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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Matosinhos - Chaves - Portugal

10.03.18 | Fer.Ribeiro

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Hoje abrimos a porta para a aldeia de Matosinhos, Chaves, Trás-os-Montes, Portugal. Fica assim com a localização completa de todos os topónimos para não haver confusão com outros “Matosinhos” que por aí vai havendo.

 

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Pois queria começar mesmo pelo topónimo, o que deu origem ao topónimo Matosinhos. Ora já sabemos que um topónimo (etimologicamente, “topos” significa “lugar” em grego) são os nomes próprios que indicam lugares e espaços geográficos que podemos localizar num mapa, tal como lugares, ruas, aldeias, vilas, cidades, países, regiões, montanhas, rios, ilhas, continentes, etc. Até aqui tudo bem e acho que toda a gente sabe.  Por sua vez a toponímia é a disciplina que estuda os topónimos, ou seja, estuda os nomes próprios dos lugares, a sua origem e evolução. Isto também toda a gente sabe. Mas quando aprofundamos um pouco o tema e queremos saber qual a origem de um topónimo, aí as coisas começam a complicar-se, pois os mestres da toponímia esmiúçam tudo, mas geralmente ficam-se pela etimologia da palavra, ou seja, pela origem da palavra, da sua história e como ela evoluiu ao longo dos tempos, que, se em alguns casos explica a origem do topónimo, como no caso da cidade de Chaves ter evoluído  a partir de Aquae Flaviae (águas de flávio), na maioria dos casos não explica nada.

 

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Pois vamos ao caso do topónimo Matosinhos, que como sabemos não é único de uma só localidade, e tomemos alguns exemplos que tentam explicar a sua origem, como este  da Cidade de Matosinho (Grande Porto):

 

“Nos documentos mais antigos em que surge grafado o nome de Matosinhos, datados do século X e redigidos em latim, este aparece designado por Matesinus, topónimo que, por si só, é de difícil explicação ou significado. Contudo, subdividindo a palavra surgem interessantes indícios explicativos da origem do topónimo. Com efeito sinus significava em latim, e muito particularmente para os romanos, recorte no litoral, côncavo na costa… porto de abrigo natural. Ou seja, algo que se adaptava perfeitamente à realidade geo-topográfica que os romanos aqui encontraram, devido à existência dos Leixões. De resto, o vasto mundo romano está repleto de topónimos que têm a referida designação sinus na sua origem ou como componente. Um outro exemplo elucidativo, em Portugal, é o de Sines.

 

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E continua:

“Explicada a origem de metade da palavra, resta perceber o significado de Mate. Uma vez que os romanos tinham por hábito baptizar com o nome de divindades, imperadores, heróis ou figuras retiradas da mitologia as principais cidades, portos e outros locais de interesse geo-estratégico que fundavam ou conquistavam, é nesse campo que alguns estudiosos encontraram uma possível e, no mínimo, curiosa explicação. É que, com efeito, existe uma personagem mitológica, filho de Hércules, cuja designação – Amato – poderia facilmente estar na génese do actual topónimo. Matosinhos resultaria assim, como sabemos, de Matesinus e este, por sua vez, poderá derivar de Amato sinus: o porto de abrigo do filho de Hércules.”

 

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Pelo que atrás deixámos, facilmente se pode perceber que esta definição não serve para a nossa aldeia de Matosinhos. Mas vamos a outra, esta até parte de uma lenda:

 

Lenda do Cayo Carpo – o matizadinho que deu origem ao topónimo Matosinhos

“Cayo Carpo foi um senhor romano, pagão, que se casou com a gaiense Cláudia Lobo, na Praia de Matosinhos, onde se realizou a majestosa festa das bodas, com a participação de bailarinas e bailarinos de diferentes regiões do Império Romano, danças exóticas, largada de pombas brancas e muita música. 

Entretanto, no decorrer da festa, foi avistada uma embarcação que levou o cavalo de Cayo Carpo a galopar pelo mar adentro. Já no fundo do mar, Cayo Carpo entra na nau que transporta o corpo do Apóstolo Santiago. Quando regressou ao areal da Praia de Matosinhos, com as vestes matizadinhas de vieiras e emocionado com o sucedido, Cayo Carpo, assim como todos os pagãos presentes, logo quis ser batizado e converter-se ao cristianismo.”

 

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Esta última origem também não serve para a nossa aldeia de Matosinhos. Vejamos os significados da palavra, na infopédia, por exemplo:

“Plural de matosinho, 'pequeno mato'. Existe na Galiza sob a forma Matusiños. Tem os derivados Matão, Matela, Matinha, Matinhas, Matinho, Matinhos, Mato, Matoeira, Matos, Matosa, Matosas, Matosela, Matoso e Matosos.”

 

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Ora esta última definição até se poderia ajustar a nossa aldeia de hoje, contudo vejamos o que diz José Cunha-Oliveira que se dedica a estas coisas dos topónimos:

 

“Matosinhos - uma forma antiga do topónimo era Matesinus, o que exclui a sua relação com "mato" ou com um diminutivo de "Matosos".”

