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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves e o 5 de Outubro

05.10.07 | Fer.Ribeiro

 

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5 de Outubro de 1910, dia da proclamação da República Portuguesa. É esse o dia que hoje se comemora.
 
A cidade de Chaves não pode ficar alheia ao dia de hoje, pois é terra de grandes tradições republicanas tendo dado até alguns dos seus filhos para servir a República em altos cargos nacionais, curiosamente em anos conturbados da República, como é o caso de António Granjo, na 1ª República e ao qual este blog dedica o dia de hoje.
 
António Joaquim Granjo, nasceu em Chaves, em 27 de Dezembro de 1881 e foi assassinado em Lisboa a 19 de Outubro de 1921. Formou-se em direito, na Universidade de Coimbra, em 1907. Nesse mesmo ano fez parte do Comité Revolucionário Académico, naquela cidade, e depois foi organizador do núcleo revolucionário em Chaves. Fez parte do Comité Revolucionário de Trás-os-Montes e das Beiras, desenvolvendo enorme actividade na propaganda republicana. A sua nobreza de carácter e a inteligente sensatez com que definia os ideais políticos que professava, deram-lhe direito a conquistar um invulgar prestígio de Norte a Sul do País, e logo em 1911 lhe proporcionaram a eleição às Constituintes, garantindo-lhe quase ininterruptamente lugar na Câmara dos Deputados, onde soube sempre tratar os diversos problemas com superior elevação, afirmada também enquanto foi director do jornal «A REPÚBLICA». Foi escolhido para diversas importantes comissões de serviço público, nas quais importava pôr à prova excepcionais qualidades de saber e honestidade, que em todas honrou sobremaneira.
 
Foi Presidente da Câmara de Chaves de Fevereiro a Junho de 1919, partindo de seguida para Lisboa onde iria continuar a sua vida política, porém, subordinada ao signo mau, porquanto, quatro vezes ministro, os governos de que fez parte tiveram vida tão efémera que não pôde demonstrar as suas qualidades de organizador: da primeira vez, fez parte de um gabinete presidido pelo Dr. Domingos Pereira, que durou de Maio a Junho de 1919 e no qual ocupava a pasta da Justiça; depois pertenceu ao ministério de Fernandes Costa, que um motim de arruaceiros não consentiu que tomasse posse; de Junho a Novembro de 1920 foi Presidente do Governo e Ministro da Agricultura, e a quarta vez, também Presidente do Ministério, foi assassinado cobardemente à porta do Arsenal da Marinha, para onde fora levado pela célebre Camioneta Fantasma, da Rev. de Outubro de 1921.
 
Durante a Grande Guerra esteve em França servindo no C.E.P., como alferes miliciano, e portando-se com grande bravura, escrevendo depois um curioso livro de impressões que intitulou A GRANDE AVENTURA. Publicou também VITÓRIA DE UMA MOCIDADE, em 1907, e O FOLHETO DO POVO, 1909. Era um notável poeta, como demonstram o livro ÁGUAS e o opúsculo CARTA À RAINHA D.AMÉLIA.
 
Dr. António Granjo dá nome a uma das mais importes Avenidas de Chaves, onde há poucos anos lhe foi erguida a sua estátua. Dá também nome a uma das Escolas Secundárias de Chaves, a Escola Dr. António Granjo, nos Aregos.
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Há outro nome flaviense também ligado à República e que os flavienses costumam deixar esquecido ou,  pura e simplesmente ignorado, no entanto já faz parte da história portuguesa da República. Um nome também ligado a conturbados anos de revolução, neste caso da 3ª República em que, Francisco da Costa Gomes, nascido em Chaves a 30 de Junho de 1914 e falecido em Lisboa a 31 de Julho de 2001, foi um militar e político português, tendo sido o décimo sexto Presidente da República Portuguesa e o segundo após a Revolução de 25 de Abril de 1974.
 
Penso que por politiquices caseiras ou alguma pedra no sapato da “família republicana flaviense”, os flavienses nunca viram ser-lhe feita a devida homenagem pública a um que foi também dos mais ilustres flavienses e nacionais.
 
Da minha parte não poderia terminar sem este lamento e fazer-lhe também aqui a devida homenagem àquele que só ocupou o mais alto cargo da hierarquia militar (Marechal) e que foi apenas Presidente da República, da mesma que hoje se comemora.
 
E amanhã, para esquecer politiquices de cidade, vamos até uma das nossas aldeias onde toda a política se resume a um homem da sua confiança e que também pertence aos ilustres homens (quase sempre anónimos) da República Democrática Portuguesa – O Presidente da Junta.
 
Um bom feriado para todos e Viva a República!

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