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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Abr18

Exposição de João Machado – Últimos dias em Chaves

1600-macna (1409)

 

Se ainda não viu a exposição do escultor e designer João Machado, aproveite os próximos dias, pois dia 8 de abril será o último dia em que ela estará patente ao público em Chaves,  no MACNA – Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso.

 

1600-macna (1412)

 

“O designer português, já distinguido pela publicação Graphis ao longo dos últimos 20 anos, voltou a ter o seu nome referido e galardoado com as distinções Poster Gold Award e Poster Merit Award. Além desses títulos, João Machado teve ainda o privilégio de ver o seu nome a figurar entre os Graphis Design Masters[i], ao lado de cinco outros designers internacionais.”

 

1600-macna (1421)

 

“João Machado, natural de Coimbra, nasceu em 1942 e formou-se em Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, escola na qual também deu aulas. No seu trabalho constam vários cartazes, livros, selos e obras publicadas. O designer já recebeu também inúmeros prémios entre os quais o do Melhor Selo do Mundo. A Graphis também já tinha condecorado João com o Platinum Award, na categoria Poster Annual 2014.”

Sara Sampaio in p3.publico.pt

 

Sobre João Machado:

http://www.joaomachado.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Machado

http://macna.chaves.pt/frontoffice/pages/562

 

 

 

 

[i]Graphis – The International Journal of Visual Communication, é considerada como sendo o “oscar” da excelência no design e artes gráficas. Esta publicação, criada por Walter Amstutz e Walter Herdeg em Zurique, Suíça, reúne e compila anualmente os trabalhos mais relevantes produzidos pela indústria da comunicação visual desde 1944.

 

 

 

03
Abr18

Chaves D´Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. NOITE DE SÃO JOÃO.

 

 

 

Às noites amenas de verão, era frequente dormirem os Bernardes bem mais tarde do que de costume. Nas de sábados, em especial, podiam-se ver de longe, por toda a veiga, as luzes das fogueiras que ardiam diante das casas, onde as famílias punham cadeiras nas calçadas e ficavam a assar iscas de bacalhau, sardinhas ou o mais que lhes apetecesse. Tudo isso regado a um bom vinho ou a um chazinho de ervas, ali mesmo aquecido. Os vizinhos que, entre si, mantivessem vínculos de amizade, convidavam-se mutuamente para compartilhar desses serões, em que se honravam os santos de junho. Agrupavam-se em cadeiras, sentados ao chão, em pé, ou a circularem por toda parte.

 

A uma noite de junho, João Reis e todos os seus foram convidados a participar dos folguedos são-joaninos, em uma quinta de propriedade do seu amigo Messias Bacelar. Todo o descampado em frente à essa quinta, próxima ao Raio X, estava ornamentado com bandeirolas e lanternas chinesas. Junto à porta, verdejava uma Capela de São João. Consiste de um plano meio inclinado, feito de musgo e buxo, coberto por plantas rasteiras e silvestres que o tornam esverdeado, enfeitado com imagens de santos, pastores e carneirinhos. No alto, a imagem tradicional de São João Batista. Em volta, cercando a “capela”, mastros com bandeirolas, ligados por grinaldas de buxo e ramos entrelaçados, com muitas flores, que os tornam multicoloridos.

 

Lá estavam também algumas raparigas e rapazes ciganos, moradores nas casitas alugadas pelos Camacho e que trabalhavam na quinta de Bacelar. Um quintão imenso, com numerosas plantações, muitos cavalos, porcos, vacas leiteiras e até mesmo um pequeno vinhedo para a produção doméstica. Hernando, que a essa altura já andava a trabalhar na loja do pai, também lá estava a acompanhar seus inquilinos e a distribuir alegria em volta de si. Ganhou até alguns olhares das meninas Bacelar, ainda que furtivos, pois estas diziam conhecer muito bem as fronteiras entre o desejo e a razão.

 

O anfitrião tinha umas filhas mal afeiçoadas, porém muito elegantes, conhecidas pela fina educação adquirida em liceus de Paris e Londres. Já com alguns fios de areia a passar pela ampulheta dos trinta, cada uma e juntas viam o tempo escoar, como as águas do Caneiro, naqueles sítios onde viviam, à esquerda do Tâmega, sempre a esperar por um bom esponsal, com pretendentes que estivessem à altura de suas sapiências. Estes, porém, talvez só pudessem ser encontrados em outros países, durante alguma das viagens que, regularmente, elas faziam ao Exterior.

 

Sobre Hernando, por serem ajuizadas e assentes, uniam à razão o sexto sentido feminino – Ai que esse moço é muito airoso, mas bem m’o parece ser daqueles que se pode ver num piscar d’ olhos – assim falava a mais velha, enquanto dizia a Bacelar do meio – Deve ser uma boa bisca, isso sim, desses que, em matéria de amor, acende uma vela a Deus e outra ao Diabo – e a terceira das irmãs – Deus me livre se o destino calhar de me oferecer, como noivo, um marialva daquele! – ao que, logo após, viraram-se para Aldenora e lhe perguntaram se estavam certas. Esta concordou plenamente, a olhar para a irmã de modo ostensivo – Ah, esse aí... não te convém, nem às tuas manas... nem a qualquer rapariga de boa família, que tenha, ao menos, um migalho de bom senso!

 

De tudo ou nada que elas falassem, Aurita pouco registava. Alheia a tudo em volta, embevecia-se a contemplar Hernando. Comentou, porém, mais tarde, com Aldenora – Do jeito como essas moças falam dos rapazes, vão acabar ficando para tia ou, como diz a Mamã, no caritó. Até porque os homens cá da terra parecem ter medo de qualquer mulher que eles achem instruída demais, inteligente demais... – e, a essa menção, Nonô julgou-se incluída – Então, minha irmã, sou uma privilegiada. Sabes o que mais aprecia em mim o meu rico Sidónio? Justamente isso. Tudo isso.

 

fim-de-post

 

 

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