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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Mosteiró de Baixo - Chaves - Portugal

31.03.18 | Fer.Ribeiro

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Depois de uma sexta-feira santa em que andámos a desfrutar da neve e ainda antes de entrámos em Domingo de Páscoa, temos tempo ainda para trazer aqui mais uma aldeia do nosso concelho. Hoje toca a vez a Mosteiró de Baixo, uma das aldeias da Serra do Brunheiro já a invadir terras de Montenegro (S.Julião), ou seja, com acesso pela estrada de Valpaços até pouco depois de S.Lourenço.

 

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É também uma das aldeias que já há muito não passava aqui pelo blog, não por nenhuma razão em especial, mas talvez por uma que tem alguma força, pois para recolha de imagens só lá fomos uma vez e já lá vão 10 anos, tantos que uma miudinha que aparece numa das fotos, então em idade de escola primária, hoje já deve ser uma mulher a concluir a sua formação universitária, isto partindo do principio que continuou a estudar como se espera que aconteça com todos os jovens, e se assim não é, deveria ser.

 

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Pois houve algumas aldeias que escaparam a uma segunda  e terceira recolha de imagens, infelizmente Mosteiró de Baixo foi uma delas e assim, hoje, tivemos que nos valer daquilo que tínhamos em arquivo desde 2008.

 

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Ora começa a ser tempo de passar por Mosteiró de Baixo outra vez para uma nova recolha de imagens, algumas que nos escaparam, mas também repetir alguns motivos, agora com um olhar mais educado, pois ao longo deste tempo também fomos aperfeiçoando os nosso olhar e incluir nas composições outros motivos que outrora não achávamos interessantes.

 

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Fica assim a promessa de um dia lá voltarmos, tanto mais que fica aqui à mão para além de o itinerário, embora curto, ser bem interessante.  Para já ficam as imagens possíveis que escaparam a anteriores seleções.

Uma Boa Páscoa, mas amanhã, Domingo, estaremos cá outra vez.

 

 

 

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM – DIA DE INVERNO II

30.03.18 | Fer.Ribeiro

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— Quem será o primeiro? O mais afoito? Qual dos meus vizinhos e companheiros se atreverá a pôr a cabeça fora do ninho ou do buraco onde se recolhe? Quem terá coragem de convidar-se para um passeio nesta manhã tão fria? – interroga-se o pardal, ainda sonolento, a espreitar, aconchegado, no beirado da casa. — Mas, assim… Brrrrrr! Com este frio! – e acomoda-se de novo no casaco de penas que lhe veste o corpo. 

Comadre lebre, à porta da toca, orelhas levantadas, deita um olhar ao matorral que cerca a sua casa.


— Não há dúvida de que esta alvura fica bem bonita, assim, pousada sobre as casas e os campos, como um manto de lantejoulas brancas! – exclama ela. – O pior é que de beleza ninguém enche a barriga. Enchem-se é os olhos, isso sim. Agora o papinho, era bom, era! Hoje, por exemplo, com tanta beleza, enchia-se a barriguinha até fartar. Mas não. Pobres dos bichos que têm de procurar alimento nas manhãs como esta! Que, por mim, pouco me ralo. Vou continuar a dormir um sono e só pela tardinha tenciono pôr as patas fora da toca. Quanto ao frio, ora, no Inverno já estou habituada. Também, para alguma coisa me há-de servir o fato de pêlo… – e a lebre entra na toca e volta a enroscar-se na cama quente do calor do seu corpo.


O sol começou agora mesmo a levantar-se. Primeiro, a bocejar por entre os lençóis de neblina com que se tapa. No Inverno, levanta-se mais tarde. Ou recusa-se, mesmo, a levantar-se. A debruçar-se, por pouco tempo que seja, lá em cima à janela de sua casa. E a terra fica mais fria sem o calor dos seus raios e menos alegre sem a claridade do seu esplendor. Mas o sol, talvez para se fazer mais desejado, esconde-se atrás do reposteiro cor de cinza que veste a abóbada do céu. E não se mostra, o maroto. Não dá sinal de si. Não se vê rasto dele. Às vezes entretém-se a pregar destas partidas dias e dias a fio – ainda que saiba muito bem a falta que faz!


As aves queixam-se:


— Sem o sol tiritamos de frio!


Os homens dizem:


— Quem dera que o sol desponte!


A terra pede:


— Anda, meu amigo, vem até mim, que morro de saudades. Bem sabes que sem ti não sou ninguém…

 

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É nesta altura que o sol não resiste mais e aparece. Feliz por se saber amado mostra-se lá em cima. E retribui à terra a sua prova de amor com o beijo mais dourado dos seus raios.


A manhã alonga os passos pelos campos fora. E não se detém. Na pressa de chegar ao fim do dia nem sequer repara no tapete de azedinha e de trevilho, lado a lado como dois amigos que muito se prezam. Onde está um, está o outro! O trevo-dos-prados no anseio de nascer com quatro folhas para dar sorte à mão que o descobrir. As azedas a enfeitá-lo de amarelo nas pétalas que fecham ao entardecer. Mas o azevinho também marca encontro nesta altura do ano. Num emaranhado de picos e segredos, desponta pelas toiças a mostrar as bagas vermelhas na folha envernizada - que gosta de enfeitar Dezembro quando chega o Natal.

 

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A tarde toma agora o lugar da manhã que parte. Instala-se, sacode o algodão das nuvens e põe-se toda de um azul-celeste. Tão azul se põe, que o céu se confunde com o mar, a mostrar-se, lá ao longe, aos olhos do povoado. Parecem um só, de braço dado: o mar e o céu! Mas verde e não azul, fica o mar quando está zangado e cinzento o céu, quando, sem revelar porquê, a tristeza o invade.


As figueiras, despojadas de folhas, erguem, como abraços apontados ao céu, os troncos esguios, num protesto. Ao verem as laranjeiras agasalhadas na copa redonda da rama verde-escura, sentem, com maior nostalgia, a nudez cinzenta que lhes veste o corpo. O Outono cobiça e rouba as suas folhas e o Inverno não lhes devolve o adorno com que se embelezam. Por isso, saudosas do bem que perderam, segredam entre si: «Que sorte a das laranjeiras. Sempre bem vestidas, sempre perfumadas, enfeitadas de frutos no Inverno!» E têm razão. Viajantes de mares longínquos desde a China, lá estão elas, as laranjas, entre a saia rodada das laranjeiras, a lembrar marés e caravelas no primeiro pé de laranja doce. À sua volta, as outras árvores quase pararam por completo a dádiva cíclica dos frutos. Mas as laranjeiras, árvores de folha perene, orgulham-se de oferecer nos ramos os gomos sumarentos durante a estação fria do Inverno. Quanto às figueiras, árvores de folha caduca, terão de esperar um pouco mais. Até à chegada da Primavera, altura em que começam a vestir de novo o aconchego dos seus vestidos verdes. Tão verdes como, por vezes, a cor do mar que banha os países onde, roxos ou brancos, amadurecem os seus frutos.

