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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Set25

Chaves de ontem - Rua Direita


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Neste “Chaves de ontem” ficamos com uma imagem das casas dos arcos na Rua Direita. Numa pesquisa rápida pude chegar à conclusão de que é anterior a 1929, isto porque foi neste ano que foram arrematadas as obras “ (…) para construção das fachadas das casas dos demolidos arcos da Rua Direita (… )”, segundo consta nas “Incursões Autárquicas” de Firmino Aires.

 

 

 

29
Set25

Quem conta um ponto...


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748 - Pérolas e Diamantes: Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Aaaaaaaaaaaahhhh!!!

 

Nós. Nós gostamos de. Nós gostamos de cortar a realidade em fatias fininhas, como o fiambre, para a conseguirmos misturar com a mediocridade e fazermos uma tosta mista. Há lá povo mais criativo! Somos muito bons a cozinhar restos, conseguindo confecionar uma refeição ainda melhor. Não nos faltam potencialidades. Apesar disso, gostamos de sentir que existe uma certa ordem no mundo, que há uma certa hierarquia dominante nesta sociedade caótica e desolada. E gostamos de dormir em paz com a nossa consciência. Por favor, não nos tirem a alegria de ver os outros felizes, homens, mulheres, jovens e crianças. Cães, gatos e pintassilgos. E ainda as foquinhas do Zoo da Maia. É verdade que a nossa felicidade implica uma certa hermenêutica complexa. Mas convém lembrar que também somos filhos de Deus. Talvez filhos ilegítimos, mas, mesmo assim, filhos. Claro que também há por aí muito filho da puta, com vossa licença. Mas estão perdoados, esses que tais. A viabilidade do mal é eterna. A do bem, nem por isso. Qualquer tipo de abordagem é uma questão filosófica sensível. Por alguma razão, ainda não suficientemente estudada, somos um povo onde os poetas compõem versos grandes, cantigas, trovas, sonetos, éclogas, canções, odes, sextinas e elegias. Tudo metaforicamente tratado: violência, relações sociais, comerciais e mesmo amorosas. E também a guerra, a doença e a morte. A grande maioria dos nossos poetas reflete a psicologia do nosso povo povinho povo, por isso são sisudos, cismadores pensativos, muito dados às elucubrações. E também à ironia. Povo que gosta de ir fazer curas anuais às termas e aos locais onde se pratica a melhor filosofia do lazer e do maldizer. Este é um país de Torgas, Pessoas, Camões, bajuladores e berradores. A teatralidade faz parte da nossa identidade. Por isso temos a fama de moralistas e filósofos da treta. Muitos de nós aprendemos a respeitar a poesia à base de uns cachaços bem dados. Uma das artes mais bonitas dos portugueses é adquirirem dicionários com que enfeitam uma parte das estantes. Não os consultam (para quê, mas gostam de olhar para as suas lombadas. Mesmo eu faço isso de vez em quando. Elaboro, com vossa licença, uma lista sumária dos meus, apenas porque sim: Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa (2 volumes); Grande Dicionário da Língua Portuguesa (6 volumes); Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (6 volumes); Língua Charra, Regionalismos de Trás-os-Montes e Alto Douro – A. M. Pires Cabral (2 volumes); Dicionário Picaresco e Satírico de Trás-os-Montes e Alto Douro – Armando Ruivo; Calé de Rebordelo – Adamir Dias. Por muito que nos custe somos todos muito pernósticos. Gostamos de mandar a rapaziada caçar gambozinos. De chamar badalhocos e trampolineiros aos adversários, pois somos capazes de ver os agueiros nos olhos dos outros e não enxergar a trave que temos nos nossos. Vá lá, o melhor é não asnear e repetir as orações. Cada um é para o que nasce. E tu nasceste, meu povo povinho povo, para fazeres progredir o pequeno comércio. De tudo. Até das almas. Sempre com as tuas mentirosices inofensivas/defensivas, a abrir a janela para ver passar o tempo. Mas o que sempre consegues é ficar cheio de frio, com os olhares fragmentados a bater de encontro às estátuas. Vá lá, não te quero assaltar com recomendações. Era o que mais faltava. Disso estás tu de barriguinha cheia. Aprendeste essa arte desde os descobrimentos. És uma caravela sempre a reboque. Do vento, das marés e dos outros. Sempre a dares cabo do infinito sem saíres do lugar. Sim, tenho de admitir, isso é sabedoria. Sabedoria que já te vem dos teus egrégios avós. Da sua glória. Sim, gostas de te ajoelhar. De chorar lágrimas sentidas. De peregrinar. De esfolar os joelhos no cumprimento das promessas. Gostas de desenhar tempestades. Desde que te deixem. Eu tu ele e ela nós vós eles e elas sempre encarquilhados debaixo das velas pandas da nossa história. Sempre a viver meses maus, mesmo na primavera, mesmo em Abril. Aquilo do 25 não passou de um bom filme. Agora, para desopilar o fígado, costumamos ir, de braço dado, ver as aldeias divertidas, com os seus cantinhos sossegados, as suas ruazinhas empedradas, o musgo dos muros e comer, nas casas dos nossos antepassados, uns petiscos pitorescos. Amo-te povo povinho povo. O meu amor por ti até pode parecer reinação e ranger, mas é genuíno. Aaaaaaaaaaaahhhh!!! Vá lá, não me mates que sou teu filho. Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Aaaaaaaaaaaahhhh!!!

