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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Jul19

Arte & Cultura partilham-se no MACNA - Carlos Barreira


1600-cb e mesa (14).jpg

 

De 27 de outubro de 2018 a 28 de abril de 2019, o escultor Carlos Barreira participou no MACNA- Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso,  na exposição coletiva 3 gerações. Dessa exposição, o Escultor Carlos Barreira deixou em depósito no MACNA, grande parte das suas esculturas. São precisamente 3 delas que agora estão novamente patentes ao público, enriquecendo assim o  foyer do MACNA, em zona de acesso gratuito ao público.

 

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Fotografia de Filipe Barreira

Carlos Barreira (n. / b. 1945)

Escultura I / Sculpture I (2011)

metal e madeira grafitada / metal and graphite on wood

34 x 28 x 28 cm.

Coleção do artista em depósito no MACNA / Artist’s collection on loan to MACNA

Escultura em exposição no Foyer do MACNA

 

Como já realçámos aqui por altura da exposição “3 gerações”, Carlos Barreira é um artista flaviense. Carlos Alberto Pinto Barreira, nasceu em Chaves, em 4 de Março de 1945,  é um escultor português formado na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.

 

No início da década de 1950 fixou-se em Moçambique, de onde regressou em 1965, para continuar os seus estudos no Porto, inicialmente na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, depois na ESBAP. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1969 e 1973.

 

Em 1972, ainda estudante, enveredou também pelas áreas do design gráfico e da cenografia, vindo a colaborar com o Teatro Experimental do Porto (TEP).

 

Integrou o corpo docente da ESBAP entre 1977 e 2009, sendo nomeado Professor Agregado em 1988 e Professor Associado em 2000. Na ESBAP exerceu ainda o cargo de Director de Departamento e membro do Conselho Científico. Foi também professor convidado da Universidade de Kassel, na Alemanha. Entre 1975 e 1976 integrou o Projecto SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local), tendo sido o responsável técnico pela brigada do Seixo, em S. Mamede de Infesta. Em 1978 foi um dos co-fundadores da Bienal de Cerveira.

 

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Fotografia de Filipe Barreira

Carlos Barreira (n. / b. 1945)

Escultura II / Sculpture II (2011)

metal e madeira grafitada / metal and graphite on wood

75 x 44 x 28 cm.

Coleção do artista em depósito no MACNA / Artist’s collection on loan to MACNA

Escultura em exposição no Foyer do MACNA

 

 

A sua obra escultórica pode ser agrupada em sete grandes séries - Primeiras Máquinas, Máquinas de Bater Palmas, Pedras Bulideiras, Searas Mecânicas, Atrito Nulo, Obras Públicas e Obras de Pequeno Formato.

 

A série Pedras Bulideiras, iniciada em 1984, inclui obras públicas de grandes dimensões, mas também obras de pequeno e médio formato integradas em colecções particulares, como a Pedra Bulideira XV. Embora a maioria destas esculturas sejam executadas em pedra – granito, mármore ou xisto, algumas são ainda excepcionalmente executadas em madeira, como a Pedra Bulideira IX (1987), que, em 2009, foi exibida em Matosinhos, ou apresentam complementos em metal. Nem todas as 25 esculturas desta série subsistem pois, tal como sucedeu com Pedra Bulideira II, implantada em São João da Madeira, determinadas obras públicas sofreram, entretanto, deslocalizações ou danos irreversíveis.

 

Algumas das suas obras de pequeno formato, com génese anterior mas criadas consistentemente a partir de 1978, vieram a ser exibidas em 2010 na Galeria Alvarez.

 

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Fotografia de Filipe Barreira

Carlos Barreira (n. / b. 1945)

Sem Título [Seara Mecânica] / Untitled [Mechanical Cropfield] (1996)

aço inoxidável, cobre, ferro, latão, serpentinite /

stainless steel, copper, iron, brass, serpentinite

64 x 64 x 67 cm.

Coleção do artista em depósito no MACNA / Artist’s collection on loan to MACNA

Escultura em exposição no Foyer do MACNA

 

Exposições Individuais

 

1986 - CARLOS BARREIRA: ESCULTURA, Delegação Regional do Norte da Secretaria de Estado da Cultura, Porto.

1987 - Exposição CARLOS BARREIRA, Galeria da Universidade do Minho, Braga.