 

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No céu, a cor azul-celeste deu lugar ao tom azul-escuro. Sinal de que a noite vai chegar. As nuvens, vindas de um sítio que só elas sabem, correm, correm de novo pelo céu fora como se tentassem agarrar o vento. Agarrar o vento? Oh, não! O vento é que as empurra. E elas não protestam. Obedecem. Umas atrás das outras, num galope sem freio à sua frente.


Com o vento, veio a noite, agasalhada na sua capa de breu. É nela que oculta a escuridão que lança sobre a Terra para que esta adormeça. E também as sombras, que num bailar constante, têm por missão velar-lhe o sono, até que a Terra desperte e o dia amanheça.


— Pai! Pai Pinheiro! Onde se esconderam as estrelas do céu, que não as vejo?
— Atrás das nuvens… - responde o pinheiro, pai da pinha que baloiça ao vento entre as agulhas finas.
— Agasalhadas nelas porque têm frio?
— Não, minha filha. As nuvens não podem aquecer as estrelas, porque são elas que trazem a chuva!
— Ah! – diz, simplesmente, a pinha.
— E tu, não dormes? – pergunta o pai.
— Ainda não. Penso que as estrelas fazem falta no céu…
— Sim, as estrelas do céu são as mais bonitas que enfeitam os pinheiros!

 

Recolhido de novo sob o telhado da casa, o pardal, cabecinha enfiada no casaco de penas, dorme. Sonha, talvez, com o fim do Inverno. Com o ninho, que há-de construir, com os ovos, os filhos, o perfume das flores e as searas de trigo… E nem dá pela chuva que começa a cair.

Soledade Martinho Costa

Do livro «Histórias que o Inverno me Contou»
Ed. Publicações Europa-América

 

 

A pertinácia da informação

29.03.18 | Fer.Ribeiro

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Cultura, avestruzes, vacas… e pão!

 

“Ele grita para lhe conseguir chamar a atenção e pelos vistos conseguiu e o seu amor é consumado ali mesmo em plena planície. Com o tempo podem ficar juntos, ou, como seria normal irão separar-se.” É com este relato empolgante sobre o acasalamento das avestruzes que começa o meu serão.

 

Estou, há uns dias, em estado de latência como uma semente à espera do degelo. Não é inércia, é apenas a mente ocupada com outra tarefa - uma questão de planeamento mais atento. E às vezes os acontecimentos dramáticos acabam por se tornar ruído, em vez de impulsionarem mudanças, pela falta de consistência na sua abordagem. Se virmos bem, já nada nos surpreende e somos como uma espécie de adictos que têm necessidade de aumentar a sua dose para que haja um efeito substancial. Às vezes já não sei se a dose não faz efeito ou se há um cinismo permanente que faz olhar para aquilo que sabemos que não vamos mudar - pelo menos hoje não – mas sabemos o que existe, porque existe e essencialmente já sabemos o que querem de nós, como nos querem usar, manobrar, ludibriar… e como, pelo menos agora, não podemos fazer nada para mudar assistimos a tudo com… o sorriso da Mona Lisa.

 

O silêncio não significa resignação, pelo contrário: é treino e preparação. De todo o modo é tempo disso mesmo: silêncio e intervalo.

 

É quaresma.

 

Sim, é quaresma e nota-se, mas caso alguém não tenha notado, é preciso impor essa ideia e divulga-la até nos ter entrado na cabeça. Com uma divulgação intensiva do evento a mensagem por uns ela é completamente deglutida, engolida e às vezes assimilada, para outros, porém, passa a ser ruido e imposição… Eu cá nunca me dei bem com a imposição, com a frase feita nem com o é porque é… se me interessa verifico, analiso e testo. Mesmo que não pareça às vezes somos subversivos – sementes em latência. Isso de seguir em rebanho a escutar a mesma doutrina, pode resultar bem com algumas pessoas, mas dificilmente resulta com as ovelhas com pensamentos próprios… elas até podem ir ali alinhadas, mas ninguém lhes comanda a liberdade do que pensam. Depois há quem diga que tem importância o debate e a discussão… mas juro que até hoje nunca vi ninguém disposto a aprender e a interiorizar mudanças a partir da profícua discussão.  Repare-se: há os que vão impor a sua fantástica doutrina, esses falam forte, rosnam e nunca escutam realmente, há os que não têm ideia nenhuma e vão com enormes ouvidos buscar um discurso bonito e oco para debitar num lugar qualquer, e há os que vão atentos em busca de utopia… estes, desgraçados debatem-se na construção de argumentos, vão com tudo e com boa fé, acham que é ali que se alteram paradigmas  mas esbarram com os muros da vaidade e da arrogância ou com os discursos bonitos e ocos… o circo foi montado com um espetáculo pré-definido e o público que é sorteado para ir participar no espetáculo… na verdade já estava concertado nos bastidores.

 

Alguém dizia há uns dias que o passatempo mais usual da maior parte das pessoas era ver televisão e achava esse facto deprimente. Eu acho, porém, que as pessoas são deliciosamente diferentes. Cada um que faça como entender… e se formos falar em cultura… então a discussão é longa e complexa. Começamos pela sua origem etimológica: cultura vem de cultivo no sentido do cuidado dispensado ao campo ou ao gado. A história do conceito confunde-se com a evolução do vocábulo, a certa altura o termo passa a ser usado como metáfora e posteriormente torna-se o vocábulo usado com significado de cuidar o espirito. A evolução do conceito evolui com a Sociologia, com o paradigma das ciências sociais – sim porque a sociedade deve ser entendida como ela é, mas à luz de paradigmas atuais… há ainda muita gente que olhe os factos à luz do positivismo, há ainda quem olhe a sociedade numa perspetiva restritamente funcionalista e venha invocar, em jeito de ressurreição, premissas desatualizadas… mas isso é assunto para outra crónica… Continuando com a noção de cultura, mais tarde Tylor vem dizer que ela deve ser descritiva e não normativa e é adquirida de forma inconsciente. Boas irá dizer que não existe uma cultura, mas culturas e faz enaltecimento ao respeito e à tolerância entre culturas. A certa altura percebe-se que só faz sentido falar em cultura no contexto de uma sociedade. Lévi-strauss vem dizer que ela é um conjunto de sistemas simbólicos de uma sociedade. Durkheim não utiliza o termo socialização, mas coloca a questão sobre como o indivíduo se torna membro da sociedade e como se vai sentir identificado com ela, assim ele acha que a educação ou sistema educacional, em cada sociedade, transmite aos indivíduos que a compõem o conjunto das normas sociais e culturais que garantem a solidariedade. Tal como Person sinto que nesta perspetiva há um certo constrangimento da sociedade sobre o individuo que o limita e que o pressiona a adotar determinadas posturas.

