Ocasionais

“A banalidade da política”
“De tanto ver triunfar as nulidades;
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se
os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra
e a ter vergonha de ser honesto.”
(Rui Barbosa)
A tragédia do fracasso do nosso desenvolvimento, do desenvolvimento civilizacional e cultural de CHAVES, da NOSSA TERRA, tem a sua causa mais na resignação dos flavienses do que na incompetência, na mediocridade, na cretinice e na maldade de quem a tem governado.
Os flavienses ainda não atingiram o ponto de indignação que os leve à revolta contra aqueles que os têm ludibriado com promessas não cumpridas, sejam eles administradores municipais, regionais ou nacionais: continuam a deixar-se amansar por sebentos elogios e falsas esperanças!
Encharcados pelos meios de comunicação com constantes caudais de notícias e imagens de catástrofes, de violência, de miséria, de morte, e distraídos com caleidoscópios de telenovelas alcoviteiras, festins de curiosidades sádicas, de «voyeurismo», e de circo futebolístico, os flavienses (Ai! E os «tugas», carago!) são bem levados a considerar o seu modo de vida um privilégio que os faz sentir envergonhados!
E, porque ciclicamente são chamados a pôr uma cruzinha num Boletim de voto, com a qual julgam afirmar e confirmar a sua soberania, continuam na ilusão de serem senhores do seu destino.
O povo “tuga” ainda não entendeu e aceita que as campanhas eleitorais são a dourada oportunidade de impostores, oportunistas, medíocres e macanjos a badalarem fantasias com que o que querem governar governando-se!
Depois, em nome da «democrática tolerância», alimentam fanatismos partidários!
“Um homem não é menos escravo porque lhe é permitido eleger um novo amo” de quatro em quatro (ou cinco) anos!
Entre esses ciclos eleiçoeiros, gemem e lamentam o seu descontentamento com a pouca sorte que lhes calha, com tantas esperanças perdidas!
Mais de quarenta anos depois do seu alvor, a distância entre o sonho e a realidade da «jovem (?!) Democracia Portuguesa», em vez de diminuir, tem vindo a aumentar!
O princípio, para mim, mais fundamental da Democracia - a Justiça - que expressão de universalidade e de nobreza se lhe está a reconhecer?! Pouco falta para vê-la «pelas ruas da amargura»!
E até parece que a palavra «prosperidade» foi banida da nossa Língua … e do propósito de quem tem o dever de governar e a obrigação de saber governar - uma Freguesia, um Município, um País - Portugal!
Diverte-me contemplar o triste espectáculo de pretensos democratas, soberbos falsos arautos de bons ventos e bem-aventuranças políticas para a NOSSA TERRA a empenharem-se, cretinamente, em dissimular - com jactância de isenção, de honestidade, e de independência, e com uma pirotecnia de falsos propósitos, de aldrabices, de disparates, de palavreado oco - o compromisso da sua submissão aos mais altos, secretos, discretos e indiscretos interesses pessoais e partidários!
Mal entram no Paço do Duque, os «faroleiros» políticos de CHAVES ficam logo mais inspirados e apressados para destruir do que para criar. (Bem, nem políticos são, embora pretendam ser admitidos e admirados como tal: apenas conseguem tomar de outros uns «tiques» e uns «toques» pantomineiros!).
Esses pingentes aprenderam a falar sem que alguém os perceba e aperfeiçoaram-se no hábito de não servirem para nada!
Gosto da NOSSA TERRA!
Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como CHAVES, a NOSSA TERRA sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.
E custa-me a ingratidão, o desleixo e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.
O grande obstáculo ao desenvolvimento de CHAVES, da NOSSA CIDADE, reside muito menos nos seus recursos naturais e muito mais nos vícios e caprichos ideológicos de quem a tem administrado! Por aí, anda espalhado demasiado dinheiro tão mal acompanhado e tão mal aplicado por tão poucas e tão pobres ideias!
Na verdade, nas décadas mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.
E a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) é uma treta: é a Universidade de Vila Real (Parabéns aos da «Bila»! Que têm sabido muito bem aproveitar esse mimo, e desfrutar de uma Instituição de crescente prestígio que os deixa cada vez mais babadinhos!...)!
