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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Nantes - Chaves - Portugal

17.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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Hoje vamos até Nantes.
 
Nantes é uma aldeia da freguesia de Vilar de Nantes e fica a apenas 4 quilómetros de Chaves, ou seja, mais que uma aldeia é um bairro da cidade de Chaves, aparentemente, apenas isso, pois embora seja uma aldeia urbana, mantém ainda toda a sua ruralidade, principalmente nos que são naturais da aldeia, pois quanto aos novos inquilinos, que nesta aldeia resolveram levantar o seu lar, aí a realidade já é outra, e Nantes apenas lhes serve de dormitório.
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Quis o destino que também eu fizesse desta aldeia o meu dormitório e por ela assentasse arraiais, mas o meu caso até diferente, pois além de vizinho de nascença desta aldeia, há laços de família ligados a Nantes, que sempre é uma referência quando se habitam meios rurais, por muito urbanos que sejam.
 
Mas vamos a Nantes, aldeia.
 
Nantes, situada nas faldas da Serra do Brunheiro foi também terra de belas casas senhoriais rurais, uma ainda se vai mantendo conservada e habitada enquanto a outra, está num lastimoso estado de ruínas e já desenquadrada da sua envolvente original, pois novas construções assombram a sua beleza original, mas, mesmo assim mantém a sua beleza e está piedosamente a pedir um restauro e reabilitação, ainda para mais quando a sua entrada está virada para o largo principal da aldeia.
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No ano de1668 foi erigido em Nantes, pelas qualidades saudáveis do seu clima e já fora das humidades da veiga, o Hospício de Convalescença dos frades do Convento de S. Francisco de Chaves, com uma capela consagrada à Senhora do Socorro, um artístico fontanário (em foto anexa) enquadrado entre belos ornatos e uma fonte de mergulho, muito interessante também.
 
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A capelinha da aldeia é da devoção a Santa Ana, que dá nome ao largo e que se festeja, cada ano, no último domingo de Julho.
 
A aldeia desenvolve-se ao longo da sua rua principal e dentro da minha análise pode mesmo ser dividida em Nantes de Cima e Nantes de Baixo. Embora em Nantes de baixo seja o núcleo nobre da aldeia, com as tais casas senhoriais, as quintas importantes e seja aí o centro de Nantes, com a capela, a escola com alunos e até um jardim de infância, sinal que esta aldeia não sofre de desertificação (pese as casas tradicionais abandonadas), além do largo da festa (largo de Santa Ana) a parte superior da aldeia, a que começa a entrar Brunheiro dentro, é para mim a mais interessante e a aldeia rural de Nantes. Aí possui um interessante cruzeiro que há muitos anos deixou de o ser, pois deixou de estar no cruzamento dos caminhos e foi deslocado para o cimo de uma rocha. Perdeu a sua função de cruzeiro (dizem porque incomodava a circulação no cruzamento) e foi encostado. Perdeu a visibilidade mas mantém todas as características de cruzeiro e encontra-se em bom estado de conservação.
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Embora a aldeia se desenvolva ao longo da sua rua principal, por sinal de inclinação bem acentuada a entrar Brunheiro dentro, a aldeia rural entrava e entra pela veiga adentro. Pois era e ainda é aí que os agricultores (já poucos) de Nantes têm as suas terras férteis e davam o sustento para as famílias numerosas. Mas hoje a realidade é bem diferente e nas suas terras foi até erguida uma cooperativa de habitação com mais de duzentas famílias quase todas elas ligadas laboralmente à cidade e novos bairros habitacionais. É assim uma aldeia dormitório da cidade por excelência mas onde o núcleo antigo de Nantes se mantém ainda quase intacto. Falta a Taberna do tio Chico, que deixou saudades aos clientes habituais e aos “putos dos rebuçados”, mas ainda se mantêm as tertúlias à porta da Taberna, mesmo que esteja fechada.
 
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Aldeia de bons ares, prova está no antigo hospício e também nas duas “raparigas” que hoje deixo aqui em imagem, a Celeste Ramos (Tia Lete) com 94 anos de idade e a Saudade Lavouras (Tia Saudade) com 98 anos, esta com muitas,fascinantes e também difíceis  histórias de vida para contar (mas que não conta) dos velhos tempos do antigo regime e que “morre de medo” que nos seus 100 anos próximos a SIC venha por aí acima para lembrar a data em imagem. Pois estas duas jovens, a Tia Lete e a Tia Saudade são as minhas relíquias de hoje e também as relíquias desta aldeia de Nantes, que demonstram bem que Nantes é terra de bons ares.
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E por hoje é tudo, com mais imagem do que texto, mas para que mal gastar as palavras quando a imagem vale tudo.
 
Amanhã cá estarei de novo com uma nova aldeia do nosso concelho.
 
Até amanhã!

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