os cântaros de barro ou de folha-de-flandres aparavam a água da bica, nas fontes de mergulho recolhiam-na de uma espécie de poço onde se mergulhavam. Está bom de ver que nestas fontes tanto se utilizava um cântaro limpo, como o balde dos recos que muito provavelmente teria andado aos trambolhões na estrumeira. Por isso a higiene não era propriamente uma preocupação. E assim se vivia como nos alvores da história!

 

No Carregal não se fugia à regra. No Prado, a um canto sombrio, está ainda a fonte, a cuja água se acedia através de uma grande janela com um parapeito de granito muito gasto pelo uso de séculos. A fonte há muito andava a meter nojo aos mais esclarecidos do lugar, nos quais se incluía o Ti Moreiras, antigo combatente da guerra dos dezassete. Assim, na impossibilidade de disciplinar os hábitos de uso da fonte por serem ancestrais, pensou o Ti Moreiras construir poço próprio no pátio novo de sua casa. Tanto mais que na altura estava na moda o furo artesiano. Para o efeito, contratou um artista de Serapicos. Acertado o preço, encomendou o trabalho. Semana e meia bastou para que de um furo de quarenta metros jorrasse água a rodos. À superfície a água chegaria através de uma bomba de roda, ou de um arcanho a que se chamava cacherelle. Optou-se por esta solução por exigir menos espaço de instalação. Dava-se ao zingarelho para cima e para baixo e após meia dúzia de bombadas era um regalo ver jorrar a água aos golos. Funcionava que era uma maravilha. Porém, passado algum tempo, o líquido começou a sair tão ferrugento que nem os animais o toleravam. Era da ferrugem do cano que conduzia a água até à superfície. Uma desilusão, ter de recorrer de novo à fonte do Prado para fazer o caldo!... Mas não havia outro remédio!

 

Naquele tempo, a iluminação das casas era fraquíssima. A candeia de petróleo ou de azeite, mesmo ajudada pela labareda da fogueira, não deixava nem sequer ler o jornal, quanto mais enxergar o que se jantava! Ora foi exatamente desta dificuldade que nasceu o caso que se relata.

 

Anoitecia quando a criada lá de casa se apercebeu de que o cântaro da água estava vazio. Como era hora de fazer o caldo havia que ir rapidamente à fonte. Chegou e, de mergulho, encheu-o e pô-lo à cabeça sem sequer ter tempo para dois dedos de conversa com os rapazes que aproveitavam o ensejo para cortejar as moças. Diretamente da vasilha encheu o pote, e quando a água fervia, juntou a batata, a couve o feijão e coirato do porco e tudo o mais que faz gorda a sopa do lavrador. Ferveu e apurou enquanto foi dar de comer aos coelhos de que se havia esquecido. Na hora de cear, como ao tempo se dizia, era uso comer a sopa no final da refeição.

 

O Manel Cabeça Grande, apreciava trincar os coiratos ainda mal cozidos que deixava religiosamente para a sobremesa. Mascá-los, vagarosamente, devia dar-lhe o mesmo gozo que hoje os chicletes dão à rapaziada nova! Lançaram-lhe o caldo na malga e à luz mortiça da candeia tragou-o apressado para ir ao serão da lerpa com os amigos. Coirato na boca, trincou, trincou, voltou a trincar, mas havia qualquer coisa de diferente naquele cibo do coiro cozido.

 

O gosto não lhe era familiar!

 

Não lhe parecia mau, o problema é que o bocado não dava de si como habitualmente, à força de suas mós. Insistiu, insistiu, voltou a insistir e à falta de paciência, chegou-se ao canto da lareira onde a luz era mais forte à conta da labareda de uma fronça que ardia. Botou o petisco para dentro da malga!...

 

Oh horror dos horrores!... Espanto dos espantos!... Diabo dos diabos!... Oh miséria desgraçada!...

 

Era uma salamandra que entrou para o cântaro e foi cozida com os feijões e as couves!...

 

Agoniado, o Manel não foi capaz de vomitar com pena de desperdiçar o caldo!

 

Gil Santos

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