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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Ago19

Saudades das Freiras!?


1600-(50565)

 

Estava para começar este post com: Todos temos saudades do antigo jardim das Freiras… mas, pensei um bocadinho e, a ser realista, não é verdade que todos tenham saudades  do Jardim das Freiras. Na verdade, a nova geração que não conheceu os antigos tempos das Freiras, não tem saudades delas porque não as conheceram. A minha geração (nascidos nos anos 60) é a última a ter saudades do Jardim das Freiras e dos gloriosos anos das Freiras nos finais dos anos 70 e inícios dos anos 80. Mas sejamos realistas mais uma vez, as Freiras morreram antes de morrerem, foram vítimas da modernidade, do crescimento da cidade e de uma nova geração que queria ir além do café Sport, Aurora, Comercial, Ibéria e Cineteatro, todos, a um passo de distância tendo as Freiras como ponto de encontro. Para agravar a situação, o Cineteatro fechou, o Ibéria também, o Comercial seguiu o mesmo caminho, o Aurora deixou de ser o que era, os Bombeiros e GNR fecharam portas e o único que se foi mantendo, foi o Sport, pouco, muito pouco para concorrer com as novas ofertas de bares mais modernos a abrirem um pouco por toda a cidade nova, com principal incidência, primeiro no Cino-Chaves e rotunda do Brasil e depois na zona das termas. Quem sempre viveu em Chaves sabe que isto é verdade e o Jardim das Freiras passou de moda,  entrou numa fase em que metia dó, sem contudo perder o seu encanto, pois estava lá como sempre foi,  nem que fosse e só, para ser recordado pelos seus momentos áureos e pelos nossos grandes momentos lá passados, que só por si e por isso, merecia que o Jardim das Freiras se mantivesse como sempre foi, um jardim e não uma praça sem graça. Mas uma coisa é certa, mesmo que venham a sofrer novas alterações, as Freiras nunca voltarão a ser aquilo que eram… e com a sua morte, perdemos o centro da cidade que hoje não sabemos bem onde é!

 

 

 

06
Ago19

Chaves D´Aurora


1600-chavesdaurora

 

 

  1. LÍNGUAS VICIOSAS.

 

Não só as drogas viciam, coscuvilhar a vida alheia também transtorna a existência de certas pessoas adictas a esse mal, tornando-as malditas. Foi o que pensou Mamã, após um facto que ocorreu a uma tarde qualquer e começou quando Maria veio dizer à patroa que, ao portão, lá já estavam duas senhoras de idade, muito bem vestidas, as quais pediam a honra de fazer uma visitinha de amizade à dona da casa. Florinda, ainda em trajos domésticos, disse à criada que as mandasse esperar na sala de visitas, enquanto se arranjava, às pressas, para fazer as honras de anfitriã.

 

Completamente esquecidas das ameaças que sofreram, por suas intrigas, ao longo do tempo, como ocorrera logo após o luto de Edite por sua amiga Isménia, cá estavam as famosas Vila-Passos, a tudo bisbilhotar e a “fotografar” o ambiente. Flor, que não as conhecia, mas de algo desconfiava, recebeu-as com cordialidade, como destarte o fazia a todos que ali aportassem. Ao perguntar-lhes o motivo de tal visita, as velhas se disseram vizinhas, pois viviam mesmo por cá, por acolá, bem perto, no Caneiro…

 

Mamã logo certificou-se de quem se tratavam essas tão curiosas figuras, que falavam sem parar, de tudo e de todos, numa rapidez tal que mal se percebiam as palavras, como se elas estivessem em um filme mudo e com a projeção acelerada. Lá pelas tantas, após dizerem – Suas filhas são umas belas meninas, ai que ricas e educadas, (e blá-blá-blá)! – veio a pergunta fatal – E sua netinha, como está? – Está boa – disse Flor, secamente – e uma delas, após olhar para a outra e a erguer sua xícara de chá – Dizem que é um Ai-jesus! E há de ser, não é mesmo? (Mais blá-blá-blá). Mas como vai a mãezinha dela, tão nova e já com tantos cuidados…

 

Florinda, como diria Gabriel Garcia Marquez em “Cem Anos de Solidão”, “muitos anos depois haveria de recordar aquela tarde remota”, ela própria já estava a se admirar bastante, de como foi capaz de tomar uma atitude tão inesperada. Apesar de criada para a polidez dos tímidos, falou às coscuvilheiras, com a maior rispidez possível – Minhas senhoras, sei muito bem quem são e o que estão sempre a fazer na vida… na vida dos outros, a melhor dizer.

 

Ergueu-se da cadeira – Peço-lhes, encarecidamente, que nunca mais ponham os pés nesta casa. A mim até gostava, inclusive, que nunca mais passassem nem pela nossa porta! – Gritou em direção à cozinha – Maria! As senhoras já estão a sair – e, em seguida, arrancou-lhes as xícaras das mãos (a uma delas, tirou uma bolacha da boca), recolheu tudo à bandeja e se retirou para o interior doméstico.

 

 

 

  1. CABRITA EXPIATÓRIA.

 

 

Quem teria dado com a língua nos dentes e exposto os Bernardes às mordidas do povoléu?

 

 

 

(continua na próxima terça-feira)

 

https://www.chiadoeditora.com/livraria/chaves-daurora

 

 

 

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