1989 - Exposição Individual no Casino da Póvoa, Póvoa de Varzim; Exposição Individual no Hotel Méridien, Portugal.

1997- Exposição ATRITO NULO, Galeria Alvarez, Porto.

1998 - Exposição ATRITO NULO, Galeria Projecto, Vila Nova de Cerveira; Exposição ATRITO NULO, Centro Cultural de Melgaço, Melgaço; Exposição ATRITO NULO, Bragança.

1999 - Artista Convidado na XXXIII International Fair for Modern Art Cologne, Köln, Alemanha; Artista Residente em Carrazeda de Ansiães.

2004 - Exposição APENAS ESCULTURA, Caldas da Rainha.

2009 - CARLOS BARREIRA: UMA QUESTÃO DE MATÉRIA, Matosinhos, Julho e Agosto.

2010 - RED&MEIDE BAI CHARLES BARRIÈRE, Galeria Alvarez, Porto, Abril e Maio.

2011 - DA IDEIA DO DESENHO, Museu Municipal Abade Pedrosa, Santo Tirso, Novembro de 2011 a Março de 2012.

 

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Fotografia de Filipe Barreira

 

Carlos Barreira (n. / b. 1945)

ESCULTURA I /  SCULPTURE I (2011)

(da série Pedras Bulideiras)

Metal e madeira graitada /  Metal and graphite on wood

34 x 28 x 28 cm.

Colecção do artista /  Artist’s collection

 

Exposições Colectivas, de selecção ou convite

 

1972 - Exposição de Alunos da ESBAP, Cooperativa Árvore, Porto; Exposição VERÃO, Galeria Ogiva, Óbidos.

1973 - Exposição QUADRANTE EM ÉVORA E ESTREMOZ, Estremoz.

1974 - I Encontro Internacional de Arte em Valadares, Vila Nova de Gaia, Exposição na Galeria Gordillo, Lisboa.

1975 - Exposição ARMES ET BAGAGES, Lyon, França; Exposição LES 6 JOURS DE LA PEINTURE, Marselha, França; Exposição LEVANTAMENTO DA ARTE NO SÉCULO XX NO PORTO, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto.

1978 - I Bienal, Vila Nova de Cerveira, Agosto (Escultura: Máquina de Bater Palmas II).

1980 - II Bienal, Vila Nova de Cerveira, Agosto (Escultura: Máquina de Bater Palmas III).

1982 - III Bienal, Vila Nova de Cerveira, Julho e Agosto (Escultura: Numerus Romanus); Exposição no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Coimbra; Mostra Colectiva de Arte FAFE 1982, Fafe.

1983 - Exposição Cibeles, Marco de Canavezes.

1984 - IV Bienal, Vila Nova de Cerveira, Agosto e Setembro (Escultura: Ascenção); Exposição ESCULTURAS NO JARDIM, Delegação Regional do Norte da Secretaria de Estado da Cultura, Porto; Exposição no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Coimbra; Exposição PEQUENOS PROBLEMAS, Galeria Alvarez, Porto.

1985 - Exposição A FESTA, Galeria EG, Porto; Exposição 7 PROJECTOS PARA CAMINHA - 17 ESCULTORES DO NORTE, Caminha; Exposição KÜNSTLER AUS NORD PORTUGAL, Wiesloch, Alemanha.

1986 - V Bienal, Vila Nova de Cerveira; I Simpósio Internacional de Esculturas em Pedra, Caldas da Rainha; Exposição Colectiva Itinerante, Porto e Luxemburgo; Exposição ESCULTURAS NO JARDIM II, Delegação Regional do Norte da Secretaria de Estado da Cultura, Porto.

1987 - Exposição ESCULTURA EM PEDRA, ALGUMAS LINHAS DE FORÇA, Galeria da Universidade do Minho, Braga; Bienal de Escultura e Desenho, Atelier Municipal António Duarte, Caldas da Rainha.

1988 - Exposição Internacional de Escultura e Instalação, LIBESC 88, Galeria de S. Bento, Lisboa.

1989 - Exposição de Pintura, Escultura e Desenho, Vila Nova de Poiares.

 

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Fotografia de Filipe Barreira

Carlos Barreira (n. / b. 1945)

DESENHO / DRAWING (2011)

Graite e carvão sobre papel de cenário / Graphite and charcoal on paper

100 x 377 cm.

