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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves e a realidade das aldeias de montanha

14.10.07 | Fer.Ribeiro

 

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Sobre Sobreira ou Assobreira pouco mais tenho a dizer além daquilo que já foi dito num post anterior dedicado à aldeia, agora sobre as aldeias como Sobreira, há sempre que dizer, nem que seja um lamento sobre a realidade das aldeias de montanha, como é o caso.
 
É curiosa a realidade das aldeias. Antigamente, não há muitos anos, estas aldeias não tinham água canalizada, nem saneamento, nem electricidade, nem telefones, nem ruas e caminhos pavimentados e sem meios de transporte regulares para se poderem deslocar à cidade, que era o local mais próximo onde poderiam encontrar algum apoio à saúde e, claro, algumas provisões para o dia a dia que a terra não dava. Era no tempo em que as aldeias tratavam dos seus campos, tinham recos na corte, galinhas e outras aves no galinheiro, e na horta havia de toda a hortaliça, conforme a época do ano. As aldeias estavam então cheias de gente, com muitas crianças e gente jovem e os velhos eram acarinhados até ao fim dos seus dias no ceio familiar, geralmente com as filhas. Era no tempo em que as aldeias, embora pobres e subsistido, transpiravam alegria e vida, e os Domingos eram sempre dia de festa.
 
Claro que com a informação e alguma formação aliada a dias difíceis, um-a-um, os das aldeias, foram partindo à procura de melhores condições, principalmente para o estrangeiro, onde o trabalho rendia dinheiro. Paralelamente, por cá, após o 25 de Abril, as aldeias com argumentos mais que válidos, começaram também a reivindicar água canalizada, electricidade, estradas pavimentadas, transportes e por aí fora. Aos poucos foi-se infra-estruturando as aldeias com as necessidades básicas, até chegarmos aos dias de hoje, em que já não há aldeias sem electricidade, sem água canalizada, sem estradas pavimentadas… ou seja, vão tendo de tudo que é essencial.
 
Voltamos à curiosa realidade das aldeias. Agora que têm de tudo que é essencial, não têm gente, as crianças desapareceram das ruas e das casas, as escolas fecharam, os campos não são cultivados, as cortes não têm recos, os galinheiros não têm galinhas e a maioria das casas não têm pessoas e os alegres Domingos festivos, são iguais a todos os dias, ou seja tristes e desertos, e os velhos, muito poucos, os últimos resistentes, lá vão resistindo amparando-se uns aos outros.
 
Contradições ou realidades, a mesma que sempre fez de Portugal um triste fado e, mais não digo, que a partir daqui tinha que entrar no campo da revolta e até de raiva da política, daquela que se faz na capital, em que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, da política onde todos andam desfasados do tempo e da realidades e identidades de um povo. Começo finalmente a entender quem é geração rasca e onde ela está.
 
Até amanhã, de regresso à cidade de Chaves, a caminhar para mais uma aldeia de Portugal.

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