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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

05
Nov19

A vida continua

em chaves


1600-(51012)

 

Os Santos já lá vão, mas a vida continua em Chaves, um bocadinho sem luz pela chuva que nos últimos dias não deixou de cair, mas é tempo dela e há que deixar a natureza fazer o seu trabalho.

 

1600-(51010)

 

Hoje deixo dois registos de outras coisas que acontecem em Chaves, o das obras em alguns edifícios emblemáticos da cidade de Chaves e em boa hora acontecem dando continuidade a esta onde de reconstruir o centro histórico iniciada nestes últimos anos. Registo também com agrado que começa a haver algum bom gosto nos tapumes das obras, tal como acontece na obra desta segunda foto, bem diferente e bem mais agradável de ver do que os tapumes que aparecem em primeiro plano na primeira foto. Pode ser que a moda pegue ou que a tal sejam obrigados…

 

 

05
Nov19

Chaves D´Aurora


1600-chavesdaurora

 

 

  1. FOLIÃO.

 

 

Ao passarem pela Rua do Postigo das Manas, eis que Aurora entreviu Hernando, próximo às escadas de mesmo nome, em companhia de vários gajos e moças, quase todos mascarados.

 

A grande paixão da vida de Aurita lá estava, no Postigo, a dar puxões de mentirinha nos cabelos de uma princesa com a saia esfarrapada, coberta de tiras coloridas, que trazia à cabeça uma coroa de papelão, forrada de papel dourado. A moça abrigava-se do frio com um manto de lã tingida, como se fosse púrpura, a cor preferida dos nobres e reis. O rapaz também estava em trajo carnavalesco, porém difícil de definir o que representava. Bem poderia ser o marujo Simbad ou o Pirata dos Sete Mares. Na verdade, o que parecia ser, mesmo, era um artista de circo tradicional.

 

Ao avistarem a mal camuflada Carochinha, logo reconhecida, como aliás já o fora, durante o longo percurso da caleche, por quase todo mundo, foliões do pequeno bloco de Hernando puseram-se a caçoar e a gritar motejos aos “companheiros” de Adelaide, alguns a abusarem até mesmo de gestos e palavras bem chulas. Aurélia, Arminda e Aurora começaram a chorar, mesmo que fosse a primeira por medo, a segunda por vergonha, enquanto bem diferentes eram as razões da terceira. Quanto à Aldenora, esta ficou bastante indignada, porque também reconhecera o cigano. O mesmo ocorreu com a Qu´ridedé, que ficou séria, de repente, como nunca a viram antes. Quando esta rogou ao Manozé que pusesse os cavalos a trotar, o mais rápido possível, para bem longe dali, aconteceu de Hernando, ao perceber que uma das raparigas ainda olhava fixamente para trás e para si, destacar-se da malta e correr atrás da Carochinha, devolvendo à moça a fixidez do olhar – Reconheceu-me! – pensou ela, e ele – E não há de ser ela?!

 

Atarantada com a deceção das raparigas, Adelaide implorou-lhes que não a fizesse perder a amizade e a consideração de Florinda. Prometeu-lhes, para compensar os insucessos do dia, levá-las na segunda-feira a um baile no teatro, uma diversão bem mais calma e familiar. A falar por si e pelas irmãs, Aldenora comentou que, de qualquer modo, aquilo tudo havia sido uma experiência nova e interessante para todos. Agradecia, porém, o outro convite, por achar que, para esse evento, Mamã se veria constrangida a não dar sua permissão, temerosa das recomendações de Papá.

 

Ainda bem, pois nem Adelaide sabia que a pândega iria correr solta e rasgada nesse baile público. Vissem as meninas Bernardes o que não agradou à própria Dedé, tal como foi relatada por um outro cronista anónimo, do jornal “A Região Flaviense”: (...) “Uma animação que se diria selvagem! Postadas aos camarotes, raparigas sem qualquer brio e até regateiras de má fama, como as irmãs Saldanha, umas conhecidas causadoras de tumulto que, uma vez, agrediram dois sargentos com palavras de baixo calão, apraziam-se em atirar os mais diversos tipos de objecto à cara dos cidadãos da plateia. Sem mais nada à mão, faziam das serpentinas um novelo bem considerável e alvejavam pacatos indivíduos em baixo que, surpreendidos pela violência do choque, voltavam-se para elas e estas, felizes com a façanha, mostravam-lhes a sorrir os dentes”. (O cronista explicava, então, que alguns dentinhos eram bonitos, mas outros pareciam uns meros cacos de dentina, que nem um estereótipo de bruxa ousaria mostrar).

 

Pior mesmo, só o baile em uma casa à Rua do Poço que, segundo um artigo de J. Sotto Maior, no mesmo jornal, era “com entrada a tostão, bastante rasca, onde tresandava a vinho e a pouca-vergonha. O que teve de mais chiste e mais graça foi a Murinheira, dançada no palco por um grupo de indivíduos em trajo selvagem e sertanejo. A única pequena manifestação de espírito deste ano.”

 

 

  1. BAILE DA ELITE.

 

À segunda-feira de carnaval, Flor sabia que, dentre as filhas, apenas Aurora já estava emancipada e, de acordo com a Lei, a única a poder usufruir...

 

(continua na próxima terça-feira)

 

fim-de-post

 

 

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