 

Continuo com o serão, acompanhada com RTP2, estou emersa em várias leituras e no meio de imensos conceitos. Está a dar uma curta metragem “Animal Politico”, trata de uma vaca urbana com uma vida agradável que um dia se apercebe de “um vazio existencial profundo, uma sensação estranha que nunca tinha sentido antes” como diz ela a certa altura. A vaca faz a sua vida rotineira: vai às compras, vai ao ginásio, vê TV em família (pais e irmã). Mas, então, decide deixar a sua vida confortável e partir em busca de Iluminação, de respostas para o sentido da vida. Fico a pensar se o bicho esteve em circunstâncias que tivessem posto em risco a sua integridade ou causado sofrimento… Eu já apascentei vacas turinas como aquela, não me parece que ela estava muito feliz a fazer aquelas figuras tristes de pessoa urbana. Talvez por isso a meio do filme aparece uma ruiva nua com umas botas giras à cowboy, e mais à frente a vaca passa a ser interpretada por alguém que veste o disfarce de vaca. A certa altura a vaca cita Buda “A vida não é uma pergunta a ser respondia é um mistério a ser vivido.” E emociono-me especialmente quando ela diz “eu queria encontrar um livro sobre mim mesma numa prateleira para eu pegar e ler”. A vaca continua a sua saga em busca da iluminação e diz a determinado momento: “O caminho para a iluminação bem que podia ser bonito e agradável.”

 

Eu acho que anda muita gente confundida com os conceitos básicos em geral, como acontece com a noção de cultura, à semelhança do que diz Denys Cuche no livro “A noção de cultura nas ciências Sociais”, parece-me que se vê cultura em tudo, fala-se de crise de identidade e relaciona-se com crise cultural. As crises culturais são crises de identidade? Será que alguém espera encontrar a mesma identidade para todos? E o que para mim acaba por ser de certo modo pernicioso é que esta problemática seja deslocada para a discussão do enfraquecimento do modelo de Estado-nação, da integração política supranacional e de certa forma da globalização da economia. Cuche acha que a questão da identidade é uma moda recente e se vai tornar no prolongamento do fenómeno da exaltação da diferença. É possível que sim, e que não. Na verdade… a cultura é um conceito que só faz sentido na interação e na socialização, e estamos perante fenómenos de socialização diferentes: mais globais, mais rápidos, menos profundos… talvez. Os fenómenos sociais cada vez são mais complexos, mais velozes, sem espaço para a reflexão, mais difíceis de perceber de prever.

 

Edgar Morin fala da Cultura de massas, fala da forte e importante influência da cultura da propaganda e estimulação do consumo, fala de como se tornou mais importante a produção que a criação. E nós vivemos aprisionados neste novo paradigma. Como se uma mão paternal escolhesse e ao mesmo tempo um monstro colossal nos empurrasse.

 

As pessoas não saberão o que as faz felizes, não faz parte da democracia deixar as pessoas escolher?

 

No sábado fomos ao MACNA (Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso) com o objetivo de ver a exposição do designer João Machado: A arte da Cor. Já tinha visto alguns cartazes da sua autoria, nomeadamente os Cinanima - Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, que são da sua autoria, mas não conhecia muito mais da sua obra. O gosto pelo pode nascer pela forma de tentarmos dar diferentes usos aos objetos e diferentes significados às realidades, é um exercício interessante do uso da criatividade. Mas ainda mais interessante quando a criatividade está a aliada a subversão… e eu adoro a subversão! Foi uma visita agradável. Reparei, na agenda cultural que havia uma atividade destinada às escolas, destinada a todos os níveis de ensino… mas, afinal, era apenas para as escolas públicas. Vou ter que perceber o motivo. De qualquer modo, conseguimos assistir à exibição de algumas curta-metragens do festival do ano passado. Foi bom. Poderei falar mais sobre isso depois. Interessante conhecer outro autor, interessante ver ou rever curtas e longas-metragens de um festival cujo cartaz é elaborado pelo autor das obras… Está bem, e é para isso e muito mais que o edifício foi construído e os profissionais estão lá a trabalhar. Isso é uma parte do tanto que se pode fazer e pode ser. 

 

Estes últimos dias falou-se muito sobre a cultura. “A cultura é da responsabilidade do estado”, “A cultura tem que ser paga” os “atores tem que ser pagos”. Eu acho que sim, que tudo merece respeito e dignidade e acho que o estado deve cuidar de muitos serviços públicos nomeadamente o serviço cultural. Mas também acho que nem tudo tem que ver com dinheiro se não… estamos a ver apenas a produção em vez de dar espaço à criação e no meio tempo estraga-se o verdadeiro propósito: fazer pensar, recriar, evoluir para a felicidade… que no fundo é aquilo que cada um acha que é melhor para si mesmo. Portanto, que haja diversidade e que se promova e apoie essa diversidade. Mas eu ainda quero falar mais sobre isto. Ainda vou falar mais sobre isto. Mas agora não, a vaca vai dormir, parece-me a mim que a protagonista do “Animal politico” vai descansar um pouco… não vou ver como isto acaba, hoje, mas talvez amanhã. Hoje também vou descansar. Nem sei como às vezes resisto, deve ser coisa do amor.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

 

Uma pastagem duas vacas e um pouco de abril ainda em março...

27.03.18 | Fer.Ribeiro

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Se não fosse por estar em Casas dos Montes e ver um pedaço da cidade de Chaves ao fundo, diria que estava em frente de uma qualquer pastagem,  de uma das aldeias do Barroso aqui tão perto que aos domingos vão passando aqui pelo blog. Mas não haja ilusões, pois não é aqui que começa o campo desta cidade de campo, esta pastagem é apenas uma parcela de terreno resistente à modernidade, que teima em ser verde para deleite de algumas vacas pachorrentas, o betão, com mais ou menos altura, continua aquém e além da pastagem, e para os lados também.

 

Imagens que nos levam às palavras. Palavras e imagens que nos levam até outras palavras, até às palavras dos poetas, à poesia que nos leva até à música de António Portugal para acompanhar o canto de Adriano Correia de Oliveira com as palavras de Manuel Alegre, na “Trova do vento que passa” — “Mesmo na noite mais triste/em tempo de servidão/há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz não” — Tudo isto por causa de duas vacas a pastar numa verdejante pastagem entalada na modernidade, ou talvez não, talvez sejam os aromas de abril a anunciar-se.  

 

 

 

 

 

Chaves D´Aurora

27.03.18 | Fer.Ribeiro

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  1. HOMEM DE AÇO.

 

Havia algo de muito angustiante, a que a brasilita não alcançava perceber. Porque jamais conseguia ver Hernando, nem mesmo raramente, se moravam tão perto um do outro? A verdade é que o rapaz era irregular em muitas coisas, inclusive quanto às horas de sair ou de chegar a casa. Quando já fazia quase dois meses que o guarani Peri amara sua branca Ceci, no écran do Cine Teatro Flaviense, o cigano viu Aurora debruçada à janela e, saindo à rua, desdobrou um tosco e mal desenhado cartaz em papel de embrulho, onde se lia:

 

“O HOMEM DE AÇO, HOJE,

ÁS CINCO DA TARDE, NO

TEATRO SALÃO MARIA!”

 

Logo porém, ao sentir gente a passar, dobrou o anúncio rapidinho e se recolheu a casa.

