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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Seara Velha - Chaves - Portugal

03.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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Aos poucos vou cumprindo a promessa de trazer aqui todas as aldeias do concelho de Chaves.
 
Hoje pela primeira vez temos aqui a aldeia e freguesia de Seara Velha.
 
Seara Velha fica a 12 quilómetros de Chaves e tem também 12 Km2 de área, é a única aldeia da freguesia, e que dá também nome à freguesia, faz fronteira com as freguesias de Calvão, Soutelo e Redondelo, do concelho de Chaves e com a freguesia de Ardãos do concelho de Boticas e a poucas centenas de metros do concelho de Montalegre. Situa-se portanto entre os dois barrosos, o de Boticas e o de Montalegre (porque ambos reclamam a genuinidade do barroso). Assim sendo, não será estranho que Seara Velha tenha também algumas características barrosãs, como nos frios de Inverno ou até no forno comunitário.
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Quanto a população, segundo os Censos 2001, a freguesia tem 187 residentes, dos quais metades são do sexo masculino, 78 famílias e 147 alojamentos. Pelos números facilmente se poderá concluir que a população está envelhecida, mas nem tanto como em muitas aldeias de montanha. Segundo informações recolhidas a escola primária fechou há dois anos, mas mesmo assim ainda há 10 crianças em idade escolar do ensino primário, que se deslocam diariamente para Soutelo. Claro que estes números têm significado durante 11 meses do ano, pois em Agosto (segundo informações dos residentes) a população duplica. Ou seja, tal como todas as nossas aldeias, há muita gentinha lá fora a lutar pela vida, e não admira, pois embora Seara Velha tenha uma pequena veiga que me parece fértil, pouco mais tem para além da sua agricultura de subsistência, com castanha e vinho, tem como produções mais abundantes a batata, centeio, hortaliças e também a criação de algum gado (pouco).
 
Fora os emigrados e os envelhecidos da agricultura, há-os que têm trabalho na cidade.
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Como terra que já tem ares de barroso, um Padre barrosão vem a calhar. António Diogo Martins é pároco da Freguesia, natural de Montalegre e bem conhecido no concelho, não só por ser também o pároco de Castelões e Calvão, mas também por durante muitos anos ter sido o Capelão do Regimento de Infantaria de Chaves.
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Falados que estamos (o essencial) quanto às suas gentes e às suas vidas, vamos para a aldeia em si. E aqui vamos mais devagar, pois esta não é uma qualquer aldeia, pois tem muita história e muita coisa digna de estudo, além de um núcleo de casario interessante, que este sim é um dos poucos do concelho que tem núcleo qualificado e a preservar defendido no Plano Director Municipal.  E aqui, ainda antes de entrar na história, há um pequeno apontamento a fazer, pois tal qual me dizia uma das habitantes da aldeia “ a aldeia até tem coisas romanas e aqui até os projectos das casas são mais caros que nas outras aldeias” – e é uma realidade. Pois o PDM obriga a que os projectos do núcleo sejam de autoria de um Arquitecto, o que obriga logo à partida, a intervenção em projecto de pelo menos dois técnicos ( O arquitecto e o engenheiro) e, claro que os honorários quase duplicam em relação a um projecto normal de uma outra aldeia qualquer. Ou seja, e é este o meu apontamento, os que são obrigarmos a preservar e a cuidar do património arquitectónico tradicional, são castigados por isso, pois não só o projecto é mais caro, como também as soluções construtivas e materiais o são. Ou seja, em vez de haver um incentivo a preservação e reconstrução do património (que é de todos), há um incentivo ao deixa cair e às ruínas (que também já abundam na aldeia), e depois há a considerar a realidade das aldeias, com população envelhecida e onde o dinheiro não abunda para grandes luxos.
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Mas vamos então à história da freguesia que é aldeia, alguma visível ao olhar do comum visitante, e outra que consta nos livros e estudos dos entendidos na matéria.
A povoação possui relíquias proto históricas e da romanização tais como o Castro de Cunhas, as Muradelhas e a vila romana de Susana. Diz quem sabe, que muito perto da aldeia passava a via militar de Braga a Chaves (Via Augusta XVII – suponho). Aos meus olhos de leigo, pareceu-me ver no suporte de uma construção em ruínas e na entrada de uma habitação (a servir de assento) pedras com talha romana (repito que foram vistas pelos olhos de um leigo). Agora daquilo que não tenho dúvidas é que Seara Velha é terra de Santiago e aqui existem vários motivos para uma visita cuidada à povoação.
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Não é por mero acaso que o Orago de Seara Velha é Santiago. Sem qualquer dúvida que Seara Velha fez parte de vários roteiros do caminho e das peregrinações a Santiago de Compostela. A igreja é uma prova disso mesmo, pois  é da devoção a Santiago e apresenta, na vetusta fachada, uma escultura em granito representando Santiago cavalgando o seu cavalo. (o Santo a sair da Igreja, não esqueci de ver, tal como me foi recomendado). Esta referência especial, do cavalo de Santiago na frontaria com a figura do Apóstolo, tudo em granito. Diz a literatura existente que a figura de Santiago caiu ao ser colocada no lugar, matando o artista (popular) que esculpira o conjunto. Não sei se virá desse tempo, o facto é que a figura está partida e posteriormente (penso que recentemente) foi reconstruída. É notória a diferença de idades no trabalho da pedra utilizada na figura. Uma das senhoras residentes que me assessorou a visita, disse-me que foi um raio eléctrico (faísca) que partiu a figura e que depois foi reconstruída. Não o sei. Sei que a figura é um rico exemplar a ser apreciado, a par de outras duas figuras também salientes das fachadas da igreja, mas menos notórias.
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Quanto a caminhos de Santiago, pelo menos apurei três que tinham por Seara Velha a sua passagem. Um com partida do Pinhão, outro de Mirandela e outro de Ribeira de Pena.
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E para terminar, embora à margem Seara Velha, mas porque tem também a ver com Seara Velha, deixo aqui um desenho da artista flaviense (embora nascida no Porto) -  Lurdes Elias e também um link para o seu blog http://lurdeselias.blogs.sapo.pt/, que a partir de hoje também passará a ter link neste blog na secção dos artistas flavienses.
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E por hoje é tudo e quanto a Seara Vela, pela certa que este blog passará por lá outra vez, pois muita coisa ficou ainda por mostrar.

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