Colecção do artista / Artist’s collection

 

1991 - Exposição de Homenagem a Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante; Bienal de Escultura e Desenho, Atelier Municipal António Duarte, Caldas da Rainha.

1992 - Exposição e Workshop Portugal / Cabo Verde, Mindelo, Cabo Verde; Exposição 33 ESCULTORES, Galeria Municipal, Caldas da Rainha.

1993 - II Simpósio Internacional de Escultura, Santo Tirso; Bienal de Escultura e Desenho, Atelier Municipal António Duarte, Caldas da Rainha.

1994 - I Encuentro de Escultura Ibérica Actual, Museo Provincial, Lugo, Espanha; V Simpósio Internacional de Escultura em Pedra, Caldas da Rainha.

1995 - Exposição Escultura para uma Universidade Nova, Galeria da Universidade do Minho, Braga; Exposição Arte Contemporânea da Galiza e do Norte de Portugal, Fórum da Maia, Maia.

1996 - Encontro com o Granito, Simpósio de Escultura em Pedra, Vila Nova de Cerveira; Fórum Atlântico, Feira de Arte Contemporânea, Galeria Alvarez, Porto; Exposição Colectiva, Auditório Municipal, Vila do Conde, e Feira de S. Mateus, Viseu; Exposição Coventry-Porto, Art Exchange, FBAUP-Lanchester Gallery, Portugal e Inglaterra.

1997 - Artistas Transmontanos em Chaves, Chaves; Encontros com a Póvoa de Varzim, Simpósio de Escultura em Granito e Ferro, Póvoa de Varzim; Exposição DOIS TEMPOS NA ESCULTURA; QUATRO ESCULTORES, Paredes de Coura; Exposição Escultura Ibérica Contemporânea, Galeria Mário Sequeira, Braga; III Foro Atlântico de Arte Contemporânea, Estación Marítima de A Coruña, Espanha.

1998 - Exposição A FIGURA HUMANA NA ESCULTURA PORTUGUESA DO SÉCULO XX, Edifício da Alfândega, Porto.

1999 - X Bienal, Vila Nova de Cerveira, Agosto e Setembro; Exposição ESCULTURA 4, Cooperativa Árvore, Porto; 33rd International Fair for Modern Art / Cologne, Köln, Alemanha.

2000- Kyongnam International Sculpture Symposium, KISS, Kyongnam, Coreia do Sul.

2001 - XI Bienal, Vila Nova de Cerveira, Agosto e Setembro; Exposição PORTO ANOS 60 / 70: OS ARTISTAS E A CIDADE, Fundação de Serralves, Porto.

2002 - EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA, Casa Falcão / Espaço Esteva, Macedo de Cavaleiros.

2003 - INERTES COM VIDA, Maceira-Liz, Leiria; I Simpósio de Granito de Pinhel, Pinhel; DA ÁGUA E DAS FONTES, 2.º Simpósio de Escultura em Pedra, Alfândega da Fé.

2004 - DESENHO, Centro Franco Moçambicano, Maputo, Moçambique; ESCULTURAS DE ANDAR E VER, Museu da Quinta de Santiago, Matosinhos.

2005 - PAISAGENS, Exposição Comemorativa dos 225 Anos de Belas Artes no Porto, Palácio das Galveias, Lisboa.

2006 - ESCULTURA, Jardins da Casa Museu de Monção / Universidade do Minho, Monção, Julho a Setembro; ONZE ESCULTURAS PARA EUGÉNIO DE ANDRADE, Galeria Municipal de Matosinhos, Matosinhos; PELO DOURO, exposição itinerante pela região demarcada do Douro; CURSOS E PERCURSOS, Galeria de Arte do Casino Estoril, Estoril; Simpósio Internacional de Escultura, Vinhais.

2007 - ESCULTURA COM AFECTOS, Armazém das Artes, Alcobaça, e Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa; Simpósio Internacional de Gaia, Quinta da Lavandeira, Vila Nova de Gaia.

2009 - A PRATA DA CASA, Galeria Projecto, Vila Nova de Cerveira.

2013 - ÁRVORE - 50 ANOS DE OBRA GRÁFICA, Assembleia da República, Lisboa, Outubro e Novembro.

2014 - A ESCULTURA NA COLECÇÃO DO MUSEU BIENAL DE CERVEIRA, Vila Nova de Cerveira, Janeiro e Fevereiro.

