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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O lamento das Sextas

23.11.07 | Fer.Ribeiro

 

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E como hoje é Sexta-Feira, é dia de lamentos.
 
Ontem tive que me deslocar com um familiar ao Hospital de Vila Real. Consulta marcada para as 9 horas mas o papel dizia para se estar lá uma hora antes, 8 horas portanto. Claro que nas nossas vidas actuais cada vez nos deitamos mais tarde, e acordar cedo, é uma autêntica tortura, mas o que tem de ser, tem de ser, e lá vamos acordando, mas indispostos, é claro! Como não gosto de falar quando estou indisposto, pelo caminho, fui pensando na vida e no Hospital. Afinal tanto lutamos pelo nosso Hospital para nada ou quase nada. É claro que lá vamos mantendo as urgências (desde que não sejam para casos graves) e mais umas valências (desde que não sejam para casos graves – está repetido, eu sei) e ficamos com o edifício (um belo edifício por sinal) e a Custódia para as limpezas. Para uma consulta de especialidade (mais complicada) ou os tais casos mais graves, lá temos que ir até Vila Real! …enfim, a bem ou a mal as politicas de concentração lá se vão aplicando, e fico por aqui, que isto é caso para outro lamento, pois só lamento mesmo é ter de ir até Vila Real, não pela vila em si, que até está crescida e tem muitos mamarrachos, agora até tem mais mamarrachos que Chaves. Para quem gosta de mamarrachos e atabalhoamento, Vila Real é uma boa vila para se viver. Não tiveram um desportivo na 1ª divisão, mas têm uma universidade que serviu de pretexto para a mesma estupidez, construir mamarrachos e crescer sem qualquer planeamento. Mas também não é disto que quero falar, pois em nome do progresso já estou habituado a estas asneiras e de Vila Real a única coisa que me incomoda mesmo é trocarem os oitentas e noventas, por oitântas e novântas, mas até tem a sua graça e dá-lhes um certo ar provinciano e parolo que lhes fica bem. Estou a reinar, é claro!
 
Mas nem há como regressar à terrinha, olhar para as placas da estrada e ver Chaves estampado nelas. Até se respira fundo.
 
Mas vamos ao lamento de hoje.
 
A auto-estrada baralhou por completo as entradas da cidade. Se antigamente as entradas principais e mais nobres da cidade eram feitas (a coincidir) conforme a categoria das estradas,  Estrada Nacional 2 para receber Portugal e que nos anos 60 pasmavam ao entrarem num túnel de 2 quilómetros de amoreiras e outras árvores (quem se lembra, sabe que era uma entrada nobre), logo seguida da estrada nacional 103 para receber gentes vindas de Braga , Bragança e Espanha, a seguir a Nacional 212 para receber gentes de Valpaços, depois a E.N 314 para receber gentes de Carrazedo de Montenegro e finalmente uma estrada municipal, estreita e acidentada para receber os barrosões de Montalegre (não admira que eles sempre estivessem mais voltados para Braga, pois Chaves neste aspecto de comunicações sempre olhou para eles como o parente ou vizinho mais pobre).
 
Pois hoje com auto-estrada tudo continua na mesma, ou seja, a nobreza das entradas mantém-se como sempre e até se beneficiou a entrada da E.N. 2, que polémicas à parte, foi beneficiada e,  estou finalmente chegado ao lamento de hoje. Com tantas entradas mais ou menos nobres na cidade, o nó da auto-estrada logo havia de nos cair na entrada mais foleira que temos. É uma realidade e como flaviense sinto-me envergonhado com a actual entrada principal da cidade. Não haverá por aí alguém bom em cunhas para pedirem a mudança da placa de entrada de Chaves para Vidago ou pelo menos para Curalha, e assim sempre se ia apreciando a paisagem.
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Mas diz o ditado que mais vale uma imagem do que mil palavras e nem há como dar largas à nossa imaginação e assim sempre que saio da auto-estrada pela entrada de Chaves, tento imaginar nos pequenos pormenores obras de arte e miniaturas do Mário Valpaços, transformando charcos (por exemplo) na barragem de Curalha. Fica a explicação das fotos.
 
O que vale é que amanhã este blog descansa as urbanidade numa das nossas aldeias, esquecidas em nome das políticas das concentrações e do progresso, mas que ainda vão sendo algo de bom e genuíno, com gente também boa e genuína que o concelho tem para oferecer.
 
É nisto que dá o ter de acordar cedo para ir a Vila Real.
 
Até amanhã!
 
 

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