 

Aurora tentou, avidamente, descobrir quem era ou o que era esse tal “Homem de Aço”. Debalde, não fosse a ideia de ler no “A Região Flaviense” sobre o “enterramento do Homem de Aço num caixão, ontem, sábado de Aleluia, de onde só será desenterrado no próximo domingo, dia 8, à mesma hora, e que pode ser visto todos os dias, no local, pela módica quantia de 50 centavos”.

 

O problema é que, se a possibilidade em sair com as irmãs já era difícil, impossível de facto era ir sozinha.

 

Uma vez mais, todavia, outro acaso veio favorecê-la. Morreu dona Isménia Lobo, uma parenta distante dos Bernardes, reconhecida como pintora e poeta – Diletante! – como ela própria dizia e que morava com a sua inseparável amiga Edite, de casa e pucarinho, desde que eram mocinhas e estudavam no Convento de Santa Clara, em Coimbra.

 

Isménia e sua dileta companheira, ambas muito afáveis, cultas e viajadas, estavam entre as raras damas de Chaves a manter de facto, com Adelaide, um vínculo de amizade. Frequentavam-se, mutuamente, a saborearem cup cakes de laranja e chocolate, em requintados chás à inglesa, enquanto se entregavam a refinadas conversações sobre a Vida, o Mundo, o Tempo, os Costumes.

 

As amáveis senhoras formavam um dos pares mais assíduos de pessoas devotas, na Santa Maria Maior. A fraterna devoção de ambas, entre si, também era tão admirada, que a poucos escapava o facto de, em todos esses anos, dormirem juntas no mesmo quarto e sob o mesmo dossel do século XVIII, com seus pilares em volutas, o seu ruço cortinado escarlate e as borlas douradas ao redor.

 

Alguns meses antes do passamento de Isménia, que deixou Edite em evidente prostração, lera-se aos jornais que, em uma das aldeias do Concelho, dois rapazes, surpreendidos quando dormiam juntos e despidos, foram surrados pelos próprios familiares, um deles até à morte. O outro, mesmo ferido, fugiu para Lisboa.

 

O que se mostra é virtude, o que se esconde é pecado.

 

Aurora disse logo que não poderia comparecer a esse funeral, por estar nos seus “dias de história”. Sorriu a si mesma, ao notar que logo mais iria encaminhar-se para outro enterro, o do Homem de Aço, embora este não fosse mais do que uma bizarra encenação teatral. O pobre homem recebera essa alcunha, por ganhar a vida a permitir que lhe espancassem a musculatura torácica e dorsal, de modo a comprovar, assim, a rijeza muscular. Agora, resolvera se deixar enterrar vivo, durante sete dias, para ganhar mais alguns tostões.

 

Tão logo se viu sozinha, vestiu-se toda de preto, como as viúvas da região. Apôs-se o enorme xaile que ia até ao chão e um típico chapéu, usado na época por muitas aldeãs, que tomara emprestado à Maria, ainda que à revelia da própria criada que, tal como a Zefa, não alcançou vê-la sair. Tomou o caminho do Caneiro, atravessou o rio por entre as Poldras e, enfim, chegou à rua onde ficava o Salão Maria. Lá dentro, mal teve tempo de ver o tão bem vivo cadáver. Hernando já lá estava, à sua espera.

 

O rapaz levou-a até um sítio deserto, junto às muralhas da torre, onde ela vivenciou momentos de total enlevo, embora cândidos, contidos, castos. Chegou mesmo a se alcandorar e voar com o amado sobre aldeias fronteiriças, como Tourém ou Segirei e de lá retornar, extasiada. Não se desligava, todavia, de sua vigilância, sempre a impedir que Hernando ultrapassasse as marcas e as raias do bom Concelho. Até que Aurora se deu conta do tempo e perguntou as horas. Ele sorriu, maroto – Não é tarde, nem cedo, brasilita, tua parenta ainda há de estar a descer à campa. – mas logo a rapariga disse que tinha de se pisgar e ele, ríspido – Se já queres ter ao borralho, vem, levo-te – mas ela – Reloucaste, meu rico? E se nos veem juntos?

 

Ele falou então com uma voz séria e fria, que nem parecia a de poucos minutos atrás – Está bem, rapariga, não convém jamais que os nossos pais, mormente os meus, saibam de nós – e, após lhe dar um beijo apressado, quase formal, sumiu para os lados de Santo Amaro.

 

 

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Bairro de Santo Amaro. Capela do Horto, ao fundo.

Chaves antiga (PT). Postal Foto Alves.

 

Ao voltar sozinha, pelo mesmo itinerário da ida, as palavras que escaparam do rapaz estavam, agora, a lhe revolver os miolos. Porque “jamais”, se a fé e a esperança nos fazem crer que não há nada como um dia atrás do outro? E porque “mormente meus pais”, se estes já pareciam distanciar-se, cada vez mais, de suas tradições familiares?

 

Na segunda-feira, porém, Aurora ficou a morrer de saudade daqueles breves momentos, quando leu no jornal que o Homem de Aço não pudera prosseguir em seu desafio. Após quarenta e oito horas de jejum, o próprio homem teve que suspendê-lo para que, conforme dizia a notícia, “ a morte a fingir não se tornasse, mesmo, verdadeira”. Condoídos da penúria do pobre homem, alguns sargentos da Infantaria 19 fizeram uma subscrição para completar o dinheiro que ele deveria ganhar, se prosseguisse nessa tão perigosa exibição.

 

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De regresso à cidade, em contagem decrescente para a Páscoa

26.03.18 | Fer.Ribeiro

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E cá estamos nós outra vez de regresso à cidade, já na contagem decrescente para a Páscoa e para o folar, do nosso, que é o melhor porque está feito para o nosso gosto, e prontos!

 

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Semana da Páscoa bem diferente das Páscoas de quando eu era puto, então muito mais religiosa, tristonha até, nada de coisas pecaminosas e nos dias santos que então começava na quinta-feira à tarde, até a música da rádio nacional virava a música clássica, para além de tudo que fosse casa de diversão ou puro lazer, terem de fechar nesses dias. Agora não, desde que o coelho que põe ovos de chocolate chegou, o ambiente é de festa, incluindo o dia santo. Eis a força do coelho dos chocolates, parceiro do gordo de barbas brancas do Natal.

 

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Mas hoje no regresso à cidade passei mais uma vez pelo Arrabalde, onde está um ovo com janelas e flavienses a espreitar, a ver quem passa, com um pedido especial de um deles, põe lá no blog e no facebook para os amigos de Vila Pouca. Então para Vila Pouca lá vai uma foto com o amigo de Chaves à janela. E já que vai para Vila Pouca, fica um forte abraço para Parada de Aguiar ou do Corgo, como eu gosto mais.

 

Quem conta um ponto...

26.03.18 | Fer.Ribeiro

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385 - Pérolas e diamantes: Os arquitetos do templo e Boadiceia

 

A Virgem Maria, mãe de Jesus, filho de Deus, remete-nos para o tempo em que as mulheres tiveram o poder. No tempo das cavernas (Jesus nasceu num estábulo e foi colocado numa manjedoura) a vida articulava-se em torno do mistério do nascimento. Nesse tempo serviam-se as mães deusas e não os pais deuses. Foi assim durante milhões de anos. O Matriarcado reinante. Depois os homens rebelaram-se e, por algum tipo de magia social, empregaram a força bruta, derrubando as mulheres. Passaram eles a governar.