E para que se note ainda mais a usurpação que tem sido feita, e continua a fazer-se, aos legítimos merecimentos da NOSSA TERRA, aponto-vos a desfaçatez, porque constante, de um autarca metropolitano a reclamar tudo e mais alguma coisa para a sua autarquia, como se só ela fosse o Norte de Portugal!
E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de solertes traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.
Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam - e dão cobertura - o jogo.
Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí um punhado de «resistentes» e os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar - idosos, jovenzitos e crianças.
Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.
Como se tem verificado ao longo dos anos, a gente gentalha que tem sido eleita tem governado mesmo de acordo com os interesses dos eleitores?
Aquilo que a maioria dos flavienses, e dos portugueses, tem feito com o seu voto é contribuir para a eleição de pronósticos impostores, que, na realidade, vão representar os que lhes financiaram as boémias eleiçoeiras e lhes facilitam e concedem as maiores mordomias.
E os governos - nacional, regionais e autárquicos - com o que é que se mostram mais preocupados?
Está à vista, não está?!
Para onde caminha a nossa Democracia, quando nela se notam assustadores sintomas ora de oligarquia, ora de plutocracia, ora de cleptocracia, mentitocracia, e que outros, menos suaves nas palavras, classificam como «bandidocracia»?!
Por mim, encontro melhor propriedade em chamar-lhe “mediocrecracia”!
Veja-se a quantidade de dirigentes e dirigentezinhos políticos que, na realidade, nunca exerceram uma profissão (ou se a exerceram, nela nunca passaram da cepa-torta e ou se o fizeram foi por um período que mal deu para aquecer o lugar!) e que encontraram na politiquice o mais importante modo de vida!
Infelizmente, cá nesta terra do “Jardim das Berlengas”, não é exigido «exame de aptidão» para se entrar na política!
A falta de competência, de estudo, de talento é disfarçada com o chavão de «progressistas»!
A subida na vida, para eles, não está no «pulso», mas, sim, no obedecer e aplaudir o «chefe» …de «gabinete», da «concelhia», da «distrital», da «nacional», e na colheita de vantagens e benefícios que a impunidade consente!
Os flavienses, os portugueses, têm de se tornar mais conscientes do ambiente político e histórico que os envolve, darem-se conta da carga e do bombardeio de manipulação a que estão submetidos, e fugir do delírio com que são infectados!
Aos flavienses, aos portugueses, urge acabar com a indiferença à verdade e com o aplauso aos pantomineiros vestidos, ou travestidos, de políticos!
Quantas vezes me vem à lembrança, por laivos de comparação, ditados pela decadência da nossa cidade, a fraqueza dos «Judenrats»!
E, tal como a minha amiga Johanna Arendt, também eu me espanto: “Os nossos inimigos sabemos de sobra quem são; surpreende-nos a reacção dos nossos conterrâneos (amigos)”!
Por que há tanta gente a quem lhe custa mudar o seu voto, e tente aceitar os erros do seu Partido político ainda que tenha estado e continue vítima das suas injustiças e asneiras?!
Também eu, suspirando e lutando “por um mundo melhor”, tenho por convicção não devermos «esperar por uma deusa da História ou por uma deusa da Revolução para introduzir melhores condições nos assuntos humanos»: devemos, sim, “produzir e experimentar, de modo crítico, as nossas ideias quanto ao que podemos e devemos fazer agora - e fazê-lo agora”!
Aos mais descuidados, esclareço não estar empenhado no restauro do Passado, mas, sim, comprometido com o respeito ao Passado e em contribuir para um Futuro diferente!
Este, o Futuro, nunca é a continuidade, tampouco uma versão alargada do Presente.
Não abdico, não renuncio, não denuncio o meu compromisso com a História.
Não sou Sócrates nem Aristipo, mas flaviense de todo o coração, para poder insurgir-me contra os desmandos e desleixos de quem administra, e tem administrado, a “cidade”!
Sou um português, um normando-tamegano e um flaviense que deseja conservar do Passado aquilo que me parece bem!
A minha agenda cultural e social não coincide com a agenda política de Partidos políticos decadentes, com cheiro a mofo, cartelizados.
Deixo-vos com Hanna Arendt: - “O mal pode destruir o mundo, porém, profundo e radical só pode ser o bem”!
M., quatro de Abril de 2019
Luís Henrique Fernandes, da Granginha