João Madureira

22
Set25

De regresso à cidade...

Com a procissão da Nossa Senhora das Graças


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Hoje fazemos o regresso à cidade com o dia de ontem, mais precisamente com três imagens da procissão da Nossa Senhora das Graças que, como vem acontecendo, é antecedida por uma missa campal no Jardim Público, este ano com a participação de 50 andores com os padroeiros das freguesias do concelho, bem como das 6 bandas de música, também do concelho de Chaves.

 

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Ficam três momentos, o primeiro ainda na celebração da missa campal no Jardim Público e as outras duas já no decorrer da procissão, uma na Ponte Romana e a última na Rua de Santo António.

 

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O destino final, onde se concentraram todos os andores, bandas de música, entidades religiosas e população, foi como já vem sendo hábito no largo de Camões, com a última cerimónia a acontecer entre a Igreja Matriz e Igreja da Misericórdia.

 

 

 

22
Set25

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747 - Pérolas e Diamantes: Confissões e Delírios (Excerto II)

 

Haiku (transmontano) número oitenta e quatro: A primavera / volta sempre / quando o vento oscila.

O hebreu Moisés estabeleceu em número de 10 os mandamentos, isto após escutar uma voz que lhe vinha de uma sarça ardendo no meio das trevas, no monte Sinai. Mas foi o papa Gregório I, o Grande, quem estabeleceu em sete o número de pecados mortais: Soberba, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria.  O que agora sabemos é que a neuroplasticidade não possibilita ao cérebro humano distinguir mais do que sete informações em simultâneo. O meu pai (adotivo) passou uma parte da sua vida concentrado num cenário pós-religioso e na luta entre o bem e o mal. É aquilo que nos incomoda o que nos leva a pecar. Várias vezes o ouvi a citar o filósofo Pierre Bayle: “A inclinação a fazer o mal não se encontra mais numa alma destituída do conhecimento de Deus do que numa alma que conhece Deus.” Foi ele que separou a fé da moralidade. A nós cabe-nos a tarefa de nos preocuparmos com os males de que somos responsáveis. Deus, a existir, tomará conta do resto. Diz o pai que o que nos leva a ter comportamentos egoístas e antissociais é o excesso de dor social. Provavelmente, o pecado é inato em nós. Agostinho de Hipona confessou em livro que roubou peras, fazendo disso a exegese que distingue um comportamento banal de outro abominável. Eu, também o poderia confessar, mas, por sorte, não roubei peras, fiquei-me pelas maçãs, pelas cerejas e um que outro melão. Já o pai nunca roubou nada, nem sequer uma pedra ao rio. E ele tinha tantas! Eu sigo a percursora ingenuidade de Montaigne, fingindo confessar as suas falhas, pois teve sempre o cuidado de revelar apenas as que eram adoráveis. Ou seja, Montaigne foi o melhor mestre dos políticos atuais, pois pretendia enganar as pessoas dizendo a verdade. Ele demostrou que isso era possível. Defeitos adoráveis, qualidades desprezíveis. O pai diz, e eu concordo, que os romancistas clássicos são, além dos melhores, os maiores produtores de lugares-comuns. Os seus romances estão repletos de enormes descrições e de personagens comoventes e odiosas. E daí não saem. Existem lá pelo meio personagens ilustres e sublimes que são como ferretes na nossa memória. Os melodramas, a eles se devem. Mas como são deles, temos de os aceitar. Por isso, agora são produtos comerciais de largo espectro. Tal como os antibióticos que combatem a doença e logo se transformam num problema para uma nova infeção.

