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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Medievais de hoje...em Chaves cidade.

10.09.07 | Fer.Ribeiro

 

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Sinceramente que há coisas que se vão passando na nossa cidade que eu não entendo muito bem.
 
Neste sábado, a meio da tarde, saí de casa com o objectivo perfeitamente marcado de ir tomar uma foto na Rua do Rio. Pensei eu: ”estaciono junto à Câmara, tomo um cafezinho no Quiosque do Castelo (publicidade gratuita), desço pelo Rua Direita e vou aproveitando para tirar mais umas fotos”. Eis que quando estava no meu cafezinho, oiço gaiteiros na Praça Grande (que é como quem diz Praça de Camões). Dou uma espreitadela e vejo cavaleiros e cavalos, muito colorido, malabaristas, bobos e outras coisas mais…afinal o que se passa!? Ah! de repente fez-se luz, afinal era a anunciada feira medieval, só não sabia que era neste fim de semana e que se realizava na Praça (e afinal até nem se realizava na Praça). Claro que lá fui como previsto pela Rua Direita abaixo, ora à frente, ora no meio, ora atrás do desfile medieval, tomei uma dúzia de fotos e, lá fui cumprir o meu objectivo da Rua do Rio.
 
Por pura distracção minha, que até foi anunciada na agenda de eventos, não me lembrei da Feira Medieval. Para flaviense residente, o esquecimento até seria imperdoável, claro, se a feira tivesse tradição. E dou comigo a matutar no assunto!... Engraçado que nunca esqueço e nem preciso que me anunciem as Quartas-Feiras de Feira e a Feira dos Santos, e esta que até foi anunciada, ficou assim esquecida. Por sorte dei por ela!
 
Andei a remoer no assunto e chego à conclusão que é tudo uma questão de tradição e, conclui que, de nada vale inventar feiras e festas quando a tradição delas não existe, mas o mais grave de tudo isto, é que se vão perdendo festas que tinham tradição e, em sua substituição, inventam-se outras que até nos apanham distraídos e a dar connosco a perguntar: O que se passa!?
 
Perdemos definitivamente as verbenas do Jardim Público. Da Srª das Brotas só quase resta a imagem, e resta-nos como tradição e festa a Feira dos Santos, que essa sim, nem precisa de ser anunciada, embora, maltratada como sempre foi e sem poiso certo, mas até isso já é tradição dos Santos e ano após anos lá se vai perguntado: - E este ano onde é que estão as barracas!?
 
Mas o que mais incomoda no meio disto tudo, é a falta de originalidade do nosso pessoal responsável. Tentam-se imitar feiras (que noutras aldeias,  vilas e cidades até resultam), que não vingam e, vamos esquecendo, perdendo o que nos dá nome e de melhor temos para oferecer. Produtos da terra, com nome da terra como por exemplo o presunto de Chaves e todo o seu fumeiro, os pasteis de Chaves, as águas quentes ou frias, gasosas ou não de Chaves, as batatas de Chaves, as castanhas de Chaves, etc…. e quando digo Chaves, não me estou a referir a Chaves cidade, mas a Chaves região que vai para lá do nosso concelho. Entretanto vão-se inventando feiras ou então, tentam-se recriar festas que há muitas dezenas de anos já caíram em desuso.
 
Claro que até para inventar é preciso ter jeito, muito trabalho e persistência. Perguntem ao Padre Fontes como é, que todos os anos com bruxas e mezinhas, faz de uma aldeia barrosã notícia nacional das televisões e jornais.
 
E isto, meus caros, não é política, ou melhor, é a falta dela, de uma política interessada (sim) mas também concertada e isenta para promover a cidade, os seus produtos e a região. Mas quem sabe se o casino que está para abrir portas, não vai fazer de Chaves a cidade da batota onde a acompanhar até podem ser servidos uns nacos do nosso afamado presunto de Chaves fornecido directamente por Feces de Abaxo ou umas águas de Vidago com o rótulo das Pedras.
 
Entretanto, vivam as feiras, sempre vão fazendo as delícias dos fotógrafos onde até se conseguem fotografar uns “bons presuntos” e homens lançadores de fogo, e até cavaleiros vestidos com o rigor medieval onde,  até se realçam elementos desportivos com o rótulo bem visível de conceituadas marcas actuais.
 
Também Chaves poderia muito bem ser uma conceituada marca do nosso mundo turístico actual…
 
…até lá, eu prometo vir por aqui todos os dias, pelo menos com umas fotografias e alguns sentimentos flavienses, os meus, claro!
 
Até amanhã em Chaves, pré-romana, romana, medieval e actual, com uma veiga fértil (até para o betão) e onde até cultura centenária e milenar convive e se abraça com a mais alta tecnologia das estruturas modernas do ferro e do betão.
 
Há dias assim, deve de ser por este verão tardio que nos abafa os dias e nos faz transpirar lamentos…

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