2017 - XIX Bienal, Vila Nova de Cerveira, Julho a Setembro; QUINZE ESCULTORES, Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso, Março a Maio.

2018 - TRÊS GERAÇÕES DA PINTURA E ESCULTURA PORTUGUESAS: CARLOS BARREIRA, CRISTINA VALADAS, JOÃO RIBEIRO. Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, Chaves, Outubro de 2018 a Abril de 2019.

 

pastel de Chaves.PNG

Fotografia de António Chaves

Carlos Barreira (n. / b. 1945)

Pastel de Chaves, 2010,

metal e madeira

99x18x8 cm

 

Cenografia

 

1993 - Cenografia e programa para O Vendedor de Milagres, de Gabriel Garcia Marquez, Seiva Trupe, Porto.

1994 - Cenografia para Mais Mar Houvesse, de Joaquim Castro Caldas, com encenação de João Paulo Seara Cardoso, Comissão Municipal Infante 94, Teatro Rivoli, Porto.

1998- Cenografia, programa e cartaz para À Espera de Godot, de Samuel Beckett, Seiva Trupe, Porto.

2009 - Cenografia para Dias Felizes, de Samuel Beckett, Cendrev / Centro Dramático de Évora, Teatro Garcia de Resende, Évora.

 

1600-ema-berta (560).jpg

Carlos Barreira, no MACNA, aquando da inauguração da exposição 3 Gerações

 

Galardões e distinções

 

Galardoado com o Prémio Fundação Engenheiro António de Almeida, o Prémio de Escultura Sonae (1996), o Grande Prémio da X Bienal de Vila Nova de Cerveira (1999) e o Prémio de Aquisição da Sociedade Nacional de Belas Artes.

 

Obras em instituições públicas ou privadas.

 

Representado no Museu da Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal..

 

Representado no Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso, Portugal.[10]

 

Representado na Colecção Fundação de Serralves - Museu de Arte Contemporânea, Porto, Portugal.

 

Representado no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, Chaves, Portugal.

 

Escultura pública (1999) em Vila do Conde, Portugal.

 

Escultura pública Atrito Nulo (2003), Alfândega da Fé, Portugal.

 

Escultura pública Atrito Nulo, em Changwon, Coreia do Sul.

 

Escultura pública Pedra Bulideira V, Caldas da Rainha, Portugal.

 

Escultura pública Pedra Bulideira XXIV, integrada no conjunto Nascido do Chão, Carrazeda de Ansiães, Portugal.

 

Escultura pública Pedra Bulideira XXII, Santo Tirso, Portugal.

 

Escultura pública Pedra Bulideira XXV, Vinhais, Portugal.

 

Escultura pública Seara Mecânica, Caldas da Rainha, Portugal.

 

Escultura pública Seara Mecânica, Vila Nova de Cerveira, Portugal.

 

Escultura pública Troca de Presentes, Área de Serviço da A1, Antuã, Portugal.

 

 

 

Para saber mais sobre Carlos Barreira:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Barreira

https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antigos%20estudantes%20ilustres%20-%20carlos%20barreira

http://miec.cm-stirso.pt/portfolio/carlos-barreira/

http://miec.cm-stirso.pt/portfolio/carlos-barreira-009/

https://chaves.blogs.sapo.pt/cidade-de-chaves-uma-proposta-1852809

 

 

 

31
Jul19

Ei-los que chegam a Chaves - Portugal


1600-(43419)

 

 

Ei-los que chegam
novos e velhos 
de buscar a sorte 
noutras paragens 
noutras aragens 
entre outros povos 
ei-los que chegam 
velhos e novos

 

Já sei que a letra da canção de Manuel Freire não é bem assim, mas pela certa que ele me perdoa que lhe altere a letra, pelo menos durante este mês de agosto em que esta versão alterada se torna bem mais real, pelo menos enquanto o último verso da canção*,  não for uma realidade absoluta, que esperemos nunca o seja.

 

Virão um dia 
ricos ou não 
contando histórias 
de lá de longe 
onde o suor 
se fez em pão 
virão um dia 
ou não*

 

Pela minha parte, sejam bem-vindos à terrinha, em agosto ou quando quiserem, não só (d)os 4,5 milhões da diáspora de nacionais e luso-descendentes espalhados pelos cinco continentes, mas também (d)os que vivem na condição de diáspora dentro de Portugal.

