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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

France - Chaves - Portugal

04.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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France – Portugal.
 
Para os flavienses France é sobejamente conhecida, nem que seja pelo nome. Para os não flavienses convém realçar que este France é Português, uma aldeia situada na Serra do Brunheiro, que pertence à Freguesia de Moreiras e concelho de Chaves.
 
Não sei se verdade ou não, o certo é que se constava e se ouvia dizer que, nos anos 60, quando grande parte da juventude da nossa população rural do interior norte atravessava clandestinamente a fronteira para fugir (é este o termo) para países mais desenvolvidos da Europa, principalmente para a França. Havia na altura pessoal que se dedicava ao negócio de passar pessoas clandestinamente para o outro lado da fronteira. Eram os denominados “passadores”, que transportavam camuflados em carrinhas, geralmente de noite, grupos de pessoal das mais variadas localidades. Pois contava-se que passadores com menos escrúpulos (ou vigaristas, se assim preferirem), depois de andarem durante dois ou três dias com o pessoal nas tais carrinhas, os depositavam à entrada da aldeia de France, junto à placa e, lhes diziam que estavam em França e por ali ficavam até ao nascer do dia, quando se começavam a aperceber que naquela França se falava português.
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Tal como disse no início, não sei se estas histórias são verdadeiras ou não, o facto é que em miúdo, nas altura das passagens clandestinas e dos passadores, as ouvia contar.
 
Mas vamos então até France, mais uma pequena aldeia de montanha que cresceu ao longo da E.N.314. Fica a 15 quilómetros de Chaves e embora com as características das aldeias de montanha, não tem sofrido tanto como as mais interiores ou mais distantes da estrada. Muito também graças às sua localização estratégica e de ponto de passagem para a muitas das aldeias e freguesias de montanha que fez com que alguns filhos emigrados construíssem ai as suas casas ou montassem o seu negócio, como é o caso de umas “bombas de gasolina”, com loja de conveniência e café (de paragem obrigatória).
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De entre o casario tradicional existente, não muito que a aldeia é pequena, recuperaram-se algumas casas e uma delas para Turismo Rural, a Casa de France, da qual só conheço a entrada e o sítio na NET, mas suponho que será um bom lugar para repor forças e esquecer as semanas agitadas das grandes cidades, com muito ar puro e muita montanha.
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Dizem os entendidos que France, é um topónimo de origem francesa. Era um apelido muito comum de nobres franceses, muitos dos quais acompanharam D. Henrique de Borgonha, quando casou com D. Teresa, se espalharam por toda a região, conquistando terras aos mouros. Muitos desses nobres cavaleiros deixaram os seus nomes ou apelidos ligados às terras que valorosamente haviam conquistado. A marcar os sinais de cristianização possui a cruz do Senhor dos Milagres, um cruzeiro e uma capela barroca do Divino Espírito Santo. A romaria realiza se, anualmente, no dia de Pentecostes.
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Na aldeia existe ainda um imponente chafariz, datado de 1880, que é um dos maiores do concelho, senão o maior e cuja foto não vos trago aqui porque não me foi possível fotografá-lo, pois de todas as minhas deslocações a France (para fotografar) o chafariz insistiu em ter “guarda de honra” mesmo plantado à sua frente, ou como diz o Beto, um electrodoméstico de quatro rodas.
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E sobre France pouco mais há a dizer, talvez uma pequena referência à agricultura, pois é terra de boa batata (sou testemunha disso mesmo pois as últimas batatas cá da casa são precisamente de lá e são das que sorriem), terra de castanha e centeio, mas já não é a agricultura a principal actividade da aldeia, pois tanto quanto sei, a grande parte do pessoal activo da aldeia (que é pouco) trabalha na cidade.
E por hoje é tudo e é com France que descemos a 314 e regressamos de novo à cidade, de Chaves, como sempre.
Até amanhã!

 

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