Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

17
Out19

Cidade de Chaves

A semana do turista - 4


1600-(36218)

 

A semana do turista – 4

 

Da praça da República até à Madalena

Praça da República

 

Ontem os nossos turistas ficaram na Igreja Matriz, que se for visitada durante a semana, ter-se-á que fazer uso da porta lateral virada a Norte. Pois ao sair estará na Praça da República, o nosso ponto de partida de hoje. Nesta praça o ator principal é o Pelourinho, a ocupar o centro da praça. Vamos então a um pouco da sua história, curiosa por sinal, pois este pelourinho que hoje vemos na praça não é tão antigo quanto se pensa, pois embora o original seja de 1515,  que andou durante séculos aos trambolhões pela cidade,  versão é já do Século XX (1910)  e pouco ou nada terá a ver com a versão original. Mas leia-se a seguir a cronologia de alguns acontecimentos com ele relacionados para se saber um pouco da sua verdade.

 

1600-(27032)

 

Cronologia

1080 - no tempo de D. Afonso VI a povoação passou a chamar-se Clavis;

1258, 15 Maio - foral concedido por D. Afonso III;

1350 - D. Afonso IV confirma todos os antigos privilégios por carta de foral;

1514, 07 Dezembro - D. Manuel concede-lhe foral novo;

1515 - construção do pelourinho  frente aos Paços do Concelho, atual Praça da República;

1706 - povoação dos Duques de Bragança, da comarca de Bragança e com 400 vizinhos;

1758, 27 Março - segundo o prior encomendado da Matriz de Chaves, António Manuel de Novais Mendonça, nas Memórias Paroquiais, a freguesia era da Casa de Bragança e da comarca da ouvidoria da cidade de Bragança; tinha juiz de fora, provido pelo rei, como administrador da Casa de Bragança, 6 escrivães, 1 meirinho, 1 juiz dos órfãos leigo, 2 escrivães, juiz almoxarife da Casa de Bragança, juiz da alfândega, escrivão, meirinho e guardas; tinha ainda vedoria geral, com vedor, oficiais e meirinho e câmara, que constava de vereadores, procurador e um tesoureiro;

Praça da república/pelourinho

1864, finais - demolição dos velhos Paços do Concelho, vendidos à Sociedade Civilisadora Flaviense, para no seu terreno se construir a nova sede daquela sociedade;

1870 - a vereação manda nivelar a praça, construindo-se um lageado de granito, conhecido como "eira", mandando-se apear o pelourinho, por prejudicar a regularidade do lageado e ali já não existirem os Paços do Concelho; em vez de o transferirem para frente do novo edifício, ergueram-no no pequeno lg. da Madalena, colocando-se um catavento de ferro cravado no capitel; anos depois - foi novamente apeado para a construção de um fontanário no local; o seu fuste e capitel estiveram arrumados muitos anos no quintal do Tenente-Coronel Sousa Machado, no Largo da Madalena;

1910 - depois de proclamada a República, houve a ideia de o reerguer frente à Câmara; Pe. António José Serimónias propôs em sessão camarária a reconstrução do pelourinho e do cruzeiro; 27 Outubro - aprovado em sessão de câmara, devendo colocá-los no lugar onde antigamente se erguiam - o Largo de Camões e do Anjo, respetivamente; os largos deviam ser devidamente calcetados e embelezados; para a base, foi-se buscar os elementos de um cruzeiro que em tempos houve quase à entrada do caminho para a Capela do Pópulo; para o remate, introduziram-se outras pedras de granito, pôs-se a meio do capitel um pequeno plinto, cravou-se-lhe em cima uma esfera armilar, que em tempos servira de ornato a um chafariz, e pôs-se-lhe à volta 4 pináculos;

 

16723575980_9d8b8c625c_o.jpg

 

1911, 19 Janeiro - pagamento de 15$660 a Francisco Moreiras, morador na vila, para a colocação e aformoseamento do Pelourinho no Largo Camões; 16 Fevereiro - por promoção do Senhor Administrador do Concelho, foi deliberado mandar concluir a reconstrução do Pelourinho no Largo Camões;

1919 - a vereação eleita neste ano mandou apear o pelourinho aquando do arranjo do Largo Camões;

1920 - apeamento do pelourinho;

1934 - novamente erguido na Praça da República, onde ainda hoje se encontra.