 

 

 

 

31
Jul19

Crónicas de assim dizer


cabecalho-assim-dizer

 

Era uma vez dois ouriços

 

A fêmea parecia ter uma delecção no cromossoma que codificava a carapaça, uma vez que não tinha, a bem dizer, espinho nenhum. Quando conheceu o ouriço, aparentemente normal, achou um exagero aquela quantidade de espinhos, mais de seis mil, que ele tinha espetados no dorso, dirigidos contra tudo e todos e aos poucos, com muito cuidado, mas nem sempre devagarinho, foi amolecendo um aqui, outro ali a ver se aquilo ficava um bocadinho mais suave, a ponto de ela se poder encostar sem se magoar e sem o ouriço achar que ela estava, sem respeito nenhum, a invadir o território dele.

 

Um dia ainda experimentou, na brincadeira, dizer-lhe: tu pareces um exército, mas não tinha resultado muito bem, porque embora sem ele o ter dito, a ouriça leu-lhe os pensamentos, que diziam: “e tu és careca!” (O ouriço pensava mais do que dizia e a ouriça dizia mais do que pensava!)

 

Aliás, esta característica da ouriça adivinhar, leia-se ler, pensamentos, que aparentemente seria uma vantagem, em circunstâncias normais e para um ouriço comum, tinha-se tornado numa fonte de problemas. O ouriço, este, que era especial, não gostava. E os motivos nem sempre eram óbvios, o que fazia a ouriça entrar em transe, porque recorria constantemente ao baú do raciocínio lógico, pouco operante nestes casos!

 

Tinha um discurso eloquente cujo primeiro ouvinte era o próprio e não achava graça nenhuma a que a ouriça o interrompesse, dizendo-lhe o que já sabia ou julgava saber. Era aqui que o ouriço hibernava por tempo indeterminado. A temperatura corporal descia de 35 para 9 graus centígrados e o ritmo cardíaco passava de 190 para 20 batimentos por minuto. Gélido!

 

Estas e outras coisas originaram uma alteração genética muito rara, mas que pode acontecer em condições desfavoráveis ou por pressão do meio ambiente: foi inactivada uma proteína repressora do gene que codificava os espinhos e eis que, lenta e gradualmente, começaram a aparecer na ouriça, primeiro uma pelugem inofensiva e depois (aqui e ali) uns espinhos de queratina, de cuja manifestação fenotípica o ouriço também não gostava. Lidava bem com a outra, genotípica, igual à dele, mas a implicação dela no comportamento da ouriça já não era pacífico, aproximando-se muito mais de um atlântico, tal era a temperatura das águas! Não estava a funcionar!

 

Começou então um conflito entre os espinhos rijos, há muito tempo nascidos, e os agora recém-criados, que se engalfinhavam por dá cá aquela palha, que é como quem diz por tudo e por nada, com atribuições de culpa pouco claras e pouco sérias, com consequências desagradáveis e nada confortáveis.

 

Então a ouriça, que tinha vivido tantos anos careca e bem, na tentativa de resolver o problema, foi à depilação. Vencidas todas as contrariedades de um bicho destes ter sido aceite num gabinete de estética para humanos, a experiência não resultou: os pêlos, digo espinhos, voltaram a crescer. E embora o problema da reincidência fosse um falso problema, porque a ouriça podia lá voltar uma e outra vez, a mesma achou que aquilo dava uma trabalheira tão grande, dos diabos mesmo, que a ouriça optou por deixar estar.

 

Há problemas, mesmo grandes, que se resolvem assim: deixando estar. E o engraçado foi o que aconteceu depois. Os espinhos do ouriço deixaram de ser desconfortáveis para a ouriça. Não se percebeu se amoleceram, se desapareceram ou o que foi que lhes deu! Na realidade, deixaram de estar, pura e simplesmente deixaram de estar, pelo simples facto de que a ouriça deixou de os ver! Acontece o mesmo com as flechas disparadas que não atingem o alvo porque ele deixou de lá estar! Ninguém se magoa, acaba tudo em bem, à filme americano, mas com actores franceses. Dá que pensar.

 

Cristina Pizarro

 

PS: Correctamente escrevendo, o termo “ouriça” não existe. O termo correcto é ouriço fêmea, mas achei piada ao “ouriça”! É fofinho, e como é ficção… deixo estar!

 

 

 

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