 

O tempo foi andando, os reis passaram o poder de pais para filhos e o Matriarcado foi esquecido.

 

Houve, no entanto, pelo menos uma exceção: os Icenos, em Colchester (Grã-Bretanha), a quem foi permitida alguma independência pelas tropas romanas ocupantes. Mesmo assim, Roma proibiu Boadiceia, a rainha dos Icenos, de passar a sua coroa às filhas, em vez de aos filhos. Boadiceia, como rainha, queixou-se. Violaram-na a ela e às filhas, como forma de desprezo.

 

Foi um erro colossal, pois a rainha reuniu os Icenos e, uivando como uma loba às suas deusas mães, prometeu vingança e incendiou totalmente Londres. Segundo os historiadores, Boadiceia deixou as valetas empilhadas de cabeças fumegantes e um rasto de cinza, testemunhada por uma veia escura e fria nas estruturas geológicas de Londres, como símbolo da ira de uma mulher.

 

Muitos séculos se passaram e, como símbolo da supremacia do patriarcado, surgiu a Maçonaria, espalhando nas grandes cidades do mundo ocidental (Londres, Roma, Paris, Washington e Nova Iorque), obeliscos em certos pontos, cientes do seu significado.

 

O mundo da Maçonaria tem muitos habitantes e muitos campos de influência. É frequente ouvir-se dizer, e com razão, que a melhor maneira de um homem avançar na vida é juntar-se aos Maçons. De facto, os Maçons mandam no Estado, nas finanças, nas instituições de ensino e nos partidos, sobretudo no PS e no PSD.

 

Os Maçons-Livres dizem descender da Atlântida, Éden e de um suposto Caos Primordial. Tudo isso é falso. A ordem que se mantém até hoje não recua mais do que ao século XVIII. Anteriormente era apenas uma humilde guilda de artesãos, com alguma influência de aristocratas e intelectuais que, por mais nada terem que fazer, se dedicaram a procurar emoções fortes, juntando-se e identificando-se através de apertos de mão, rituais e juramentos, sem um verdadeiro significado.

 

Verdade seja dita, nem todos os que se juntaram à Maçonaria eram meros diletantes. Alguns foram gigantes intelectuais, buscadores da sabedoria oculta, empenhados em continuarem as obras antigas.

 

Os Maçons afirmam descender dos arquitetos Dionisíacos, supostamente os Mestres-Artesãos da Atlântida, que sobreviveram ao declínio do Continente. Eles percorreram o globo e colheram os seus mistérios, construindo maravilhas pelos sítios onde passaram: o Templo de Salomão, as Pirâmides, o Templo de Diana em Éfeso, etc.

 

Os Dionisíacos infiltraram a cultura Micénica. Há símbolos micénicos gravados em Stonehenge. Pensa-se que foram eles que ajudaram a desenhar aquele antigo Altar Solar, onde os Druidas, em tempos, fizeram sacrifícios.

 

Sempre o Sol.

 

Cristo é claramente o mais recente disfarce do Deus Sol, uma encarnação apropriada para os tempos modernos.

 

O Natal, o seu dia mais festivo, coincide com o Solstício de inverno, quando o Sol hibernado começa, por fim, o seu lento acordar.

 

Outra coincidência tem a ver com o facto de ele ter sido sepultado numa tumba e depois ressuscitar precisamente no Solstício da primavera, o retorno da luz e da vida.

 

Cristo, deste ponto de vista, é o Sol de Deus, o seu pai, a imagética que permeia os hinos que se entoam frequentemente nas igrejas.

 

Até os apóstolos, nos quadros expostos nos museus, são marcados com um disco solar ao redor da cabeça. 

 

  1. Paulo, na I Carta aos Coríntios 3-10 diz: “Eu como sábio arquiteto, assentei o alicerce, mas outro edifica sobre ele.”

 

Tudo isto, e muito mais, aprendi lendo o livro de BD, Do Inferno, da autoria de Alan Moore e Eddie Campbell.

 

E ainda há quem tenha a distinta lata de afirmar que a BD é para crianças.

João Madureira

O Barroso aqui tão perto - Viveiro

25.03.18 | Fer.Ribeiro

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Apetecia-me divagar outra vez sobre os vários Barrosos que há dentro do Barroso, mas para não estar a bater outra vez na mesma tecla, não o vou fazer, mesmo porque afinal de contas o Barroso é mesmo assim, cheio de singularidades e contrates, onde os múltiplos matizes fazem do Barroso uma autêntica obra de arte.

 

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E foi aqui neste Barroso que encontrámos em terra um Viveiro verdejante com os azuis do céu e das montanhas a servir de fundo a esta tela … e eu!? Interrompe-nos a marela — não entro!? — Claro que sim.

 

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Ainda antes de entrarmos na intimidade da aldeia de Viveiro, já estávamos em estado de satisfação, embriagados com o verde, mesmo sem ser de absinto, e perdidos no ondular do mar de montanhas, mas ir tão longe não era possível e Viveiros estava ali aos nossos pés. Entrámos.

 

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Mas para chegar à entrada e à intimidade de Viveiro tivemos de percorrer 74 quilómetros, desde Chaves, o nosso ponto de partida.

 

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A escolha do itinerário caiu mais uma vez pela estrada do S.Caetano, Soutelinho da Raia, Montalegre e Barragem de Sezelhe, aqui como a estrada bifurca, seguimos em frente em direção a Covelães/Parque Nacional da Peneda Gerês, depois vem a Barragem de Paradela e aí, no cruzamento/largo, devemos continuar por onde indica Ferral,  passamos ao lado da capital dos penedos (Ponteira), logo a seguir São Bento de Sexta Freita e 2 quilómetros à frente começa a aparecer algum casario, é aí, que devemos abandonar a estrada principal (M308-4) e virar à direita para Stª Marinha, depois desta aldeia uma nova estrada onde devemos virar à esquerda e pouco mais de 1 quilómetro à frente aparece a placa a indicar Viveiro e Pardieiros. Et voilà, estamos lá.  

 

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Claro que há um outro itinerário, mais longo mas em apenas 1,5 quilómetros, é o itinerário da estrada de Braga (EN103). Nada que enganar, é entrar em Chaves na EN103 e deixarmo-nos ir sempre por ela até passarmos a totalidade da Barragem da Venda Nova, no seu final ( no Cambedo) deixamos a EN103, passamos o paredão da Barragem e bota para Ferral, logo a seguir (500m) é Viveiro. Mas em Ferral é melhor perguntar a alguém o melhor caminho. Mas mesmo com estas duas indicações, deixamos o nosso mapa seguido das coordenadas da aldeia e altitude.