 

37341159711_ea671aa044_o.jpg

38880370944_33d1d740cf_o.jpg

5429361649_841d959dc2_o.jpg

 

Ainda na praça há que lançar um olhar ao seu redor, a Sul a fachada da Igreja Matriz onde podemos demorar um pouco o olhar nos ornamentos das ombreiras e padieira da porta de entrada. A poente o edifício da sociedade também merece ser observado. A Norte o casario habitacional, com destque para a fachada do edifício central, principalmente pelo trabalho de cantaria e carpintaria/marcenaria colocados nos seus vãos. A Nascente a “Casa da Palmeira” a ocupar todo um quarteirão que vai desde a Praça da República, passa pela Rua Direita, Vira prá Travessa das Caldas e termina da Rua de Santa Maria. Um belíssimo edifício que todos esperámos que apanhe a recente onda de reconstrução do nosso Centro Histórico.

 

1600-(36251)

 

Então estamos ainda na Praça da República que agora vamos abandonar para nos dirigirmos até à Ponte Romana, pela Rua Direita abaixo, onde poderemos apreciar algum do nosso casario mais típico, com as nossas populares varandas lançadas para a rua ao nível do 3º piso. Acabada a Rua Direita desaguamos no Largo do Arrabalde onde podemos encontrar uma mistura de arquiteturas, com o tradicional no casario particular, e um misto de português suave e modernista nos edifícios públicos e bancos (Tribunal, e Antigos Bancos Ultramarino e BPSM), onde não falta também a onda mais recente da arquitetura, em b€tão e popularmente conhecida por mamarrachos, e aqui reservo-vos o direito de adivinharem qual é (são) os mamarrachos.

 

1600-(36803)

1600-(36316)

 

Mas entremos na Ponte Roma de Trajano, construída no I Século D.C., quase 2000 anos, parte integrante de uma das principais vias romanas, a Via Augusta XVII, inicialmente construída com 18 ou 19 arcos à vista, dos quais 12 ainda são visíveis, é sem qualquer dúvida o nosso ex-libris, uma das maravilhas flavienses e a nossa Top Model. Para apreciá-la, na basta passar-lhe por cima, há que descer até à margem do rio e apreciá-la nos seus vários ângulos, mas há quatro que são obrigatórios, dois a montante da ponte de ambas as margens e dois a jusante da ponte de ambas as margens, onde a Rainha e senhora é sempre a Ponte Romana, mas a composição é sempre diferente e não sei qual delas a mais interessante.

 

1600-(36812)

11361451675_15fd315afb_o.jpg

8025193795_a9be074c3a_o.jpg

 

Que toma a Ponte Roma e atravessa o rio (Tâmega) para a outra margem vindo do lado da cidade, do outro lado vê-se um velho casario onde se destaca a Igreja de S.João de Deus e do lado oposto um alto arvoredo que termina num gradeamento sobre o rio, trata-se do Jardim Público. Todo o casario que se vê esteve em tempos dentro das muralhas seiscentistas que faziam a defesa da cidade na margem esquerda do Rio. A nossa proposta turística é mesmo adentrar pela Madalena adentro e visitar todos os seus cantinhos, ainda cheios de vida durante o dia, com visita obrigatória a Igreja S. João de Deus e edifício adjacente, Antigo Hospital Militar, Visita demorada ao Jardim Público, apreciar todos os seus cantinhos, coreto e vistas sobre as pontes pedonal metálica e Romana, se a visita for de Verão tem bar aberto ao público para um café, chá ou cerveja, o que preferir, a sobra é garantida. Toda a Madalena se dedica a um tipo de comércio mais rural, no entanto há lá de tudo, incluindo meia dúzia de tascas onde no seu interior ainda há petiscos à moda antiga.

