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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, nº 71 da Rua Direita - Portugal

22.10.07 | Fer.Ribeiro

 

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Ao jeito do companheiro de viagem do blog cancelas, durante as próximas semanas, também vou trazer aqui (alternadamente) as nossas cancelas urbanas de Chaves e que dão pelo nome de portões.
 
Pois tal como algumas espécies animais da região estão em vias de extinção, também estes exemplares de portões parecem sofrer dos males do progresso e da modernidade, pois, penso não me enganar, exemplares destes contam-se pelos dedos das mãos.
 
Claro que estes pequenos portões já não têm a utilidade para a qual foram criados, mas, para além de marcarem uma época de portas abertas e portões fechados,  continuam a embelezar as entradas das casas do centro histórico, onde existem, claro!. São autênticos exemplares de arte, da arte de trabalhar o ferro, da arte do ferreiro e da serralharia que se tem vindo a perder com a introdução de novos materiais na construção.
 
Lembro-me de há poucos anos atrás se ter levantado uma pequena polémica quanto a autorização para retirar os gradeamentos do antigo Banco Nacional Ultramarino, que acabaram por ser retirados, por não ser considerado o interesse da sua preservação (assim o ditou o IPAR). Já várias vezes falei aqui da actuação do IPAR e da Câmara Municipal sobre o assunto da preservação e, quanto às vezes se complica o que não é complicado e se “descomplica” aquilo que se deveria complicar. Penso mesmo que o ferro e as obras de arte em ferro que existem na cidade, não têm qualquer valor nas considerações das entidades. Ferro é ferro e “prontos” até enferruja! E é a enferrujar que se vão perdendo alguns pormenores de verdadeira arte. Veja-se o pormenor da cobertura e da escadaria de entrada da antiga pensão comércio, que pouco falta para cair por sí de tanto estar comida pela ferrugem.
 
Mas nestas coisas do ferro às vezes há contradições. Todos sabemos que a Ponte Romana vai entrar em obras de restauro, revitalização ou uma coisa do género. Vai ser levantado o pavimento actual, para substituir por lajes em pedra e pouco mais. Todos sabemos que o gradeamento da ponte (note-se que nada tenho contra ele) tem apenas, pouco mais que 100 anos. Há dias levantei em conversa (com alguém envolvido no assunto) a hipótese de se retomarem as antigas guardas em pedra (anteriores ao gradeamento em ferro) e foi-me respondido que, não havia qualquer interesse. São coisas destas que me deixam confuso quanto aos interesses que os entendidos vêem  nas coisas. Tomemos como exemplo dois troços de muralha,  a do baluarte do cavaleiro em que houve todo o interesse em retirar as pequenas construções a ela adossadas (tal como nos anos 60 houve interesse em retirar as construções adossadas ao Forte de S. Francisco) e nos anos 80 se permitiram as maiores barbaridades ao construírem-se mamarrachos em cima das muralhas do antigo mercado. Penso que o IPAR já então existia (ou outra entidade que o substituía), a única coisa que tem mudado são as políticas, ou seja, posso partir do princípio e concluir que as entidades responsáveis pela preservação do nosso património andam ao sabor do vento das políticas e dos políticos e a ser assim, então não fazem falta nenhuma. É o sistema! Dirão alguns. Como eu não percebo nada do assunto, o melhor mesmo é ficar por aqui e entretanto, vou trazendo por aqui algumas coisas que podem não ter interesse para ninguém, mas sobre o qual caiu o meu olhar, romântico, dirão alguns. Pois que seja! Talvez seja por falta de algum romantismo que as coisas vão como vão.
 
Até amanhã, em Chaves.

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