 

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Ficam então as coordenadas de Viveiro:

41º 41’ 56.93” N

7º 59’ 43.68” O

Altitude: 600 metros

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Voltando ainda à localização e itinerários, podemos ter ainda outra orientação que nos pode dar muito jeito quando andarmos meios perdidos. Pois essas orientações são os rios e por sua vez as Barragens que esses rios alimentam que, tanto a EN103 ou o itinerário interior das estradas municipais de Montalegre vão acompanhando. Os rios são o Rabagão que alimenta a barragem dos Pisões e logo a seguir a da Venda Nova. O Rio Cávado alimenta a Barragem de Sezelhe e logo a seguir a de Paradela. A seguir a estas aparece a Barragem de Salamonde que é alimentada por ambos os rios. Ou seja, se estivermos próximos destes rios ou barragens, estamos próximos da freguesia de Ferral e por sua vez de Viveiro, pois a aldeia fica a 800 metros do Rio Cávado, a 2 quilómetros da Barragem da Venda Nova, a outros 2 Km da barragem de Salamonde e a 8 Km da Barragem de Paradela.

 

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Ainda antes de entrarmos nas nossas pesquisas sobre a aldeia de Viveiro, vamos às nossas impressões pessoais. Quase todas as aldeias da freguesia de Ferral, incluindo esta, são constituídas por um povoamento disperso, com o casario a surgir mais como pontos de apoio aos campos de cultivo. Pois Viveiro sai fora destas características com um povoamento concentrado ao longo da Rua principal e uma segunda rua que corta a primeira transversalmente dispondo-se a aldeia numa espécie de cruz, sendo esse cruzamento o centro da aldeia.

 

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Trata-se de uma aldeia pequena  que se dedica à agricultura e pecuária com os terrenos a desenvolverem em patamares que vão descendo numa espécie de anfiteatro até ao Rio Cávado, principalmente nos terrenos mais próximos da aldeia, notoriamente  muito repartidos, conforme o testemunham os inúmero muros, sebes ou mesmo arvoredo, que separam sobretudo pastagens, embora também seja notório que outras culturas seriam possíveis, onde até a vinha já é possível, bem à moda minhota, e as glicínias perfumam algumas das ruas em pequenas latadas de entrada nos quintais.

 

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Alguns canastros tradicionais contrastam com o casario de pedra solta à vista onde se usa um misto de paredes em xisto com parades em granito. Igualmente de granito à vista com juntas tomadas a argamassa erguem-se as paredes da pequena capela encimada nos topos da cumieira do telhado de duas águas por duas cruzes em granito. Lateralmente na continuação do cunhal direito do alçado principal, uma pequena e simples torre sineira terminando em arco perfeito, tudo numa só peça, de fabrico recente aparentemente em granito serrado.

 

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Vamos então àquilo que dizem os livros e documentos. No livro Montalegre encontrámos o seguinte:

“São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral).”

 

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Não vimos o penedo atrás mencionado, isto pela nossa noia de partirmos à descoberta das aldeias sem nos documentarmos previamente, gostamos de ser surpreendidos  e deixarmos ao seus habitantes as indicações daquilo que eles acham importante. Às vezes ficamos a perder, como talvez seja o caso, mas fica a referência e desculpa para uma próxima visita.

 

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E como no livro Montalegre há apenas mais uma referência a Viveiro, a de que faz parte da freguesia de Ferral, passamos à Toponímia de Barroso.

 

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(a nota de rodapé é nossa)

“Viveiro de Ferral

O quarto topónimo desta freguesia[i] com referência escrita é Viveiro — IPSIS VERVIS — Não mudou uma letra desde 1258 INQ 1523! Como tal o mínimo que podemos dizer deste topónimo é que, além de viveiro, é muitíssimo vivedeiro! E não admirará tanto que assim seja visto que o seu campo semântico é enorme: vai da avicultura (aviário) à piscicultura (aquário) da agricultura à arboricultura, horticultura (com etapas em seminários e plantórios — primeiro as sementes e, depois, a replantação) etc. Os viveiros vão desde o cebolinho aos soutos, desde o arroz ais pinhais e dos deuses aos santos. Restaria saber de que era o nosso: do nome comum latino VIVARIU > VIVEIRO como tudo indica, de plantas ou animais ou tudo junto.”

 

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E continua a Toponímia de Barroso:

“ Temo-lo contudo, documentado pelo casal de Pigarzos  (sic):

- 1258 « in villa de Viveiro casale de Pigarzos» — o que não deixa de ser um achado. Bem assim a referência das INQUIRIÇÕES de 1282 «Item Viveiro e ende per barreira a verea e ende pela carreira»."

 

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Quanto à Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Nomes do “Rio” intermédio:

 

Carabunhas de Vila Nova,

Conspiradores de Covelo

Rabinos de Loivos,

Peixeiros de Sidrós,

Papa-ventos de Ferral,

De Viveiro não sai graeiro,

Carrapatos de Pardieiros,

Borra-ladeiras de Santa Marinha,

Carvoeiros de Nogueiró.

Dizem os da Ponteira:

Fomos a Paradela

Davam-nos caldo

E não tinham tigela!

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

  

 

  

 

[i] Freguesia de Ferral

 

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Mosteiro - Chaves - Portugal

24.03.18 | Fer.Ribeiro

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Continuando pelas nossas aldeias do concelho de Chaves, hoje vamos fazer uma breve passagem por Mosteiro, freguesia de Sanfins da Castanheira.  Apenas três olhares e mesmo que quisesse deixar mais, não as tenho, pelo menos inéditas, pois Mosteiro já passou por aqui outras vezes, já há algum tempo, mas passou.

 

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Às vezes, embora involuntariamente e por uma ou outra razão, somos mais generosos com umas aldeias  e um pouco injustos com outras. Refiro-me às imagens. Com mosteiro penso que fui um pouco injusto, isto a julgar pelas poucas imagens que tenho em arquivo e já com alguns anos, isto, porque calhou ser uma das primeiras aldeias que visitei para trazer aqui ao blog, num tempo em que a preocupação era encontrar algo que fosse marcante ou representativo da aldeia, em detrimento do seu todo, do seu conjunto e alguns pormenores. Mas não só!

 

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Admito também que nem todos os dias são iguais. Há dias em que estamos mais inspirados, outros em que nem por isso, mas também, com o tempo, fomos aprendendo a melhor a qualidade do nosso olhar e a valorizar alguns motivos que antes nos iam passando despercebidos… um dia destes temos de voltar por lá, pois tenho a certeza que muita coisa me escapou.  

 

 

Discursos Sobre a Cidade

23.03.18 | Fer.Ribeiro

GIL

 

TIRADAS DO PÓPULO

 

O Pópulo era um martelão, como soi dizer-se!

Mas de tão trengo, tinha a sua graça!

Enquanto foi vivo, protagonizou muitas estórias para animação dos serões de inverno.

Hoje, ausente que está há muitos anos, haja alguém que as convoque para que se lembre. Também destas pequenas coisas se faz a grandeza das terras quase sem nome!

 

São Cibrão, um pequeno povoado de meia dúzia de fogos, mais conhecido pelo pinouco que lhe guarda as espaldas do que por qualquer outra coisa, viu-o nascer no último terço do século XIX. Aí respirou pela primeira vez estendido num catre surrento do tugúrio de uma pobre cabaneira, que por sinal não fechava bem a gaveta.

