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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Viade


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montalegre (549)

 

Geralmente às segundas-feiras fazemos o regresso à cidade, mas hoje, para ser diferente, apenas vamos passar pela cidade, seguimos em direção ao São Caetano, paramos lá, não para cumprir promessa, rezar ou meditar, mas para encher a garrafa de água fresca para o resto da viagem, depois seguimos em direção a Soutelinho da Raia sem entrar na aldeia, pois logo no início vamos virar à esquerda e, umas centenas de metros à frente,  entramos no concelho de Montalegre, mas antes, imediatamente antes de entrarmos em Montalegre, paramos no alto,  junto ao grande penedo, para deitar um olhar sobre a Serra do Larouco, é dali, que a serra mostra toda a sua imponência e se transforma no Deus Larouco, daí, ser paragem obrigatória.

 

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Bem, poderia continuar a descrever o resto da viagem e o que iria acontecer, mas na realidade esta viagem já foi feita, e o que vai ficar por aqui é aquilo que vimos na aldeia barrosã convidada de hoje, Antigo de Viade, a última da trilogia de aldeias com o topónimo de Viade. Se calha, esta, Antigo de Viade, até deveria ter sido a primeira, mas calhou para o fim, pois primeiro fomos até Viade de Baixo, depois a Viade de Cima e hoje, sim, fica Antigo de Viade.

 

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Pois regressemos ao trajeto que fizemos até lá, um dos nossos preferidos para entrar no Barroso, e recordemos que o nosso ponte de partida é sempre a cidade de Chaves. Pois preferencialmente vamos via São Caetano, passamos por Soutelinho da Raia, entramos no concelho de Montalegre e logo na primeira aldeia, Meixide, deixamos a estrada principal que nos levaria até Montalegre, via Vilar de Perdizes, e viramos em direção a Pedrário e logo a seguir entramos em Sarraquinhos onde de novo abandonamos a estrada que também nos levaria até Montalegre para apanharmos uma outra que nos levará até Zebral, Vidoeiro e o Barracão, onde apanhamos a EN103 em direção a Braga, logo a seguir vai-nos aparecer a barragem dos Pisões (à esquerda) e depois de passarmos pela Aldeia Nova do Barroso, São Vicente, Travassos da Chã, Penedones e Parafita, ainda tendo a barragem dos Pisões por companhia, saímos da EN103 (à direita) para finalmente entrarmos em Antigo de Viade.

 

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Viramos à direita mas também à esquerda, entre a EN103 e a Barragem já há casario que pertence à aldeia, mas trata-se de casario mais recente e de certeza que não me engano, trata-se de casario que só foi construído depois da construção da barragem em meados do século passado. Mas o nosso destino é mesmo a antiga aldeia de Antigo de Viade, embora depois de a termos visitado também fomos deitar uns olhares à barragem e ao viveiro das trutas. Para melhor esclarecer este trajeto, fica o nosso habitual mapa.

 

antigo-viade-mapa.jpg

 

Quanto ao regresso a Chaves, como de costume, propomos um itinerário diferente e que poderá ser a EN103, ou seja, voltamos para trás e no Barracão em vez de tomarmos o trajeto de ida, continuamos pela EN103 até Chaves.

 

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Entremos em Antigo de Viade, que sem ter qualquer documento (para já) em que me apoiar, suponho que será a mais antiga das três aldeias que adotaram o topónimo de Viade. Pois, em geral, costumámos surpreende-nos pela positiva quando entramos pela primeira vez numa aldeia, mas desta vez, tal não aconteceu, tudo porque depois de termos passado por Viade de Baixo e Viade de Cima, só ficaríamos surpreendidos se Antigo de Viade, no que respeita a aldeia típica barrosã,  ao casaria e à envolvência não estivesse a par ou à altura das outras duas. Claro que tem as suas singularidades e é diferente das outras, mas igualmente interessante, pelo que recomendamos e merece ser visitada.

 

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Do que mais gostámos de ver em Antigo de Viade, para além do conjunto como aldeia, da verdura da sua envolvência e do espaço junto à barragem, podemos destacar a sua igreja com a torre sineira separada do edifício e localizada em frente à entrada principal, tal como vai acontecendo em outras igrejas do Barroso. Gostámos também de ter visto algumas recuperações de casario respeitando a traça original e do conjunto escola/recreio e a sua localização, já não gostámos tanto de a ver abandonada.

