Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Lagarelhos - Chaves - Portugal

28.10.07 | Fer.Ribeiro

 

.

 

E porque hoje é Domingo, vamos até mais uma aldeia – Lagarelhos.
 
Na nova versão, com mais fotografias (as possíveis) e também uma pequena abordagem da aldeia em palavras, também as possíveis.
 
Lagarelhos dista 10 quilómetros de Chaves, situa-se em plena Serra do Brunheiro, implantada ao longo da E.N.314, pertence à freguesia de S.Pedro de Agostém.
.
 
É mais uma das aldeias de montanha e como tal segue as características das actuais aldeias de montanha, ou seja, pouca população e envelhecida, tal como o casario, embora recentemente se tivesse procedido à reconstrução de meia dúzia de construções (mesmo e apenas isso).
.
.
 
Embora aldeia de montanha, é também aldeia com estrada e disposta ao longo da estrada, por isso, está habituada a ver passar e a ser vista de passagem e quase apenas isso, porque os olhares até se perdem mais facilmente para o lado oposto da aldeia, para o encontro e profundidade das montanhas que vão descendo até Loivos. Em tempos ainda conseguiu ser ponto de paragem quando na aldeia existia um café junto à estrada. Nas minhas viagens por aquelas bandas, fazia lá sempre uma paragem para um cafezinho, mas isso já foi há mais de 15 anos, agora, só mesmo o trânsito da passagem na EN 314, e não é pouco, pois esta estrada serve quase todas as aldeias do Brunheiro, além de ser uma das ligações ao concelho de Valpaços e a Carrazedo de Montenegro.
.
.
 
É pena que Lagarelhos seja vista de passagem, pois embora seja uma pequena aldeia, oferece-nos um pouco do casario tradicional e soluções construtivas interessantes, como janelas de pedra ou simplesmente abertas para o mundo transmontano. Uma pequena capela, bonitinha, compõe o pequeno núcleo. Se passar por lá. Não esqueça e faça uma pequena entrada no núcleo da aldeia. Se não encontrar ninguém com quem conversar, bastam 5 minutos de visita para ser tudo visto, mas vale a pena.
.
.
 
Quanto às poucas gentes que habitam a aldeia, vão-se dedicando à agricultura. Batata, coisas da horta, alguns castanheiros, alguma vinha e as tradicionais macieiras e uma ou outra árvore de fruto perto de casa. Além desta gente, alguns emigrantes (poucos, aliás tudo nesta aldeia, porque é pequena, é pouco) e dois professores, que embora não sejam flavienses, vieram de malas aviadas para Chaves e resolveram comprar uma casa em ruínas para recuperar e aí fazerem o seu lar. Aliás não é caso único nas nossas aldeias e penso que com o tempo cada vez vai ser mais frequente, ou seja, os filhos da terra abandonam as aldeias para construírem e fazerem a sua vida nas cidades. Os das cidades, procuram recantos sossegados comos estes para aí terem uma vida calma e pacata, nem que seja só ao fim de semana. Não deixa de ser uma solução interessante para as nossas aldeias, embora (claro)  percam a genuinidade e tradição das famílias locais e dos apelidos ligados às aldeias, como os Cabeleiras de Castelões, os Chaves de Águas Frias e Casas ou os Brancos de Vila Verde da Raia, só para dar alguns exemplos.
Quanto a Lagarelhos, ao que dizem os entendidos, tira o seu nome dos pequenos lagares, cavados em blocos de granito referindo os arqueólogos que são monumentos pré históricos, característicos de campos sagrados. Até poderá ser que sim, mas hoje em dia, os lagares que por lá existem (poucos) são para vinho (ou eram).
.
.
Até amanhã, de regresso à cidade de Chaves.
.