Fez-se homem aos emboleques de uma vida esfaimada. A penúria do essencial mirrou-lhe o miolo e transformando-o num taralhoco que mal sabia contar até dez.

Nem na tropa o quiseram, vejam bem!

Contudo, para o trabalho ainda valia alguma coisa. Fazia-o tão-somente pela côdea. Desta toleirice tiravam partido os menos escrupulosos. Todavia, de uma maneira geral, era respeitado. Uns e outros não perdiam, porém, a possibilidade de lhe apanhar as mais rocambolescas estórias que se contavam e reinventavam em cada serão pelas aldeias.

 

Botou barba já tarde, mas não enjeitou a vontade de ter mulher. Ainda assim, tinha consciência de que era difícil arranjá-la asadinha.

Topou uma que lhe servia ali para os lados das Barjes.

Uma matrafona, ainda pior do que ele!

Era uma mulher do povo que não conhecia poleiro certo.

Namorou-a pouco tempo.

Logo que avezou dois tostões, tratou de arranjar padrinho e marcou o casório. Apadrinharia a união o Ti Borges de Fornelos e o enlace teria lugar na matriz de Santiago da Ribeira de Alhariz, com pouco mais de meia dúzia de convidados.

Montou casa num velho pardieiro de pedra solta, coberto de telha vã, com pouco mais de uma dezena de metros quadrados que o Ti Zé Moreiras lhe ofereceu de presente de casamento. Juntamente com o casebre ofereceu também um cordeiro do rebanho, batata, pão e vinho para a boda.

Um desposório de arromba!

No dia aprazado lá foram todos em procissão. A igreja da paróquia ficava a uma boa légua de distância. O padre Fenício botou o latinório da praxe e trocaram-se as alianças de latão que o pilim não dava para maiores luxos. De regresso, para o repasto, a meio caminho o Pópulo tirou os socos e em carpins botou a fugir, inusitadamente, para a povoação, o que provocou grande admiração nos comensais.

Chegou à aldeia esbaforido!

A Tia Benta, que regava o cebolo numa hortita contígua ao caminho, cuidou o pior e perguntou:

- Ó home, tu levas fogo no cu! Ele que dianho aconteceu? Bistes lobo, ou a noiva pôs-se-te no catano e não te quis?

- Cais quê Ti Benta, atão bossemecê queria que eu deixasse os meus combidados na rua? Bim adiente para les escancarar as portas!

- Ó home do catano que maluco me saístes! Mas és dos meus! Bai lá bai!

Passada a lua-de-mel, breve e monótona, o casamento corria sem grandes sobressaltos. Todavia, por muito que a malhadeira malhasse não havia meio da Zidéria alcançar! Cuidando que a culpa seria do marido e com a desculpa da mãe doente, a Zidéria começou a ausentar-se com frequência de sua casa e a dormir, às semanas, noutros poleiros. Atazanado pelos vizinhos, o Pópulo começou a desconfiar. Um dia o Zé da Pinta bufou-lhe ao ouvido que se dizia, à boca pequena, que a mulher se andaria a espojar por quantos fanencos havia das redondezas.

Em nome da honra, decidiu meter mãos à obra e recorreu ao amigo Borges de Fornelos, em quem confiava cegamente, para que o ajudasse na empreitada.

- Ó Senhor Borges, eu careço da sua ajuda. Beja o senhor que a pu** da minha Zulmira me anda a pôr os cornos. Pôs-se-me no catano de casa e anda por aí à tchirga como uma boubela! Bossemecê tem de me ajudar a ir cá botá-la! O senhor leba a sua tómática e limpa sete e eu coa minha fouce tchimpo o resto!

- Ó Pópulo tu és doudo! Eu tenho um revólver mas não é para essas coisas. Tem juízo e compra uns socos! Bai mas é para casa que ela quando lhe faltar o milho há-de tornar! Depois assentas-le duas boas lombeiradas com um estadulho e bais ber que não lhe fica bontade de desaninhar!

E assim foi, contudo, à cautela, substitui as aconselhadas lombeiradas por duas palavras mansas, não fosse o feitiço virar-se contra o feiticeiro!..

 

A vidinha ia-lhes correndo no rame rame de uma pobreza franciscana confrangedora, apanágio da maior parte da população planáltica. Raras eram as jeiras que avezavam e o mais das vezes os trabalhos à ajuda apenas lhes proviam o magro pão de cada dia. Por ausência quase total de leira própria onde colhessem algum sustento, sobrava-lhes uma magra poula que o Ti Zé Moreiras lhes emprestou, por caridade, e que a pus de muito trabalho lhes devolvia meia dúzia de sacas de rambana num ano e dois alqueires de centeio no outro. Alimentos que se esgotavam pelo Natal. O resto do ano viviam-no em penúria quase absoluta.

Ora, um belo dia, Pópulo viu a rama do batatal seca e marcou o arranque. Contudo, faltavam-lhe as sacas onde transportar o tubérculo para o merouço. A conselho da Zulmira recorreu aos favores da casa dos Moreiras e foi falar com a senhora Júlia. Ela estimava-o bastante porque o tinha sempre pronto para acarrar os cântaros de água da fonte e os molhos de lenha do palheiro. Por isso, emprestou-lhe, sem qualquer favor, cinco sacas de serapilheira de 100Kg cada uma. E lá foi o Pópulo todo crontcho com a sacaria ao ombro para a courela dos Lameirinhos.

Foi recebido pela mulher nestes preparos:

- Bô lambão me saístes! Na bez de trazeres sacas piquenas trazes-me estas abantesmas. Agora em bez de colheres 10 sacas só colhes cinco. ódespois quero ber o que larpas o ano todo lambão! Hádes comer cornos mou burro!..

 

Noutra altura precisou de ir à feira do Vidago para ver se comprava uma cabra que lhe desse leite, no caso de a mulher engravidar e ter uma cria. Para o efeito pediu a burra ao Ti Antoninho Moreiras que lha emprestou apenas com a reserva de que a poupasse, sobretudo no regresso, na subida da ladeira da Costeira de Cova do Ladrão a Moreiras. É que a burra era fraca dos tornozelos e podia arriar.

Que sim, que a guiaria à barbela.

Lá saiu de madrugada e mal perdeu o Carregal de vista, montou na desgraçada que bamboleava de traseira com o peso do cavaleiro.

Não conseguindo o negócio da cabrita por falta de metal, no regresso de Vila Verde até Loivos veio apeado, a partir daí d’acavalo.

Quando chegou ao Carregal para entregar o animal, o Ti Moreiras reparou que a burrinha vinha numa desgraça! Completamente derreada!

Questionou-o:

- Ó Pópulo, tu que fizestes à burrinha que ela vem desgraçada?

- Ó Ti Moreiras eu poupei-a canto pude. À binda só a montei no Boticairo em Loibos e foi até aqui!

- Saiste-me um boa besta Pópulo! Arrebentaste-me a burrinha, Costeira acima, lambão! Nunta bolto a emprestar. Por outra bez bais à pata!..

