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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Fev19

Largo do Arrabalde e alguns lamentos


1600-(47161)

 

Pensei que com o tempo lá me iria habituando ao que fizeram a este largo, mas não, aliás quanto mais o tempo passa, menos gosto da solução aqui adotada e que, comparativamente com o Largo das Freiras, o atentado aqui cometido foi bem maior, com a agravante de que aqui, pouco ou nada se pode fazer para melhorar este espaço, enquanto que nas Freiras ainda estão em aberto melhores soluções. No entanto o que mais me entristece, ou melhor, o que mais acrescenta ao meu desagrado é que a minha geração viveu intensamente grandes momentos da cidade de Chaves e de Portugal nestes dois largos (Arrabalde e Freiras),  e foi precisamente o pessoal da minha geração que os violou, sem qualquer respeito.

 

 

26
Fev19

Chaves D´Aurora


1600-chavesdaurora

 

  1. DESPEDIDA DE SOLTEIRO.

 

Às vésperas das bodas de Alfredo, o noivo estivera a gozar com os amigos do Liceu os seus últimos momentos de puto livre. Andar na gandaia, como fazia sempre que pudesse, em um circuito de petiscadas, da Madalena às Portas do Anjo, regadas a muito vinho (e alguma cachaça, decerto) e com o Alfredo ora a sorrir, ora a se fingir de zangado, pelo presente de casamento que os três lhe deram: uma latinha com a famosa Pomada Vegetal Alemã. Segundo diziam os putos, a galhofar, além de suas propriedades dermatológicas, essa pomada era capaz de ressuscitar até a virilidade de um defunto.

 

Tomaram o rumo do entorno do Forte São Neutel, lugar então muito ermo, onde uma das raras casas era a de Consuelo Tarraxa. Essa matrona dizia a todos, sobretudo aos da Lei, que apenas abrigava em sua casa, sem lhes cobrar o aluguel, jovens órfãs que se viam à janela, provindas de outras vilas e aldeias de Portugal. Acrescia ser apenas por um especial sentimento de caridade que lhes dava de comer e de vestir. Fazia questão de esclarecer ainda mais e de frisar muito bem: posto que não fosse mãe dessas moçoilas, não lhes tinha nenhum controlo se as rebeldes meninas ficassem a beber, a dançar e a trocar intimidades com os rapazes do Concelho. Omitia apenas que elas só faziam a alegria dos moços em troca de alguns réis, dos quais um manhuço acabava sempre por cair aos bolsos da bondosa senhora.

 

As hormonas saciadas, mas ainda não a garganta, os rapazes foram acabar a noite de pândegas na tasca de Maria do Rasgão, a quem resolveram fazer um brinde. Homenageavam a bravura com que ela, apesar de mulher de má fama, lá pelos idos de 1912, ajudara a expulsar os monárquicos de Chaves e agora, em sua tasca, recebia as mulheres de vida alegre (nem sempre tão alegre assim) apenas para se divertirem com os seus amantes ou gigolôs, comerem, beberem e dançarem, com eles ou sozinhas, aos começos ou aos fins de noite, ora pois que, aos intervalos da noitada, elas atendiam aos seus fregueses em outros locais.

 

Tais raparigas, além de prestarem serviços a putos insaciáveis, serviam também a respeitáveis cavalheiros da Vila e dos arrabaldes, que mantinham as suas santas mulheres no altar de suas casas e, à sorrelfa, corriam a satisfazer-se, com as “pecadoras”, de tudo aquilo que jamais fariam no sacrossanto leito conjugal. – Achas que vou mordiscar os mesmos seios onde os meus miúdos estão a sugar? Profanar com o meu sexo os lábios maternos que estão sempre a beijá-los?! – e, por conveniência, esqueciam que as prostitutas também emprenham, também têm filhos e, portanto, também possuem os lábios maternos que, se ficarmos a seguir o mesmo raciocínio hipócrita, não se deveriam profanar...

 

Os quatro amigos encheram taças de champanhe e recomeçaram a se enfrascar, mais e mais – Ora, pois, pois, vamos a ele ou o quê?! – ele era um brinde à grande heroína Justina Maria da Silva, agora reconhecida como uma senhora de bem e que ficou muito comovida com os rapazes. Correu a buscar lá dentro uma caixa, bastante manuseada por tantas amostragens aos fregueses, onde guardava a condecoração que recebera das autoridades, tão logo a república se restabeleceu em Trás-os-Montes.

 

 

  1. VÉNUS DESONRADA.

 

Alfredo estava feliz, a esquecer tudo o que não queria que lhe viesse à mente, naqueles fugazes instantes que lhe precediam as mãos algemadas. Sabia que, na manhã seguinte, estaria a bater...

 

(continua)

 

fim-de-post

 

 

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