Um padre amigo do pai veio entregar-lhe uma tartaruga e o respetivo aquário, a única coisa que um casal desavindo não conseguiu repartir. Nenhum dos dois quis ficar com o bicho. O pai fez que não entendeu quando o senhor pároco lhe lembrou que ele se tinha voluntariado para ficar com o pacato quelónio. Eu já sei para quem vai sobrar a herança.

Haiku (transmontano) número oitenta e cinco: O pai e o filho / chegaram montados / num cavalo bem arreado.

O pai é feito de silêncios e palavras. De coisas hipnóticas. De demoras constantes. Os seus pensamentos vão e vêm ao ritmo das batidas do mar nas rochas. O espaço existe. E depois volta a existir. O pai tenta esconjurar o silêncio mas cada vez mais desaba dentro dele. Os crepúsculos caem sem anoitecer. Ele parece cego. O pai, por vezes, toca piano como se quisesse falar com alguém que não está presente. A inspiração vem-lhe da dor. O pai parece um desígnio de Deus, é a prova provada da sua insignificância. Da sua inutilidade prática. Coitado do pai. Coitado de Deus. Coitados de nós. “Pai, pai, vem cá. Não adormeças já. Faz-me companhia. Vem cá. Preciso de ti.”

O meu pai (adotivo) não se cansa de contar o caso hilariante de um vizinho seu que se reformou com 45 anos e que se gabava de nunca ter realmente trabalhado. Passava a vida a gabar-se de que enganava todos os dias o patrão. Quando ele o mandava fazer uma coisa, o burlão punha-se a fingir que trabalhava, fazendo tempo até à hora de sair. Ele, o pai, ri-se até às lágrimas. Eu não consigo. Sobe por mim uma raiva que me provoca uma má disposição abrangente e dolorosa.

O pai, depois de ter ido rezar, pôs-se a falar dentro da sua doença de Alzheimer: “São os povos de fronteira, aos quais eu pertenço, aqueles a quem o ímpeto religioso nunca falta. A ameaça do inimigo é sempre uma constante. A devoção dilui-se em lendas e misticismo. ‘O Quinto Império’ proposto pelo Padre António Vieira, e professado por Pessoa, que se dava muito ao ópio e ao absinto, ao vinho e à aguardente, pois o misticismo vive muito dessas dependências, é uma das propostas e das provas mais interessantes e evidentes.”

Fingir é uma arte. É a arte da mentira. O pai nunca conseguiu ser um verdadeiro artista.

João Madureira

17
Set25

De regresso à cidade...


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Só hoje, quarta-feira, é que fazemos o regresso à cidade, não por ser dia de feira, mas calhou, e simultaneamente anunciamos também o regresso às aulas e o regresso a este blog, o nosso regresso, que vamos tentar manter, embora ainda com algumas lacunas e talvez com algumas alterações em relação ao que vinha sendo habitual, logo se verá.

 

Para já, como quem diz para hoje, fica uma “panorâmica” da Madalena.

 

Resto de uma boa semana.

 

 

15
Set25

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746 - Pérolas e Diamantes: Indo eu por... Gargântua & Pantagruel acima

 

