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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, Pormenor da Rua de Stº António

03.09.07 | Fer.Ribeiro

 

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Há poucos dias atrás fui surpreendido com uma pergunta de um casal de turistas nacionais que andavam por conta própria a descobrir a cidade. Vim a saber que era colega bloguista da “Baixa do Porto”. Perguntavam-me onde ficava o centro (baixa) da cidade. Estávamos na Rua do Correio Velho, e apanhado de surpresa por pergunta tão inesperada, reflecti durante uns segundos, tentei encontrar um centro da cidade e acabei por dizer – É aqui, tudo isto é centro da cidade!. Sim-sim, que isso já tinham percebido, mas o que procuravam mesmo era aquele centro da cidade tradicional, que é tradicional em todas as cidades. Aí comecei a divagar e disse: - Bem, à noite é na zona termal, de dia é……..!?, foi…, talvez!... resposta difícil e acabei por cair na rua de Stº António. Mas sei perfeitamente que não era esse centro da cidade que eles procuravam. Aliás andavam à procura de um centro da cidade que nós não temos.
 
Nos anos 60 e 70, sem qualquer dúvida, ter-lhes-ia indicado o Jardim das Freiras.
 
Desde esse dia que tenho andado à procura de um centro da cidade e, francamente, não o consigo encontrar. Gostaria de dizer que são as Freiras, mas na realidade, já há muito que não o são e já há muito que deixou de ser ponto de encontro e ponto de partida para onde quer que seja. Estou certo que estamos divididos por vários centros, com um pequeníssimo núcleo resistente da velha guarda ainda fiel ao Sport, e depois dispersa-se pela cidade. Um pequeno núcleo no Arrabalde, outro mais pequeno do quiosque do Arrabalde, outro na Madalena, outro no Bacalhau/Carlton. A confusão de centros é tanta, que até aqueles que antigamente dizíamos ficarem em Chaves por causa da última estação do comboio, agora deambulam aos gritos por todas a ruas da cidade. É mesmo coisa de loucos, essa procura!.
 
Mas o fenómeno não morre solteiro, pois também os bairros da cidade já há muito caíram em desuso. Bairros como o Stº Amaro, Bairro Lopes, Bairro Aliança, Casa Azul, Campo da Fonte, Casas dos Montes, Caneiro, Telhado, etc, morreram em espírito desde que as ruas se começaram a traçar na vertical, em corredores e elevadores.
 
A perda desse núcleo histórico de centro da cidade em nada é estranho a uma falta de visão, a interesses imobiliários e ao planeamento da cidade que, sejamos sinceros, nunca existiu, basta olhar para a cidade que vamos tendo.
 
Mesmo assim, vão restando pequenos paraísos. O Centro Histórico (dentro das antigas, hoje imaginárias, muralhas medievais) é um deles. As nossas 7+1 maravilhas votadas neste blog, são outras e depois, vão havendo aqui e ali, um ou outro ponto que vão embelezando os nossos centros da cidade, como o da foto de hoje, que vai resistindo aos interesses agressivos dos senhores do dinheiro.
 
E por hoje já chega, mas ainda não é tudo, por isso…
 
Até amanhã, em Chaves, como sempre!

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