 

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Claro que para além do abandono da escola, também há outros pormenores que gostámos menos, tal como algumas ruínas, algumas casas abandonadas, o envelhecimento da população e, claro, a tendência ao despovoamento, ou seja, o costume nas aldeias mais pequenas e mais distantes da sede de concelho.

 

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Quanto às nossas pesquisas, no livro “Montalegre” ficámos um pouco baralhados, pois há muitas referências a Viade, simplesmente Viade, sem referir se é Viade de Cima, Viade de Baixo ou antigo de Viade. Aliás o Antigo de Viade não é referido nenhuma vez, pois a aldeia apenas aparece como Antigo, a única referência e apenas para dizer que faz parte da freguesia de Viade de Baixo, atualmente Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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No resto das pesquisas também pouco mais encontrámos. Há no entanto no Facebook dos sítios com referências da Antigo de Viade, uma página e um grupo, ficam os links:

 

https://www.facebook.com/antigo.deviade

https://www.facebook.com/groups/156309271139920/

 

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Quanto a “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

Antigo de Viade

 

Nasce do adjectivo latino ANTIQUU > ANTICO > ANTIGO, mas com idêntica significação. Sendo adjectivo há que subentender o substantivo perdido. É natural que fosse algum casal, vilar ou construção arqueológica que se desconhece qual fosse. Mantém-se o topónimo que recorda o facto.

 

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Ora assim sendo, vamos ao topónimo de Viade, que Antigo de Viade também tem:

 

VIADE

 

Desde 2013 – União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas

 

É o genitivo do nome pessoal Beatus; “villa” BEATI>BIADE>VIADE.

Podia ser escrito Biade pois o topónimo já em:

-1258 «Sancte Marie Biadi» INQ 1514 estava sedimentado. De igual modo a forma encontrada em

-1288 « de Sancta Maria de Biady» (Com o y dos ditos amigos sdo pedantesco arcaísmo) INQ N.A. – 492. Nas inquirições de

- 1282 «…isto he en termyo de Biadi». Aqui voltamos à forma final/inicial – onde apenas faltava o e mudo terminal cujo i já assim devia soar.

 

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Quanto à “Toponimia Alegre” integrada na “Toponímia de Barroso” temos em relação a Antigo de Viade:

 

Justiça do céu te caia,

De Deus te venha o castigo,

Porque te foste casar

No deserto do Antigo.

 

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 E mais esta:

 

Adeus lugar do Antigo

Tens um chafariz no meio

Onde os homens vão beber

Com a cabeçada e freio.

 

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A mais esta ainda:

 

Dizem os do Antigo:

Ao clérigo-frade

Nem por amigo

Nem por compadre

 

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Também aqui:

 

Cávado – Regavão:

 

Leirões de Lamas,

Lagartos de Fervidelas,

Conhadeiros de Bustelo,

Boleteiros de Friães,

Ladrugães, esfola-gatos mata-cães,

Manta-moura de Reigoso,

Chinos de Currais,

Porcos de Sacoselo,

Ovelhas de Pondras,

Fanhos de Travaços de Chã,

Penedos de Penedones,

Tomba-malgas de Parafita

Ó derrim pó-pó

Cabra velha arroz pró pote!

Corta-matos do Antigo,

Esfola-cabras de Viade

Arribadas de Viade de Cima,

Machuchos da Vila

Cambados de Cambeses

(…)

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade ou mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

 

 

11
Mar19

Quem conta um ponto...


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433 - Pérolas e Diamantes: A realidade e vice-versa

 

Há um provérbio árabe que diz: “Aquele que corre sozinho tem a certeza de chegar em primeiro.”

 

Eu costumo andar sozinho ou acompanhado por um ou outro amigo e, muitas vezes, por um livro. Costumo aprender muito com os livros. E com os amigos. E também com a cultura árabe.

 

Mas não pensem que as obras de ficção são fruto do acaso. Isso é que era bom.

