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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

31
Out19

Cidade de Chaves

Santos e Outono - dia 9


1600-Vidago Palace 18 (197)

 

Santos e Outono – dia 9

Primeiro dia da Feira dos Santos

Primeira parte

 

Hoje estamos a prever dois posts sobre a Feira dos Santos. Para já, fica este com imagens de arquivo, apenas uma imagem de outono e uma da feira.

 

1600-santos-15 (473)

 

Claro que da feira tinha mesmo de ser da feira do gado, ou melhor, do concurso do gado, mas tal como disse, é de arquivo, a deste ano, se possível, ficarão aqui lá para o fim do dia. Até lá.

 

 

31
Out19

Crónicas de assim dizer


cabecalho-assim-dizer

 

 

No altar da Santa

 

Estava ali há já algum tempo, não sei quanto, mas tempo demais.

 

Tinha exposto o caso, detalhadamente, enunciado as premissas, contado os factos, passados e presentes, as vantagens e desvantagens, os se sim e os se não. Dei exemplos, pus hipóteses, delineei perspectivas, as prováveis e as possíveis. Fiz de conta, voltei a fazer de conta, contrapus, justifiquei, expliquei os argumentos, os contra-argumentos, o que pesava mais e o que pesava menos. Defini balança, unidades de medida, enumerei critérios e, para que não restassem dúvidas, identifiquei todo o léxico aplicado.

 

Foi então que a Santa me disse, muito baixinho: “Eu não faço milagres!”

 

Nesse momento baixei irrefletidamente os olhos pela gravidade da tristeza, embora ela não tivesse massa e não constituísse matéria, pesava como um fardo! Percebi, e constatei, só aqui, que a Santa tinha os pés muito grandes!

 

Como se tivesse despertado de um coma, reparei que me encontrava de joelhos, aos pés da Santa, e levantei-me num ápice como se, de repente, o padre no confessionário tivesse dado a reunião por terminada!

 

Foi nesse preciso momento que a Santa se ajoelhou aos meus pés e, de novo muito baixinho, era o seu timbre de voz, me suplicou: “Liberta-me desta prisão!”

 

Não percebi logo. Reparei que tinha nos pés, definitivamente grandes, uma corrente que a ligava ao altar.

 

Escutei-a sem dizer absolutamente nada, até ao momento em que percebi que estava ali há muito tempo, não sei quanto, mas tempo demais.

 

Tinha exposto o caso, detalhadamente, enunciado as premissas, contado os factos, passados e presentes, as vantagens e desvantagens, os se sim e os se não. Deu exemplos, pôs hipóteses, delineou as perspectivas, as prováveis e as possíveis. Fez de conta, voltou a fazer de conta, contrapôs, justificou, explicou os argumentos, os contra-argumentos, o que pesava mais e o que pesava menos. Definiu balança, unidades de medida, enumerou critérios e, para que não restassem dúvidas, identificou todo o léxico aplicado.

 

Olhei para ela, desta vez olhos nos olhos, e sorri!

 

 

Cristina Pizarro

 

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