E indo eu por esse Gargântua & Pantagruel acima, ou abaixo, pois para o caso tanto monta, à procura de ditos e feitos heroicos, guiado pela fina pluma de Mestre Rabelais, logo me encontro com bons homens, bebedores mui ilustres e até com Diógenes, o filósofo cínico, ainda mais cínico do que eu. Será possível? Vá lá, estou a brincar. E, para mal dos meus pecados, acabo por me perder nos grandes pormenores da defesa das cidades. Ei-los. Uns retiravam dos campos para as fortalezas móveis, o gado, cereais, frutos, vinho, vitualhas e as necessárias munições. Outros fortificavam muralhas, erguiam bastiões, cavavam fossos, reforçavam as barras das ameias, erguiam andaimes, preparavam rampas, fabricavam guaritas, elevavam parapeitos, fechavam seteiras, colocavam sentinelas e faziam sair patrulhas. Uns preparavam as vestimentas guerreiras, enquanto outros preparavam as armas pessoais e máquinas bélicas. Esses eram os de lá de cima. Os de cá de baixo aguçavam chuços, picos, ganchos, alabardas, podoas, forquilhas, clavas, machados. Enquanto uns exercitavam os seus facalhões, outros desenferrujavam os bracamartes. Até as mulheres, por mais virtuosas ou velhas que fossem, mandavam brunir o seu arnês, pois, segundo o narrador, as antigas Coríntias eram corajosas em combate e estas não lhes queriam ficar atrás. Diógenes, também segundo o narrador, vendo aquela azáfama e não estando obrigado, por quem de direito, a fazer fosse o que fosse, limitou-se a contemplar aquela atitude e a ficar calado. Passados alguns dias, o filósofo, vendo que era chegado o momento de fazer algo, ofereceu, a um dos seus velhos companheiros de estudo, os seus livros e apontamentos, escolheu um belo terreiro nos arredores da cidade e aí fez rebolar o tonel de argila que lhe servia de abrigo contra as injúrias do céu e, com grande empenho espiritual, estendeu os braços e fez ao seu abrigo cerca de setenta aplicativos, dois quais destaco sete: o rolar, bajular, acoitar, esmurrar, emporcalhar, lavar e enfeitiçar. Depois transportou-o por montes e vales, como Sísifo fez com a sua pedra, ao ponto do tonel ter ficado muito danificado. Um dos seus amigos perguntou-lhe então o que levava o seu corpo ou o seu espírito a atormentar assim o tonel. Tendo o filósofo respondido que, não lhe estando destinado outro cargo na república, ele enraivecia-se com o seu abrigo para que no meio de um povo tão fervoroso e ativo, não o acusassem de ser por ali o único cidadão indolente e ocioso. Até porque a filosofia, em tempo de guerra, não vale um caracol. Sendo o narrador, o nosso querido e estimado François, um pouco débil, não tendo conseguido ser alistado e colocado na parte ofensiva da defesa de França, pegou no seu tonel diogénico e pôs-se a filosofar. E também se pôs a beber. Ninguém sabe ao certo naquilo que tinha melhor desempenho. Era bebendo que ele deliberava, discursava, resolvia e concluía. Ria e escrevia. Rabelais era um fiel seguidor dos seus génios inspiradores. Énio escrevia enquanto bebia e bebia enquanto escrevia. Ésquilo bebia enquanto compunha. Homero nunca escrevia em jejum. Catão nunca escrevia antes de beber. E não ponho mais nomes no escrito para não parecer enfadonho. No entanto, não me vou daqui embora sem recontar a peripécia de Ptolomeu, que um dia, entre os despojos e os ganhos das suas conquistas, mostrou aos Egípcios, como se estivesse num circo, um camelo de duas bossas todo preto e um escravo pintalgado, de tal forma que uma parte do seu corpo era preta e a outra branca, não segundo a largura do diafragma, mas em sentido perpendicular, coisa até aí nunca vista no Egipto. Esperava ele com aquela surpresa conquistar ainda mais o amor do povo. Mas, ao contrário do esperado, ao serem confrontados com o camelo, eles, os do povo, ficaram assustados e indignados. E ao verem o homem pintalgado, alguns fizeram troça, outros abominaram-no com se a criatura fosse um monstro infame, criado ou por erro da natureza ou por distração divina. A tese é que o vinho e a filosofia apenas servem para chatear as pessoas. Que os filósofos são dementes e que os escritores cómicos apenas servem para fazerem de bobos da corte. Provavelmente isto pode parecer um pouco confuso, mas, se beberem um pouco de um bom vinho tinto do Douro, como eu fiz durante a escrita deste texto, logo lhe encontrarão o sentido. Ou a falta dele. Pois, para o caso, tanto monta. De beber, de beber, de beber eu não posso deixar… hic… se o vinho é que alegra a gente… hic… hic… hic… eu fico contente por me emborrachar… hic… obrigado Rabelais… hic…

João Madureira

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