 

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E com esta última achega lá se vai o “mato” de Matosinhos. Concluindo, não cheguei a qualquer conclusão quanto à origem do Topónimo Matosinhos, apenas sei que este nosso topónimo, fica ali pra cima, prá montanha, que tal como já uma vez aqui disse num post anterior, e não sendo uma aldeia junto a uma estrada de passagens, para se conhecer, temos que ir mesmo lá, pois só assim a podemos descobrir e é uma daquelas aldeias que vale a pena ser descoberta, pelas vistas e paisagem, pelo casario rústico tradicional que ainda sobrevive, pontuado aqui e ali por casario mais nobre e até solarengo.

 

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Para se ir até Matosinhos, a partir de Chaves, temos de tomar a Estrada de Carrazedo de Montenegro, EN314 e depois, chegados ao Peto de Lagarelhos  temos duas opções:

1 – Abandonar a EN 314 e virar para Loivos onde à entrada desta última aldeia existe, à esquerda,  um estradão pavimentado que nos leva até Matosinhos.

 

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2 – Continuar pela EN314 até  Carregal, aí vira-se à direita em direção a Adães, passa-se esta em direção a Stª Ovaia e aí, no cruzamento de entrada, vira-se à direita em direção a Matosinhos e Fernandinho.

 

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Webgrafia:

http://www.memoriaportuguesa.pt/matosinhos

http://www.matosinhoswbf.pt/pages/405

- Matosinhos in Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-03-10 16:45:43]. Disponível na Internet:  https://www.infopedia.pt/dicionarios/toponimia/Matosinhos

http://toponimialusitana.blogspot.pt/search?q=Matosinhos

 

 

Ocasionais

10.03.18 | Fer.Ribeiro

ocasionais

 

Filosofia das Couves no Liceu Fernão Magalhães

 

Em 1984, quando fui para o 10º ano do liceu, disseram-me que ia ter uma disciplina muito interessante onde iria aprender a pensar e ganhar conhecimentos fascinantes. Fiquei desconfiado! Para mim, pensar é como respirar, um gajo está sempre a pensar, é uma coisa natural, até em sonhos. Ir aprender a pensar era como se alguém me dissesse que agora ia aprender a respirar... Pessoas que me dizem cenas destas, mando-as logo para o carvalho (Carvalho sem letra V, entenda-se). Lá fui, curioso e ainda com expectativas positivas. Achei a professora uma generala. Rígida, ríspida, e com um vocabulário demasiado erudito para um parolo de Boticas, que achava um disparate haver três palavras para dizer a mesma coisa. Recusei sempre usar a palavra “algibeira” depois de ter aprendido que era “bolso”, essa chegava-me bem, era estranho haver duas, um desperdício. Comigo, os dicionários iam para um quarto da grossura e o alfabeto ia para 15 letras. Começamos a aprender filosofia com coisas dos gregos antigos, uns primitivos que pensavam que as coisas resultavam duma mistura dos 4 elementos: terra, ar, fogo e água. Disse cá para mim “É isto que vamos aprender?! Andamos a gastar tempo a aprender físico-química, já sabemos como são as coisas, os átomos e as moléculas, e agora temos que perder tempo com estes chanfrados? Se vamos perder tempo com todos os burros como estes, não saímos do sítio. Quem é o tolo que não sabe que se se misturar água e terra, só dá lama? Água apaga o fogo, nada mais, não dá ouro nem prata”. Durante todo o ano, achei que só aprendemos disparates, no final nem sabia que só sabia que nada sabia daquilo. Detestei a disciplina, tirei várias negativas, e no final do ano fiquei espantado de passar com 10. Eu mal percebia as perguntas dos testes, ainda menos as de desenvolvimento, sobre assuntos como os 4 elementos, que sabia não haver nada para desenvolver.

 

No 11º, fui de pé atrás mas animei-me ao saber que íamos dar filosofia moderna. O profe era o Couves, um profe mais simpático. Começámos com o grande Descartes e com a genial descoberta dele “Penso, logo existo”. Cogitei imediatamente “Ó que carvalho, olha que novidade, se estivesses morto é que podias ter a certeza que não pensavas! Isto é alguma merda?! Isto é alguma novidade, alguma descoberta?! Vou ter que aturar mais merdas destas durante um ano?!”. Fiquei desanimado e quando descobri que o Couves não se importava com o tempo que os alunos passavam no WC, decorridos 5 minutos das aulas, pedia para sair e nunca mais lá punha os pés, em quase todas as aulas. No primeiro teste, tirei o caderno para cima da carteira para ver se copiava alguma frase que encaixasse com as perguntas que mal compreendia. O Couves era muito distraído, passava ao lado e nada, resolvi tirar também o livro. Na altura, achava que copiar não era desonesto, antes mostrava coragem e inteligência, porque eramos nós contra eles, quem não copiassem era porque não tinha habilidade ou era cagão. Quando foi da entrega dos testes, o Couves mandava-nos ao quadro para ler os testes enquanto ia pontuando as respostas. Nunca tinha visto tal! Tive nega mas fiz uma descoberta espectacular. Nos testes seguintes, já não copiei, escrevia algo. Depois, fazia o teste em casa e levava-o dentro do casaco quando ia lê-lo ao quadro. Com o Couves, trocar um teste pelo outro era de caras para um copiador de primeira classe como eu. Sabeis que nota tirei no final do ano? 18 ou 19?! Chamemos-lhe assim: um espantoso e honesto 11.

 

(O escrevinhador escreve segundo o velho e o novo acordo ortográfico, conforme o gosto. Nada de estranho porque os dois acordos continuam por aí em vigor)

 

Luís de Boticas