 

Noutra ocasião precisou de ir à feira de Carrazedo, a mor de comprar uma reca para cevar.

A Zulmira pôs-lhe as uvas a peso! Deu-lhe as ordens e uma nota de cem mil réis, limite para o negócio, exigindo-lhe que por aquele valor trouxesse um animal bem-parecido que antes de cevar pudesse parir meia dúzia de leitões que rendessem tão necessitados cobres.

Lá foi ele todo contente pela madrugada de um dia de março. Levava no bolso uma baraça de sisal para prender a requinha no regresso, na carteira uma nota de cem e no peito uma vontade férrea de um bom negócio. É que apesar de tudo o Pópulo não era assim tão azémola quando se tratava de negociar, tanto assim que conseguiu um animal apresentável por apenas noventa paus! Atou-lhe a guita numa pata traseira, cortou uma fronça pioneira para lhe enxotar a mosca e fez-se à estrada. Passou por Argemil sem parar, quiçá por falta de tasca, só o fez em Serapicos. Atou o animal a uma argola onde se prendem os cavalos e pediu um copo de três na taberna do Serafim.

Sem embargo, antes de começar a beber, alguém o interpelou.

- Ó Pópulo, aquele requinho que está preso é teu?

- Reco não, reca, que eu bem le bi o letreiro entes de a mercar! A minha Zulmira encomendou-me uma reca e é uma reca que eu le levo.

- Boa te bai, já nem és capaz de diferençar um cu de uma senisga! É um reco mou burro, num é uma reca!

Foram tirar teimas!

Tratava-se, de facto, de um reco, cujas bolinhas, proeminentes, prometiam garboso berrão!

- Fosca-se Ti Casemiro, estou fod***! A minha Zulmira vai-me partir os cornos! Estou que bou mamar umas estadulhadas lombo abaixo, por isso, que seja o que Deus quiser. Bou torrar o troco em binho e pôr-me como uma naça, assim com’assim pode ser que doia menos!

 

Passado anos a vida permitiu-lhe trocar de casa para uma outra maior que começou a construir há muito tempo com a ajuda de alguns amigos. Por isso, cuidou de vender o pardieiro que lhe oferecera o Ti Moreiras aquando do casamento.

Fez negócio com o Ti Jaime das Malhadeiras que precisava daquele espaço para meter uma tchibinhas de leite que havia comprado na feira dos Santos.

Deu-lhe o tempo necessário para que libertasse o espaço dos seus parcos tarecos.

Porém, um belo dia, quando passava no caminho, viu o Pópulo emplouricado no telhado a tirar a telha de meia cana que chegava cuidadosamente à Zulmira que a empilhava na borda do caminho.

Interpelou-o:

- Ó Pópulo, tu que está a fazer?

- Estou a tirar a telha pr’á minha casa noba!

- Atão tu bendestes-me a casa e agora bais tirar-le a telha?

- Pois diz bem, eu bendi-le a casa num le bendi a telha, ora essa!

Foi um trinta e um para convencer o Pópulo a arrepiar caminho!

 

Depois de muito porfiar o casal acabou por ter dois filhos, que apesar de tudo não conseguiram criar.

Um deles morreu ainda pequeno com uma doença banal.

O outro foi criado, por misericórdia, na casa do Ti Moreiras do Carregal, onde foi paquete e se fez homem de sucesso.

O Antero, assim era a sua graça, ainda me viu nascer, contudo, uma doença fatal levou-o cedo para Santa Leocádia!

 

Coisas da vida.

 

Tiradas do Pópulo que aqui se lembram com saudade e muito respeito!

 

Gil Santos

 

 

Flavienses por outras terras - Rui Alves

22.03.18 | Fer.Ribeiro

Banner Flavienses por outras terras

 

Rui Alves

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” voltamos ao Minho, mais concretamente a Braga, uma cidade da era Romana, que começou por se chamar “Bracara Augusta”, em homenagem ao Imperador Romano Augusto.

 

É lá que vamos encontrar o Rui Alves.

 

Cabeçalho Rui Alves.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Angola, mas fui para Chaves com 3 anos, por isso considero-me Transmontano de gema!

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

No 1º Ciclo frequentei a Escola Primária de Santa Cruz (a escola velha), a Escola Primária do Bairro Eng.º Branco Teixeira e terminei na Escola Primária de Santa Cruz, nas novas instalações. No 2º Ciclo frequentei a Escola Preparatória Nadir Afonso e no 3º Ciclo e no Secundário frequentei a Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Em 1991 fui estudar para o Ensino Superior.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Guarda, Covilhã, Porto e Braga.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

O período de férias passado com os amigos do bairro onde vivia!

As amizades e brincadeiras de criança!

A liberdade que tínhamos na época!

Os passeios pelos montes e o esquecimento do tempo (nunca havia horas para nada, tudo era feito e pensado no momento…)

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar/utilizar as Termas de Chaves (do melhor que há no país), a Ponte Romana de Trajano, o Castelo de Chaves e os Fortes de S. Neutel e S. Francisco.

Aproveitar a magnífica gastronomia!

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Como saí cedo de Chaves, a saudade do tempo que passei é infinita… Os amigos com quem deixei de conviver dia a dia e os momentos passados durante a minha juventude. A vida é mesmo assim! Por vezes ingrata… Mas não pára!

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Inicialmente, todos os fins-de-semana. Agora com menos frequência. Nos dias festivos e nas férias passo alguns dias em Chaves. Por vezes estou mais de um mês sem ir a Chaves…

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Muito sinceramente, não sei. Sempre que vou a Chaves acho que está igual como quando saí pela primeira vez, mas tão diferente nos lugares que frequentava, nas pessoas com que me cruzo… não parece a minha cidade! A culpa claro que é minha, ou melhor, da vida…

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Neste momento da minha vida, a resposta é não! Não tem a ver com a cidade em si, mas sim com a minha vida pessoal. Mais para a frente, quem sabe…

 

 

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Fotografia de Rui Alves

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 Fotografia de Rui Alves

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Rui Alves.png

 

 

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Cidade de Chaves - SIS Sachs V5

22.03.18 | Fer.Ribeiro

1600-(44912)

 

Mais uma voltinha pela Madalena onde encontrámos uma relíquia do século passado, ainda em uso.

 

As SIS Sachs V5 motorizada de fabrico português. SIS, a fábrica com sede na Anadia, equipava estas motorizadas com motores Sachs de 5 velocidades. Daí a marca SIS Sachs V5 que conheceu vários  modelos entre os seus anos de fabrico, entre 1965 até à década de 1980 e que chegou a exportar para os EUA, Áustria, Marrocos, Alemanha, Grécia, Angola e Moçambique. A SIS fechou portas em 1995, mas as suas motorizadas ainda hoje circulam, bem longe dos seus anos dourados da década de 1970, em que era uma constante ouvir o seu zungar nas estradas portuguesas.  

 

Ainda hoje, às 17 horas, teremos aqui mais "Um Flaviense por outras terras". Até lá!

 

 

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