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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, Trás-os-Montes, Portugal... coisas poucas!

05.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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Como não sou ingrato, agradeço ao SAPO mais um destaque deste blog e, claro, o continuar a permitir que este blog exista, como o seu alojamento.
 
Mas flaviense que é flaviense e transmontano, não agradece só com palavras, pois quando toca a agradecimentos agradecemos dando aquilo que melhor temos.
 
Pois pensei e repensei como havia de agradecer, mas nestas coisas não há que pensar muito, é mesmo agarrar naquilo que temos de melhor e dá-lo.
 
As nossas mulheres são as mais bonitas do mundo, mas não há nenhuma que chegue aos calcanhares da nossa Top Model. Velhinha, é certo, mas de cima dos seus dois mil anos ainda continua a fazer inveja a qualquer teen-ager e, não há fotógrafo ou turista que não se renda ao seu encanto. Top Model, Ex-libris cá da terrinha, beijada pelo Tâmega e passeada por quem a quer passear, é sem dúvida uma das nossas maravilhas, a maior, da qual qualquer flaviense se orgulha. Há quem lhe chame Ponte Romana ou Ponte de Trajano, e tudo bem, pois por ser Top Model, não deixa de ter nome. Pois esta é a minha primeira oferta em termos de agradecimento. Uma imagem nocturna, e não é para esconder as suas rugas, porque não as tem, mas porque à noite ela tem mais brilho.
 
E embora a vista também coma, no que toca a comer, nem há como comer mesmo e os flavienses gostam de agradecer com uma boa mesa. Mas neste aspecto Chaves está mal servida e, tudo que temos para oferecer são dietas rigorosas. Couves, grelos, nabiças, batatas, nabos, beterrabas, vagens, ervilhas e ervilhotos. Muito verde que as hortas e a veiga de Chaves vai dando. Mas está claro que não somos vegetarianos e vai daí que se lhes vai acrescentando umas coisas para acompanhar, umas linguiças, uns salpicões, umas costelinhas, umas alheiras, um pouco de vitela (para desenjoar) umas orelhas e pés de porco, ou tudo junto num cozido. Para quebrar o verde da hortaliça, ou então, uns milhos com tudo a monte.
 
Com a modernidade (uma boa desculpa para muitos males) por cá foi-se perdendo a tradição do mata-bicho, que era bem saudável e dava faces rosadas e aquecia (principalmente a aguardente), mas cá pela terrinha ainda se vão fazendo as refeições habituais. Claro que tal como as refeições principais, vamos ficando pelo que a terra produz ou se produz na terra. Assim, logo pela manhã nem há como um pastel de Chaves, quentinho e estaladiço, acompanhado por um copo de vinho branco e "Voilá", embora pouco, chega para a manhã. Há quem os coma e acompanhe também com um café, uma meia-de-leite ou um refrigerante (coisas que fazem mal, está-se mesmo a ver), mas gostos são gostos e o que interessa mesmo é um pastel, ou dois.
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Ao almoço uma coisa ligeira cai bem. Umas couvinhas e umas batatas da montanha, acompanhadas por um cozido, ou então, acompanhadas por uns milhos. Há quem prefira couves misturadas com grabanço (grão de bico) e umas carnes a acompanhar – Chamam-lhe rancho. Há outros que preferem grelos ou nabiças e batata assada, salada de alface, com uns nacos ou postas de vitela ou então com um cordeirinho ou cabrito (tanto faz). Claro que se vai insistindo com as carnes a acompanhar para tirar delas os nutrientes e calorias que as verduras não têm. Somos transmontanos mas sabemos dosear bem as coisas.
 
A seguir ao almoço deveria vir o lanche. Pois em Chaves não se lancha. Mas em sua substituição come-se uma merenda ou uma bucha. Claro que também aqui se dá preferência às coisas da terra, como umas azeitonas, uns pimentos do vinagre, umas cebolas com sal e um pão centeio. Claro que para desenjoar come-se um bocadinho de presunto de Chaves… (que também pode ser de Montalegre ou de Boticas) ou linguiça e salpicão cru às rodelas. Sempre coisa pouca porque logo a seguir vem o Jantar.
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Ao jantar lá vêm outra vez as couves, as batatas, as vagens, cenoura e por aí fora, tudo misturado numa boa sopa de hortaliça. Mas claro que não se vive só de sopa e depois de um dia de trabalho há que repor forças. Uns grelos, umas batatas cozidas, umas alheiras ou costelinhas grelhadas, com um pouco de linguiça grelhada para dar cor, ou então umas batatinhas cozidas, com umas rodelas de cebola e um peixinho cai sempre bem. Pode ser bacalhau, assado na brasa mas regado com muito azeite e uns grelos cozidos.
 
Para todos os pratos, a bebida pode ser vinho de Anelhe, Souto Velho, Vilarinho das Paranheiras, Soutelo, do Castelo … ou até da Adega Cooperativa, um Encosta do Brunheiro, 13º, deve chegar para combater as gorduras…
 
Claro que para a assossega da noite há quem beba um copinho de água da fonte das digestões difíceis, um seja um copinho de água quente das caldas, mas convém deixar arrefecer um bocadinho, pois os 73º C ingeridos à primeira pela certa não deixarão língua para saborear as couves do dia seguinte.
 
Claro que a modernidade dá-nos destas coisas de podermos oferecer assim as nossas couves, grelos, batatas e por aí fora, tudo à distância de um click, mas a mim pessoalmente parece tudo virtual, é assim como o beijo que um poeta escreve numa página em branco, pode estar lá com todo o sentimento e amor do mundo, pois pode, pode escrever o seu nome, mas, falta-lhe sempre o gosto.
 
Eu hoje também vos deixo aqui algumas imagens, e sou testemunha que estava tudo bom, mas claro que aqui virtualmente falta-lhe o gosto. Nem há como vir ate cá para os poder saborear pessoalmente.
 
Entretanto, amanhã cá estou com mais imagens das coisas que temos por cá, em Chaves, claro.
 
Até amanhã.

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