 

Sabemos que “Vermelho e Negro” se inspirou no caso Antoine Berthet; que existiu uma Madame Bovary real chamada Delphine Coutier; que o Edmond Dantès verdadeiro se chamava François Picaud.

 

A ficção tende a assemelhar-se ao falso para parecer mais verdadeiro. E vice-versa. A realidade está cheia de sinais sem importância. Não se deve procurar a alegria sem aceitar o sofrimento.

 

As personagens dos livros têm, como escreveu Paul Smail, solas de vento, podem ir onde o acaso as leva.

 

A moralidade transformou-se em espetáculo em vez de ser uma virtude que se exerce. A moralidade tornou-se amoral.

 

Vivemos num mundo sem referências, onde os pais já não são pais, onde o bem e o mal estão fundidos num magma e a democracia é uma salada russa onde não se reconhece a verdade, onde todas as opiniões são válidas, onde tudo é subjetivo, onde de nada serve indignar-nos, onde ou somos todos culpados, ou todos inocentes.

 

Se reparamos bem, podemos ver que os que detêm o poder não o adquiriram pela sua coragem e muito menos pela sua virtude ou subtileza, mas antes pela sua falta de força moral, pela sua falta de cultura, pela sua desumanidade, pela sua histrionia, pela sua histeria, pela sua descarada demagogia, pelo desprezo pelos humildes e pelos longos anos de servilismo para com os grandes a quem acabaram por conquistar as suas cadeiras, as suas patifarias e as canalhices sem fim. Dir-me-ão que há exceções. Pois, até poderá haver, mas são elas as que confirmam a regra.

 

Parecem os fantasmas que povoam as paisagens de Gogol ou de Bulgakov, pois transportam consigo não a esperança, mas um espelho, e a promessa atraente da absolvição de responsabilidades.

 

Uma coisa sabemos, como escreveu László Krasznahorkai: “Quando julgamos que nos vamos libertar, na verdade estamos apenas a mudar as cadeias”.

 

Tenho de começar a fazer como John Steinbeck e testar o que escrevo com os cães. Mas primeiro vou ter de os comprar ou esperar que alguém mos ofereça. Ele tinha um chamado Angel que ficava sentado a ouvir, transmitindo ao escritor a sensação de que compreendia tudo o que havia para compreender. Já o Charley dava a entender que tentava sempre acrescentar qualquer coisa. Um dia, o seu setter ruivo roeu o manuscrito de “Ratos e Homens”. Nessa altura Steinbeck deu-se conta de que o cão devia ser um crítico literário excelente.

 

É claro que já não há escritores tão sortudos, nem cães tão amantes da literatura. Os tempos mudam. E nem sempre para melhor. Antigamente é que era.

 

O escritor americano sabia que ser alguma coisa pura requer uma arrogância que não está ao alcance de qualquer um.

 

Por vezes também a mim a escrita me parece estranha e mística. A minha poesia ressente-se disso. Já a prosa liberta-me das minhas dores verbais.

 

Claro que faço o melhor que sei e posso, mas sem me levar muito a sério. Há por aí escritores ditos importantes que passam a vida a lançar o arpão à imortalidade. Pensam-se o Capitão Ahab lutando contra Moby Dick. O mar engole-nos a todos. Coitados dos peixes.

 

A santíssima trindade da escrita assenta numa pessoa interior que especula, numa outra que critica e numa terceira que procura a síntese. Também é necessário alguma dose de pecado.

 

Steinbeck, depois de uma conversa com dois editores e um revisor, concluiu que o leitor é estúpido e incapaz de compreender ideia nenhuma; que também é tão inteligente que descobrirá qualquer tipo de erro; que não compra livros breves; que não compra livros longos; que é em parte imbecil, em parte génio e também possui uma parte de ogre; que não se tem a certeza de que sabe ler.

 

Também todos sabemos que os escritores são cruéis, conflituosos, cheios de opiniões, mal-humorados, pouco razoáveis, nervosos, depressivos, irrefletidos, tristes e irresponsáveis. E também irascíveis, mal-educados e insuportáveis. E egomaníacos. E grande parte deles nem sequer possui a decência de terem sucesso.

 

Afinal, para que raio servem?

 

João Madureira

 

 

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