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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, Relíquias, recordações e memória

27.09.07 | Fer.Ribeiro

 

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Não é todos os dias que num centro que é histórico se encontram duas relíquias juntas que também já começam a fazer parte da história. Gostei de as ver juntas e arrancaram-me da memória tempos passados em que estas duas relíquias, de diferentes maneiras, deram longos momentos de prazer a quem as utilizava, mas que os cigarros Kart.
 
A histórica Famel Zündapp, a par da Casal, ambas de fabrico português, fizeram as delícias da estrada em duas rodas nos anos 60, 70 e 80, começando a partir de aí a sua agonia, resultante de várias conjunturas adversas, começando pela também histórica Zündapp que “dava” os motores à Famel e à Casal. A Famel acabou por não resistir e em 2002 dá-se a sua falência, aliás fenómeno que não é estranho a grande maioria das fábricas portuguesas. O mesmo já tinha acontecido com a Zündapp alemã, cujo início da sua história remonta ao ano de 1921, ano em que  lança no Outono a 1ª motocicleta Zündapp, o modelo Z 22 com suspensão dianteira Druid com amortecimento, três canais na admissão 2 tempos, monocilíndrica e pistão com nariz para evitar saída de gases de admissão pelo escape. Nessas condições ela fornecia 2,25 hp. Tinha transmissão traseira de correia de cunhas (pequenos pedaços de correia entrelaçados elo a elo) em um aro com canal em "V" na roda traseira. Freio tipo de bicicleta na roda dianteira travando contra o pneu (Felgenbrense), e freio traseiro contra o aro (Klotzbrense). Não tinha caixa de marchas nem pedal de partida . O tanque tinha 2 reservatórios, um para óleo com 1,5 litros com bomba de lubrificação manual e outro para 6 litros de gasolina. Tinha um consumo (módico) de 40km/l. Enfim, pormenores para quem gosta de motores e mecânica.
 
É de recordar ainda, que até meados dos anos 70 a “motorizada” era um meio de transporte popular e até familiar que não estava ao alcance de todos. De salientar também, que estes “brinquedos” (para quem gosta de velocidades), já em anos 70 e 80 chegavam a ultrapassar os 100km/h.
 
Ainda vão existindo por aí alguns exemplares destas autênticas relíquias às quais só as vespas, lhe fizeram alguma sombra quando estiveram na moda.
 
Modas, relíquias e passado que inevitavelmente provocam em nós sempre alguma saudade, como saudades há também do tempo em que por estes marcos de correio, passavam as cartas com selo “lambido” no tempo em que eram o principal meio de comunicação entre pessoas distantes e não só. Através delas se davam noticias, se participavam casamentos, nascimentos, baptizados e a inevitável morte dos entes queridos. Namorava-se por carta, trocavam-se ideias e poesia (ficaram famosas as cartas trocadas entre Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro – um exemplo) e esperava-se por elas todos os dias, no tempo em que os carteiros ainda eram como os de Pablo Neruda em que faziam parte das vidas da pessoas como mais um familiar ou um amigo.
 
Ao ver a imagem de hoje, deu-me para a saudade de anos passados, mesmo sendo uma imagem ainda real e possível, como possível foi tomar esta foto há dois dias atrás, em pleno Largo do Anjo, em Chaves, Portugal.
 
E por hoje já chega de saudades (coisas da PDI pela certa) que certamente vocês desculparão ou então, recordarão comigo.
 
Até amanhã, de novo na nossa cidade, de Chaves, claro!

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