 

15887550155_4a7c861d2d_o.jpg

47373739471_b554751e8d_o.jpg

(50902).jpg

 

E hoje ficamos por aqui, na Madalena, de preferência num dos seus tascos com uma caneca de vinho de lavrador ou se preferir uma cerveja, pão centeio e uma das iguarias que tenham no momento.

   

Consultas:

http://www.monumentos.gov.pt

 

 

17
Out19

Ocasionais


ocasionais

 

“No silêncio da MINHA ALDEIA”

 

 

Ninguém perde por dar amor;

perde quem não sabe recebê-lo”.

-popular-

 

 

Vim à GRANGINHA felicitar uma boa amiga, pela passagem do seu aniversário.

 

É um domingo de meados de um Setembro com temperaturas de um Verão de Agosto.

 

O silêncio que a esta hora perto do almoço estou a desfrutar é uma bênção.

 

Sentei-me à sombra, debaixo da varanda do Tio Quim.

 

Com tanto calor, a brisa fresquinha que corre pela rua acima, e talvez por ter apanhado pelo caminho alguma frescura da água da fonte, junta-se muito bem ao consolo do silêncio.

 

800-granjinha (28).jpg

 

Julgo ver a minha Avó SÃO, ali, na minha «Casa do Pobo», a saricotar para que o almoço fique um regalo para mim.

 

Julgo ouvir o meu primo TÓ, além, na nossa «Casa do Campo», a falar para o burreco e a enxotar as pitas para o pátio.

 

A passarada está calada que nem pio. Somente uma andorinha   -   que surpresa, neste tempo!  -   somente uma andorinha e o seu namorado (modernamente fica feio dizer «par»!...) é  que passaram agora por mim. Têm o ninho no beiral da casa da D. Nídia, lá dentro do pátio.

 

Pelo som macio que me chega do céu por cima do Bunheiro, adivinho a rota de um avião a seguir para muito longe.

 

1600-granjinha (295).jpg

 

Espreito o “Alto do Campo” e vejo-o seco.

 

Há que tempos não me delicio como manto de «merendeiras» que a Primavera estendia por todo ele! Não lhe ouço o cantar de legiões de grilos, nem me dou conta das renhidas competições olímpicas de saltos dos gafanhotos!

 

Há figos nas figueiras: a passarada perdeu-lhes o apetite.

 

A «pipa» já não deixa colher água, nem mata a sede: o fontanário destronou-a. Talvez fosse por isso que os rouxinóis debandaram!

 

Um delicado estalido de folhas secas fez-me olhar para a «sorreira»: lembrei-me que alguma fuinha viesse ali espreitar este visitante «cuja cara não lhe era estranha»!

 

1600-granjinha (341).jpg

 

E recordei as alturas em que as trovoadas de Maio faziam da «sorreira» uma competidora assanhada das “Cataratas do Niagara” e a transformar o adro da CAPELA, e mesmo até a CAPELA, num arremedo famoso de um afamado lago suíço!

 

Aqui, na minha GRANGINHA natal, o barulho e o silêncio eram prendas para o meu sossego e para os meus sonhos.

 

Hoje, o silêncio cobre-me de saudade!

 

Granginha, quinze de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

1600-(61066)-21-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • fjr barreiro

      Parabéns AMIGO Fernando DC Ribeiro por mais este a...

    • Fer.Ribeiro

      Caro Cid Simões, eu é que agradeço as suas visitas...

    • Cid Simões

      Há muitos anos que acompanho o seu trabalho e agra...

    • cid simoes

      Além de lhe desejar muita saúde, convido-o a const...

    • Anónimo

      *Cidade da Niebla*Vá-se lá saber por quê, o Post(a...

    FB